domingo, 14 de agosto de 2016

Roselena Landenberger (1962 - 2016)


Roselena de Oliveira Landenberger  e sua contribuição ao HCC e à Hinódia Brasileira.

“Cada música que componho, cada letra que escrevo são antes de mais nada, presentes de Deus na minha vida. São momentos de profunda emoção em que Ele me permite abrir uma pequena fresta na janela do tempo e vislumbrar um pedacinho de eternidade. “ Palavras da compositora Roselena Landenberger
.
 “Roselena de Oliveira Landenberger nasceu em 22 de abril de 1962, filha de José Ferreira de Oliveira e Escolástica C. de Oliveira. Paulista converteu-se em outubro de 1969 sob o ministério do Pr. Silas da Silva Melo e foi batizada na Igreja Batista Betel. Bacharelou-se em Música Sacra (especialização em órgão) na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e em piano pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.“ (Mulholand, Edith, - Notas Históricas do HCC)

Além de organista, pianista, tradutora e compositora compôs muitos hinos congregacionais e fez muitos arranjos para coro infantil, coro feminino, órgão e piano. Sua obra abarca também solos vocais e obras para piano.

Muito serviu ao Senhor na Igreja Batista do Ipiranga, SP e atualmente na IBAB - Igreja Batista em Água Branca. Ela também trabalhava com o ministério de surdos fazendo um belo trabalho.
Não resistiu a uma cirurgia da vesícula e faleceu dia 13 de agosto de 2016. Oremos por sua família, por seu esposo Ottmar Landenberger, e mãe de Estevão e Rachel Landenburger. 

“Na área de educação, já ensinou cursos de iniciação musical, piano, órgão, e teoria. E também monitora do método Suzuki de violino. Os arranjos corais que Roselena fez nos hinos Cristo, Paz Para a Cidade e Segundo a Vontade de Deus, de Marcílio de Oliveira Filho, publicados pela JUERP, são cantados em todo o Brasil. Ela também compôs arranjos para coro infantil, coro feminino, órgão e órgão e piano, além de compor solos vocais, obras para piano e hinos congregacionais. A Redijo publicou O Aniversário de Jesus, musical infantil escrito em parceria de Roselena com o Pr. Marcílio, em 1986. A Convenção Batista do Estado de São Paulo publicou sua peça coral, Cristo, Nossa Libertação, em 1988.”

Roselena sempre fez "cada melodia inspirada pela letra original". Todas as sete melodias que ela contribuiu para o HCC mostram este fato. O HCC inclui sete músicas originais desta dedicada e feliz compositora: 67, 175, 279, 304, 305, 520 e 547. Vejam o quadro abaixo.

Mulholand diz: “Algumas das melhores letras do Cantor cristão precisavam de novas músicas”. Jesus, teu nome é santo era uma delas. A Subcomissão de Música, conhecendo a habilidade da compositora Roselena de Oliveira Landenberger  através das suas composições corais, convidou-a a participar no HCC, suprindo músicas para diversas letras. Roselena aceitou o desafio, uma tarefa difícil, que nem todos os compositores aceitam. Deus assim a abençoou ricamente, ao HCC e à hinódia brasileira.

Ao receber o pedido de Edith Mulholand autora do livro Notas Históricas do HCC, e relatora da Subcomissão de Documentação e História de nomes para as suas melodias, Roselena perguntou em quais bases devia escolhê-los: Pode dar nome de pessoas que a gente quer homenagear? Certamente, foi a resposta. E foi exatamente isto que esta compositora fez. Em gratidão a pessoas que ama, homenageou-as com suas melodias, preservando sua memória enquanto seus hinos são cantados.

Sete hinos do HCC têm suas músicas:

1.    67  HCC      Dai ao Cordeiro o Louvor
               (Bonar/Faustini/Landenberger)
 
2.    175 HCC    Jesus, Teu Nome É Santo          
              (Menezes/Landenberger)

3.    279 HCC    Sonda-me, ó Deus                
              (Orr/Kaschel/Landenberger)

4.    304 HCC    Jesus, Levaste a Minha Cruz           
             (Souza/Landenberger)

5.    305 HCC    Rocha Eterna        
            (Toplady/Entzminger/Landenberger)

6.    520 HCC    Será Possível Esquecer?    
            (Entzminger/Landenberger)

1.    Sobre a música que Roselena Landenberger (1990) fez para o hino 67 HCC, “Dai ao Cordeiro o Louvor” cuja letra de Horatio Bonar (1858) e com tradução João Wilson Faustini (1969), ela, a compositora escreve:

“A melodia veio a mim numa manhã quando eu tinha acabado de fazer o momento devocional. Após a oração, comecei a meditar na letra. Imaginei que tipo de música aqui na terra poderia representar o Cordeiro sendo recebido com honra no céu. Na frase, "Soa nos céus o clamor da vitória", pude imaginar e entrever com minha mente humana visões dos anjos com seus instrumentos, louvando o Cordeiro. (...) Ao mesmo tempo surgiu a melodia (...). Primeiramente, passei a melodia para o papel e em seguida, fui ao piano e a toquei, já harmonizada. (...) 

FAUSTA é o nome da melodia que fez em homenagem” à professora Fausta Sermaini, mestra e amiga, que, como poucos, tem se dedicado de corpo e alma ao ensino. É pessoa de profunda sensibilidade, com quem tenho aprendido muito sobre a vida e a arte". (Carta enviada à Edith Mulholand de 20/03/1991).

2.    Quanto à música para Jesus, teu nome é santo (175 HCC - Menezes/Landenberger), Roselena descreve a sua composição em 1989: “Esta melodia foi a primeira a ser escolhida pela Subcomissão de Música. Eu a escrevi sentada ao piano, sempre inspirada pela letra (...). O nome da melodia ESCOLÁSTICA é o nome da minha mãe que sempre me incentivou. Ela é minha grande amiga, a quem devo muito, pois me proporcionou condições para estudar música”.

3.    Sobre o conhecido e amado hino - Sonda-me, ó Deus (Orr/Kaschel/Landenberger) Roselena disse:
“ Sempre gostei da letra Sonda-me, ó Deus e foi um privilégio escrever esta melodia que é ao mesmo tempo uma oração. DACYR foi o nome escolhido para a melodia, pois aprendi muito com Dacyr Bernardes Gatz, minha professora na faculdade Teológica Batista de São Paulo, no curso de Música Sacra. Até hoje estou aplicando seus ensinamentos tanto no órgão, como em outras áreas da música”.

4.    O Hino 304 do HCC, Jesus, Levaste a Minha Cruz, cuja letra é de (M. Avelino de Souza/ Landenberger) tem como nome da melodia uma homenagem ao seu avô – AMADOR - Amador José da Silva que também foi músico na sua juventude, a quem ela admira e estima. Ele esta hoje [marco, 1991] com 91 anos, e é lúcido, graças a Deus, disse ela.
A Subcomissão de Música do HCC convidou Roselena de Oliveira Landenberger para providenciar uma melodia que realçasse esta comovente mensagem, o que ela fez com esmero, em 1990.

