sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Os hinos e cânticos do boletim ...


Tenho sempre lutado contra as ordens de culto efêmeras, que são colocadas em uma tela. As pessoas cantam, recitam os textos bíblicos e depois esquecem. Muitos cantos congregacionais que poderiam consolar, ensinar e admoestar cumprindo o seu papel nas ordens em questão, ficam na lembrança ou no esquecimento daquele momento onde foram usadas.

Alguns poderiam levar para casa aquelas letras novas e assim aprenderiam e fixariam os lindos e bons textos poéticos. Esta minha orientação quanto ao uso das ordens de culto são de muito tempo. Algumas vezes me canso e penso se estou correta em meu pensamento, se estou nadando em vão contra uma correnteza. Ou se estes novos tempos devem continuar e eu parar, me aposentar e seguir com todos.

Esta semana, dia 15/2/2010, recebi este e-mail que alentou a minha alma.

Eu o conheci pequeno e depois no início da juventude. Hoje não convivo diretamente e fico contente que mesmo sendo um homem feito e bom cristão pode chorar de solidão, mas pode lembrar-se da antiga ministra de música (MM) que lhe ensinou algo (esta antiga sou eu - hahahaha).

Vejam abaixo o e-mail - retirei o nome dele pois não pedi premissão e para não expor seus sentimentos em público.
abraços
Westh Ney

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-----Mensagem Original-----
De:
Para: Westh Ney
Enviada em: segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010 11:45
Assunto:


oi Westh,

minha irmã e eu estamos bem, graças a Deus. (...) Quanto a mim, formei-me em Direito e sou advogado. (...) Tenho acompanhado, ainda que a distância, seu ministério. Particularmente tenho grande admiração por você.

Quando estive na Marinha, e "a coisa apertava", sempre tinha no bolso os hinos e cânticos do boletim recortados em pequenos pedaços, os quais você ensinava e estimulava a congregação a levar consigo para "cantar pelo caminho".

Quantas vezes chorei e cantei aqueles cânticos e hinos!
Quantas vezes estes hinos e canticos me consolaram em meio a períodos difíceis.

Aproveito a oportunidade para dizer a você MUITO OBRIGADO!
Um grande abraço para você e para o Marcelo.

kjdkghdlghldgnld

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

HINOLOGIA_V - História do Departamento de música da JUERP, pelo olhar, autobiografia ou lembranças de Bill Icther

Parte V

PUBLICAÇÕES

Uma das grandes lacunas que senti no início do Departamento de Música, que oficialmente começou em 1958, portanto, 50 anos atrás, foi na área de publicações. Existia pouca literatura coral. A coleção mais usada era “Coros Sacros,“ do irmão Arthur Lakschevitz, cujo primeiro volume saiu em 1950. A coletânea de Graça Cowsert - “Hinos de Louvor,” também publicada em 1950, foi utilizada pelos corais, bem como a coleção, “Antemas Celestes” de Alyna Muirhead. Algumas coleções do metodista Alberto Ream também foram de grande valor. Cheguei a usá-las com os corais com quem trabalhava.

A primeira publicação (1ª) do novo departamento foi “Antemas Corais,” uma coleção de músicas corais. Fiz questão, que, naquela primeira coleção, as músicas de alguns brasileiros fossem incluídas. A coleção tinha contribuições de Guilherme Loureiro, Carlos Zink, Heitor Argolo, e do pastor presbiteriano Renato Ribeiro dos Santos. A música deste continua sendo a mais linda com a qual se canta o Salmo 139.23. Parece que a música expressa exatamente o sentimento do Salmista.

