terça-feira, 24 de novembro de 2009

Trinta anos depois - 1979/2009 - STBSB e lembranças do 1º ministério em Belford Roxo - 1974/1978

Queridos amigos

só na semana passada me dei conta que este ano estou fazendo 30 anos de formada pelo Seminário do Sul - Bacharel em Música Sacra com especialização em regência.

Quantas lembranças, quantos amigos, quantos sonhos. Sobre isto escreverei em outra ocasião.

Como o tempo passa...



Domingo fui pregar na Igreja Batista Central de Belford Roxo, Rua Lúcia, 166 - onde comecei e exerci meu 1º ministério de música, com meus 23 anos. Fui a 1ª MM deles, assim eles me reconhecem e mencionaram isto lá dia 22/11.

Comecei nesta igreja, no meu 2ª ano de STBSB (1974). Em 1978 saí de lá com dois filhos pequenos e voltei para o STBSB para fazer o 4º ano em 1979 e para a 2ª Igreja Batista do Rio. Em 1975 eu teria me formado, mas ter meu filho que nasceu naquele ano, era o mais importante. Entrei em 1972. Parei ao final do 3º e voltei em 1979.

Que emoção voltar 31 anos depois, e estar no belo templo que eu ajudei a construir nos mutirões que lá fazíamos regados ao Angu á baiana. Lembrar dos baldes de cimento que todos carregavam como formiguinhas, com o pastor Paulo Seabra à frente.

Lembrar dos adolescentes (meu 1ª amor) e do ônibus Evanil que eu pegava na Praça Mauá, durante a semana para visitar cada um, e com um barrigão imenso esperando pelo meu primogênito. Saudades do coro de adolescentes da região, onde conheci e convivi com muitos que hoje estão firmes e em seus ministérios como Marco Antônio Figueira, Pr. Sócrates Oliveira e MM Marciano bem novinhos, bem adolescentes. Ver os jovens e adolescentes da época firmes e atuantes na Igreja ou em outras da região com seus filhos e netos.



Que bom abraçar o forte e firme irmão Franco (83 anos) – amado e querido vice-moderador da Igreja na época e por muitos anos e a minha companheira e amiga - a minha 1ª empregada – Maria da Glória. Minha amiga/anjo/irmã que me ajudou muito com meus filhos, que saiu da minha casa para casar com o jovem sapateiro/artesão Josias Mendonça, que se tornou pastor e hoje junto seu filho Marcelo servem ao Senhor na Igreja Memorial de B. Roxo já por 20 anos.




Rever o Ghandi e Nana Lugão que moram hoje em Brasília e saber que Marcio, seu filho, companheiro de brincadeiras com os meus, hoje é missionário no navio Doulos. Rever Guaraci e esposa, Libânio e Luiza, Gilberto e Eneida com seus filhos, Marilane Pacheco - a querida amiga que me convidou, Sara, Silas, Vaval (pr. Dermerval), Elias, Márcia, Rosilene e sua mãe, Marlene Coutinho, Selma do Jovelino, César e Quésia Valim - filhos do Jeziel e Lourdes Valim falecidos, o zelador Pedro e Hilda, Adonis, Naura e Nathalia que me conduziram e tantos beijos e abraços e rostos, além de conhecer de perto o Pr. Geovani Colares, sua esposa Ilaura e seu filho caçula Geovani Junior.



Meu Deus o tempo passou.
Passou mesmo...

Que dor “doída” de saudade de ver o banco que minha irmãzinha caçula – a
Débora - sentava e ficava tomando conta do meu 1ª filho - o João Marcos e depois o caçula Felipe, enquanto eu ensaiava os coros. Depois o banho deles na casa do zelador, as mamadeiras, meu banho e o começo do culto. Aquilo que muitos de nós já fizemos e outros ainda fazem e farão.

Todos os domingos deixava minha casa no Méier, as 6h da manhã e seguia com a prole para o programa na Rádio Solimões, Nova Iguaçu - e voltávamos para casa depois das 22h30 ou mais. O café da manhã depois da Rádio era na casa do irmão Lugão (diácono) e o último lanche depois de atender e despedir o povo era também neste mesmo Lar. Os almoços eram nas casas dos irmãos. Noite alta, hora de enfrentar a Dutra e depois a Avenida Brasil, escura e já perigosa na época - cansados, mas felizes para a semana pesada e de tarefas na JMN (pr. Seabra e eu com filhos, casa e familiares)

Difícil falar tudo, escrever tudo...

Que alegria rever pessoas que muito abençoaram a mim e minha família, lembrar as cantatas, o princípio de tudo, o harmônio que a JMN emprestou, as aulas de flauta, os adolescentes, as carreatas e "arrastões" evangelísticos, o frango que aprendi vendo D. Nerci Lugão (a eficiente secretária da Igreja) fazendo aos domingos. Hoje, ela, com cerca de 90 anos e sem poder andar muito com osteoporose, sem ouvir, estava lá para me ver, com o mesmo sorriso e seu jeitinho quieto.

Quem morreu, quem está firme em Cristo, quem abandonou as fileiras cristãs, quem é você, você lembra de mim? Foi muito difícil falar neste domingo, mas Deus é bondoso e nos ajuda, não?

No dia do Ministro de Música da CBB ganhei este presente de Deus.

É já vivi muito... e estou quase me aposentando.
Faria tudo de novo.

Não sei se tudo igual, mas como saber, se não vivemos estas situações antes?


Deus é muito bom, misericordioso e justo!


Algumas fotos:












abraços
westh ney - http://blogdawesth.blogspot.com/
Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil - STBSB, Tijuca - Rio
Um lugar onde se aprende a orar, a liderar e a pesquisar.
Cursos de Teologia, Música e Pedagogia
www.seminariodosul.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dia do Ministro de Música das Igrejas batistas da CBB

Orem pelos dignos e lutadores servos de Cristo
- os Ministros de Música da CBB - , que
formados ou não por um Seminário,
consagrados nas Igrejas Batistas
em Concílios ou não,
fazem a obra de um evangelista,
de um mestre,
de um educador,
de confortadores e consoladores
levando também esperança para as pessoas
com a ferramenta, com o talento
com que foram agraciados por Deus
para o desenvolvimento e crescimento do
Reino de Deus aqui na terra.

Que muitos venham aos pés de Cristo
pela música,
pelo exemplo

e fidelidade
destas mulheres e homens de Deus,

vocacionados(as) para esta boa obra.

