quarta-feira, 17 de junho de 2009

Em silêncio, minha carne

westh ney rodrigues luz, 17/06/2009

"Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio".
Lamentações 3.26

Nestes momentos de não silêncios,
tantas vozes e metodologias de
como vencer,
como atrair,
como crescer,
como ser próspero,
como ser forte,
como ser contundente
quero aquietar meu coração
(como em outras ocasiões decisivas fiz)
e esperar até tudo passar.

Que passe a ansiedade,
a neurose de Ser -
que é pior do que a de Ter.

Que passe a inquietação
a doença da perfeição,
o desejo doentio de marcar aquele gol,
(que não pode ser apenas mais um,
mas espetacular)

Que passe a preocupação
de ser relevante,
de mudar o mundo,
como se tudo dependesse de mim.

Que passe a vontade
de ter respostas para tudo,
de dominar saberes,
de ser único.

Que passe tudo
e que surja o silêncio:
restaurador,
revelador,
ressuscitador,
reanimador,
realimentador,
revivificador
revigorante.

Neste silêncio,
profundo e calmo,
ouvirei Deus,
que em silêncio
restituirá,
relevará,
realçará,
ressaltará,
ressignificará.

Neste silêncio
renovarei a esperança,
aguardarei a salvação,
saberei que ele é ,
melhor ainda -
sentirei que ele é Deus.
..
westh ney rodrigues luz, 17/06/2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Movimento Diretriz Evangélica e sua luta pela justiça

Capela do Seminário do Sul, hoje, terça, 16/06/09, 20h.
Será transmitido on line - http://www.seminariodosul.com.br/site/index.php


Culto de gratidão a Deus e homenagem aos líderes do Movimento
Processional,
Saudação Pr. Davidson Freitas / Pr. Clemir Fernandes
Prelúdio, solo Enoque Verli Brasil, olha pra cima (João Alexandre)
Brasil olha pra cima, existe uma chance de ser novamente feliz
Brasil há uma esperança!Volta teus olhos prá Deus Justo Juíz.

Oração


UM LAMENTO E CHAMADA À ADORAÇÃO

Leitura bíblica: Joel 1.2,3,10,11,18; 2.1,12,13,17,18,23,26,27
Dirigente: Ouvi isto, vós, anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Aconteceu isto em vossos dias, ou nos dias de vossos pais? Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos à geração seguinte. O campo está assolado, e a terra chora; porque o trigo está destruído, o mosto se secou, o azeite falta.

Homens: Envergonhai-vos, lavradores, uivai, vinhateiros, sobre o trigo e a cevada; porque a colheita do campo pereceu.

Todos: Como geme o gado! As manadas de vacas estão confusas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão desolados.Tocai a trombeta em Sião, e dai o alarma no meu santo monte.Tremam todos os moradores da terra, porque vem vindo o dia do Senhor; já está perto!

Dirigente: Convertei-vos a mim. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo.

Hino 224 HCC Vós, Criaturas de Deus Pai (Francisco de Assis/Salum)
Canção A canção do Senhor na terra brasileira (Jaci Maraschin)

Trio: Como vamos cantar este canto imprevisto,
tão distantes do lar, tão num mundo sem Cristo?
A canção do Senhor tem de ser verdadeira
para o ser o louvor na terra brasileira.

Hino: 1. Vós, criaturas de Deus Pai, todos erguei a voz, cantai:
Aleluia! Aleluia! Tu, sol dourado a refulgir.
Tu, lua em prata a reluzir, oh, louvai-o!
Oh, louvai-o! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Canção: Como vamos cantar se é tão grande a maldade,
se tem gente a chorar com temor e ansiedade?
A canção do Senhor tem de ser mensageira
de inefável amor na terra brasileira.


Hino: 3. Terra que a todos dás vigor, bem forte entoa o teu louvor:
Aleluia! Aleluia! Frutos e flores, juntos dai
a glória a Deus, Senhor e Pai. Oh, louvai-o!
Oh, louvai-o! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Canção: Como vamos cantar se o irmão é explorado,
se lhe fazem calar, se ele é sempre anulado?
A canção do Senhor, contra toda a canseira,
tem de ser um clamor na terra brasileira.


Hino: 4. Filhos e filhas do Senhor, vinde adorá-lo com fervor:
Aleluia! Aleluia! Dai glória ao Filho, glória ao Pai,
e ao Santo Espírito louvai! Oh, louvai-o! Oh, louvai-o!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Oração de exaltação ao santo e justo Deus

CONFISSÃO E ALENTO
Leitura bíblica: Isaías 1.15,16,17; Amós 5.7,14; 552 HCC , Que estou fazendo se sou Cristão?

Canto:
Que estou fazendo se sou cristão? Se Cristo deu-me total perdão?
Há muitos pobres sem lar, sem pão. Há muitas vidas sem salvação.
Meu Cristo veio pra nos remir: o homem todo, sem dividir.
Não só a alma do mal salvar, também o corpo ressuscitar.

Dirigente: Pelo que, quando estenderdes vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal;
Todos: aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão; fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.

Canto:
Há muita fome no meu país, há tanta gente que é infeliz!
Há criancinhas que vão morrer, há tantos velhos a padecer!
Milhões não sabem como escrever, milhões de olhos não sabem ler,
nas trevas vivem sem perceber que são escravos de outro ser.

Dirigente: Vós que converteis o juízo em alosna e deitais por terra a justiça(...) Buscai o bem e não o mal, para que vivais;assim,o Senhor, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis.

Canto:
Que estou fazendo se sou cristão? Se Cristo deu-me total perdão?
Há muitos pobres sem lar, sem pão. Há muitas vidas sem salvação.
Aos poderosos eu vou pregar, aos homens ricos vou proclamar
que a injustiça é contra Deus e a vil miséria insulta os céus.