Em vez de só publicar música coral, resolvi preencher lacunas na área de música para vozes masculinas, femininas, e infantis. Portanto, as próximas três publicações foram: “Cânticos Para Vozes Masculinas” (dedicado ao coro masculino do STBSB), “Cânticos Para Vozes Femininas” (dedicado ao Conjunto Feminino da Igreja Batista Itacuruçá), e uma cantata para coro infantil, “Eis A Estrela. Nestas primeiras duas coleções aparecem arranjos de Guilherme Barbosa e Antônio Coutinho. Este último labutou fielmente ao meu lado durante quase todo o meu tempo no Departamento de Música. Passamos horas e horas usando uma máquina de escrever música, que utilizávamos no preparo das músicas para a publicação. Esta máquina preparava os pentagramas, os símbolos musicais, e as notas musicais. Depois vinha o trabalho de imprimir as letras e meticulosamente colocá-las no lugar certinho abaixo das notas, sílaba por sílaba.

As próximas duas publicações foram dois livros traduzidos do inglês: “A Música na Bíblia” e “Hinódia Cristã.” Não vou anotar nesta história, todas as publicações do departamento, mas foram muitas. O Brasil Batista entrou numa nova área neste aspecto.

Mencionarei somente algumas por serem diferentes: “Prelúdios Para Piano,” de Edile Cavalcante; “Acordes Celestes,” (arranjos para acordeão) de Lauro Bernardes; “Prelúdios Para o Harmônio,” de Eliel Pereira da Silva; e “Música Dos Grandes Mestres em arranjos para harmônio.” Esta coletânea tinha mais de 70 anos quando foi encontrada na biblioteca duma família inglesa no bairro da Tijuca.

Além da coleção “Glória ao Justo” do Pastor Ricardo Pitrowsky que já mencionei, também publicamos em 1975,” Composições Sacras,” de Júlio de Oliveira, neto do venerado líder presbiteriano, Rev. Álvaro Reis. Júlio foi organista da Catedral Presbiteriana no Rio por 45 anos e foi levado prematuramente ao céu, com somente 59 anos de idade. Achávamos que estes compositores brasileiros mereciam ter as suas obras disponíveis para todo o povo evangélico.

Entre as muitas publicações de coleções corais e cantatas, publicamos hinários para duas grandes cruzadas evangelísticas - a memorável Primeira Campanha Nacional de Evangelização, e a Cruzada Evangelística Billy Graham, Grande Rio.

Talvez uma das nossas mais notáveis publicações fosse em 1977, quando publicamos “O Messias” de Handel. Desde a sua organização em 1958, sonhávamos publicar para os coros do Brasil uma obra clássica, de música sacra. Foi uma luta gigantesca; longas horas foram gastas em consultas, várias “performances” foram avaliadas, e muitas pessoas colaboraram. Sem a participação destas, não teria sido possível lançar esta obra, não somente para os Batistas, como também para o público geral. Montamos uma equipe “de peso” que parecia um verdadeiro “Who’s Who da Música Brasileira: Cleofe Person de Mattos, Elza Lakschevitz Assunção, Gláucia Vasconcelos Keidann, Anna Campelo Egger, Henriqueta Rosa Fernandes Braga, Hora Diniz Lopes, Rui Wanderley, Saulo Velasco e John Boyd Sutton. Contamos com a preciosa colaboração de uma capacitada equipe liderada pela Profa. Joan Sutton, então professora no Departamento de Música do STBSB. A Irmã Joan, filha dos missionários John e Prudence Riffey (1935 -1967), foi criada no Brasil e tinha o dom da tradução. O Departamento de Música muito deve a esta irmã pela sua valiosa colaboração em muitas publicações. Ela foi a coordenadora da comissão que preparou o Hinário Para O Culto Cristão e este hinário apresenta 52 contribuições dela: oito letras, uma metrificação, 36 traduções, e sete músicas.

Talvez a maior e mais duradora contribuição do departamento foi a apresentação à denominação, da 36a edição do Cantor Cristão. Nunca nos seus 80 anos o Cantor Cristão sofreu tantas modificações. Nesta edição, foram apresentadas juntas pela primeira vez a música junto com a letra revista por uma comissão composta dos irmãos Werner Kaschel, José dos Reis Pereira, e Mário Barreto França. Os hinos todos saíram com a sua ortografia atualizada. Muitas notas apagadas ou mesmo ilegíveis foram retocadas; novos termos musicais foram utilizados; em alguns casos de harmonia errada, a mesma foi corrigida; foram feitas harmonizações a quatro vozes em dois hinos que tinham apenas acompanhamento para piano, etc.