Que ninguém, ninguém
seja um embaraço para este ministério,
nem nós mesmos (eu também sou MM).

Deus abençoe nossas Igrejas Batistas do Brasil,
e que elas sejam
um porto,
um abrigo,
um front,
um oásis,
uma tribuna,
uma casa de mãe...

Que a indignação contra o pecado,
e as injustiças,
que a esperança da volta de Cristo,
que a Salvação do nosso Senhor e Mestre,
o arrependimento,
o perdão,
a misericórdia e
o amor de Deus sejam pregadas nestes templos,
onde Deus não mora e nem se esconde,
pois o coração do homem sim, convertido à Cristo,
é o santuário do Santo Espírito do Senhor.

Nós que somos esta Igreja que é - triunfante, militante,
mas também peregrina neste mundo - reconheça que
precisa muito do Senhor nosso Deus,
que é o principio e o fim de toda a nossa existência.

Oh, Senhor ajuda-nos!

abs
westh ney

Projeto Musical Coro na Bagagem do Seminário do Sul em Ribeirão Preto e Franca, SP

por Westh Ney Rodrigues Luz

Uma viagem de libertação - “... o que posso dizer com isso é que muito de mim (senão tudo) foi quebrado ao ver os olhos daqueles que aguardavam por uma esperança, e quando cantávamos, era como anunciar as verdades do céu, e mesmo cansados como estávamos, um brilho surgia em nossos olhares. Isso, certamente fazia alguma diferença, pois o que adiantaria cantar algo que não estava vivendo? Uma incoerência como essa é inaceitável.

A viagem trouxe sentido a todas as canções que cantei no coro durante o ano e me educou sobre meu caráter, me aperfeiçoou sobre certas posturas, enfim, me libertou de minha ética discursada tão "belamente". Resta agora o desafio de permanecer caminhando, caminhando ao lado dos que também querem ir em busca de alcançar o mundo, com esta ferramenta libertadora que é a música..."
Enoque Verli, 3º ano de Música do STSBB

Ouvimos sempre depoimentos semelhantes quando voltamos de cada viagem anual. Este é o 5º ano deste Projeto Musical Coro na Bagagem do Seminário do Sul – STBSB, “cuja finalidade é promover a integração e interação entre os alunos, suas igrejas, as igrejas que os recebem e o Seminário”. (prof. Theógenes Figueiredo o coordenador).

O PROJETO CORO NA BAGAGEM –
O Coro é formado por alunos do 3º e 4º ano do Curso de Música do Seminário do Sul e alguns ex-alunos convidados. Acompanham os alunos, os seguintes professores do mesmo Curso: Leonardo Cunha de Barros, Westh Ney Rodrigues Luz, Claudiane Barros (pianista), Rivelino de Aquino (regente) e Theógenes Eugênio de Figueiredo (coordenador do Curso).

Os objetivos do projeto podem ser resumidos assim: prover liderança capacitada para o exercício do ministério musical levando Oficinas musicais para as Igrejas e cidades visitadas, além do que já foi mencionado acima, que é a motivação para um envolvimento em qualidade nas atividades durante o período da vida acadêmica.

Os alunos custeiam suas despesas com o transporte e hospedagem em hotel. Nos primeiros cinco dias, são hospedados nas casas dos irmãos da Igreja, onde um dos nossos objetivos é o de aprender a realidade de cada localidade, conhecendo de verdade cada pessoa, crescendo no exercício relacional. Alguns recebem ajuda das suas igrejas ou de amigos, outros dos seus pais, outros se preparam todo o ano, vendendo, fazendo hora extra e investindo na sua formação. Não recebem notas ou conceitos por participarem do Projeto.

É muito esperançoso e interessante nestes cinco anos percebermos nos nossos alunos o ideal missionário, a consciência de missão, e a capacidade de responsavelmente investirem na sua própria formação. É claro que fazemos camisetas, “garrafinhas de água, Cd (lançamos nesta viagem o nosso 1º) o que não representa uma porcentagem significativa. As igrejas que nos recebem contribuem com a alimentação e muitas levantam ou separam alguma oferta financeira que ajudam os que ainda ficam pendentes durante a mesma. É um trabalho de amor dos professores que atuam no projeto, dos alunos, das Igrejas e do STBSB. O resultado destas viagens além dos detalhes acima, são almas impactadas – tanto dos que cantam quanto dos que ouvem - pela mensagem salvadora e reconciliadora do Senhor Jesus Cristo. Tudo isto é feito com música e de diversos períodos musicais, texto bíblico dentro da confessionalidade batista, com Coro, Recitais individuais, Oficinas musicais e Culto Cristão com mensagens ou em forma de cultos cantados ou sermões segmentados e testemunhos.

Neste ano o repertório ficou assim: Vivaldi, Mendelssohn, Mozart, Robert Ray, John Rutter, Kirkland/Fatke, Lloyd Weber, Cindy Berry, Dana Menge, Mark Hayes, Ralph Manuel e os brasileiros Odyl Jr, Nabor Nunes, Agenor M. Neto, Marcelo Neles, Rivelino de Aquino e Stella Junia (nossos professores)

A VIAGEM –

Desde o início do Projeto já estivemos em Sorocaba (SP), Contagem e Belo Horizonte (MG) no ano de 2005; Volta Redonda, Vassouras e Barra Mansa (RJ) no ano de 2006; Cuiabá (MT) e Porto Velho (RO) no ano de 2008; Ourinhos (SP) e Foz do Iguaçu (PR). Em 2009 a viagem foi para Ribeirão Preto e Franca (SP) e Goiânia (GO).

Saímos do Rio de Janeiro dia 09/11/2009, com atraso, pois chovia muito e nossa aluna Nadyne Lima, escorregou e torceu o pé na descida do STBSB. Nosso coordenador levou-a para o Hospital. Neste momento todos nós começamos a pensar, orar e vigiar, pois a nossa luta não seria de agora em diante contra dificuldades burocráticas, financeiras e materiais, mas seria nas esferas espirituais desejando minar a nossa resistência. Temos convivido durante cinco anos bem de perto com nossos alunos e professores, dividindo sonhos, quartos, ônibus, esperanças e emoções. Assim chegamos a Ribeirão Preto – SP, onde ficaríamos por três dias e indo à Franca em uma manhã. Esta seria a nossa parada no caminho para Goiânia, em Goiás.