Oração silenciosa
Trio feminino Comunhão (Botelho/Maia/Valeriano)

AÇÃO DE GRAÇAS

1. Pelos líderes do Movimento Diretriz Evangélica e sua luta pela justiça
Lauro Bretones; Alberto Mazzoni de Andrade; Hélcio da Silva Lessa; Mário Barreto França; Luiz Antonio Curvacho, Daria Gláucia, Benilton Bezerra; David Malta do Nascimento e outros.

2. Pelo 90º aniversário do Pr.David Malta do Nascimento

Poesia,
Silvino Netto
Oração

COMPROMISSO e SERVIÇO

Sermão Pr. Carlos César Novaes

Canto 496 HCC Barnabé, Homem de Deus (G. Keerr Neto/Rehder)
1.Não fica a gente passar bem e o outro carestia,
ainda mais quando se sabe o que fazer e não se faz.
Como fruto do amor de Cristo, fruto do seu compromisso,
vendeu um homem o que tinha e repartiu.

2.E quando Saulo converteu-se a Cristo lhe faltou amigo,
alguém que fosse companheiro, fonte de consolo e abrigo.
Como fruto do amor de Cristo, fruto do seu compromisso,
foi um homem procurá-lo, dando-lhe a mão.

Era o seu nome Barnabé, natural de Chipre,
também chamado de José da Consolação,
homem bom e piedoso, cheio de temor e fé,
homem de Deus.


3. E quando a igreja se espalhou por todo canto que havia,
por providência, sim, por mão de Deus chegou a Antioquia.
Precisando de um pastor de almas,mesmo de um pastor de homens,
foram procurar aquele que Deus preparou.

Oração e encerramento
Saída, instrumentos Momento novo (composição coletiva/Maraschin)
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órgão: Israel Nunes; piano: Sadson Nascimento; guitarra: Ramon Chrystian; baixo: Sandro Vieira; flauta: Tamires Franco; bateria: Adriano Silva; violão: Darlei Ramos; trio feminino: Aline Botelho/Priscila Maia/Miriã Valeriano; regente: profª Westh Ney.
...............
Westh Ney Rodrigues Luz


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quando eu precisei

Ao meu pastor Israel Belo de Azevedo

Quando eu precisei
do seu silêncio compreensivo
ou empático (de sentir junto)
ele estava presente.

Quando eu precisei
de uma chamada para ir à reunião de casais,
ele de longe sentiu
e telefonou na hora exata do desamparo.

Quando eu precisei
de oração na hora da dor
e da trágica meia-noite,
seja em alto mar,
na Capela com alunos intercedendo junto,
em sua casa,
na rua,
pela manhã, tarde ou noite
ele ligou
e orou pelo celular.

Quando eu precisei
de alguém que entendesse a dor
de perder um amigo pela traição,
ele respondeu por e-mail:
- Lamento muito!

Quando eu precisei
desesperadamente de consolo,
na morte do meu amado pai,
ele me abraçou.

Quando eu precisei
de elogios (ele não os fez),
mas me deu mais uma tarefa,
ou um desafio,
e então entendi que ele me aprovava
e confiava mais em mim do que eu mesma.

Quando eu precisei
de uma chamada à realidade,
ele de novo ficou em silêncio até eu entender.

Quando eu precisei
de uma palavra de ensino,
de admoestação
seus textos, seus escritos,
e sua palavra – a mesma para todos -
alcançou-me.

Quando eu precisei
desabafar – mesmo contra ele –
falando pelos cotovelos, chorando
e pelo telefone,
ele ouviu e entendeu.


Quando eu precisei
ficar escondida com medo da sua doença
ele entendeu e aguardou.
Quando finalmente telefonei, ele só disse:
- Tomou coragem?
E eu ri.

Quando ele precisou
da minha ajuda para uma comunicação
quando seu amado amigo morreu,
eu o ouvi chorar,
do outro lado da linha.
E eu?
Nem sei o que fiz ou disse,
senti muito, muito
e não esquecerei aquele dia.

Quando ele precisou
ir embora do lugar que muito ama,
eu fiquei em silêncio, não perguntei,
abracei, chorei e aplaudi
enquanto ele,
só,
caminhou pela última vez
no seu espaço litúrgico,
lugar onde seu coração sempre esteve,
e onde nem anjos, nem principados
o fará esquecer e amar.

Quando eu precisei
é mais que
Quando ele precisou.
Mas não é assim mesmo
a relação de ovelhas e pastor?

Além do Bom Pastor,
acho que meu pastor
precisa ser ovelha também.

Israel,
feliz Dia do pastor em 2009.

Abraços
Westh Ney Rodrigues Luz

A CONFISSÃO DA MALDADE NACIONAL

Profeta Isaías 59 - Trechos

"Eis que a mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar, nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus. Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue; os vossos lábios falam a mentira, a vossa língua pronuncia perversidade.

Ninguém há que invoque a justiça com retidão (...) confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal (...) e se apressam para derramarem o sangue inocente; a desolação e a destruição acham-se nas suas estradas.

O caminho da paz eles não o conhecem, nem há justiça nos seus passos; pelo que a justiça está longe de nós (...) esperamos pela luz e eis que só há trevas (...) apalpamos as paredes como cegos, tropeçamos ao meio-dia como no crepúsculo, e entre os vivos somos como mortos.

Todos nós bramamos como ursos, e andamos gemendo como pombas; esperamos a justiça e ela não aparece; a salvação, e ela está longe de nós. Pelo que o direito se tornou atrás e a justiça se pôs longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas (...) a verdade desfalece; e quem se desvia do mal se arrisca a ser despojado;

E Deus ouviu e desagradou-lhe o não haver justiça. E viu que ninguém havia, e maravilhou-se que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e sua própria justiça o susteve".



Mas ainda tenho Esperança...
muita fé em Deus e acredito que a humanidade pode mudar.