5.    Rocha Eterna, 305 HCC (Toplady/Entzminger/Landenberger). Temos duas melodias no HCC e esta mais nova e recente da Roselena Landenberger tem “especial aceitação da nova geração” (Mulholand).  O nome da melodia é OTTMAR, em homenagem ao seu marido. Disse ela na carta explicativa:
Sobre o nome desta melodia a Roselena escreve: Escolhi o nome de meu esposo Ottmar Landenberger, por ser ele sempre alegre, amigo, companheiro e compreensivo. Ele tem me apoiado muito em tudo, sempre me animando, e isto é muito importante. Deus nos uniu para a sua gl6ria, e eu sinto isto. 0 Ottmar também tem todos os méritos.

6.     Hinos sobre Ceia era um dos assuntos mais requisitados para o novo Hinário que surgia. Por isto a necessidade de preservar esta letra e pedindo a um compositor brasileiro nova melodia. No Hino 520, Será Possível Esquecer? , de Entzminger/Landenberger também foi pedida à capacitada compositora paulista uma nova melodia. Ao dar o nome FERREIRA a esta melodia ela homenageia seu pai - Jose Ferreira de Oliveira - assim o faz por considerá-lo uma pessoa sensível. “E como se a melodia fosse um reflexo de um pouco que eu sinto que ele é, e por ser ele meu pai, temos em comum através da hereditariedade muitos traços de personalidade, e isto gera muita empatia. E difícil explicar. Ao mesmo tempo é um tribute de gratidão a Deus pelo pai que ele me deu.”

Continuando ela diz: “A melodia deste hino surgiu com muita naturalidade, e é a que mais aprecio das que escrevi. Ela sempre gira em torno da frase: 'Será possível esquecer...?" Soa para mim como tema de meditação; é muito subjetiva”.

O estilo da simples e expressiva melodia que Roselena compôs no modo menor, para ser cantada em uníssono pela congregação, é bem brasileiro. Sugere-se apresentar este hino pela primeira vez a igreja por solista ou conjunto, no momento da Ceia do Senhor. Repetindo o hino na hora, a congregação o aprenderá com facilidade. Encerra o depoimento, Edith Mulholand, sobre a compositora neste hino.

7.    Sabeis Falar de Tudo, hino 547 HCC de (Crosby/Wright/Landenberger).
“Sentindo a necessidade de uma melodia mais brasileira e atualizada para este poderoso desafio, a Subcomissão de Musica do HCC pediu a colaboração da dotada compositora batista, Roselena de Oliveira Landenberger. A melodia CHARLA foi a primeira melodia que Roselena escreveu para o HCC, isto foi em 1990. Foi escrita pensando no hino Senhor, E Admirável o Teu Divino Amor (HCC 166). Entretanto, a Subcomissão de Textos do hinário (Magali Cunha, relatora) achou-a perfeita para esta mensagem, e assim foi usada em Sabeis Falar de Tudo. Roselena seguiu o estilo bem brasileiro do canto congregacional em uníssono, com um acompanhamento muito lindo pelo instrumento”. (Mulholand)

Esta é uma música de fácil aceitação e todos poderão cantar e Roselena deu o nome CHARLA, em homenagem à missionária Charla Greenhaw, que foi sua professora de piano e que sempre confiou no seu trabalho, segundo ela.
...
 Muito há ainda para se falar (ainda continuarei pesquisando) sobre esta mulher tão sincera e que é sempre grata a Deus por seu talento como dádiva dos céus.

Deus abençoe todos que cantarão ou que já cantam suas melodias conhecidas e que estão no HCC e  ou  outros arranjos e composições autorais (com letra e música). Que sejam alcançados por sua sensibilidade e que possam acalmar os seus corações.

Graças ao Senhor pela vida de Roselena de Oliveira Lendengurber. Que todos os seus familiares e amigos sejam consolados por nosso Deus e Pai.

Rio, 14 de agosto de 2016

Westh Ney Rodrigues Luz – Ministra de música, profª do Seminário do Sul (STBSB/FABAT), lecionando Culto Cristão, História da Música e Gestão da música na Igreja. Membro da Igreja Batista Itacuruçá  e regente dos Coros feminino Cantares e  Hospital Evangélico. Relatora da subcomissão de organização e leituras bíblicas do HCC (Hinário para o Culto Cristão, 1991). Redatora da Revista Louvor (Revista de Música). Formada em Licenciatura em Música (UFRJ), Bacharel em Música Sacra (Seminário do Sul), História (UGF) e pós-graduada em Artes (FIJ).  http://www.blogdawesth.blogspot.com/

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Referências bibliográficas:

1.    MULHOLLAND, Edith Brock. Hinário para o culto cristão – Notas históricas. Rio de Janeiro:
                     JUERP, 2001. p.68, 69, 141,  280, 240, 241, 242, 390, 409 e 410.    

2.    LUZ, Westh Ney Rodrigues - Anotações do arquivo pessoal do HCC.
3.    Carta enviada à Edith Mulholand de 20/03/1991
4.    Notas dos amigos da  compositora

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O 1º Encontro da AMBB - Associação dos Músicos Batistas Brasileiros

Músicos Se Reúnem em Brasília
* Maria Rita de Melo Fonseca 

Em Agosto passado (1990), a AMBB promoveu o I Encontro Nacional de Ministros de Música e Diretores de Departamento de Música, realizado no Instituto Presbiteriano de Brasília, DF. Contamos com 64 participantes inscritos no evento, número bastante significativo para o nosso objetivo. A programação desenvolveu-se em três turnos: manhã, tarde e noite, constando de painéis, técnica vocal, troca de experiência, testemunhos, leitura de partituras, noites musicais, culto de encerramento e avaliação do evento. 


Participaram como preletores: MM Westh Ney Rodrigues Seabra, MM Leila Christina Gusmão dos Santos, MM Urgel Rusi Lota (presidente), MM Armando de Oliveira Neto, **Clint Kimbrough, Américo Cardoso Campos, MM Hiram Rollo Jr., MM Donaldo Guedes e MM Almir Rosa, respondendo às perguntas no painel, esclarecendo dúvidas e orientando com base nas experiências vividas. 

Os assuntos tratados nos painéis foram baseados no tema principal do encontro:
Prática do Ministério de Música, constando de:
• Conceituação e ética;
• Organização de um Departamento de Música; 

• Coros graduados;
• Escola de Música — seu funcionamento.