RIBEIRÃO PRETO, SP

Fomos recebidos com muito carinho e um gostoso café da manhã pelo Pr. Genilson Vaz e a MM Josenilda Vaz (que foram alunos do STBSB) e parte da Igreja. Que alegria os três dias que ali passamos com os amados irmãos da Igreja do Pr. Genilson – a PIB de Ribeirão preto. Todos nós fomos tão bem recepcionados, hospedados e nossas palavras de gratidão são poucas para expressar nosso sentimento.

Nossa delicada ex- aluna, a MM Tâmara Suellen nos deu um grande susto com outra enfermidade, também nos pés. O pastor da Igreja acionou seus irmãos médicos da Igreja e ela foi socorrida. Quase que a Tâmara voltava para casa. Bem novamente alguém com um problema nos pés. Quando chegamos na cidade de Goiânia, no dia 13, a calma e querida aluna Ana Priscila Lacerda quebra o pé andando suavemente como sempre faz. Foi atendida no Hospital de emergência da cidade, ficou imobilizada e ainda está de cadeira de rodas andando pelo STBSB estudando e se preparando para seu casamento dia 02/12/09. Ela teve que voltar de avião três dias após o acidente. Foi grave. Que situação interessante... Todos nós começamos a nos indagar e a vigiar cada vez mais.

O que será que Deus estava querendo nos dizer com tantos pés enfermos e prejudicados? Será que tínhamos pés de barro? Será que o que estávamos por realizar em três cidades era algo sem base, sem raiz, sem verdade? Ali, em meio aos nossos questionamentos estava a boa mão do Senhor nos ensinando e guiando. Seja o Senhor sempre louvado em todos os nossos caminhos e intenções.

Neste mesmo dia, sábado, 10 de outubro, realizamos as Oficinas: Acompanhamento ao piano; Violino; Bateria; Culto e liturgia; Liderança do ministério da música; Multimídia na igreja; Musicalização Infantil; Regência; Teclado, Técnica vocal e Violão.

O Recital aconteceu às 20h deste mesmo dia com a participação das alunas formandas Gisele Cordeiro e Lydia Baratute (piano) e Julia Félix, canto; o Duo de viola e violino com prof. Leonardo Cunha e Eduardo Oliveira (talentoso músico da Igreja/Orquestra Sinfônica da cidade; e MM Luis Armando de Oliveira e Prof. Rivelino de Aquino, canto. O Coro na Bagagem apresentou nesta noite seu repertório para Concerto – Vivaldi, Mendelssohn, Mozart, Robert Ray, e Stella Junia. No culto da noite no domingo, dia 11/10 aconteceu o um culto cantado com toda a Igreja de Ribeirão cheia e feliz (nós também) tendo a certeza do Senhor Jesus exaltado e glorificado por todos nós naqueles dias.

Na 2ª feira, o amado e incentivador dos músicos, pr. Genilson e sua talentosa esposa, a MM da Igreja – Josenilda nos proporcionaram um dia inteiro em uma chácara linda, onde tivemos uma reunião com os dois líderes. Ali falaram sobre como fazer um dueto afinado - um casal de obreiros, juntos nos Ministérios pastoral e musical. Falaram dos desafios da cidade de Ribeirão Preto, da economia, das faculdades de música e das atribuições de cada um deles no ministério e como conviver bem. Disse o pastor que não tem problemas com o ministério da música, e que mensalmente se reúne com todos para orar, louvar e exaltar ao Senhor e onde ampliam as amizades e o conhecimento.

Pr. Genilson disse que liderar é delegar e confiar e que a palavra chave no seu ministério é relacionamento. Antes dos cultos em algumas ocasiões são realizados recitais, que desta forma atrai pessoas à igreja, que de outra forma não fariam, pois o povo de Ribeirão é conservador, tradicionalmente católico e as famílias são muito fortes. Neste dia nos congraçamos com nossos irmãos da Igreja de Ribeirão que ali estavam com um gostoso churrasco, onde depois cantamos em volta da mesa muitas canções antigas dos Vencedores por Cristo, Grupo Elo, Rebanhão, Sergio Pimenta, Palavra da Vida ao som do violão do prof. Rivelino de Aquino com biscoitos, doces e café. Lágrimas nos olhos e corações aquecidos, ali todos estavam irmanados com pessoas, que até dois dias antes nunca tínhamos visto ou ouvido falar.

Que mistério, que maravilha a vida cristã, a irmandade que temos com o sangue de Cristo correndo em nossas vidas. Que maravilha a comunhão cristã que temos e podemos partilhar. Grande mistério este!

FRANCA, SP

No domingo, 11/10, pela manhã, Deus reservou outro momento muito especial para nós. Fomos cultuar na Igreja Batista Jardim Redentor em Franca, SP, que tem 23 anos de organização. O culto a pedido do pastor teve o tema adoração, culto, louvor. A ordem foi então dentro de Isaías 6 – Cultando nosso Deus. Um sermão segmentado assim: A visão, O medo, O desafio, A resposta, A missão. Coro e toda a Igreja participaram com muitos textos bíblicos e cantos sacros. A direção/mensagem foi da profª. Westh Ney Rodrigues Luz.

Almoçamos na Igreja e após este momento não imaginávamos o que Deus teria para nossos corações. No interior do templo, sentamos e ouvimos o Pr. Valdenir Albarral falando sobre os desafios da região, da congregação da sua Igreja que é um trabalho pioneiro e que já possui um templo pronto, sustento, plano de saúde, casa para o pastor, mas que até aquele dia ainda não tinha conseguido um obreiro para aquele lugar.

IMPRESSIONANTE, como parece que ainda faltam obreiros! O antigo apelo é o mesmo ainda hoje: - Quem enviarei? A congregação é em São João de Bela Vista. O que tem neste lugar? Tem gente precisando de Jesus, diz o pastor Valdenir.

A cidade de Franca tem cerca de 350.000 habitantes e todas as pessoas estão envolvidas em algo ligado a sapatos. Nesta cidade há o projeto musical Guri, a Igreja Quadrangular que é a maior, uma catedral da IURD, cinco (5) Igrejas Batistas e nenhum ministro de música. Está sendo construído um grande Hospital Espírita, pois eles são numerosos e assumidos.

Enquanto ele falava, olhava para meus alunos que estavam emocionados, chorando por ouvirem o testemunho do que Deus fez e ainda tem feito na vida do pastor Albarral e sua família. Temos no projeto oito (8) filhos de pastores, entre professores e alunos e estes encontraram pontos semelhantes aos vividos por suas famílias pastorais.