Estas modificações foram de grande relevância, porém discretas que poderiam ter escapado ao olhar menos arguto. Mas a nova e histórica edição, tinha modificações mais úteis e óbvias: novos cabeçalhos contendo farta documentação preencheram uma lacuna que muitos tinham sentido nas edições anteriores; índices novos e ampliados onde o pastor, o dirigente da música, o diretor de programas especiais e os interessados no assunto encontrariam uma riquíssima fonte de informações. Mais uma vez este trabalho foi o resultado do esforço de várias pessoas: a Profª Joan Sutton e os alunos do Curso de Música do STBSB; a minha vizinha e grande Hinóloga, Henriqueta Rosa Fernandes Braga com quem passei longas horas preparando o índice da métrica; e os jovens Antônio Azevedo Coutinho, e Ivo Augusto Seitz, funcionários do então Departamento de Música.

Os batistas brasileiros tiveram afinal, um hinário ao par dos grandes hinários evangélicos do mundo evangélico. No final do prefácio daquela edição, escrevi as seguintes palavras:

“Que o Cantor Cristão seja útil para o engrandecimento
do evangelho nesta grande nação brasileira.”

HINOLOGIA - Final_História do Departamento de música da JUERP, pelo olhar, autobiografia ou lembranças de Bill Ichter - parte final

Recordações Inesquecíveis

Permita-me, ao terminar este meio histórico, meio diário pessoal, de citar algumas recordações memoráveis dos meus 35 anos abençoadíssimos no Brasil:

1. As amizades e relacionamento com muitos pastores e obreiros. Líderes como Almir dos Santos Gonçalves, José dos Reis Pereira, João Filson Soren, Rubens Lopes, David Gomes, Nilson do Amaral Fanini, Fausto Aguiar de Vasconcelos, Irland Pereira de Azevedo, João Falcão Sobrinho, Antônio Lopes, os irmãos Tomé, Othon Ávila Amaral, Juarez Azevedo, João Carlos Linhares, Eurico de Sousa Freitas e muitos outros.

2. Durante toda a Campanha Nacional de Evangelização, tive o privilégio de dirigir o cântico para várias cruzadas, muitas vezes com mais de mil pessoas presentes. Foram experiências até gostosas, de dirigir o hino “Cristo A Única Esperança” cuja música foi de Nelson Mariante. Naquele tempo, somente três pessoas sabiam que era o meu pseudônimo. Uma experiência especialmente gratificante foi quando a Profa. Olívia Magalhães e outros brasileiros voltavam de Miami onde haviam assistido algumas reuniões da Aliança Batista Mundial. Jamais esquecerei das suas palavras: - “O nosso grupo foi à frente e cantamos ‘Cristo, A Única Esperança. Nós nos sentimos tão orgulhosos por ter cantado um hino nosso, com compositor e autor nosso.” Mal ela sabia que fui eu o compositor. Não disse nada, mas dei graças a Deus por ter tido aquela experiência.

3. Os coristas das grandes concentrações evangelísticas nos grandes estádios em várias cidades. Em uma destas, no Estádio Rei Pelé, em Maceió, dirigi os cânticos com um braço engessado; havia quebrado o braço naquele mesmo dia jogando uma pelada de futebol com vários pastores e obreiros, no acampamento batista em Paripueira.

Mas mui especialmente, eu me lembro do Grande Coral da Campanha Evangelística Billy Graham no Rio, em 1974. Este coral composto de 11. 500 coristas ainda hoje, de acordo com a palavra de Cliff Barrows, “foi o maior coral de todas as cruzadas de Billy Graham.” Ainda hoje, parece que posso me lembrar de 5.000 baixos e tenores cantando “Graça! Quão maravilhosa é a de Jesus, Como o firmamento, e sem fim.”