Esta atividade proporcionou a todos os presentes colocarem os seus problemas de maneira franca e aberta, com o objetivo de corrigir erros e dirimir dúvidas existentes. Diariamente tivemos a feliz oportunidade de aprender e desenvolver técnica vocal. Para tanto, contamos com o excelente trabalho da professora Eloísa Baldin Tretiaggi, de São Paulo, cujos ensinamentos, transmitidos de maneira eficaz, contribuíram para o enriquecimento de todos. Outra atividade gratificante do nosso encontro foi a leitura das partituras, sob a regência de MM Donaldo Guedes e MM Urgel Rusi Lota, visando o culto
de encerramento da última noite. 

 Como acompanhante, contamos com a colaboração de Regina Tatagiba. Foram momentos de muita inspiração para todos os encontristas. Nas duas primeiras noites, no Auditório Éber Vasconcelos, da Igreja Batista Memorial de Brasília, foram realizados concertos de piano, recital de Paulo Mandarino e Eloísa Baldin Tretiaggi, apresentação do coro Mensageiros da Paz e do grupo vocal Nossas Vozes.

O culto de encerramento, realizado no santuário da Igreja Batista Memorial de Brasilia, revestiu-se de grande emoção, quando todos os participantes (ministros de música e diretores de Departamento de Música) dedicaram ao Senhor um culto de louvor.
O culto enfocou quatro aspectos: 

De todo o coração louvamos ao Senhor; 
• De todo o coração suplicamos a presença do Senhor em nossas vidas; 
• De todo o coração queremos ouvir a tua palavra, Senhor; 
• De todo o coração nos submeteremos a Deus. 

Dirigiram o culto MM Westh Ney Rodrigues Seabra e MM Hiram Rollo Jr. ficando a regência congregacional com MM Donaldo Guedes. O coro do encontro, regido também por
MM Donaldo Guedes e MM Urgel Rusi Lota, acompanhado ao piano por Regina Tatagiba e ao órgão por Haendel Cecílio, teve oportunidade de reafirmar o propósito de dedicar os seus talentos e dons recebidos do Senhor, para atuar no Ministério de Música nas igrejas do Brasil. Esta ênfase só poderia ser a conclusão do encontro: consagração de vidas. Contamos também com a presença do pastor da igreja, Éber Vasconcelos, que nos deu todo o apoio para a realização do culto. 

Nosso Próximo Encontro O 2º Encontro Nacional dos Músicos será realizado em Vitória, ES, nos dias 1, 2 e 3 de agosto de 1991, e será aberto a todos os músicos batistas do Brasil. Para aquele evento contaremos com a presença de Donald Hustad, que será um dos preletores, além de outros ministros de música do Kentucky, EUA. Desde já programe sua participação. Não deixe passar essa oportunidade! A AMBB é você'
Maria Rita de Melo Fonseca faz parte da diretoria da AM BB (Associação dos Músicos Batistas do Brasil), onde atua como secretária.

REVISTA LOUVOR - Revista de Música da CBB - Convenção Batista Brasileira - Ano XII - Vol. I 7 (1990) Texto digitalizado por Westh ney Rodrigues Luz
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* Maria Rita de Melo Fonseca - querida amiga - uma pessoa competente e impecável em tudo que fazia, está nos braços do Pai.
 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Hinódia Batista Brasileira: 3. A hinista e mestra de todos nós, os músicos brasileiros! Joan Larie Sutton -

“O Cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferências, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã.” (Joan Sutton, 1991)


Joan Riffey Sutton Houston (26/07/1930 - 05/03/ 2016) 
Nasceu em Louisville, KY, EUA e em 1935 veio para o Brasil (com 5 anos) acompanhando seus pais que estavam sendo designados como missionários da Junta de Richmond - John e Esther Rifley -, e que serviram em oito estados do Brasil. Seu pai foi diretor do Curso por Extensão do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, de 1938 a 1954. Sua mãe, D. Esther além do trabalho na Igreja local no Rio foi também autora e compositora para crianças trabalhando no Curso de Obreiras (mais tarde IBER, hoje CIEM). Estudou nos Colégios Batistas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro até o 2º grau, voltando para os EUA para estudar Licenciatura em Violino e Bacharel em Letras e Literatura inglesa e francesa na Baylor University e Mestrado em Música Sacra no Seminário Teológico Batista do Sul dos EUA. 

Viúva bem jovem - com apenas um mês de casada com Stanley Johnson -, conheceu no curso de mestrado em Música Sacra o doce e amado prof. John Boyd Sutton (já nos braços do Pai) com quem ficou casada por 53 anos. Em 1959 volta para nosso país  como missionária, após três anos de trabalho com seu esposo na Carolina do Norte (Hendersonville). Filha de missionários, criada nas cercanias do STBSB, volta, em 1961 leciona música no STBSB e em 1963, junto com seu esposo iniciam o Curso de Música Sacra do Seminário do Sul. John Edwin (1954), Laura (1957) e Cecília (1960, nascida no Brasil), são os três filhos amados deste casal de /músicos/professores/missionários.

Edith Mulhond, no livro Notas Históricas do HCC (pág. 36) escreve: “Bem cedo revelou o seu talento musical. Desde os seis anos estudou piano, adicionando, depois, o violino. Em seu sermão oficial no VI Congresso Nacional da Associação dos Músicos Batistas do Brasil, realizado em Fortaleza, CE, D. Joana recordou a sua formação espiritual e musical. Realçou as suas experiências nos corais da sua igreja e escola, as capelas, os cultos, os orfeões. Sobretudo ela se lembrou dos hinos, que ajudaram a formar esta líder que mais tarde teria forte influência na música sacra brasileira”. 

Após 20 anos abençoados no STBSB, em 1983, seguiu para outro campo missionário no Sul do Brasil, onde prof. Boyd dirigiu o Departamento de música da Convenção Batista do Rio Grande do Sul. Lá, profª Joana continuou sua produção musical como tradutora e assessora de Música da JUERP. 

Muito cooperou com a AMBB – Associação de Músicos Batistas do Brasil e em 1987 foi designada pela CBB como a coordenadora do Projeto HCC – que não era só mais um hinário, mas um projeto com cinco volumes para o auxílio às Igrejas Batistas brasileiras para apoio e uso no Culto Cristão: Um Hinário com harmonização em vozes SCTB; um com Cifras para violão; um sem música e só com letra grandes; um facilitado com 80 hinos do HCC e com Notas Históricas sobre todos os hinos do HCC (autores, compositores, tradutores e arranjadores). Conviver com ela nas mesas lotadas de Hinários de diversos países e denominações, manuscritos, rascunhos, com sua disciplina, fé, perseverança e metodologia de trabalho foi uma pós-graduação para todos da Comissão do Projeto HCC.  Nós, seus alunos (ex), sentíamos grande orgulho de sentar com a mestra em volta da mesa de trabalho. Como aprendemos! Em Janeiro de 1991, entregou à denominação batista brasileira (CBB) o Hinário para o Culto Cristão, sendo oradora oficial nesta mesma Assembleia (72º) sobre “Adoração, Oração e Ação”.