O pastor falou sobre seu encontro com Deus aos 17 anos, quando vivia pelas ruas de São Paulo envolvido em gangues de rua, alcoólatra (nunca foi preso). Converteu-se ao Senhorio de Cristo em um acampamento com os Jovens da Verdade e a mensagem de um pastor presbiteriano. Estudou, fez concurso para os Correios (ECT), onde construiu sua carreira de carteiro a tesoureiro.

Ganhando cerca de 20 salários mínimos, já pastor, casado e com filhos (um deles precisando de tratamento especial devido um erro médico no ato do nascimento) ouviu voz de Deus no seu coração que lhe perguntava se ele era um funcionário dos Correios ou um pastor. Ali, dirigindo seu carro decide deixar tudo e ficar só com o pastorado ganhando dois salários mínimos e meio. Novamente repito: Que grande mistério é este de homens que corajosos largam tudo por amor à Obra de Cristo e que experimentam a presença e o maná do Senhor diariamente, sem faltar um só dia a provisão.

Voltamos para Ribeirão, distante cerca de 1 hora para cuidarmos das nossas malas e do culto da noite, pois sairíamos pela manhã seguinte rumo à Goiânia. Durante a viagem todos estavam quietos, pensativos e muito emocionados. Duas alunas sentaram comigo - e alguns chegavam mais perto em alguns momentos - e voltando chorando, compartilhando o que Deus já tinha feito naquela manhã e nestes três dias em suas jovens vidas.

Como é maravilhoso investir em vidas, como é surpreendente depender da Graça maravilhosa e especial de Cristo Jesus, o Mestre, Salvador e Senhor. Ao Senhor seja todo o Louvor!

No próximo artigo narrarei a estada em Goiânia, o Asilo, o Acampamento dos ciganos, REVIVER – o centro de dependentes químicos, o Seminário Teológico Batista de Goiânia, a Igreja Batista da FAMA (Pr. Newton Bastos) , a Igreja Batista Jardim das Esmeraldas (Pr. Aldimar Miranda de Carvalho) e o 70º aniversário da Convenção Batista de Goiás (presidente Sérgio Vaz) .

“ O meu maior prazer é viver e cantar sobre Deus. Pode haver algo melhor ? A cada minuto foi sentida a atuação sem igual de nosso Senhor Todo-Poderoso. Por tudo o que fizemos, que cantamos, a Deus, e somente a Ele, sejam dadas glória e honra para sempre!”
Marco Aurélio Verçosa, aluno do 3º ano de música do STBSB.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

... continuação - Cultos com pirulitos, balinhas e brinquedos religiosos

Caros amigos cristãos

não nos iludamos, o problema não é de uma igreja ou denominação.
Muitos ritos, muitas formas também bonitas e solenes em um ou outro momento e que nos acordam e tiram a névoa dos nossos olhos tão acostumados na nossa confortável realidade cristã, não passam de formas e que no dia-a-dia não nos impactará mais, pois são ritos vazios, sem significado real ou então porque já cumpriram a sua missão e nós não fizemos a nossa parte e não crescemos e não descobrimos Deus no meio das nossas bolsas e gavetas.

Não podemos nos acostumar com uma vida cristã rala, comum, como se tudo já soubessemos, cristalizados em nossas experiências passadas, acostumados com o que Deus já fez. Ele é dinâmico, age, nos supre, mas é justo conquanto, não obstante- bondoso e amoroso. De tanto cantar e falar sobre Deus, principalmente de um Deus tão "bonzinho, tão queridinho, tão papaizinho" será que não temos perdido a visão da Sua majestade, grandeza, soberania? Será que temos perdido a visão de Senhor da História?

É muito mais fácil percebermos logo de cara o esvaziamento da liturgia, dos cultos, da sua forma, mas ela reflete o conteúdo, ela é o depositório ou a estrutura do que entendemos por Deus, seu amor, o sacrificio do Cordeiro Cristo Jesus e presença atuante do Santo Espírito que nos impulsiona e dimensiona o nosso Serviço ao mundo em nome desta Fé.

"Ah, todos vocês serão conhecidos pelo amor que possuem uns pelos outros", diz o texto bíblico. Com medo de não sermos conhecidos assim pelo Senhor, realizamos movimentos de Koinonia, que como movimento é fácil realizar, mas como verdade integral vai se esvaindo até trazer este cansaço.

Em Setembro, um pastor depois de muito falar e caminhar me ligou dizendo que iria encerrar o tempo do seu chamado "grupo de louvor". Algumas pessoas amparadas por mais outro pequeno grupo queriam continuar usando práticas menos tradicionais do que a sua Igreja suporta e com o comprometimento de fazer de uma forma cópia/cover a repetição de shows de TV ou Shows gospel. Este pastor disse-me que aceitou ficar naquela igreja pois a mesma se dizia tradicional. A Igreja não quer aquela prática e ele chegou ao máximo e investido de sua autoridade de também gestor/ administrador, precisava tomar esta decisão de em nome dos outros irmãos - disciplinar um grupo que não entende e não conhece o seu papel da música na liturgia. Fiquei com pena da situação, mas gostei de ver um pastor pastoriando também, pois tenho visto muitas "licenças"por meio de perder jovens, membros ...

Culto é algo sério, não é um "programa de culto".
Bem, mas todos nós sabemos isto.

O que me preocupa é o descaso com a celebração da Ceia, pois ali, pelo menos ali, em algum momento as pessoas trazem à memoria o porquê da ida ao cultos, à igreja. Ali naquele momento da liturgia com a Ceia, é relembrado os fundamentos da nossa fé, na anamnese que é feita do que Cristo realizou e do que ainda fará. Ali recordamos, relembramos, enfim celebramos (pois celebração não é só festa) a vinda, a missão e a espera "esperançosa" da sua Segunda vinda gloriosa.

Só para lembrar aos meus amigos, aos que me conhecem há algum tempo:
Deus em meio a uma grande tribulação me enviou para servi-lo junto aos presbiterianos por cerca de 6 anos. Ali,abatida como uma ave frágil, de longe, fora dos meus arraiais pude olhar para nós e este momento foi crucial e decisivo em minha vida.

Ainda bem que Deus não cabe na palma das minhas mãos.

