sexta-feira, 4 de julho de 2014

Brasil e Colômbia, e o jogo nosso de cada dia

 por Westh Ney Luz, Copa 2014

Gente, jogo começou e eu... muda, silenciosa.  Nem no primeiro gol gritei que é o que sei fazer melhor. Temos um apito para chamar pato que é um escândalo. Eu sempre o uso. Desta vez ficou na mão do Marcelo Leiroz. Percebi que não daria para suportar estas emoções.

No intervalo fui pra cozinha fazer um bolo simples para café. Fiz tudo com muita calma. As mãos trabalhando me acalmavam mas meus ouvidos ligados nos gritos do Marcelo: 
- "Fred pára de fazer isto. Fred pára de fazer corta luz! Tira o Hulk! Felipão teimoso!
Não sei o que é isto mas como ele é um bom jogador acreditei, e continuei no bolo. Não consigo fazer um bolo simples e coloquei castanhas de caju e do Pará. Brasil fez gols e fiz um grande gol com este bolo. Ficou fofo e GRANDE.

Acontece o 2º gol, saio correndo, a tempo de ver o mesmo gol pois a ESPN tem um intervalo diferente da Globo..  Ah, e aquele apito? Marcelo colocou a cabeça para fora da janela e apitou com toda a força que a parte de dentro do apito responsável pelo barulhão voou pelos ares. Deve estar em algum telhado ou no chão do prédio. Amanhã verei se algo restou dele depois da queda do 8º andar. A cara do Marcelo Leiroz foi hilária.

Termina o jogo e então volto ao meu normal - grito muito!!! Feliz por eles, pelo povo, pelo Thiago Silva, David Luiz e triste pelo Neymar - muito novinho e perseguido e marcado por muitos. Triste pelos cartões que deveriam ser dados e não foram, pelas punições que não foram arbitradas...

Bem, voltemos ao bolo. 
Fiz “um café pra nós dois” e saboreamos.
A vida volta ao normal aqui em casa.
Cuido da cozinha e Marcelo vai trocar os cordões do secador de roupas. Faz tudo muito direitinho e perfeito e sozinho. Nem preciso ajudar. Só na hora de escolher onde marcar os nós. Um nó bem alto para lençóis, dois para pegar um ventinho que vem da janela lateral, um para a altura dele e outro para mim. Como ele é meticuloso e cuidadoso...

Fim de noite, helicópteros e rojões por Copacabana, ver todos os canais que comentam o jogo, ficar indignados e tristes pelo Neymar e vamos nos divertindo com o cotidiano das nossas vidas. 

No ar as calamidades do Sul do país causadas pelas chuvas, a tragédia do viaduto que cai e tira dois jovens inocentes deste mundo. Quantos estão sofrendo em muitos lugares enquanto a boa rola nos gramados. É a vida. Tudo acontece ao mesmo tempo. 
Sabedoria é saber a hora de rir e chorar. 
É saber discernir o tempo de cada coisa.
Só pra não dizer que só falei de flores, 
vale lembrar as eleições que estão chegando 
e os conchavos, falando mais leve – as alianças!
Olho vivo gente!
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OBS:  para quem quer fazer este bolo segue a receita do bolo simples para o café

1. Ingredientes:
1x e 1/2 de açúcar, 
3 x. de farinha de trigo, 
4 colheres de manteiga, 
1x e 1/2 de leite, 3 ovos, 
1 colher de sopa de fermento,
 raspas de laranja, 
um punhado de castanhas de cajú e do Pará.

2. Desenvolvimento
 Bata as claras em neve.
No liquidificador, bata bem as gemas com a margarina e o açúcar e coloque o leite e as raspas de laranja. 
Em outra vasilha coloque a farinha peneirada e misture o líquido devagar e também as castanhas. 
Por último as claras em neve e o fermento
Coloque em forma grande de furo central untada e enfarinhada
Asse em forno médio, pré – aquecido, por mais ou menos 40 minutos
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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Dois momentos bem diferentes.