Mas estudando a Bíblia fiquei assustada quando procurando por outro texto me deparei com este do maior profeta do Velho Testamento. Parecia que eu estava lendo um relato não só do Brasil, mas do mundo em que vivemos, mesmo depois de tantos séculos em que isto foi escrito.

Lembrei da violência que existe em cada esquina, das mães de Acari e de todas outras que choram por seus filhos mortos ou desaparecidos; da corrupção que em todos os lugares existe, que grassa em todos os escalões; dos processos acumulados nos tribunais; do desrespeito que o povo sofre para ter acesso à saúde e educação, enfrentando enormes filas para uma vaga...

Lembrei da impunidade, do desrespeito à nossa cidadania, das leis que são ignoradas, da justiça com dois pesos e duas medidas, do desemprego, dos pratos vazios, dos ombros pesados dos que vivem em solidão.

Dos pais que não sabem disciplinar os seus filhos, que entregam para outros esta tarefa, esta responsabilidade, dos filhos que matam seus pais e dos pais que matam suas esposas...

Não podemos calar a nossa voz.

Se você tem uma canção cante,
se você tem uma mensagem fale,
se você tem recursos divida...

Disse Cristo:
“Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mt 11.28-30)

Abraços.
Westh Ney

quarta-feira, 10 de junho de 2009

2. Nossos músicos: Bill Ichter

Este ano William Harold Ichter completa 60 anos de ministério dedicado á Cristo. Bill Ichter é um brasileiro. A sua certidão de nascimento diz que nasceu em 11/12/1925, nos EUA, mas para todos nós – acho que até para ele – a história parece outra. Aliás, ele sempre foi conhecido como o mais brasileiro de todos os missionários. Torce até pelo Vasco de camiseta e tudo e ia aos jogos no Maracanã.

Dia 09/10/08 perguntei-lhe por e-mail, o que trazia mais saudade ao seu coração de todas as suas realizações e criações aqui no Brasil. Respondeu assim: - De tudo que Deus permitiu que fizesse e realizasse durante os meus 35 anos no Brasil, eu sinto mais a falta dos brasileiros, a sua camaradagem, o seu calor humano, as suas amizades. É a resposta que dou para todos que por aqui perguntam.

Em agosto de 1990, ele e sua esposa, a doce irmã Jerry (tradução do hino 185 HCC) saíram do Brasil - se aposentaram em junho do mesmo ano, voltando para a outra América, pois o serviço missionário tinha terminado por aqui. Lá durante oito (8) meses serviram como “Missionários locais”, no Centro de Treinamento Missionário da Junta de Richmond, a mesma que o sustentou no Brasil - convivendo com missionários recém nomeados.

Também por nove anos foi Ministro para pessoas de Terceira Idade, na PIB de Minden, Louisiana, uma igreja vibrante com mais de 2.000 membros, onde 500 estão com mais de 55 anos. Dirigiu o Coro deste grupo e com o mesmo viajou, cantou em diversas reuniões levando também um conjunto de sinos e um pequeno conjunto de Dulcimers.

Leiam a narração dele sobre este ministério: “ No inicio do meu ministerio na igreja em Minden, comecei a telefonar para todos da terceira Idade, no dia do seu aniversario. Para os homens, somente uma palavra, mas para as mulheres, cantava "Parabéns pra você," em português. Mesmo aposentado da igreja agora, continuo esta pratica porque temos muitas senhoras viúvas, que moram sozinhas e aguardam ansiosamente este cântico”.

Atualmente serve a Deus como diácono, canta em dois coros e dirige a musica congregacional, quando convidado. Esta igreja, onde ele congrega tem uma Casa para missionários em férias que leva seu nome: ICHTER HOUSE, em uma bonita placa de bronze.

É capelão do Hospital local, onde visita todos os dias. Em cinco deste dias semanais, chega as 6h30 da manha para orar com as pessoas que se submeterão a cirurgias.

Pedi-lhe que deixasse para nós uma palavra, vejam o que respondeu:
1. Mantenha-se firme na Fé.
2. Procure ter um bom relacionamento com o Pastor com quem você trabalha. Não se esqueça que ele é o líder espiritual da igreja.
3. Não esqueça que o ministério da musica deve tentar ser significativo para todas as idades.
4. De uma maneira ou outra, procure dar mais ênfase na mensagem da música. A mensagem é de suma importância e a música, o instrumento que Deus usa para comunicar a mensagem.
5. Seja "adaptável." Vivemos num mundo de mudanças, mas no seu desejo de adaptar, não comprometa os seus ideais. Os americanos têm uma expressão, "Quando joga fora a água do banho, não jogue fora o nenê".


Bill e Jerry Carton Ichter (casados em 1949) apresentaram-se à Junta de Richmond em 1956. Foi o 1º primeiro missionário de música ao Brasil, e segundo no mundo. Bil Ichter, nosso pioneiro na música é casado com Jerry Catron Ichter desde 1949. Têm quatro filhos, Alana, Alan, Carlos e Nelson e estes dois últimos nasceram no Rio. Aliás, Bill Icther tem dois filhos nascidos no Brasil, duas noras brasileiras, três netos nascidos também no Brasil. Tem neto nascido na Korea; uma neta nascida na Alemanha; uma bisneta nascida na Itália, e uma bisneta nascida em Kenya. Isto é fantástico. É assim uma vida nas mãos do Senhor, onde a pátria é o mundo.

A minha vontade é narrar toda a saga desta família após Bill e Jerry. É linda a história. Impressionante como quase todos os netos estão envolvidos com missões em diversas partes do mundo. Os frutos de amor e compaixão desta linda família estão espalhados por três gerações.