* escrevo com base nos dados do que que recebo de muitos alunos, dos feedbacks nas conferências e do que Deus fala ao meu coração. É cansativo, é dolorido, mas espero em Deus que sempre pode renovar as minhas forças. Tem horas que precisamos ficar quietos na caverna, em silêncio ouvindo e sentindo a doce e santa presença do Senhor.

Deus seja com todos nós.

abraços
westh ney - http://blogdawesth.blogspot.com/
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Cultos com pirulitos, balinhas e brinquedos religiosos


Escrevi este texto em resposta à minha amiga que narrou um fato. Leia abaixo ao final.
..................

Querida amiga, meus irmãos e amigos

Esta tem sido a minha luta diária. Ainda bem que muitas igrejas ainda querem ouvir sobre isto.
Pelo menos ouvindo, mas se colocarão em prática, aí já são outros 500.

A pobreza e a mediocridade estão nas portas em alguns lugares, mas em outros adentraram há muito, e permeiam as mentes e os corações. Igrejas e cultos fast-food, onde as pessoas sem discernimento ou ensino, colocam tudo de uma só vez no prato e misturam todas as guloseimas, todos os sabores...

Bem dizia A.W. Tozer, lá pelos anos 60:
“Em muitos lugares raramente é possível ir a uma reunião cuja única atração seja Deus. Só se pode concluir que os filhos de Deus estão entediados dele, pois é preciso mimá-los com pirulitos e balinhas na forma de filmes religiosos, jogos e refrescos” (A. W. Tozer).

Isto foi retirado do livro do Rev. Arival Casimiro. “A necessidade de essência do culto”
In Adoração e louvor. S. Bárbara d’Oeste: SOCEP, s/d., vol. 1, p. 9. por Isaltino Coelho, e citado no artigo Cultos biblicamente relevantes em http://www.seminariodosul.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=82&Itemid=65

Como W. Tozer é atual. Um dos livros dele - "O melhor de A. W. Tozer " (Ed. Mundo Cristão) - que não sai da minha mesa de cabeceira e que para onde viajo o levo. É um livro de excertos de vários outros livros dele.

No livro - A Raiz dos justos ele fala sobre o Deus entretenimento.
Diz assim:
" Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo estando próxima, os seguidores professos do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos religiosos?”

Para quem sabe ler um pingo é letra, não há nem o que comentar...

Nossas igrejas e púlpitos estão com muitas pessoas incrédulas hoje. Para que pregar Arrependimento, Confissão, Perdão de Deus em lugar do perdão entre as pessoas, tratando os problemas relacionais e trazendo um serviço de auto-ajuda para o povo?

Para que pregar se alguns nem acreditam na Volta de Cristo e nem pregam sobre a Segunda Vinda? Onde os irmãos tem escutado mensagens assim?Se Cristo não vai voltar, se não se acredita na alma no inferno e nem no céu, se a Igreja se tornou um lugar bom e aprazível para cuidar das nossas mazelas e clubinhos sociais onde cantamos (demasiadamente), choramos, nos emocionamos, fazemos uma catarse e o pregador como uma boa mãe velhinha passa a mão na cabeça dos fiéis (coitadinhos tão sobrecarregados, tão precisando de uma abraço ) e isto já está bom demais. Ora, porque incomodar as pessoas que mesmo dentro da Igreja estão perdidas sem salvação?

Não sei porque tantos querem ir para muito longe fazer missões, se temos nossas congregações cheias de membros incrédulos e caminhando a passos largos para o inferno.Temos tempos cada vez mais difíceis chegando e será que nosso povo está preparado para enfrentar tantas tribulações?

Tenho estado em muitas igrejas e vejo, sinto, escuto as pessoas. Assusto-me, fico inquieta pensando, lá vou eu de novo, falar estas mesmas coisas? Acho que não há mais necessidade, mas Deus me mostra como nosso povo está "esquecido" do seu primeiro amor, e está com sua mente embotada para as verdades bíblicas dos apóstolos e profetas. Imaginem como devem estar com as palavras e o ensino de Cristo?

Oh, Senhor dá-me mais vigor e força e não me deixe desanimar e nem me cansar. Levante Senhor homens e mulheres - além dos que já assim pensam e sentem - e que tenham uma fé incondicional, genuína, não de ouvir dizer, mas de experimentar e viver diariamente com seu Deus, experimentado seu amor, submissos ao Senhorio de Cristo e perfeitamente auxiliados, consolados e sabiamente aconselhados pelo Santo Espírito.Esta á minha oração e em nome de Cristo Jesus meu Salvador, amém!

Só Deus pode mudar o rumo das nossas igrejas cristãs ao redor do mundo.
Westh Ney Rodrigues Luz, 10/11/2009 - 00:40

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O texto da minha amiga:

(...) ontem à noite, após um culto com esvaziamento completo de muita coisa, um amado irmão me procurou e disse: não estou conseguindo mais ser batista. Um culto tão pobre liturgicamente, nem leitura da Bíblia na ordem, não...disse-me ele, não dá para aguentar.

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domingo, 8 de novembro de 2009

JORGE REHDER foi para os braços do Pai



Faleceu hoje dia 8/11/2009, em SP, o grande e amado compositor conhecido no Brasil por músicas como "Rei das Nações", "Barnabé", "Em todo tempo", gravações registradas por Vencedores, IB Morumbi Produções e outras.

Hoje, dia 08/11, às 18h30 - Culto de Gratidão à Deus pela sua vida no Projeto Raízes
R. Prof. Ciridião Buarque, 76, Pompéia .

Amanhã, dia 09/11, às 8h30 - Culto de Despedida , no Projeto Raízes, de onde sairá às 10h para o sepultamento no Cemitério do Morumbi.

Deus conforte a família e todos nós. Que a Sua Graça esteja sempre som todos nós como sempre esteve com o Jorge Rehder.
westh ney

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Vejam no you tube:

Barnabé foi a composição que ele fez, apenas para compor um festival ou Encontro e que o Guilherme Kerr pediu. Foi feito como um exemplo de música sacra sertaneja. Ele mesmo me disse que não pensava que teria toda esta importância. Está no HCC, 496 por sugestão minha.