Em outubro de 1992, o amado casal missionário, nossos professores da década de 70 e 80 (para quem estudou no STBSB), após trabalhar, servindo durante 33 anos no Brasil, voltou à sua terra natal, onde em 1993, o Prof. Boyd assumiu o Ministério de Música da Igreja Batista de Shaw Creek. Lá em Hendersonville, Carolina do Norte, EUA continuaram a exercer com dignidade o que sempre fizeram neste nosso país – Servir. Após grande enfermidade, o Senhor Deus chamou para si, para seus braços nosso amado professor Boyd. 

Joan Sutton – compositora/autora – e tradutora (músicas para coros e para o ensino de Canto) tem sido considerada por muitos estudiosos como dona de um vasto e importante patrimônio musical sacro no Brasil (e isto é comprovado no material que doou para a mesma Universidade que estudou, a Baylor University). Com todo seu material, - usado, criado e ensinado no Curso de Música do Seminário do Sul, no Rio de Janeiro – estão os manuscritos pessoais, partituras (arranjos musicais e composição), cantatas, papéis com anotações de aulas, materiais de ensino, coleções e outros itens por ela doado, foi então criado na Biblioteca da Universidade a Coleção de Música Sacra Brasileira. Esta homenagem que a Baylor University fez, nos EUA, foi no dia 28 de outubro de 2010, e na ocasião do jantar solene, o ex-missionário e pioneiro na Música Sacra no Brasil, – Bill Ichter – fez um discurso em homenagem à D. Joana, falando do Brasil. Perguntou Bill para D. Joana quanto tempo poderia dispor para falar e ela respondeu: “No máximo 5 minutos”. Impossível isto, mas esta é a Profª Joan - simples, humilde, direta e clara.

D. Joana, como nós brasileiros a chamavam, era perfeita como tradutora - seu excelente dom -, e de uma simplicidade na escrita impressionante, além do seu conhecimento, bem, acho que por isto mesmo era assim. O interessante na vida da professora é que não guardava para si o que sabia, mas prodigamente repartia.  Ela traduziu grandes obras como O Messias, de Handel; Elias e Cristus, de Mendelssohn; Réquiem, de Brahms, As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, de Dubois, Glória, de Poulenc e Oratório de Natal de Bach (1º cantata). Sua obra hinológica é vasta e está registrada em alguns hinários e também de forma avulsa. 

Também traduziu cantatas de Natal como Eis! A estrela (Graham) e Um menino nos nasceu (Williams); de Páscoa - Pela manhã vem a alegria (Danner); Missionárias -  Maior amor  e  Eu Vos Envio (Peterson) e Testemunho (Reynolds). Também cantata para adolescentes e jovens Escuta outra vez (Burroughs) e Boas novas (Oldenburg).  Celebração de Buryl Red, fez um sucesso nos anos 70 como um dos primeiros musicais feitos pelo país. Elas são dos anos 70 e foram publicadas pela JUERP.

No HCC temos 52 contribuições entre poesias, metrificação, músicas e traduções (33). “E Habitou entre nós” (SCTB) e “Presente de Natal” (infantil) são duas cantatas publicadas pela JUERP.  A “Trilogia da Vida”, dedicada ao Coro Jovem de Itacuruçá (Igreja batista no Rio) não foi publicada e entreguei os manuscritos que tinha em meus arquivos quando da homenagem em Baylor. Além da música vocal (coro, solo) ela escreveu para violino e piano. Aliás, lá na Coleção de Música Sacra Brasileira, em Baylor University, inaugurado por ela, estão todas as suas obras que valem uma busca minuciosa para registrarmos aqui no Brasil,  para conhecimento dos alunos de hinologia.

No Curso de Música do Seminário do Sul, ela foi a nossa querida professora de coros graduados, hinologia, contraponto, harmonia, composição, arranjo, tradução, forma e análise, violino, piano, órgão e foi também uma conselheira, uma mentora de quase todos que estão espalhados por este país na Educação e no Ministério de música. Muito dela está nos nossos corações, marcas em cada um que teve o privilégio de estudar com ela. Sempre muito exigente, mas também muito competente. Os que não estudaram com ela, receberam dos que tiveram este privilégio, o jeito firme de encarar a obra de Deus, o desejo de fazer um trabalho, bem feito e correto, a amabilidade, o sorriso suave, o esmero em procurar a excelência em tudo.  Uma americana de alma brasileira. 

Gostaria de lembrar um hino (480 HCC) de protesto que fez em 1965 – Seguir a Cristo não é sacrifício – no primeiro período de férias nos EUA.  Presente em grande assembléia ficava triste quando alguém ao abraçá-la dizia do sacrifício que sua família estava fazendo no campo missionário e em resposta, então ela compôs este hino em inglês e que foi traduzido em 1966. Foi o seu primeiro hino a ser publicado, entrando na Coletânea Vinde, Cantai (1980). Foi também o hino oficial da União Feminina Batista do Brasil em 1985. Diz ela: ”este hino expressa bem como sinto a chamada e a bênção suprema de obedecer a Deus. Gosto muito do estribilho.”  
Não nos promete honras nem riquezas,mas ele diz: Convosco eu estarei.Seguir a Cristo não é sacrifício,
         é triunfar com Deus, é ser feliz. (estrib. do hino 480)

Joan Sutton deixa entre nós a sua linda prole, sua especial família: Três filhos - John Edwin, Laura e Cecília. Cinco (5) netos, filhos do John Edwin: Leslie Sutton Lewis, Lora Lynn Sutton, John Ryan Sutton, Matthew William Sutton; e Samantha Lee Anne Floyd, filha da Laura. Deixa também dez (10) bisnetos: Alexis e Marcus Allison, Shelby, Peyton, e Annalynn Lewis, Madison, James, e William McSwain, e Ava e Grabriella Sutton. Em julho de 2013, aos 82 anos, casou com Reagan (Rick) Houston, e com este vieram também: uma filha Lynn Houston Baskett, duas netas: Heather e Holly Baskett; e um bisneto: Jameson Baskett.

Até 2014, Dona Joana (nós sempre a chamávamos assim) foi membro ativo dos Joy Singers – Cantores da Alegria - em Carolina Village, atuando na Capelania do Hospital e no Coro de Hendersonville. Seu filho John (Jes) Sutton escreveu: “... a vida dela é um exemplo do verdadeiro ministério de encorajamento. Ela tocou a vida de sua família, seus alunos, e amigos de uma tal forma que a influência dela vive através deles. A Deus seja a glória!”.

Os Cultos em Ação de Graças por sua vida foram realizados no dia 11/03/16 na Providence Baptist Church, Hendersonville e no dia 12/03/16 em Carolina Village, Hendersonville onde viveu por alguns anos e serviu ajudando e cantando no coro.

Gostaria que as gerações de hoje ou vindouras a tivessem conhecido, e por isso não quero perder a oportunidade de escrever e deixar registrada a minha gratidão e de tantos irmãos que conviveram com ela e que ainda hoje cantam seus hinos ou arranjos.