4. A minha chegada em Luanda, Angola (em plena guerra civil), sendo recebido ao sair do terminal do aeroporto por um coro masculino da Igreja Batista Central de Luanda, entoando o coro “Aleluia” do Messias.


5. As quatro igrejas onde fomos membros: Cambuí de Campinas, Itacuruçá, PIB de Copacabana, e Grajaú, sendo estas últimas três na cidade do Rio. Os pastores destas igrejas muito contribuíram para o meu crescimento espiritual e o da minha família. Os conjuntos corais destas igrejas nos providenciaram incontáveis bênçãos que ainda hoje são fonte de inspiração. Os meus pastores foram: Ernani de Sousa Freitas, Ilgonis Janait, W. E. Allen, Hélcio da Silva Lessa, Joélcio Rodrigues Barreto, Walter Wedeman, Manuel Augusto Sales Figueira, Nivaldo Cavalari e Gilson Bifano. Por três vezes liderei a Igreja Batista de Copacabana, junto com o irmão Pastor Lincoln Proença Filho, como interino.

6. Deixei por último, uma grande recordação que não tem nada a ver com a música. Nos últimos dez anos no Brasil tive o elevadíssimo privilégio de trabalhar ao lado do Pastor Waldemiro Tymchak, um dos maiores, (se não o maior) líderes missionários do mundo. Também me considero um homem muito abençoado por ter tido a oportunidade de trabalhar lado a lado com os nossos missionários da JMM.

Se é verdade o provérbio “É rico aquele que tem amigos,” eu me sinto como um verdadeiro bilionário.

Dou mil graças a Deus pelos 35 anos mais abençoados da minha vida.

Soli Deo Gloria

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

HINOLOGIA_ I HISTÓRIA DO DEPARTAMENTO DE MÚSICA DA JUERP - I


Aqui neste Blog estarão registradas a História deste Departamento de música da JUERP - divididas em várias partes - que muito fez pela Música Sacra Batista Brasileira e também Evangélica em geral. Esta história está entrelaçada com a vida, com a biografia do missionário Bill Ichter - wichter@suddenlink.net

Neste mesmo blog, no http://blogdawesth.blogspot.com/search?q=bill+icther você poderá encontrar a história dele pesquisada por mim - Westh Ney Rodrigues Luz
Segue a história contada, narrada por William Harold Ichter - o Bill

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Departamento de música da JUERP

por William Harold Ichter

Parte I

Introdução


A minha chamada

Durante os anos de 1950-1953, eu estava servindo como Ministro de Música num grande e vibrante Igreja Batista na cidade de Baton Rouge, Estado de Louisiana. Comecei a sentir como a música estava sendo grandemente usada como um instrumento nas mãos de Deus para atrair pessoas para a pregação da Palavra de Deus, e prepará-las para a mesma. Verifiquei como a música também foi usada para o crescimento espiritual dos coristas. Do Coro Jovem daquela Igreja, nada menos de 10 jovens haviam entregado as suas vidas para o Ministério tanto da pregação da palavra, bem como no Ministério da Música. No meu coração, Deus colocou uma simples pergunta: “Se a música esta sendo usada tão grandemente em nossa igreja, será que não poderia ser igualmente usada no trabalho missionário no Exterior?”