1. Barnabé, Homem de Deus (YouTube)
http://www.youtube.com/watch?v=MUKi7irB3-k&feature=related

2. Rei das nações
http://www.youtube.com/watch?v=adpmv_BT4ow

3. Louvarei - Lançamento do CD Porto Esperança
http://www.youtube.com/watch?v=ZC_MIFCPN7o

4. Jorge Camargo, Jorge Rehder e Nelson Bomilcar no Som do Céu 2009 cantando "Vida e luz"
http://www.youtube.com/watch?v=2FUw3AmKpUk&feature=related

5. Jorge Camargo, Jorge Rehder e Bomilcar
http://www.youtube.com/watch?v=QLlttY0Nflc&feature=related

6. 03/05/2009
Culto da Noite Igreja Batista Itacuruçá
Mensagem com Pastor Jorge Rehder
Veja Agora

7. Culto da Manhã
Mensagem: Ainda há esperança
Texto: Lamentações 3.18-26
Pastor: Alcenir Ancemé da Mota
Músicas com Jorge Rehder
Veja Agora

02/05/2009
SARAU DA COMUNA
Veja Agora

SARAU DA COMUNA
A tarde
Veja Agora

01/05/2009
SARAU DA COMUNA
Veja Agora


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DEIXE SEU RECADO PARA A FAMÍLIA NO ORKUT DELES:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=3244136322821870154

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Veja no Sons do Coração a entrevista com Jorge Rehder - Parte I e II
http://www.nelsonbomilcar.com.br/sons-do-coracao/011-entrevista-com-jorge-rehder-parte-i/

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http://www2.uol.com.br/bibliaworld/amc/jrehder.htm

Jorge Rehder é dentista e faz parte da equipe pastoral da 1ª Igreja Evangélica Projeto Raízes, onde coordena o Ministério de Louvor. Associado Fundador da AMC, é seu tesoureiro desde maio de 1999.
É bem possível que você não conheça seu rosto, mas com certeza você já cantou ao menos uma de suas músicas. As músicas de Jorge Rehder foram e são cantadas nas igrejas brasileiras e em outros lugares do mundo. É autor de "Barnabé", "Da Multidão" e "Rei das Nações", só para citar três entre as mais de 130 já gravadas. Muitas vezes compõem sozinho, mas também tem parceiros que são grandes amigos, como por exemplo Guilherme Kerr, Nelson Bomílcar ou Jorge Camargo.
Sempre presente no Salmus - Seminário de Adoração, Louvor e Música - tem falado freqüentemente sobre Relacionamento e Liderança na equipe de Louvor.

Discografia:
Ao menos por enquanto, você não encontrará nenhum trabalho solo ou um CD com "O Melhor de Jorge Rehder". Suas composições estão registradas em diversos CDs, entre eles:

Projeto Raízes:
a.. Louvor de Raízes
b.. Louvor de Raízes vol. 2
Associação de Músicos Cristãos:
a.. Reunidos
b.. Nosso Chamado
Vencedores Por Cristo:
a.. Série Louvor de IV a IX
b.. Sopro de Vida
c.. Cânticos 1 e 2
d.. VPC 30 Anos
GKerr Produções:
a.. Eram Doze
b.. Adoração Comunitária
c.. Da Liberdade
d.. Dia de Visitação
e.. Melhor de Guilherme Kerr
Ig. Batista do Morumbi Produções
a.. Missões e Adoração I, II
b.. Vento Livre
Luz Para o Caminho
a.. Cantata Luz
Para adquirir estes CDs: www.vpc.com.br

http://www.jorgerehder.com.br/
http://www.youtube.com/watch?v=QLlttY0Nflc&feature=related

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Deixe-me Adorar! Fabiano Rocha

Há um tempo atrás, este foi o título de uma pastoral em um *boletim dominical; feita em uma ocasião em que os membros da igreja talvez não estavam compreendendo como deveriam ser suas atitudes nos momentos de cultos. O pastor, dizia que as pessoas, suas ovelhas, o estavam atrapalhando no momento do culto coletivo. Sentavam e saiam do santuário a todo momento; conversas paralelas; o pessoal do “fundão” rindo de tudo o que estava acontecendo, as crianças com seus brinquedos e lanchinhos fazendo a festa! DEIXE-ME ADORAR! Parecia mais um grito de socorro daquele pastor.

Hoje, grito também!

DEIXE-ME ADORAR!!!


Mas, não adianta. Nem gritando as pessoas podem me ouvir.

Porque a maioria dos musicistas cristãos pedem uma amplificação alta? Parece que tenho 150 anos de idade falando sobre isso. Mas, minha preocupação é com o meu ouvido, do jeito que as coisas estão, com 40 anos estarei surdo! Um volume agradável é a primeira atitude em que uma pessoa que se diz músico deve ter ao transmitir as outras pessoas o seu “som”. E nós cristãos, não estamos transmitindo uma mensagem qualquer, estamos transmitindo uma mensagem salvadora e transformadora. Ao invés disso, deixamos os crentes (sem contar os vizinhos) estressados, impacientes, pois, ficam orando para culto terminar logo, pois, o barulho é insuportável, e cada minuto a mais parece ser uma eternidade.


Algumas reflexões:

Aumentar o volume - é um truque barato para aumentar a energia do ambiente. Pra muitos tocar animado, brilhante, sei lá, é tocar alto! Existe uma comédia “ This is Spinal Tap”, que mostrou todos os absurdos truques de som utilizados para compensar a falta de talento. Se existe alguém que tem direito de tocar alto, é aquele que toca muito bem, mas, geralmente quem toca muito bem, sabe que tocar alto não agrada a ninguém, apenas a si próprio. (será que a maioria dos músicos de uma banda/equipe de louvor/equipe instrumental percebem que estão tocando em conjunto? Já observei vários grupos instrumentais, na maioria deles, todos eram solistas ao mesmo tempo. Isso é falta de musicalidade.


Quando falta afinação – vamos dizer a verdade, a maioria dos cantores e instrumentistas não estão próximos de tom perfeito, se é que posso dizer assim. Certa ocasião o irmão da bateria disse: Fabiano, vamos tocar bem alto quando o irmão fulano for cantar (solo), pois, ele é meio desafinado, temos que encobrir a voz dele. Outro episódio muito interessante eu presenciei há alguns anos atrás e sempre que lembro acho muito engraçado. Domingo de manhã, o irmão da guitarra chega pro irmão do baixo e diz: Já afinou seu baixo? Não! Não precisa, eu afinei na quarta-feira .