Ao Senhor seja a Glória e a honra por sua vida preciosa!
............

Westh Ney Rodrigues Luz, profª da FABAT/ STBSB - Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, assessora da comissão executiva da AMBB, relatora da comissão de Assuntos, Base Bíblica e Organização do HCC e membro da Igreja Batista Itacuruçá, Rio ..............

 REFERÊNCIAS:
. MULHOLLAND, Edith Brock. Notas históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC): Rio de Janeiro: 
     JUERP, 2001
. Hinário para o Culto Cristão. Rio de Janeiro: JUERP, 1991 p.vii (apresentação)
. Dados fornecidos pelos filhos John Sutton (Jes) e Laura Sutton Floyd e  amigo Bill Ichter.

domingo, 6 de março de 2016

Hinódia Batista Brasileira_1. JOAN SUTTON, a Coleção de Música Sacra Brasileira em Baylor University e seus alunos do STBSB, Brasil

Joan Larie Sutton (1930)- filha de missionários foi criada no Brasil e tinha o dom da tradução. O Departamento de Música da JUERP, muito deve a esta irmã pela sua valiosa colaboração em muitas publicações. Ela foi a coordenadora da comissão que preparou o Hinário Para O Culto Cristão e que apresenta 52 contribuições dela: oito letras, uma metrificação, 36 traduções, e sete músicas.(Bill Ichter, missionário pioneiro na área musical no Brasil)

Joan,  nossa querida professora  de coros graduados, contraponto, hinologia, harmonia, composição, forma e análise,  violino, órgão também era uma conselheira, uma mentora de quase todos que estão espalhados por este país na Educação e no Ministério de música. Muito dela está nos nossos corações, está marcado em cada um que teve o privilégio de estudar com ela. Sempre muito exigente, mas também muito competente. Os que não estudaram com ela receberam dos que  tiveram este privilégio, o jeito firme de encarar a obra de Deus, o desejo de fazer um trabalho, bem feito e correto, a amabilidade, o sorriso suave, o esmero em procurar a excelência em tudo.  Uma americana de  alma e formação brasileira. 


“...fui aluna dessa doce e grande mulher Joan Sutton  nos anos 70 e pude traduzir muitos temas e letras de hinos do espanhol para o português (a seu pedido) e nem sabia eu que Deus iria um dia me chamar para ser missionária na Argentina, e isto me ajudou muito. (...) Tive a honra de ser sua aluna de Composição e aprendi muito. E uma das coisas que tenho bem nítido em minha memória, foi quando me convidou para tomar um chá em sua casa ao saber que ao sair do Seminário eu iria me casar com o Eli, e me deu conselhos de como ser uma esposa amável e também como ser uma esposa de pastor que agrada a Deus. Que privilégio! Jamais esqueci esta atitude e muito contribuiu pra minha vida matrimonial e de ministério. Fui aluna do seu amado esposo professor Boyd Sutton ( de canto) e ainda posso ver seu rosto amável me ensinando com carinho (...) sinto-me gratificada ter conhecido esse casal maravilhoso.” (MM Maria Cristina Correia, organista, São Paulo)

D. Joana, como nós brasileiros a chamavam, era perfeita como tradutora -  seu excelente dom - , e de uma simplicidade na escrita impressionante, além do seu conhecimento, bem,  acho que por isto mesmo era assim. O interessante na vida da professora é que não guardava para si o que sabia, mas prodigamente repartia. MM Heron Duarte, que está em Brasília, relatou o seguinte: ” Sou tradutor de mais de 300 músicas para o português vindas do inglês, alemão, latim, italiano e francês. Dona Joana foi minha primeira orientadora em tradução; foi incrível conhecer a sua técnica e aplicá-la. Sou grato a Deus pelo que ela me ensinou. Devo a ela a facilidade que tenho em tradução e versão”.

Em 1935 veio para o Brasil (com 5 anos) acompanhando seus pais que estavam sendo designados como missionários da Junta de Richmond -  John e Esther Rifley -, e que serviram em oito estados do Brasil. Seu pai foi diretor do Curso por Extensão do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, de 1938 a 1954. Sua mãe, D. Esther além do trabalho na Igreja local no Rio foi também autora e compositora para crianças trabalhando no Curso de Obreiras (mais tarde IBER, hoje CIEM). Estudou nos Colégios Batistas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro até o 2º grau, voltando para os EUA para estudar Licenciatura (Pedagogia) em Violino, Mestrado em Música Sacra  e Bacharel em Letras e Literatura inglesa e francesa.

Viúva casou com o doce e amado prof. Boyd Sutton (já nos braços do Pai) e volta para nosso país em 1959 como missionária, após três anos de trabalho com seu esposo na Carolina do Norte. Filha de missionários, criada nas cercanias do STBSB, volta, em 1961 leciona música no STBSB e em 1963, junto com seu esposo iniciam o Curso de Música Sacra do Seminário do Sul. John Edwin (1954), Laura (1957) e Cecília (1960), são os três filhos amados deste casal de /músicos/professores/missionários.

Assim se expressou a Profª Magali  Cunha (membro na comissão de textos do HCC e profª do IBER e STBSB por muitas décadas), por ocasião do falecimento do nosso amado professor Boyd Sutton em março de 2006: 


“Quando tudo estava muito díficil no HCC. D. Joana trouxe a serenidade e a firmeza do  professor Boyde assim concluímos o HCC. No ano passado , quando fazia minha neta dormir, lembrei de uma música que D. Joana compôs para homenagear as mães para a 2ª série do Colégio onde Jess, seu filho estudava.  Eu cantava pra Letícia e troquei a palavra mãe por vovó: “A vovó é meu tesouro, a vovó é meu amor, por ela farei tudo, tudo o que possível for. Hoje sou tão pequenina, amanhã grande sere .mas a minha vovozinha nunca, nunca esquecerei... Assim será com o professor Boyd, nunca esquecerei o que aprendi com ele e se fiz alguma coisa que prestasse musicalmente, foi porque deixei que ele me lapidasse e que  consertasse aquilo que eu pensava saber.  O meu carinho a  familia  Sutton,  D.Joana,  Jess, Laura e Cecília”.

Como hinista – compositora/autora – e  tradutora ( músicas para coros e para o ensino de Canto) tem sido considerada  por muitos estudiosos como dona de um patrimônio musical sacro no Brasil (e isto é comprovado no material que doou para a mesma Universidade que estudou, a Baylor University. Com todo seu material -  manuscritos pessoais, partituras, papéis, materiais de ensino e outros itens será criado na Biblioteca da Universidade  a Coleção de Música Sacra Brasileira.