Um dia, um pregador visitante falou sobre o trabalho missionário na Europa. De repente, comecei a sentir que Deus estava mexendo com a minha vida. Pensei que esta chamada poderia ser para Europa. Afinal, havia servido lá durante a Segunda Guerra Mundial, e tinha um razoável conhecimento do Alemão e Frances. Naquela hora de emoção, parecia uma clara Orientação Divina. Mas Deus age de maneiras misteriosas, e hoje dou mil graças a Deus por não ter aberto aquelas portas da Europa que EU estava tentando abrir. Ele tinha planos infinitamente melhores para mim. Apressei-me para entrar em contato com a Junta de Richmond. As minhas mãos tremiam quando falei que sentia a chamada para ser um missionário na Europa usando a música como instrumento principal no meu ministério. Mas o meu quase incontrolável entusiasmo recebeu uma ducha de água fria, pois fui informado polidamente que - “A Junta não tem nenhum pedido para um missionário com especialidade em música, nem na Europa, nem em qualquer outra parte do mundo. Se sentir-se chamado para a obra missionária, terá de fazer três anos de estudo teológico num seminário.”

Naquela época, estava casado com dois filhos, mas mesmo assim pedi demissão da igreja para entrar no Seminário. UM DIA DEPOIS, um Pastor me telefonou dizendo: - “Nos precisamos de um Ministro de Música, mas o irmão pode estudar no seminário. Temos uma casa para a sua família, e o irmão pode pegar um ônibus toda 3ªfeira as 04h30 da manhã, voltando 6ª feira à tarde. De sexta até terça o irmão pode dirigir cinco ensaios além da música nos cultos de domingo.”

Nenhuma vez durante aqueles três anos de estudo, a Junta tinha condições de me oferecer uma palavra encorajadora a respeito de uma oportunidade de trabalhar como um missionário na área da música, mas também em nenhum momento o meu desejo de ser um missionário se arrefeceu. Finalmente, somente uma semana antes da minha formatura do seminário, veio o primeiro raio de esperança: - “Chegou um pedido da Junta de Escolas Dominicais da Convenção Batista Brasileira, através da Missão Batista do Sul para alguém para organizar um Departamento de Música; e se tudo correr bem, os irmãos podem ser nomeados dentro de um ano.”


Os primeiros conhecimentos do Brasil
e
contatos com os brasileiros e a sua música.

Interessante como Deus opera! Eu não havia pensado no Brasil. Como muitos americanos, pouco sabia deste Gigante Adormecido, mas logo depois algumas noticias começaram a chamar minha atenção.

A primeira foi uma bela reportagem na Revista Time, sobre o sonho de um presidente brasileiro construir uma nova Capital no meio de um Planalto. Era uma idéia que chamou a atenção dos americanos. Na capa da Revista, estava estampada a foto deste grande sonhador. Foi o presidente Juscelino Kubitschek. Jamais me esqueci, que a Revista no intuito de “ajudar,” ensinou os leitores como pronunciar o nome Juscelino - Hooselino. Não somente não ajudou os leitores, com também mostrou o seu pouco conhecimento da língua portuguesa.

Mais tarde, fiquei empolgado lendo as palavras deste grande pioneiro quando no dia dois de outubro de 1956 na sua primeira visita ao ermo do Planalto, disse numa explosão de entusiasmo: - “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformara em cérebro das mais altas decisões Nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanha do meu país, e antevejo esta alvorada com Fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino.”Fiquei empolgado com o espírito deste grande sonhador que foi também um realizador. Estas palavras foram do Presidente do povo que Deus estava indicando para investir a minha vida e a da minha família. Mal sabia que mais tarde eu teria o privilegio de visitar aquele lugar de onde o presidente havia falado; e ainda mais teria o privilegio de dirigir um estudo de música que mais tarde resultou na organização do primeiro conjunto coral da nascente Igreja Batista Memorial.

Cada palavra que li sobre este país do meu destino, mais empolgado ficava, e mais grato a Deus, pois Ele sabia onde eu poderia desenvolver melhor o trabalho dos meus sonhos. Os meus primeiros dias no Brasil pude verificar o espírito do seu povo. Povo amigo, cordial e caloroso. Vi logo que não tinha outro país no mundo mais ideal para iniciar o meu trabalho. Não existia nenhum outro país onde um missionário querendo usar a música poderia ser recebido com maior entusiasmo, verificar resultados mais imediatos, e se sentir tão realizado.

