segunda-feira, 13 de março de 2017

O Brasil sempre foi a sua terra adotiva

Na madrugada do dia 12 de março de 2017, faleceu nossa querida amiga e dedicada mulher, Edith Mulholland, de insuficiência cardíaca. Seu amado esposo Dewey faleceu um ano antes. Durante os últimos anos, o casal Mulholland residiu em Pasadena onde atuaram com alegria e dedicação às coisas do reino.
 

Edith Brock Mulholland, bacharel em Religião e Música pelo Pasadena College, na cidade de Pasadena, Estado da Califórnia e pós-graduada em música na Universidade de San José, na Califórnia. Especializou-se em canto.  

A Associação dos Músicos Batistas do Brasil – AMBB - concedeu em 19 de janeiro de 1993, o “Prêmio Arthur Lakschevitz” para Dona Edith, na categoria “Músico Estrangeiro” por seus serviços relevantes à Causa de Deus no Brasil, por meio da música.

Ela e seu esposo, Dewey Martin Mulholland, um homem muito educado e atencioso e que sempre recebia um e-mail sempre me dando notícias da d. Edith (assim que todos a chamavam) vieram para servir ao Senhor no Brasil pela Missão Batista Conservadora, em 1951. Chegaram ao Brasil em 1952, e com eles um casal de filhos pequenos. Aqui mais dois nasceram. Timothy Mulholland, um dos seus quatro filhos foi reitor da UNB, importante universidade no Brasil


Trabalharam até 1974 no Piauí. Ali casal fundou e dirigiu o Seminário Teológico Batista do Nordeste em Floriano (PI),
De 1975 até 1994 (quando se aposentaram), no Distrito Federal. Fundaram a Faculdade Teológica Batista de Brasília, e Pr. Dewey foi reitor. Nossa querida Edith fundou e dirigiu o Departamento de Música da faculdade, ensinando tudo que era necessário, inclusive regência e dedicando-se à pesquisa hinológica. Tinha todas as suas anotações minuciosas e completas em fichas. Seu amor pela pesquisa levou-a à comissão do HCC, 1991. Segue abaixo o depoimento lindo da meiga e querida Edith. Nós, os que trabalhamos na Comissão do HCC, 1991, muito aprendemos e sempre estávamos juntos com D. Edith auxiliando o trabalho gigantesco que foi o Notas Históricas do HCC.

“Agradeço a DEUS por ter sido criada num lar onde música clássica, sacra e hinos eram parte fundamental na educação familiar. Aprendi muito com os hinos da nossa fé. Aos 11 anos de idade descobri o mundo da hinologia ganhando um hinário por recitar três estrofes de cem hinos.

Desde pequena as histórias dos hinos foram de grande inspiração para mim. Quando li pela primeira vez a comovente história do hino Amor, Que Por Amor Desceste (HCC 171) sofri com o autor sentindo-se isolado por sua cegueira. Recebeu esse hino do Senhor “quase palavra por palavra”. Sua mensagem confortou seu coração dolorido e deu-lhe coragem para viver. Enquanto eu lia, chorava com ele. Qualquer tristeza minha era pequena diante do sofrimento desse homem que estimulou a fé dos seus contemporâneos e que, através desse hino, ainda atende aos corações necessitados.

Decidi colecionar o maior número possível de histórias. Comecei a adquirir livros e formar uma biblioteca sobre hinódia e hinistas.

Quando cheguei ao Brasil com meu marido Dewey e nossos dois filhos, Timothy e Ann, (Marcos e Paulo nasceram nos três primeiros anos no campo) comecei a estudar os hinos amados pelos brasileiros. Comecei um fichário de todos os que contribuíram para a música sacra e hinódia brasileira. Esse fichário cresceu e logo incluiu milhares de itens, classificados por nacionalidade do hinista, compositor ou tradutor. Nesse tempo vi crescer o número de hinos e canções nacionais, com letras e ou músicas brasileiras.

Colecionei por muitos anos livros e artigos de pessoas que muito contribuíram para o meu conhecimento hinológico brasileiro. Destaco os nomes de Rolando de Nassau, Bill Ichter, Henriqueta Rosa Fernandes Braga, Marcílio de Oliveira Filho, Joana Sutton e muitos outros. Adquiri cópias da revista Louvor Perene e os trabalhos da missionária Lida Knight. O aparecimento da revista Louvor foi e continua sendo uma mina preciosa para mim. “

Marcilio de Oliveira Filho (in memoriam), pastor, ministro de música e compositor escreveu assim sobre Edith, quando do lançamento do livro Notas Históricas do HCC:

“Conhecer Edith Brock Mulholland foi um dos maiores presentes que recebi de Deus. Sua vida, simplicidade, conhecimento hinológico e simpatia na maneira de valorizar as pessoas se tornaram marcas muito fortes em todo o meu ministério.

Logo que nasceu a Associação dos Músicos Batistas do Brasil, Dona Edith se tornou sócia participativa. Anualmente estava nos congressos e sempre nos incentivava diante de tantos desafios que todos nós, músicos, sonhávamos para nosso país. Queríamos ver o povo brasileiro cantando com muito mais amor e paixão por Jesus.