Converte-se em 1943, quando fazia o Curso de Pré-Medicina na Faculdade, foi para a Guerra (Segunda Guerra Mundial) onde foi condecorado. Ao voltar da guerra muda o seu foco e fez o curso de Bacharel em Artes, com especialização em Música, na Universidade Batista de Louisiana onde, em 1985, foi eleito “O Ex-Aluno de Destaque”. O Mestrado em Música Sacra foi no Seminário Teológico Batista de Nova Orleans, em 1955. Estudou Regência com John Finley Williamson e Fred Waring e Isaac Karabchevsky, além de estudar música folclórica com Rossini Tavares Lima e música concreta com Diego Pacheco.

No Brasil, ele deu aulas de música no Seminário do Sul/STBSB, para os alunos de Teologia. Ainda não existia o Curso de Música Sacra. Sobre este tempo Bill Ichter diz: - “Gostei das minhas aulas porque TODOS os alunos foram obrigados a estudar, e assim pude deixar sugestões para os futuros pastores.

Organizou e dirigiu o Departamento de Música da Junta de Escolas Dominicais e Mocidade, que hoje depois seria a Superintendência de Música da JUERP.

Durante anos tivemos e usufruímos de muitas dezenas de partituras e livros e coleções que saíram das mãos deste valoroso missionário, como cantatas, oratórios, antemas corais, arranjo para vozes femininas e masculinas e músicas avulsas. Os livros textos tinham como foco Hinologia, melhor ensino e canto congregacional tais como os quatro volumes de Se os hinos falassem o livro Vultos da música evangélica no Brasil da sua autoria, além de outros tais como A música e seu uso na Igreja que é uma compilação com vários autores. Bill pensou em todas as áreas musicais que nosso país precisava. Estas obras podem ser encontradas em várias bibliotecas e igrejas mais organizadas, que possuem um acervo bem arrumado. Esta semana mesmo um amigo tradutor e ministro de música precisava de uma fonte histórica para um hino e estava lá, em uma coleção editada e publicada pelo Bill Ichter, do ano de 1961.

Se você encontrar alguns destes nomes: Nelson Mariante, Severino Parente, Jana Oliveira, Jason Oliveira, Carlos Leite, Alana Silva, Nala Silva, Jeremias Oliveira, Ronaldo Oliveira não precisa pesquisar muito longe. Todos estes são pseudônimos que ele usava. Não queria que seu nome aparecesse muito. Era uma época difícil, pois não tínhamos tantos compositores como hoje. Também uma justificativa do Bill era que ficava melhor aparecer um nome mais brasileiro, inclusive porque seus hinos eram muito usados em campanhas missionárias.

No O Jornal Batista, escreveu durante 10 anos uma coluna chamada Canto musical. Não tínhamos ainda uma revista especializada como temos hoje – Louvor - e muitos músicos recortavam aquelas colunas, catalogavam e guardavam como preciosidade. Nestes tempos difíceis ainda bem que tínhamos o Bill Ichter, que sozinho saía pelas igrejas promovendo Clínicas de música, ensinando em várias áreas musicais e regendo grandes coros nas Cruzadas evangelísticas que tínhamos pelo Brasil e mais precisamente Maracanã e Maracanãzinho.

Como foi dito acima, e sempre no Rio, foi professor de música no Seminário do Sul, IBER e no antigo Curso de Obreiras no Colégio Batista, além de dirigir a música da CBC – Convenção Batista Carioca.

Edith Mulholland,, no livro Notas Históricas do HCC diz:
"Na área de música Bill recebeu o “Prêmio Arthur Lakschevitz” em 1988, oferecido pela Associação dos Músicos Batistas do Brasil; o “Hines Sims Award” em 1980, pela Associação dos Músicos Batistas da Convenção Batista do Sul (EUA); e em 1990, o “Distinguished Service Award” oferecido pela Escola de Música do Seminário Teológico do Sudoeste de Fort Worth, Estado de Texas".

No livro citado acima podemos encontrar muitos dados interessantes sobre sua atuação nos arranjos e revisão das fontes do CC(cantor crsitão). Veja no livro as notas sobre os hinos: 526 e 603.

Diz ainda a profª. Edith: "Bill foi chamado por Nilson Dimárzio, diretor de O Jornal Batista, de “grande missionário” por “sua espiritualidade e consagração, sua maneira de ser, sua conduta cristã, e pelo seu relacionamento com os nacionais”.

Por tantos serviços prestados ao Rio recebeu em 1984 a medalha “Cidadão Honorário do Estado do Rio, além de medalhas militares.

Interessante é que a vida do Bill Ichter sempre esteve ligada á música, mas quando pr. Waldemiro Tymchak, então secretário executivo o convida para ser seu grande ajudador e apoiador, lembro que até eu mesma não entendi. Sim, o que ele vai fazer em Missões Mundias? Vai abandonar a música? Ficou lá por dez anos, os seus últimos anos no Brasil, trabalhando na Junta como redator da revista O campo é o mundo e coordenando o trabalho pela Ásia, África e América do Norte. É assim o Bill. Deus o convoca, ele vai.

Gostaria muito que todos os que chegam agora e estão batalhando pela boa música e seu melhor uso pudessem ler isto e entender que tudo que fazemos hoje, espalhados por este país, é fruto de quem veio antes e nos deixou um legado, que aprendemos com nossos professores, que aprenderam com estes pioneiros. O que será que vamos deixar apara as futuras gerações?

Antes de terminar quero falar um pouco sobre seus filhos:

Alana chegou com seus pais ao Brasil e já tinha seis anos. Estudou no Colégio Batista e Escola Americana, foi para sua América e é formada em Sociologia. Ela e seu esposo Ronaldo Greenwich estão quase 25 anos em Santa Catarina. Fazem um excelente trabalho. Dirigiram a Casa de Amizade em Florianópolis, e agora, ajudam na plantação de igrejas novas em bairros menos favorecidos.