Cheguei ao Brasil no dia 19 de setembro de 1956 e imediatamente iniciamos o nosso estudo da língua portuguesa numa pequena escola dirigido por ex-missionários da Igreja Presbiteriana. Foi gostoso pegar o bonde do nosso Bairro (Castelo) ate o centro da cidade.

Estava poucas semanas em Campinas quando conheci o regente do coro da Igreja que estávamos frequentando - a Igreja Batista de Cambuí, cujo pastor era Ernani Sousa Freitas, irmão do Eurico Sousa Freitas que mais tarde se tornaria um grande amigo meu. O nome do regente foi Darcili dos Santos. Naquelas alturas pouco sabia que ele estava dizendo, mas pensei que ele estava me estendendo um convite para cantar no Coral da Igreja. Se realmente foi isto ou não, apareci no próximo ensaio.

Quantas bênçãos recebi durante aquele ano! O coro era bem pequeno, mas muito bom. Eu me lembro como o irmão Darcili ensinou o coro Aleluia, de Handel. Não tivemos a partitura , mas ele levava separadamente os sopranos, contraltos, tenores e baixos para o pequeno harmônio e pacientemente ensinou aquela grande peça coral. Dou graças a Deus por tão boas experiências como membro daquele pequeno conjunto coral. Uma vez, até tomamos um trem para apresentar um concerto na Igreja Batista Zumbi na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Durante o meu ano em Campinas conheci o missionario João Tumblin cuja esposa estava estudando, pois ele era nascido no Brasil. Os missionários João e Frances Tumblin (que serviram no Norte do Brasil de 1922-1958), não precisavam estudar o portuquês. João me incentivou a aproveitar alguns cursos que a PUC estava oferecendo.

La fui eu apesar do fato que ainda não entendia tudo. Foi gostoso aproveitar a oportunidade de estudar vários cursos com os próprios autores. Ainda me lembro das palestras e dos seus preletores: Romance Brasileiro com Ligia Fagundes Teles, Hernani Donato, Raimundo de Menezes e Cassiano Nunes. A Música Folclórica do Brasil do musicólogo Rossini Tavares Lima e finalmente uma palestra sobre Música Concreta proferida pelo Prof. Diego Pacheco. (Mais tarde na minha vida missionária, fiz um curso de Regência Coral com o Maestro Isaac Karabtchevsky, sob cuja regência cantei varias vezes como membro da ACC - Associação de Canto Coral, dirigido por Cleofe Person Matos. Este coral foi um dos mais antigos do Brasil.

Dou graças a Deus por todos os meus professores durante o meu ano em Campinas. Um deles foi o grande obreiro Pr. Egidio Gioia. Cheguei mais tarde a escrever um artigo sobre este dedicado servo, na minha coluna Canto Musical em 24 de abril de 1966 (OJB), artigo que mais tarde fez parte do meu modesto livrinho - VULTOS DA MÚSICA EVANGELICA NO BRASIL.

Sou especialmente grato por uma professora D. Nelsie Mariante. Ela tinha a reputação de ser ‘durona.” Tivemos vários professores durante aquele ano. Eu me lembro quando um aluno havia chegado a um ponto razoável no seu estudo e alguns disseram,: - “Mas o senhor fala bem o português - bem PARA UM AMERICANO.” Ela não. O seu desejo era que o aluno falasse COMO UM BRASILEIRO. Que eu saiba somente um dos seus alunos chegou a este ponto, sendo este, o Pastor Malcolm Tolbert que atuou em São Paulo e Belém. Ate hoje mantenho contato com aquela professora, através de cartas e telefonemas.

Infelizmente o período que tinha para estudar a língua de Camões estava terminando, um ano de estudo que era suficiente para mostrar, não o que aprendi, mas sim o muito que ainda não havia aprendido. Chegou a hora para começar o trabalho para o qual havia sido convidado.

continua...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS! Silvino Netto

Poesia de Silvino Netto – fevereiro de 2010 – apjll@bighost.com.br

Minha primeira morada
Foi num pequeno espaço:
O ventre materno de minha mãe.
Morei ali durante nove meses.
Não lembro de nada
Sobre aquela primeira casa flutuante.
Mas, sem dúvida, devo ter registros gravados,
Em meu corpo e espírito,
Que me acompanham até hoje.