Exclusão – devemos sempre considerar que podemos estar excluindo as pessoas; não só as idosas, pois, dizem que volume alto incomoda apenas os idosos, isso não é verdade. Uma vez passei na porta de uma igreja, que não era batista, graças a Deus, e pensei que o “Guns N’ Roses” estava na igreja, era muito alto; depois que a polícia chega pra averiguar o que está acontecendo os crentes começam a dizer que é coisa do diabo, é perseguição contra a igreja.


Nos tempos em que a música se desenvolveu com Palestrina, no século XVI, tornou-se muito requintada e adornada para cantores comuns. Então os cristãos iam à igreja para ouvir um padre e um coral.


A Reforma Protestante tirou a música sacra dos profissionais e colocou-a de volta aos bancos da igreja. Lutero compôs hinos baseados em melodias populares, inclusive “drinking songs” (músicas para serem ouvidas enquanto se bebe algo). Calvino insistiu nas letras baseadas em Salmos. Esta foi uma música da qual quase ninguém podia participar. O problema hoje, certamente, é a raridade de músicas elaboradas. Nós poderíamos utilizar um pouco mais de arte, na verdade, do que normalmente conseguimos, com a simplicidade e formatos musicais repetitivos de muitas músicas de adoração contemporâneas.


O contraste com a Reforma é a insistência dos dias modernos de que as pessoas sejam o centro das atenções. Nós fazemos isso ao permitir que uma banda com seis membros faça mais barulho do que uma congregação lotada. Mas o culto na igreja não é um concerto no qual o público canta com os cantores principais. Musicistas – cada um deles, incluindo os cantores – acompanham o louvor da congregação. Eles deveriam estar misturados ao som o suficiente apenas para fazer a sua parte, conduzindo e apoiando a congregação.

Palestrina é bom, e um bom rock cristão também. Então, músicos das igrejas, se vocês querem apresentar uma boa música, isto requer uma maior habilidade com os instrumentos, em todos os sentidos.

Mas quando vocês estiverem nos liderando (congregação) nos cânticos, então, levem-nos a cantar. E baixe o volume, senão não conseguiremos ouvir vocês – ou pior – estaremos lutando contra vocês. Eu sei que não é isso o que vocês querem que aconteça. Mas eu estou dizendo a vocês o que está acontecendo.

Gente, o povo esta clamando:

“DEIXE-NOS ADORAR”.



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Nota do autor:
o título é de uma pastoral, do pastor Romildo Nunes Mendes, da PIB de Foz do Iguaçu. Ele a fez quando eu ainda trabalhava nesta igreja. Algumas das reflexões do texto, 2º parágrafo, foram baseados em um livro de John Stackhouse Jr.

Fabiano Rocha da Silva - fabianorocha_dasilva@live.com
4º período de licenciatura em música - STBSB

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Fabiano é aluno do 2ª de música do STBSB -Seminário do Sul.
É casado, tem 26 anos, toca teclado tbém. É pianista e regente

Música, Adoração e Pós‐Modernismo: Misturas, Efeitos e Caminhos de um Cristianismo Desgovernado


Tiago Zortéa, psicólogo e músico

Neste ensaio gostaríamos de discutir sobre a influência pós‐moderna no cristianismo protestante, mais especificamente nos âmbitos da música e da adoração.

A expressão “pós‐modernismo” se refere a um período marcado por algumas transformações, momento este que sinaliza uma linha divisória, mas não fixa e nem tanto inteligível, entre o que é “moderno” e “pós‐moderno”.

O modernismo se caracterizou por momento histórico‐cultual da sociedade ocidental que rompeu com os princípios mantidos até então, na idade média. A “Idade Moderna” trouxe a ciência e com ela o uso da razão para a explicação de fenômenos naturais e humanos. Deus deixa de ser a verdade absoluta e fonte de todas as coisas e é morto pelo homem moderno com as armas da metodologia científica, tal como ilustrado por Nietzsche. O homem econômico liberal com seu “super‐poder” ‐ a Razão ‐ irá buscar criar um mundo ideal, mais ou menos previsível, determinado, organizado, lógico, racional e, principalmente, ordenado ‐ condições essenciais para que se possa atingir a felicidade também inventada pelo homem moderno. A era moderna foi marcada, sobretudo, pela crença na razão e no progresso ‐ em outros termos, pela inversão do pólo transcendental para o terreno.

Mas o século XX iria colocar em xeque o mundo do progresso e da razão até então estabelecidos. A ordem e a inteligibilidade pareciam se tornar anêmicas diante de grandes colapsos gerados pelas guerras, revoluções, estragos ambientais, atrocidades e mortes em massa e outros conflitos marcados pelo horror. A ciência e os “avanços” começam a ser questionados e o homem não alcança o que havia planejado. A euforia no progresso dá lugar à incerteza no futuro ‐ eis aqui um dos componentes essenciais das “almas pós‐modernas”. Nesse contexto de profundas crises humanas, mudanças irão surgir nas múltiplas faces sociais e culturais. Podemos dizer que nas últimas décadas do século XX entra em cena um espectro fantasmagórico e um ar perfumado de incertezas e dúvidas: o pós‐modernismo.

Há uma ruptura com o mundo ordenado da modernidade e a crença no progresso vira piada. Mudanças ocorrem em vários campos, as “certezas” se diluem em incertezas e a liberdade, tão cultuada, trata de dar os contornos das novas configurações econômicas, sociais, culturais, políticas, artísticas, científicas e cotidianas ‐ e ninguém sabe dizer para onde estamos indo; a modernidade respondia com autoridade que estávamos caminhando para o progresso, mas a pós‐modernidade mantém‐se na caducidade, e também não está interessada em responder questões existenciais.

O pós‐modernismo busca a todo instante a intensificação das sensações e dos prazeres da felicidade, mas jamais quer conhecer a face daquilo que procura. Dentre as várias características que compõem o pós‐modernismo estão o individualismo exacerbado; o narcisismo [1]; o apelo constante ao consumo; o apregoamento da liberdade e da incerteza; a “emocionalização” da vida; o excesso de informação sem a possibilidade de questionamento; a sociedade do espetáculo, do show, do exibicionismo e da imagem; defesa do ageneralização da descartabilidade; a redução dos espaços coletivos; a reemergência do niilismo [2];hedonismo [3] acompanhado pela força da liberdade e da imagem; a doutrina do aqui‐e‐agora; a crítica pela crítica; a busca pelo fascínio estético; a transferência de parte da vida para o mundo da virtualidade; o fortalecimento da competitividade e a redução da cooperação; a defesa de opinião própria em detrimento absoluto do bem estar coletivo; e vários outros fatores que compõem o que estamos chamando de “modo de vida pósmoderno” que vagarosamente emerge, mas cujos efeitos são marcadamente visíveis.