Alan chegou com seus pais, também e fez como sua irmã e como normalmente acontece com todos os nossos missionários voltam e cursam universidade no país natal. O que é muito interessante com os filhos do Bill é que sempre acabam voltando para o Brasil e servem aqui por algum tempo ou por toda a vida. Alan e Barbara se casaram em 1981, ela brasileira e membro da PIB de Copacabana, igreja onde Bill congregou e serviu por muitos anos. Alan morou na Korea e hoje está em Dallas trabalhando com Marketing

Nelson e Carlos nasceram no Brasil. Nelson, carioca, estudou no Colégio Batista, na Escola Americana do Rio e na Faculdade Batista Carioca. Após a ida do Bill para os EUA, aposentado ele continuou no Brasil. Conheceu Janilda que estudou é lecionou no IBER. A família dele hoje é ativa na PIB de Carrollton, EUA; cantam no coro e Janilda lidera um estudo bíblico semanalmente, para um grupo de senhoras brasileiras.

Carlos após seguir o mesmo caminho dos irmãos nos estudos, formou-se em música, na Universidade Batista de Ouachita. Casado com Shannon foram morar no Texas, onde estudou em Fort Worth. Foi MM em Dallas, mas sentindo chamada de Deus para missões, vieram para o Brasil, pela mesma Junta que enviou os seus pais e irmã. Foram trabalhar na Bahia, onde organizou o departamento de música da Convenção Batista da Bahia. Eu vi este seu trabalho. Muito bom e é comentado até hoje entre os músicos baianos. Transferido para a Alemanha, usou da mesma estratégia: organizou os músicos batistas alemães, e ajudou a plantar uma igreja na Bavária. Após oito anos, voltaram para os Estados Unidos, para ser ministro de musica da PIB de Nova Orleans onde ficaram até o furacão, Katrina. Hoje está com sua família em Arkansas, onde serve como o diretor do Departamento de Musica, da Convenção Batista de Arkansas. Interessante como o caçula do casal Ichter tem um ministério semelhante ao do pai – de ser organizador e estruturador da música por onde passa.

Os netos do Bill e Jerry são muito ativos e muitos já estão no ministério. Um é missionário na Itália pela Junta de Richmond e com os Atletas de Cristo; outro é técnico de futebol (brasileiro) e professor de Espanhol, numa escola cristã, em Nairobi, Kenya; uma trabalha em um Centro de adoção e em 2009 vai se casar com um missionario na Italia. Um neto é seminarista com chamada para missões e participa de viagens missionárias para lugares como India, Korea, Equador, Canadá e Brasil. Um segue a carreira militar, outro serve a Deus com música junto aos adolescentes Tem neto ainda bem jovem e que segue na carreira esportista, e neta que segue os passos estudando música na universidade e neto que ajuda na direção dos cantos na igreja.

Que vida abençoada tem o Bill Ichter. Trabalhou muito, investiu sua vida no Reino de Deus, fez muitos amigos, deixou saudade por onde andou e não perdeu a sua família. Deus seja louvado por ele e por toda a sua descendência.
Westh ney Rodrigues luz
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Bibliografia consultada:
· Mulholland, Edith - Notas históricas do HCC. Rio de Janeiro:JUERP, 2001
· Correspondência por e-mail, em outubro de 2008, entre Bill Ichter e autora do artigo

Culto cantado - Hinos do Cantor Cristão

este culto foi elaborado pela MM Enaile Pereira, quando aluna do STBSB - Seminário do Sul usando as palavras de Cristo e hinos compostos ou traduzidos ou adaptados por Salomão Ginsburg. Foi realizado na capela dias 28/8/07 e 30/08/07
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PALAVRAS DE JESUS E O HINÁRIO CANTOR CRISTÃO


Processional, piano, adapt. CC 129 Bendita Luz (E. Hewitt/ Sweney)
Saudação
Leitura bíblica: Mateus 8.23,27; João 8.12
Dirigente: “Entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. De repente, uma violenta tempestade abateu-se sobre o mar, de forma que as ondas inundavam o barco. Jesus, porém, dormia. Os discípulos foram acordá-lo, clamando dizendo:
Homens: - Senhor, salva-nos! Vamos morrer!
Dirigente: Ele perguntou:
Mulheres: - Por que vocês estão com medo, homens de pequena fé?
Dirigente: Então Ele se levantou e repreendeu os ventos e o mar, e fez-se completa bonança. Os homens ficaram perplexos e perguntaram: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”
Todos: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

CC 129, adaptação - Bendita Luz (E. Hewitt/ Sweney)
HCC 318/406CC, trad. - Que alegria é crer em Cristo (Stead/Kirkpatrick)
Oração

Palavra sobre Salomão Ginsburg - seminarista Enaile P. de Souza

Leitura bíblica em uníssono: Mateus 16: 24,25
“Então Jesus disse aos seus discípulos: se alguém quiser acompanhar-me, negue-se
a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá,
mas quem perder a sua vida por minha causa, encontrará”
CC 420, tradução - Servir alegremente (Crosby/Ira Sankey)
HCC 264, tradução - A mensagem do Senhor (William Ogden)
HCC 454/ 401CC, trad. - Eu sou de Jesus, aleluia! (Rowe/ Ackley)
HCC 456/487CC, trad. - Precioso é Jesus para mim! (Gabriel)
CC 337, duo Enaile e Hedelyn - Nada de desânimo (Martin/Gabriel)

Leitura bíblica: João 6. 5, 8,9, 10-a, 11, 12, 13-a.
Dirigente: “Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse a Filipe:
Homens: - Onde compraremos pão para esse povo comer?
Mulheres: Outro discípulo, André, irmão de Simão Pedro, tomou a palavra: - Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente?
Dirigente: Disse Jesus: - Mandem o povo assentar-se. Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam, e fez o mesmo com os peixes. Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse aos discípulos: - Ajuntem os pedaços que sobraram, que nada seja desperdiçado.
Todos: Então eles os ajuntaram e encheram doze cestos”.