Westh Ney Rodrigues Luz, 03/07/2014

Ato 1 - 12h40 - Ontem almocei com minha mãe em um restaurante no Méier onde já estive em outras ocasiões.O tratamento da caixa e da recepcionista foi deprimente comigo. Que lástima.
Saí de lá pensando que são umas infelizes vivendo vidas miseráveis e talvez tenham sido incapazes de esboçar um leve sorriso de canto de boca ou mesmo um jeito receptivo de receber as nossas comandas e o dinheiro. Dinheiro que paga o salário delas. Não voltarei mais lá. Não recomendarei nunca.
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Ato 2 - 17h35 - Recebi uma carona antes do local previsto (Metrô da Pça Saens Pena) e passando perto de uma padaria que nunca tinha entrado, senti uma vontade de tomar um café de padaria com algo gostoso pois o almoço tinha sido intragável e até chegar em casa levaria quase 1 hora.
Padaria cheia, eu sem saber ainda o que escolher fui atendida por um jovem com sorriso e delicadeza total no jeito de falar. Comprei meus pãezinhos e fui sentar no balcão lotado. As duas atendentes em nenhum momento foram ríspidas com ninguém. Eu sou um prato cheio, aliás uma xícara para deixar alguém nervoso. Pois o meu café tem que ser com leite mas com quase o cheiro só. Um café com leite sem gosto de leite. A Nica Drummond, do Restaurante do Seminário do Sul sabe como é. 
Pois não é que a atendente foi extremamente amável. Na caixa ao pagar, só tranquilidade. Fiquei tão contente de ver pessoas que sabem cuidar de si mesmas, das suas emoções e respeitando as dos outros. Podem ter milhares de outros sonhos, talvez estejam pensando em mudanças de emprego, talvez morem longe, mas elas sabiam trabalhar com pessoas e honravam suas funções. 

Lembrei de minhas conversas com Carla Micheline Thomazi sobre administração e fui parabenizar a gerente ao final do meu lanche. Procurei-a e disse da alegria de ser atendida por funcionários bem educados e felizes, bem treinados. Parabenizei a gerente , pois é responsável pelo clima e treinamento de seu pessoal.
Trouxe um mini bolinho de aipim com coco para Marcelo Leiroz e um endereço que quero guardar e voltar, além de recomendar.
Apareçam lá e constatem: 
Casa do Pão, na rua Desembargador Izidro, 23, Tijuca, Rio. 
Pães e bolos gostosos e funcionários elegantes no trato.

Eu, o taxista e a Rural Willys.

por Westh Ney R. Luz, Rio 03/07/14

Hoje de tarde, no táxi, o papo foi muito bom... 
O taxista, talvez 30 e poucos anos, eu com experiências de mais de meio século, conversamos muitos e sobre carros. Tudo começou quando na rua Barão de Mesquita, parados no sinal da Uruguai eu vi uma Rural Willys sendo reformada, restaurada. Uma lindeza. Vinho e branca. Isto me levou ao final dos anos 60. 

Lembrei então do meu pai e seu Aero Willys bege (ou cinza?). Era imponente e papai tinha uma pose e tanto. Que carro forte, pesado. Bem... uma vez ficamos na serra de Petrópolis parados esperando o carro esfriar... e pegando água da bica que corria por lá...

O Aero Willys era um carro pesado e quem não queria se espremer dentro de um besouro (Fusca, 1959) ou no Renault Dauphine(1956), este era uma opção. Este foi um projeto que parece que não deu certo nos EUA e então veio para o Brasil. Fabricado pela Willys dos EUA, com os componentes mecânicos dos Jeeps Willys (6 cilindros) veio para ser montado no Brasil e com 4 portas.