O espaço que me envolvia
Passou a ser pequeno demais
Para um embrião com cabeça de baiano.
Assim, em busca da Supervia da Luz,
Descobri a porta de saída,
E fui, alegremente, acolhido por meus pais,
E dois irmãos,
Na rua Dr. Julio David, n. 3,
Bairro da Ribeira, Salvador, Bahia.
Boas e amargas lembranças
Dos treze anos vividos
Naquela casa de três quartos,
Sala, banheiro, cozinha, quintal...
E que , mais tarde, tornou-se
A Casa da Dor!

Depois da morte de meu pai,
Fui morar com os queridos tios,
No Rio de Janeiro, Capital Federal,
Na rua Amoroso Costa, Tijuca,
(Casa de Novas Oportunidades).

Dali, reunimos a família novamente,
Em nossa nova casa,
Na rua Marechal Trompowisk,
(Casa da Reconstrução)!

E, então,
Mariz e Barros, José Higino,
Lexington Road (USA), Joaquim Palhares,
Mariz e Barros, em novo endereço,
Foram moradas de minha trajetória de vida,
Enriquecida com meu novo núcleo familiar:
Esposa e dois filhos.

Agora, continuo morando no Rio,
Na Av. Prefeito Dulcídio Cardoso,
Barra da Tijuca! (Morada das Conquistas)!

E, daqui para frente,
Aos 67 anos de idade,
Qual será a minha próxima morada?!!!

A única certeza que tenho, hoje,
É que, mais cedo ou mais tarde,
Chegará o dia em que devo receber
A escritura definitiva, eterna,
Com as chaves
De minha morada no céu.
Sim, pois esta é a promessa
De quem loteou a Nova Jerusalém,
Para os que abrem a porta do coração,
Para recebê-lo, cear com ele,
E dele, Jesus,
Receber a planta da casa,
Com a promessa de escritura,
Conforme as Escrituras:
Na casa de meu Pai
Há muitas moradas,
Se assim não fosse,
Eu vo-lo teria dito:
Vou preparar-vos lugar...
E quando eu for,
E vos preparar lugar,
Virei outra vez,
E vos tomarei para mim mesmo,
Para que onde eu estiver
Estejais vós também!!!

UMA CASA NO CEU!
É MUITO LUXO PARA MIM,
POBRE PECADOR!

Se uma casa real ou em formatação simbólica,
Minha Teologia não questiona.
Não faz qualquer diferença para mim.
O que importa é a certeza
De estar abrigado nas moradas eternas,
Na presença de Cristo!

Não sei qual será o meu endereço no céu...
Tenho dúvidas se será morada fixa
Ou múltiplas moradas???!!!
Mas, acredito, que todas as moradas
Poderão ser habitadas
Por um corpo glorificado...
Todas serão minhas
E de todos os meus irmãos em Cristo.

Sendo assim,
Tenho na rua da Vitória,
Uma casa com uma vista linda
Para o Mar Vermelho!
Na praça da Adoração,
Vozes do coral dos salvos...
Vêm do Templo de Salomão!
No Jardim da Consolação,
Vista para o Getsemani,
O lindo Jardim de Oração!
Na Avenida da Glória,
Um painel de nuvens resplandecentes
Envolve o Monte da Transfiguração!!!
Na indescritível rua da Graça,
Esquina com a rua do Amor...
Vejo, pelas janelas, sempre abertas,
O Monte Calvário,
Ali, aonde Jesus Cristo pagou o preço
Para cumprir a promessa
De muitas e ricas moradas no céu!...

Maravilhosa Graça poder morar
Nas mansões celestiais,
Na Casa de meu Pai!!!