CC 344, tradução - Aflito e triste coração (C.Martin/ Martin)
CC 339, tradução - Oh! Não consintas tristezas (C.Martin/ Martin)
CC 120, tradução - Louvai ao Senhor (M. Servoss/H. Palmer)
CC 168, tradução - Chuvas de bênçãos (Whittle/McGranahan)
Oração de intercessão

Leitura bíblica: Lucas 21. 1-4
Dirigente: “Jesus olhou e viu os ricos colocando suas contribuições nas caixas de ofertas. Viu também uma viúva pobre colocar duas pequeninas moedas de cobre. E disse: Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros. Todos esses deram do que lhes sobrava; mas ela da sua pobreza, deu tudo o que possuía pra viver”.
CC 295, tradução - Tudo entregarei! (J. DeVenter/ Weeden)

Leitura bíblica: Mateus 8. 38,39
Todos: “Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”
CC 288, adaptação - Perto do Senhor (F. Crosby /P. Palmer)
Oração de consagração
CC 303, tradução - Amor a Jesus (Feartherstone/Gordon)

Leitura bíblica: João 14.15, 15:4
Teologia: “Se vocês me amam,obedecerão aos meus mandamentos. Permaneçam em mim e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar frutos se não permanecerem em mim”.
CC 465/301CC, tradução - Crer e observar (Sammis/Towner)

Leitura bíblica: João 15.12,14
Música: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos seus amigos. Vocês serão meus amigos se fizerem o que eu lhes ordeno”.
CC 322 , adaptação - Ele valerá (A. Habershon/Harkness)

Leitura bíblica: João 17: 25,26
Pedagogia: “Pai justo, embora o mundo não te conheça, eu te conheço, e estes sabem que me enviaste. Eu os fiz conhecer o Teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles e eu neles esteja”
CC 7, letra - Ao Deus de amor (Stebbins)

Leitura bíblica: João 14. 25-27
Dirigente: “Tudo isso lhes tenho dito enquanto ainda estou com vocês. Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse.
Todos: Deixo-lhes a paz, a minha paz vos dou.
Dirigente: Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem tenham medo”.

Bênção
Recessional, cantado: CC 46, trad. Jesus me transformou (Rowe)
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Este culto aconteceu na capela dias 28/8/07 e 30/08/07
Piano: Francelias de S. e Silva, 3º M; Sadson Nasimento, 2º M/T; regente e liturgia: Enaile P. de Sousa, M; dirigente: profª. Westh Ney.

terça-feira, 9 de junho de 2009

SELVAGERIA NO FUTEBOL E O PAPEL DAS IGREJAS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Outra manifestação de selvageria no futebol: torcedores do Corinthians atacaram torcedores do Vasco da Gama, o que causou a morte de um e ferimentos em outros. A notícia começa assim, em site da Internet: “As investigações da Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) podem fazer com que até 22 corintianos respondam, presos, por terem participado da briga com os vascaínos. Nesta quinta-feira, pelo menos cinco haviam sido indiciados” (5.6.9). A coisa foi feia: “Segundo a delegada Margarette Barreto, no confronto de ontem foi possível encontrar barras de ferro, facas e veículos manchados com sangue em poder de torcedores que serviram de indícios para justificar suas prisões em flagrante”.

Como sempre, dão-se justificativas, fala-se de paz no futebol, e talvez alguma campanha com atraentes slogans seja lançada, e seus autores sejam elogiados pela iniciativa. Há anos que isto acontece: briga de torcidas, mortes, violência mortal. Há anos que surgem “campanhas de conscientização” (devemos ser o país mais conscientizado do mundo, tantas são as campanhas) porque tomar providências é repressão, e isto não é correto. Quando é que ações serão tomadas, no lugar do blábláblá conscientizador? As campanhas falham porque partem de um pressuposto: o homem é bom, e lhe falta educação. Informado, educado, conscientizado, ele se redime por si mesmo. Como se quem construiu as câmaras de gás nazistas não fossem engenheiros... Como se doutos pastores não tivessem saudado o nazismo, como outros saudaram o comunismo como redentores da humanidade. O problema humano não é mais ou menos educação, embora ela seja necessária. É pecado. Mas a cultura positivista da intelectualidade brasileira nos moldou com a idéia de que o progresso vem pela ciência, pelo estudo, pela educação. Religião é coisa ultrapassada. E muitas igrejas e pastores têm sido moldados pela cultura secular, e não pelo evangelho.

É a ausência de Deus na vida de pessoas pecadoras, dominadas pelo pecado, que as leva para a violência. Até mesmo a violência religiosa é falta de Deus. Porque entre Deus e religião pode haver um hiato. Não é falta de estudo que produz violência. Impressiona-me a linguagem usada pelos comentaristas e escritores esportivos, que são pessoas estudadas. A terminologia por eles usada podia ser abrandada. Tentei argumentar isto com um deles, mas ele sequer entendeu o que eu dizia e, como muita gente da mídia, colocou-se acima da crítica. É difícil ouvir dela um mea culpa. Critiquei a linguagem, dizendo que ela expressa um estado de espírito e cria um estado de espírito em resposta. “A palavra dura suscita a ira...”, diz O Livro.