Dona Edith nos mostrou também o quanto valorizava a música brasileira. Era impressionante seu interesse em aprender e ensinar as músicas dos compositores e poetas nacionais, divulgando nosso trabalho com os alunos da Faculdade Teológica Batista de Brasília, que por sua vez aprendiam a amar a canção brasileira e divulgavam pelas igrejas.

O que mais me impressionou na primeira vez quando visitei a residência de Dewey e Edith foi a organização e amor com que coletavam as informações hinológicas de tudo o que era cantado pelo Brasil. As famosas fichas de Dona Edith, os apontamentos diversos, seu coração pesquisador e sua paixão com que falava sobre os hinos e canções dos brasileiros faziam com que eu sentisse vida em tudo o que eles faziam.

Falar também sobre o pastor Dewey é muito importante neste momento, porque ele não somente foi o grande teólogo que os brasileiros admiram e aprenderam com suas aulas, mas também o maravilhoso marido e pai, avô muito carinhoso e incentivador. A obra de Dona Edith é muito rica e temos que agradecer por seu esposo que a apoiou e a encorajou. ”

Leila Gusmão e Magali Cunha, ministras de música e professoras na área ministerial, foram revisoras das Notas Históricas do HCC e membros da Subcomissão de letras do HCC, assim escreveram:

“A paixão pelo trabalho de pesquisa é que levou Edith Bock Mulholland a coletar dados, principalmente de brasileiros, e possibilitou a organização das Notas Históricas do Hinário Para o Culto Cristão, lançado num ano de vitórias quando como Denominação celebramos 120 anos no Brasil (os crentes de Santa Bárbara d’Oeste, 130), 100 anos do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e 25 anos da Revista Louvor.

Como revisoras das Notas Históricas do HCC, sentimo-nos honradas em poder conhecer antecipadamente este rico material hinológico - um trabalho primoroso onde vemos, em cada parágrafo, a personalidade doce, cuidadosa e detalhista de Dona Edith! A consciência da grande tarefa que tivemos em mãos foi que nos motivou a buscar cada vez mais a pesquisa, a atualização de dados, a revisão incansável dos documentos originais e na editoração, principalmente por se tratar de uma obra concluída há 10 anos”.


Meu coração, egoísta desejava que D. Edith ficasse mais tempo conosco, mas nosso Pai amado já a convocou. Desejo que todos conheçam pessoas bondosas, competentes que tem   escrito a nossa história como este casal.
Ao Senhor toda glória e louvor!
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Westh Ney Rodrigues Luz – Ministra de música e prof.ª de Culto Cristão, História da música, Gestão da música na Igreja no Seminário do Sul/FABAT. É membro da Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio/RJ. É redatora da Revista de Música Louvor, da CBB, e regente dos Coros feminino Cantares e Hospital Evangélico, Tijuca, Rio
 

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MULHOLLAND, Edith Brock. Hinário para o culto cristão – Notas históricas. RJ: JUERP, 2001
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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Waldenir Carvalho, um dos pioneiros na publicação de música sacra evangélica importada


Pensando nas produtoras que atuam hoje no mercado musical para as igrejas não poderíamos deixar de fazer menção sobre um dos pioneiros – Waldenir Carvalho, da W. Music. Começaremos com ele.  O material foi retirado do site da produtora –  http://www.clubedemusica.com.br/.  Graça e paz sobre sua vida que tanto fez e faz pela música sacra no país.


Quando Waldenir terminou seu curso de inglês, começou fazendo exercícios traduzindo hinos. Assim, com um bom número de hinos (2000) percebeu que poderia ajudar às igrejas. Até hoje são cantadas as suas primeiras traduções como Porque Ele vive, Há um doce Espírito aqui, Via Dolorosa e outras.

A AFE – Associação Fluminense de Educação, hoje UNIGRANRIO, fundada pelo excelente educador pastor José de Souza Herdy, pensou um Departamento de Música e em 1975 Waldenir Carvalho iniciou seu trabalho de publicação por 5 anos. Cantatas e publicações corais como Rei dos reis, Celebração da Páscoa, as séries Jubilai! e O som nosso de cada dia, foram muito cantadas nas igrejas nos anos 70 e 80. Após 42 anos ainda são executadas. 

Criou a Tempo Produções que representava no Brasil a gravadora americana, Word Records, organizou o Grupo Renascença e a Alfa Ômega, onde publicou muitas coletâneas, cantatas e musicais. Hoje a W. Music/Clube de Música – tem por meio do projeto Louvor & Vozes, organizado grandes encontros em diversas cidades e regiões do Brasil com lançamento de músicas para coros. 

Produziu gravações para a extinta e pioneira JUERP, dirigiu um coro de 20 mil vozes no Maracanã na cruzada Deus salve a família, no Maracanã, além de cooperar com as cruzadas do pr. Fanini. Também introduziu no Brasil o playback do musical Razão de viver e kits de ensaios para vozes
       
O site - http://www.clubedemusica.com.br/ – cita a influência da sua vida motivando muitas pessoas e entre elas Beto Silva e Vittor Borges que cantaram em um de seus grupos – o Renascença

Graças a Deus pelos sonhadores e idealizadores que vão plantando sementes de esperança com seus projetos.