Tudo bem. Mas e música cristã, o que tem a ver com isto?

Iniciamos, então, com o “mercado gospel”, “o disco de platina”, os fã‐clubes e consumidores das “mercadorias evangélicas” e, obviamente, o reflexo disso: o povo canta “casca”, canta “superfície”, quando, sequer, sabe e pensa no que está cantando. Inúmeros cantores, cantoras e grupos tem surgido também em nossas igrejas locais, em função desta realidade “mercadológica”. Nelson Bomilcar [4] completa: “A mensagem do evangelho tem sido sucateada, colocada em segundo plano, escondida em letras superficiais e que não ajudam a pessoas a conhecerem mais do Deus das Escrituras Sagradas. Pobreza poética, excesso de reocupação com a imagem, mais do que com a fidelidade à mensagem do evangelho que professamos ou com a integridade dos músicos”.

A liberdade também toma conta, mas não no sentido de estar livre do pecado, mas uma liberdade “para correr, para dançar, para tirar o pé do chão”, levando multidões a um “estravazamento emocinal” nos “shows” e “espetáculos cênicos” em que, muitas vezes, Jesus é um mero detalhe do que ocorre ali. Descreveu bem João Alexandre: “é proibido pensar!” O culto agora é “emocional” e não mais “racional” como rogou o apóstolo Paulo em Romanos 12.1.

Se não bastasse, a doutrina pós‐moderna do “aqui‐e‐agora” também entra em cena. Este pressuposto é claramente identificado nas letras das músicas de André Valadão: “hoje o meu milagre vai chegar, eu vou crer, não vou duvidar. O preço que foi pago ali na cruz me dá vitória nesta hora”; e da cantora Elaine de Jesus: “Adora, pois a sua vitória vai chegar nesta hora. Deus marcou na agenda e não passa de hoje não; hoje é o dia da vitória”.

O imediatismo cria interface com a lógica da felicidade: eu tenho que ser feliz e para isto Deus fará um milagre na minha vida, e este milagre tem que ser agora, não pode passar de hoje; eu preciso desta vitória. O que as pessoas se esquecem é de se perguntar: o que é vitória para um cristão? O que é felicidade para um cristão? E o que fazer com as palavras de Jesus: “Tenho‐vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16.33)? Que vitória é essa? E as aflições?

O narcisismo toma conta. As músicas que cantamos no meio cristão dizem, a todo momento, dos nossos sentimentos, das nossas emoções feridas, das nossas crises, e tentam a todo custo nos trazer alento, afirmando que somos “especiais”. Não se fala mais de “pecado”, “pecador”, “errante”, “arrependimento” e “salvação”. Aliás, fala‐se sim em salvação; numa salvação que é “minha”, que é “meu privilégio”, “minha herança”, afinal de contas, “tudo o que Jesus conquistou na cruz é direito nosso! É nossa herança! Todas as bênçãos de Deus para nós, tomamos posse, é nossa herança!”. Desta forma, todas as coisas giram em torno do “eu”, tal como expressam muito bem os carregadores a arca: “Onde eu colocar as minhas mãos prosperará, a minha entrada e a minha saída bendita será, pois sobre mim há uma promessa. Prosperarei, transbordarei.” É o auge do “eu”. E a graça, onde fica?

Diversas outras influências se materializam na música cristã contemporânea. Um dos grandes perigos é cair em extremos. Não estou negando a existência de promessas de Deus para o homem; a questão não é esta. A questão é exatamente a permanecia excessiva e maçante nas promessas que dizem respeito ao “bem‐estar” humano, à vitória, ao fim do sofrimento terreno. Entretanto, há promessas que não são ditas, tais como: “Bem‐aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; [...] Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 5:10 e 20), “A falsa testemunha não ficará impune e o que respira mentiras não escapará.” (Provérbios 19:5). São promessas, mas não são cantadas. Não são cantadas por que não massageiam o “eu”, e por que trazem incômodo, trazem desafios que não queremos abraçar, visto que o comodismo é mais interessante, não dá trabalho, não cansa, e nos faz bem à mente! Canta‐se que “Deus é fiel” e cumpre suas promessas. Mas esquece‐se que “Deus é fiel” e cumpre todas as suas promessas, inclusive aquelas que não são cantadas!

O apostolo Paulo nos diz coisas importantes em Romanos 12.2, Efésios 4.14‐15, e 2 Coríntios 4.1‐2. O pós‐modernismo é um movimento advindo das raízes modernas, que negam a Deus como verdade absoluta.

O princípio para esta confusão desregrada é exatamente a negação de Deus como fonte de todas coisas, como verdade primeira, como o verbo do princípio. A avaliação de tudo tem um critério único: a Bíblia. Só saberemos quais caminhos estamos trilhando, que efeitos estamos produzindo e que tipo de cristianismo estamos vivendo se olharmos para a palavra, se olharmos para Cristo, a raiz perfeita!

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[1] Narcisismo. Amor excessivo e mórbido à própria pessoa.
[2] Niilismo. Doutrina segundo a qual não existe nada de absoluto (inexistência de realidade substancial) nem possibilidade de conhecimento do real e que, por isso, se caracteriza por um pessimismo metafísico e por um cepticismo relativamente aos valores tradicionais (morais, teológicos, estéticos).
[3] Hedonismo. do Grego hedoné, prazer. Antigo sistema filosófico que considerava o prazer como único fim da vida; doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível,
princípio e fim da vida moral.
[4] Nelson Bomilcar é pastor, compositor e músico, e tem trabalhado na adoração e música cristã nos últimos 30 anos, ministrando e pastoreando músicos, tendo produzido inúmeros cantores e grupos no Brasil. Participou de Vencedores Por Cristo, Semente, Igreja Batista do Morumbi. É membro da Associação de Músicos Cristãos (AMC) do Brasil.
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Referências:
Ministério PROVOICE: Amplificando a voz de quem fala das coisas de Deus

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Tiago Carlos Zortea (1985 - ), capixaba, psicólogo e músico, membro da PIB de Vitória.Trabalha com música na Igreja desde os 11 anos. Seu blog - Música e adoração - Vida Cristã na Contemporaneidade vale uma visita bem devagar, pois tem ali ótimos trabalhos.