Depois pulei para o Simca Chambord (frances) produzido por volta de 1958 e 1961. Ele não conhecia o Simca. Ele era uma versão maior do Aero.  O taxista conhecia o DKW - ô carrinho feio e o Gordini, mas o Dauphine não. Não consegui explicar para ele a diferença de um para o outro. 
O Gordini (1958) veio substituir o Dauphine, ambos da Renault.  Este era mais potente e parecia impossível 4 pessoas dentro dele. Andei muito de Gordini, mas era adolescente e jovem.
Conheci estes carros por volta dos meus 12 anos (1963). Circularam muito tempo ainda...
O nome do homem importante e que possibilitou isto foi Juscelino Kubitschek - o presidente JK

Falamos do Corcel e do Corcel II (Ford). Este último eu gostava muito. O papo foi ótimo e me trouxe muitas lembranças... Rodando pela Tijuca e relembrando tudo isto foi bom demais

Fomos evoluindo o papo e saindo dos carros e indo para os telefones fixos, do investimento que era ter várias linhas telefônicas, falamos dos tijolões celulares, a dificuldade em comprar. Lembram da linha que vinha de Minas?? Fichas telefônicas, que foram substituídas por cartões e que muitos colecionavam quando era de todo usado... Antes da Telerj era a CTB - Companhia Telefônica Brasileira. pelo Rio ainda podemos ver tampas de ferro com a marca CTB pelo chão.

Falamos da máquina de fazer gelo, das aulas de datilografia que ele teve que fazer e falamos rapidamente dos computadores, pois infelizmente cheguei ao meu destino, que era a Capela do Hospital Evangélico para o ensaio do coro. Estava na casa da minha mãe e este trajeto faço de ônibus mas como estava muito cansada fui de táxi. Maravilha, quando cheguei ao destino estava renovada com lembranças boas e a constatação que é muito bom viver muito e conhecer muitas coisas, vivenciar tantas mudanças e ainda ficar feliz e não nostálgica. 

Que maravilha ter vivido e visto tudo isto! 
Tem muito mais, mas a vida é curta...
Curta para vivermos tudo que existe 
e muito mais curta ainda para ficar recordando tudo que vivemos...
Isto é quase viver duas vezes...
                                                                                 


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Para regentes e cantores 1 - Look at the World, John Rutter




Gente não deixem de ver este vídeo de um grande festival de coros. 
Vocês irão se surpreender com o tamanho e a emoção de participar de um encontro assim. Já participei e estive em muitos. Isto para quem trabalha e vive música é maravilhoso e uma experiência indescritível. 
Vozes humanas, de diversas idades usando seu instrumento, suas emoções... Não tem como partilhar estas emoções. Precisam ser vividas. No ponto 3 cantam à capella - enquanto escuto e vejo o vídeo fico lembrando de pessoas especiais que gostaria de compartilhar isto.

O vídeo acima é de um Festival - A Fundação Mark Thallander existe para permitir que as pessoas a experimentar um crescimento na fé e na comunidade através do dom da música. A visão da Fundação é afirmar e inspirar músicos da igreja, coros,  clérigos e congregações através de festivais, concertos e seminários.  A Fundação visa unificar a comunidade cristã através coral dinâmico e repertório órgão. - MARK THALLANDER, presidente da Fundação http://www.markthallanderfoundation.org/org/thallander.asp

sábado, 28 de junho de 2014

No dia do Brasil e chile_copa 2014

Dia de jogo do Brasil e Marcelo quer comer um almoço alemão... 
Saio da praia e rodo por dois supermercados procurando a tal salsicha, mas os "gafanhotos " tupiniquins e internacionais já limaram todas as gôndolas. Volto para casa ainda com sal da água do mar no corpo, vejo abertura, me emociono com o hino e vou fazer o almoço. Não bastasse o almoço alemão (repolho tipo chucrute, puré e salsichão) ele queria um feijãozinho preto, que é claro, só temperei, pois estava congelado... porque eu não sou fraca não!!! rsrsrsr.
Vendo o jogo no quarto (pq ele só vê na ESPN) só escuto seus gritos aqui da cozinha, saio correndo gritando - GOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLL do Brasil. Volto pra cozinha e dou uma finalização. Vou tomar banho e espero ver as jogadas geniais na gravação, se ganharmos o jogo.
Enquanto escrevo vejo o jogo na TV com o falador Galvão e assisto a bobeira deste gol chileno. Pode?
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Bem eu vou é mesmo refrescar a minha cabeça.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Precioso nome_Coro Cantares

Ao querido missionário Bill Ichter, o pioneiro na área da música sacra batista no Brasil, a minha gratidão por tudo que você fez - compôs,ensinou, regeu, escreveu, editou - pelo Brasil. Muitos anos depois estou regendo e cantando. Minha eterna gratidão pela vida de Elza Lakschevitz, um nome expressivo no Brasil e que em Itacuruçá, em outras igrejas e locais não eclesiásticos muito contribuiu para a música . Obrigada.