Edith Mulholland, no livro Notas Históricas do HCC (pág. 36) escreve: “Bem cedo revelou o seu talento musical. Desde os seis anos estudou piano, adicionando, depois, o violino. Em seu sermão oficial no VI Congresso Nacional da Associação dos Músicos Batistas do Brasil, realizado em Fortaleza, CE, D. Joana recordou a sua formação espiritual e musical. Realçou as suas experiências nos corais da sua igreja e escola, as capelas, os cultos, os orfeões. Sobretudo ela se lembrou dos hinos, que ajudaram a formar esta líder que mais tarde teria forte influência na música sacra brasileira”. 

Gostaria de lembrar um hino (480 HCC) de protesto que fez em 1965 – Seguir a Cristo não é sacrifício – no primeiro período de férias nos EUA.  Presente em  grande assembléia ficava triste quando alguém ao abraçá-la dizia do sacrifício que sua família estava fazendo  no campo missionário e em resposta, então ela compôs este hino em inglês e que foi traduzido em 1966. Foi o seu primeiro hino a ser publicado, entrando na Coletânea  Vinde, Cantai (1980). Foi também o  hino oficial da União Feminina Batista do Brasil em 1985. Diz ela: ”este hino expressa bem como  sinto a chamada e a bênção suprema de obedecer a Deus. Gosto muito do estribilho.”  
        Não nos promete honras nem riquezas,
mas ele diz: Convosco eu estarei.
Seguir a Cristo não é sacrifício,
é triunfar com Deus, é ser feliz. (estribilho do hino 480)

Após 20 anos abençoados no STBSB, em 1983, seguiu para outro campo missionário no Sul do Brasil, onde prof. Boyd  dirigiu o Departamento de música da Convenção Batista do Rio Grande do Sul. Lá, a profª Joana continuou sua produção musical como tradutora e assessora de Música da JUERP. Muito cooperou com a AMBB – Associação de Músicos Batistas do Brasil e em 1987 foi designada pela CBB como a coordenadora do Projeto HCC – que não era só mais um hinário, mas um projeto com cinco volumes para o auxílio às Igrejas Batistas brasileiras para apoio e uso no Culto Cristão: Um Hinário com harmonização em vozes SCTB; um com Cifras para violão;  um sem música e só com letra grandes;  um facilitado com 80 hinos do HCC e com Notas Históricas sobre todos os hinos do HCC (autores, compositores, tradutores e arranjadores). 

 “ Essa irmã soube, pela direção de Deus, descobrir os elementos nacionais e missionários, homens e mulheres para se tornarem garimpeiros da inesgotável mina dos tesouros musicais. Ela soube reunir os pendores, a formação técnica, a consagração pessoal de cada um, a prerícia e a arte de todos, para formar uma equipe singular, que  se houve com maestria no presentear- nos com um Cântico Novo”. (Pr. Joaquim de Paula Rosa , na apresentação do HCC, 1990) 

Em  outubro de 1992, o amado casal missionário, nossos professores da década de 70 ( para quem estudou no STBSB), após trabalhar, servindo durante  33 anos no Brasil, voltou à sua terra natal, onde em 1993, o Prof. Boyd assumiu o Ministério de música da Igreja Batista  de Shaw Creek. Lá em Hendersonville, Carolina do Norte, EUA continuaram a exercer com dignidade o que sempre fizeram neste nosso país – Servir. 

Após grande enfermidade , o Senhor Deus chamou para si, para seus braços nosso amado professor Boyd. A irmã Joana esteve doente, mas graças a Deus, hoje, restabelecida e ainda criando será alvo desta linda homenagem que a Baylor University, nos EUA, fez no dia 28 de outubro de 2010, pela doação de manuscritos pessoais, papéis, materiais de ensino e outros itens às Bibliotecas e por isto será lançada a Coleção de Música Sacra Brasileira. Na ocasião do jantar solene , o ex-missionário por muitos anos no Brasil – Bill Icther – fará um discurso em homenagem à D. Joana e falando do Brasil. Perguntou Bill para D. Joana quanto tempo poderia dispor para falar e ela respondeu: “No máximo 5 minutos”. Impossível isto, mas esta é a Profª Joan - simples, humilde,  direta e clara.

“Dona Joana é uma pessoa de múltiplos talentos e, somada à fantástica experiência de tê-la como professora em diversas matérias, pude acompanhar de perto seu trabalho no Centro de Traduções do Curso de Música Sacra do STBSB, hoje inativo. Sua capacidade de organização e documentação muito me influenciaram no que sou hoje, nos trabalhos que desenvolvi como Assessora do Curso e, posteriormente, à frente da Revista Louvor. 
Preocupada com a proliferação de diferentes traduções para o mesmo hino e na falta de registro dos diversos trabalhos de tradução que eram produzidos nos Cursos de Música Sacra do Brasil, organizou o Centro de Traduções para servir como um acervo e referencial que ajudasse aos cursos dos outros seminários, bem como aos missionários e musicistas do Brasil e também do exterior. Esse acervo serviu, por muito tempo, como fonte para as publicações da JUERP na área da música, como centro de pesquisa e consulta de Comissões de hinários de diferentes denominações. Ainda hoje podemos encontrar obras traduzidas que nunca foram publicadas por qualquer editora, mas que alguns ministros de música tiveram a oportunidade de conhecer e ensaiar seus coros.
Certa vez, impressionada por um acontecimento, comentei com Dona Joana que era uma ‘coincidência’ divina. Ela, sempre sábia e zelosa, me chamou a atenção para considerar o fato de ser uma ‘providência’ divina, pois Deus sabe de todas as coisas e de tudo o que precisamos. Essa lição e a sua figura meiga e, ao mesmo tempo, de uma firmeza de caráter, jamais sairão da minha mente. Assim, a distância geográfica não é sentida porque as lembranças falam mais alto.” (Leila Gusmão - membro na Comissão de textos do HCC, secretária, assessora, professora, responsável pela Biblioteca e Centro de Traduções do Curso de Música STBSB e redatora da Revista Louvor)

Quando precisei parar o STBSB, faltando apenas um ano para a formatura (estava grávida de meu 1º filho), D. Joana ficou triste, preocupada e, olhando nos meus olhos, disse: “Tenho medo que você não volte. Você não vai voltar”. Essa palavra ficou ecoando nos meus ouvidos e, após  quatro anos, com os dois filhos já no maternal, voltei e foram momentos maravilhosos com essa educadora que olhava para nós como pessoas inteiras, totais. 

Tive o privilégio de caminhar mais tempo com a D. Joana após minha formatura quando da construção do grande Projeto do HCC  durante alguns anos. Ela confiou em mim e me convidou para trabalhar como relatora da Comissão do HCC de assuntos, índices, bases bíblicas e organização.  Foi meu maior prêmio esta convocação. Conviver com ela nas mesas lotadas de Hinários de diversos países e denominações, manuscritos, rascunhos, com sua disciplina, fé, perseverança e metodologia de trabalho foi uma pós-graduação.  Nós, seus alunos, sentíamos grande orgulho de sentar com a mestra em volta da mesa de trabalho. Como todos nós aprendemos!