Critiquei a linguagem bélica que eles usam: “matador”, “guerreiro”, “inimigos”, “a nação” (criando uma mística de intocabilidade do time, como se fosse uma questão de brio nacional), etc. Antes de um jogo, juízes são dados como suspeitos ou incompetentes. Recordo-me de um jogo que assisti pela televisão em que o narrador, em toda a partida, insuflava a torcida contra o árbitro. Há um clima de belicosidade criado na semana anterior ao jogo, em várias esferas de envolvimento com a partida. Torcedores, vestidos de comentaristas, escrevem e falam levando suspeição sobre os demais, com uma passionalidade incompatível com a objetividade que se presume vir de um profissional da informação. Ex-jogadores fazem comentários irritadiços sobre árbitros. En pasant, um pedido: Tevê Globo: pague aulas de comunicação verbal para aquele ex-jogador, agora comentarista, que só conhece um pronome: “você”. Ai, que coisa terrível de ouvir: “Quando você treina um time assim, você tem que...” ou “Quando a bola vem assim, você tem que calcular o que você vai fazer”. Eu não treino time nenhum, e não tenho que calcular nada. Aprenda a usar os pronomes, rapaz! Aprenda a conjugar verbos! Faz-me lembrar uma ginecologista dizendo a um repórter: “Quando você sente a dor do parto”. Nem que quisesse o repórter poderia sentir a dor de parto. O certo é “Quando se sente a dor de parto”.

Voltemos aos brucutus e sua linguagem. Há uns trinta anos, lembro-me disto, houve uma marcação que prejudicou um time. O juiz errou, porque não tinha como avaliar. Analisando o “replay”, um comentarista virou o som na direção da torcida e disse que o juiz prejudicara o time. Foi um caos.

Não sou jornalista esportivo. Apenas comento o belicismo de narradores, a tentativa de criar um clima agitado (coisas pacíficas não dão ibope e só servem para momentos especiais, na televisão), e o vazio das pessoas. Elas buscam no futebol um sentido que suas vidas vazias não têm. Viktor Frankl falou da “neurose noógena”, que não surge de conflito entre impulso e instinto, mas de problemas existenciais. As pessoas estão vazias, buscando uma causa, uma razão de viver. Basta ver as figuras nos bares, às sextas-feiras, dominadas pela ditadura da felicidade. Elas têm que ser felizes. E felicidade é cerveja, falar alto e cantoria desafinada. Gente vazia. Pobre de conteúdo.

Deixemos os psicanalistas de lado. A questão é muito bem enfocada pela Bíblia. Há muita gente sem sentido na vida. Gente vazia, com vida medíocre, sem significado, buscando razão para viver porque se afastou de Deus e perdeu o propósito da existência. Agostinho, no início das “Confissões”, escreveu a famosa frase: “Tu nos criaste para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em ti”. Enquanto não encontrar Deus o homem está vazio. Certa vez, o jornal “London Times” pediu a alguns escritores que respondessem à pergunta “O que há de errado com o mundo?”. Chesterton, de forma sucinta, definiu a questão: “Eu”. Não que fosse ele, G. K. Chesterton, pessoalmente, mas o homem. O problema do homem e do mundo é o homem. Ele está sem rumo porque está sem Deus. E tenta preencher o vazio de Deus com drogas, vida “borderline”, futebol, novelas, etc. Ele precisa de algo pelo qual se apaixonar, com o qual se envolver emocionalmente.

Conversei muito com pessoas de bom nível cultural e acadêmico, e sem Cristo. Impressionava-me ver que elas sofrem de ausência de significado. Amam coisas, lutam por coisas, vivem em função de coisas e mais tarde descobrem que coisas não dão significado à vida nem satisfazem as necessidades mais profundas da alma. Muitas se voltam para a religião, e até para o evangelho, mas vêem-nos (a religião e o evangelho) direcionados para coisas. Em certos segmentos evangélicos, a pregação e todo o ensino são direcionados para a obtenção de coisas.

Em outros segmentos, tanto evangélicos como católicos, os possuidores de coisas são demonizados. Batizei, certa vez, uma família de posses acima do comum. Ela começou a procurar uma igreja evangélica (e parou onde eu pastoreava) porque se cansou de ouvir mensagens durante a missa condenando os ricos e mostrando-os como causadores de todos os males do mundo. A família construiu uma boa situação financeira com luta e tenacidade. Era liberal na contribuição. Mas era demonizada nas mensagens. Assim como a posse de bens é sacralizada em segmentos evangélicos. Disse-me a família quando a visitei: “Nós queríamos ouvir sobre Deus. Como isto era difícil! Só ouvíamos discursos de esquerda! Se quiséssemos isto, iríamos a uma reunião de um partido político! Quem vai à igreja quer ouvir de Deus!”.

Ajunto isto à questão da violência. O que as igrejas têm ensinado ao povo? Um corinho antigo, daqueles com sentido nas letras e bom português, dizia: “Andam procurando a razão de viver, Neste mundo mau querem paz receber, Mas só Jesus pode dar a razão de viver, Gozo, paz e amor só Jesus pode dar”. Muitas igrejas deixaram de pregar que Jesus é a resposta aos problemas do homem. O que tenho lido de tentativas da igreja em se alinhar ao discurso do mundo a seu próprio respeito me impressiona. Não se fala com mais com ênfase do pecado, da queda, da necessidade de arrependimento, de chamada à conversão. Há um discurso secularizante em muitos segmentos evangélicos. A fraseologia é espiritual, mas não é bíblica, e sim da espiritualidade do mundo: ter fé, ser bom, ser amigo, praticar o bem, viver em harmonia com o ambiente (meio ambiente é pleonasmo), etc. Parece que ao invés de um grito “Salvemos os pecadores!”, muita gente grita “Salvemos as baleias!”. Qualquer um pode pregar para salvar as baleias, mas para salvar pecadores só a igreja pode pregar.

Alguns trocaram o discurso bíblico pelo discurso político. Estranho os pregadores que atacam a igreja com virulência e defendem ideologias contra as quais o evangelho se posiciona claramente. São humanistas e progressistas cristãos. Deveriam ser cristãos, apenas. Cristão autêntico não carece de adjetivação para completá-lo. Insistem em promover conceitos falidos. E volto a Chesterton, aplicando-lhes uma observação deste sobre Renan: “Lança descrédito sobre histórias sobrenaturais que têm algum fundamento, simplesmente contando histórias naturais que não têm fundamento algum” (“Ortodoxia”, p. 78). Combatem a igreja que sobrevive há 2.000 anos, apesar do mau testemunho de tantos cristãos, e se encantam com ideologias humanas que não conseguiram contemplar um século.