*No link abaixo o vídeo do hino Precioso nome, cantado pelo Coro Cantares (nossa 1ª apresentação deste) na ITA – Igreja Batista Itacuruçá, dia 18/05/2014, 4ºculto da noite. Regente Westh Ney Rodrigues Luz. Do livro para Vozes femininas (Bill Ichter) publicado pela JUERP, anos 50, p. 55.
                           
 por Westh Ney Luz

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A vida de professora é muito bela

Caros amigos, nestes 15 dias tive uma alegria imensa que só os educadores e artistas entenderão. O encontro de dois alunos com a arte, aquele insight, a absurda percepção de estar diante de uma música e ela tocar a sua alma e ele perceber que está ouvindo é mais que música, deixa qualquer professor muito feliz e realizado.
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1. Antes da Semana Santa, um aluno do 2º ano (baterista e trabalha com bandas) deu um soco na mesa, gritou (berrou) dizendo: - Que som! Puxa, que som! Ele estava em êxtase, seus olhos brilhavam. Tinha terminado o último acorde da abertura, do 1º coro da Paixão Segundo São Matheus de J.S.Bach. Aquela tremenda arquitetura musical barroca para dois coros e duas orquestras tocou sua alma no sentido hebraico – totalmente integral foi sua experiência. A letra era em alemão, mas ele percebeu tudo. Assim é arte. Ela precisa do artista que a faz e de quem a percebe. Então ela é refeita!
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2. Outro aluno da área das bandas, 1º ano, de uma igreja evangélica, não batista, está descobrindo os hinos do HCC. Quer aprender todos e está encantado com as letras e harmonias. Hoje foi a vez dele gritar extasiado quando terminamos de cantar o 208 do HCC – Eu não posso fugir do Teu Espírito - que tem letra e harmonização de qualidade e uma melodia lindíssima. Ele é sempre quieto, presta atenção e fica sempre pensando em tudo que trago para a sala fazendo a ponte com a sua realidade. Fala pouco e hoje descobriu a beleza do hino. Quando a aula terminou, e seus colegas combinavam o culto da Capela do dia 14, ele disse que quer cantá-lo, fazer um solo. O encontro com o Belo com o sublime em arte independe de conhecimento, estilo, faixa etária.
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Estou recompensada por ver e sentir o crescimento dos meus queridos jovens alunos, que sem preconceito, sabem discernir o que é arte e se deixam tocar por ela. Quantos encontros e encantos em cada canto deste Seminário do Sul.
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Rio, ou melhor, dou gargalhadas e me divirto com Débora Feliciano , Ana Luiza Salotto Inácio , Diogo Silva e Anderson Ferreira. Gostam de me imitar e são como as cigarras – adoram cantar. Termino a noite conversando com dois excelentes alunos – Valci Farias e Tiago Pena – sobre spirituals, gospel, blues, jazz, musicais, jazz, monografias e livros. Chega a angolana querida, a Formosa Sangostinho, que alegra o ambiente e seguimos com alma lavada – eles e eu - para nossas casas. Antes de sair, um papinho de saideira com o Theógenes Eugênio Figueiredo.
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O som da minha mala de livros que arrasto pelo campus ecoa por aquele seminário/faculdade vazio e muito frio nestes dias. Todos já tinham ido embora e os poucos seres deviam estar em seus quartos, bem agasalhados. Chamo o táxi e a atendente simpática que só conheço pelo som da voz, é meu último contato humano até chegar em casa, pois o motorista de hoje estava mais do que econômico nas palavras. Ao chegar em casa, Marcelo Leiroz abre a porta e pergunta por que estou sorrindo feliz (nem sabia que estava). Não respondi, só o abracei ainda tocada pela magia de um dia bem vivido.
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E pensar que hoje estava tão cansada e quase desanimada na parte da manhã.
A vida de professora é muito boa.