Ah, como eu gostaria que meus alunos a tivessem conhecido,  e por isso não quero perder a oportunidade de escrever e deixar registrada a minha gratidão e de tantos irmãos que conviveram com ela e que ainda hoje cantam seus hinos ou arranjos. 

Ela traduziu grandes obras como O Messias, de Handel; Elias e Cristus, de Mendelssohn; Réquiem, de Brahms; As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, de Dubois; Glória, de Poulenc e Oratório de Natal de Bach (1º cantata) entre outras. Sua obra hinológica é vasta e está registrada em alguns hinários e também publicadas em avulso. Este precisa ser outro trabalho de levantamento e registro de toda sua obra em outra ocasião ou artigo. 

Profª Joan  ensinou à nós ex-alunos e amigos muitos fundamentos importantes. Assim desejamos entender e caminhar com estas palavras desta serva do Senhor:
“ O Cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferencias, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã.”


“O Departamento de Música da JUERP, muito deve a esta irmã pela sua valiosa colaboração em muitas publicações. Ela foi a coordenadora da comissão que preparou o Hinário Para O Culto Cristão e este hinário apresenta 52 contribuições dela: oito letras, uma metrificação, 36 traduções, e sete músicas. (Bill Ichter, missionário pioneiro na área musical no Brasil)

Ao Senhor seja a Glória e a honra, e aos nossos ex-missionários e professores no Brasil em nossas Instituições, nossa eterna gratidão.

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Westh Ney Rodrigues Luz, profª da FABAT/ STBSB - Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, assessora da comissão executiva da AMBB,  relatora da comissão de Assuntos, Base Bíblica e Organização do HCC e  membro da Igreja Batista Itacuruçá, Rio
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Depoimentos de ex-alunos e amigos colocados ao final do artigo e coletados por mim (Westh Ney ): 

1. “Gostaria de destacar lembranças das aulas de Harmonia e Contraponto, ou as aulas de Hinologia ou principalmente, a orientação que ela nos dava em sua casa, quando levava os alunos do último ano para fazer traduções de músicas para uso de nossos coros e congregações. Falar de D. Joana, é lembrar de sua garra e determinação em relação a qualidade e excelência que devemos ter no trabalho em nossas igrejas. É também falar na  postura e elegância de uma grande mulher. Ela é um exemplo.” (Marilene Coelho, ex-aluna do STBSB e regente do Coro Novo Canto, Igreja Batista Itacuruçá).

2. “ Fiquei muito feliz com essa homenagem, pois a Profa. Joana é mais do que merecedora desse reconhecimento pelo que ela tem feito, começando no Brasil e, pelo que percebo, continua fazendo nos Estados Unidos. Espero que essa homenagem não seja somente por causa das doações que ela está fazendo, mas pela sua capacidade, criatividade. (...) Lembro que cheguei no Seminário com o objetivo de desenvolver a técnica de composição, na verdade, o objetivo era aprender a compor. Só que meu conhecimento da Teoria Musical era bastante limitado, e precisei fazer essa disciplina no 1o. ano. Essa deficiência, automaticamente me teria tirado do programa do curso, isto é, terminar o Curso de Bacharel em Música Sacra, com um Recital de Composição; pois deveria iniciar o curso fazendo a disciplina de Harmonia. Com isso no 3o. ano, quando deveria ingressar na disciplina de Composição I, estava ainda fazendo Harmonia II. 

Aí é que entra a capacidade e o conhecimento de descobrir os talentos nos alunos (...) E aí volto a pensar no meu desenvolvimento e aprendizado que recebi da D. Joana, pois ela acreditou que poderia juntar os dois períodos de composição I e II em um ano, e concluir o Curso com a apresentação do Recital em Composição  com o Coro da 1a. Igreja Batista de Mesquita- RJ, cantando a  "A Criação" ( minha primeira cantata),  além de outras que tinha composto. 

Diversas vezes parei pra pensar e analisar, como foi que a Profa. Joana conseguiu me preparar, e preparar um repertório para um Recital de uma hora?  Essa visão e capacidade de ensino da D. Joana, influenciou a minha visão na área de educação até hoje, porque isso provou que, não existe aluno ruim, se por trás desse aluno estiver um professor ótimo. Eu creio que é exatamente isto que aconteceu comigo. Tive a alegria e o privilégio de ter uma ótima professora (...)o estilo contemporâneo da Profa. Joana ficou bem explícito na minha primeira cantata.

A segurança dela nas correções e no ensino continuaram me influenciando ainda depois da formatura. Lembro que, vários anos depois de formado, já trabalhando na 1a. Igreja Batista de Ijui- RS, cada composição que fazia, eu levava à D. Joana para fazer as correções. Até que um dia ela me disse com toda firmeza: "Verner, você não precisa mais me trazer as composições pra eu corrigir, você já está formado e já sabe o que quer fazer nas composições". Na hora me senti até um pouco triste, e quase que desamparado, porque sabia que dali para a frente eu deveria aprender a "voar sozinho". Isso aconteceu quando o casal já estava morando em Porto Alegre.”
(MM Verner Geier, compositor com hinos no HCC e servindo na Igreja Presbiteriana de Brasília)

3. “ Os Batistas brasileiros muito devem a esta musicista norte-americana que, depois de mais de 30 anos de fecundo trabalho no Brasil. Foi o elemento catalisador de talentos musicais nativos e alienígenas na elaboração do "Hinário para o Culto Cristão", para o qual contribuiu com traduções, que revelaram hinos de autores contemporâneos - Carmichael, LeFevre, Terrell, Grecn, McClardPeterson, Reynolds, Skillings, Wolfe, Ward, Tomes”.  (Roberto Torres Holanda, ver: " Nassáu", p.l66).

4. “  Grandes, preciosas e edificantes recordações. Dona Joana é exemplo de fé, dedicação e amor. Mestra, educadora, professora, amiga, amorosa, conselheira, escritora, compositora, evangelista e além de tudo isso e muito mais, serva do Senhor comprometida com o Reino de Deus. Seja arranjando, cantando, compondo , contraponteando,  melodiando, fraseando, "accelerando", "ritardando", "a tempo" ou mesmo "prestíssimo" sempre soube em "harmonia", "reger" família e profissão e cumprindo com eficiência tão sublime ministério - o da Música Sacra. Sua sempre aluna, Rosaléi Curty, MM da Igreja Batista Vale da Esperança, no Rio.