O evangelho não deve ser reinterpretado pela cultura deste século. Ele é juiz e não servo. É ele quem deve analisar a cultura deste século. Nenhum pregador pode olhar pelo lado invertido do binóculo e enxergar direito. É o evangelho de Jesus que interpreta as ideologias humanas e não o contrário. Há cristãos submetendo Jesus a Marx, a Nietzsche, a Kierkegaard, por lerem-no pela ótica destes pensadores. São os fundamentalistas liberais, cáusticos nas críticas à igreja e aos que a amam e a defendem. Querem aculturar a igreja a este mundo. E cito Petersen: “Não sobrevivemos como comunidade cristã por dois mil anos (quatro mil, se contarmos nossos antecessores hebreus) nos ‘conformando com este século’ (Rm 12.2), enquadrando-nos nas tendências sociológicas de nossa época, permitindo descuidadamente que sejamos assimilados pelas práticas do mundo” (“A maldição do Cristo genérico”, p. 253). E à frente: “O mundo é um lugar sedutor. Se começarmos a atender aos seus interesses, satisfazer suas curiosidades, moldar nossa linguagem às suas formas de expressão e sintaxe e adotar seus critérios de relevância, abandonamos nossos princípios norteadores” (p. 343).

A pregação de um Cristo genérico, o abandono da Bíblia como formadora de nossa opinião e postura e a subordinação dos conceitos evangélicos ao pensamento do mundo tira a autoridade da igreja, esclerosa-a, e a deixa sem ter o que dizer ao mundo. Para que uma igreja que diz ao mundo o que ele já se diz?

A igreja deve ser a consciência moral do mundo. Deve ter uma vida santa, digna do evangelho, deve refletir o ensino das Escrituras. Ela não é uma confraria de livres pensadores ou de humanistas seculares. É um agrupamento de homens e mulheres salvos por Jesus, moldados pela Bíblia e com coragem de se opor à cultura do mundo. Ela não existe para adular pecadores, mas para chamá-los ao arrependimento e mostrar-lhes que Jesus Cristo transforma o homem e dá significado à vida.

Afirmo o evangelho que aprendi: o homem só encontra significado para sua vida no evangelho. E a igreja deve deixar, com urgência, o discurso do mundo, a cultura do mundo, a adulação dos pecadores, e chamá-los a entregarem a vida a Jesus.

Há violência porque os homens estão sem Deus, sem paz, sem sentido. A igreja tem a mensagem de Deus, da paz e do sentido para a vida. Não pode trocá-la pelo alarido inconsistente de homens perdidos. É preciso dizer aos homens que o evangelho dá significado à vida, enche-a de realização e que as pessoas precisam aceitar a Jesus como Senhor de suas vidas. O abandono deste discurso “simplório e alienante” (como rotulam intelectuais evangélicos) tem causado sérios prejuízos ao mundo e a perda de relevância das igrejas. Muitas delas dizem e oferecem o mesmo que o mundo diz e oferece. A igreja tem resposta aos males do mundo: Jesus Cristo. Que deixe os discursos seculares e políticos e volte para a simplicidade que há em Cristo.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PR. HÉLCIO DA SILVA LESSA (1926-2009)

Comunicamos, com imensa tristeza, o falecimento do Pastor HÉLCIO LESSA (9/8/1926 - 5/6/2009), nosso pastor emérito, ocorrido na madrugada de hoje (5 de junho) em sua residência.
O culto em gratidão por sua vida será hoje, sexta, dia 5/06 - , às 19h30, no templo da Igreja Batista Itacuruçá - Pça. Barão de Corumbá, 49 - Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

O sepultamento será amanhã, às 9h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência.
Pedimos a todos as orações por sua família, irmã Odete (esposa), Cristina e Dalton (filhos).
O culto será transmitido ao vivo pela internet.
Israel belo de Azevedo, Pastor da Igreja Batista Itacuruçá
CLIQUE AQUI às 19h30 para participar do culto.
http://www.itacuruca.org.br/

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Quando postei a Marcha fúnebre hoje pela manhã estava pensando no Dia do Meio Ambiente e como nós tratamos a Terra, mas não podia imaginar que saberia logo em seguida que meu pastor adolescência e juventude partiu nesta manhã.
É muito triste saber isto hoje.
No dia 16 teremos um culto e nele, ele seria um dos homenageados por sua luta na área social, em uma cerimônia no STBSB..
Ele foi meu pastor da adolescência e juventude e neste momento triste é o que posso dizer e falar.

Marcha Fúnebre - Chiquinha Gonzaga

Dia do Meio Ambiente

Evento de reflexão e oração no Dia do Meio Ambiente
É um evento, uma cerimonia cívico religiosa - No Dia do Meio Ambiente, um canto de amor à terra e a Deus, o Criador.
Rua José Higino, 416, Tijuca, Rio/RJ, em frente ao prédio da Reitoria, de Teologia, às 8h30, na hora da chegada e entrada dos alunos

Músicos participantes no evento: Teclado: Sadson Nascimento; guitarra: Ramon Chrystian; flauta: Tamires Franco, Joyce Santos e Priscila Maia; baixo: Darlei Ramos; bateria: Adriano da Silva; direção: Profª Westh Ney e alunos do 3º e 4º ano de música.

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CARTA DA TERRA

I. Respeitar e cuidar da comunidade da vida
Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

II. Integridade ecológica
Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.

III. Justiça social e econômica
Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

IV. Democracia, não violência e paz
Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.

As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.
http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/history2.html