5. “ Eu era regente do Coro Feminino da Igreja Batista de Acari e este cantava meus arranjos.Ousei mostrar um tal arranjo para Da. Joana. Ela quis saber se eu tinha mais. Disse que sim, mas queria que ela revisasse. Ela pediu que os levasse à sua casa e me convidou para almoçar com eles. Olhava cuidadosamente cada arranjo e me surpreendia seus comentários, pois ela era um ícone para mim, jovem musicista, ainda inexperiente.  Suas palavras foram tudo de bom para minha vida ministerial, impulsionand-me a  produzir mais e com confiança em mim mesma. Ela procurou o editor da Revista Louvor daquela ocasião e recomendou meu trabalho. Alguns foram publicados. Por seu incentivo e orientação, comecei a fazer também arranjos para as vozes masculinas porque ela dizia serem escassas as publicações para este grupo também. Com os estreitamento de nossa amizade pude recebê-la em minha casa e também para falar na Igreja de Acari e tocar violino (seu instrumento), num dos encontros sobre musicalização infantil. Também recebi de suas mãos traduções de obras inéditas em português para Coro Feminino, que tive a alegria de apresentar.Lembro-me com saudade de minha querida professora! Bom seria se viesse ao Brasil mais uma vez! (Neaci Pinheiro,  profª de música no Rio de Janeiro)
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REFERÊNCIAS:

MULHOLLAND, Edith Brock. Notas históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC): Rio 
     de Janeiro: JUERP, 2001
Hinário para o Culto Cristão. Rio de Janeiro: JUERP, 1991 p.vii (apresentação)
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 Artigo para a Revista Louvor (ano 34, nº 126 - 1T11), por Westh Ney Rodrigues Luz 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cristão e a Cultura de Michael Horton

Introdução:
Por vezes os hinos me confundem. Eu me lembro bem, quando garoto, de ficar confuso com dois hinos populares que me pareciam totalmente contraditórios. O primeiro era "Aqui não é meu lar, um viajante sou", e o outro era "O mundo é do meu Pai". Se o mundo é do meu Pai, eu pensava, porque estou apenas passando por ele como viajante?


    Mas os hinos não eram a única coisa a confundir no negócio de relacionar-me como cristão no mundo. Esperava-se dos cristãos que justificassem tudo nas suas vidas pela sua utilidade espiritual ou evangelística. No máximo, a educação, atividades, vocações ou buscas "seculares" eram um mal necessário -- para se ganhar a vida, para ter com que dar o dízimo e dar para missões. Na pior das hipóteses, distraíam da vida cristã. Agiam como a canção da Sirene seduzindo mundaninhos insuspeitos aos recifes da incredulidade e do afastamento de Deus. Assim, os que queriam ser empresários procuravam empregos em organizações e agências cristãs. Se descobríssemos um pequeno Rembrandt num jovem artista da igreja, nós o colocávamos como responsável pelo quadro de avisos e (se ele fosse realmente bom) deixávamos que pintasse o batistério. Esperava-se dos nossos cientistas que promulgassem a causa do criacionismo -- mesmo que a cosmologia ou as ciências biológicas e antropológicas não fossem suas especialidades. Dos músicos esperava-se que entrassem (ou formassem) na banda de louvor ou fizesse uma turnê pelas igrejas do país -- o tamanho da igreja, claro, dependia do grau de talento do artista. Através dos anos, temos criado os nossos próprios guetos de artistas, super estrelas e apresentadores, com versões cristãs de tudo que há no mundo.

    Essas experiências, porém, não se limitam ao nosso tempo e lugar. A Renascença, e de modo especial, os tempos da Reforma foram reações ao modo medieval de encarar a vida. Para a igreja medieval, filosofia, arte, música e ciência se confundiram tanto com a religião que não dava para distinguir uma da outra. A filosofia não era, na realidade, filosofia, A Renascença demonstrou como a interpretação da igreja medieval de Aristóteles e Platão (os favoritos) era diferente dos escritos daqueles filósofos. Se alguém quisesse ser artista, mais uma vez procurava-se a igreja para um emprego, como a arte era ferramenta da pregação ou do ensino da vida e dos tempos de Jesus e seus apóstolos. E os sofrimentos de Copérnico e Galileu nos lembram do perigo de dizer mais do que a Bíblia diz sobre teorias científicas específicas.

    A Reforma libertou homens e mulheres cristãos para seguir com dignidade e respeito os seus chamados divinos no mundo, sem ter que justificar a utilidade desses chamados à igreja ou ao empreendimento missionário. A vocação era dom da criação. Até mesmo os não cristãos, como quem carrega a imagem de Deus, possuíam este chamado divino. Crente e incrédulo eram igualmente responsáveis por desenvolver seu trabalho com excelência -- um reconhecendo a Deus como autor e alvo dessa excelência, e o outro servindo a Deus com seus talentos apesar de sua recusa em reconhecê-lo como doador e alvo de tudo. Em contraposição à visão monástica do mundo, a Reforma promulgava uma teologia que abarca o mundo, um dos fatores principais no desenvolvimento da ciência, da Era Dourada" da arte holandesa e da literatura inglesa e escocesa, a libertação da igreja da política, a difusão universal da leitura e da escola pública, e o grito por liberdades civis em contraposição ao fundo da tirania vigente.

    É claro, não existe movimento perfeito -- há envolvida em todos gente demais parecida conosco! A Reforma não é exceção, com sua parcela de erros e os disparates de homens e mulheres pecadores. Contudo, os temas bíblicos por ela recuperados trouxeram de volta ao povo de Deus um senso de pertencer a este mundo durante o tempo que Deus nos deu, mas pertencer dentro de , e não como parte do mundo.

    A pressão de justificar a arte, ciência e a diversão em termos do seu valor espiritual ou sua utilidade evangelística acaba prejudicando tanto o dom da criação quanto o dom do Evangelho, desvalorizando o primeiro e distorcendo, no processo, o segundo. Por exemplo, "música cristã" é freqüentemente uma desculpa para artistas inferiores conseguir vencer numa sub cultura cristã que imita o brilho e glamour do entretenimento secular, inclusive suas próprias cerimônias de premiação e seu ambiente de super estrelato. Pode ser que essa não seja a intenção por parte de muitos artistas que querem contribuir ao cenário da música cristã contemporânea, mas a indústria acaba produzindo, na maioria, imitações nada criativas, repetitivas, superficiais da música popular. Produzir música em conformidade com os gostos anestesiados duma cultura consumista já é ruim; imitar a arte comercializada é desperdiçar os talentos, a não ser que se esteja escrevendo para o rádio e a televisão. Trivializa tanto a arte quanto a religião. Não quero com isso condenar todos os artistas cristãos, pois há muitos musical e liricamente sofisticados o bastante que integram uma compreensão séria da mensagem bíblica com um estilo musical criativo. Também não quero que sejamos "esnobes" musicais que confundem seu gosto particular com a Palavra revelada de Deus. Afinal de contas, freqüentemente "a verdade está escrita nas paredes do metrô", o equivalente arquitetônico da música popular. É esta uma das razões pelas quais eu aprecio a música popular de vez em quando, em parte porque é agradável e traz lembranças de tempos passados. Mas é uma forma inferior, dirigida comercialmente (noutras palavras, financeiramente) que se rebela contra os padrões mais altos da expressão artística.

    Essas pressões, porém, para se criar versões distintamente "cristãs" de tudo no mundo (ou seja, na criação), pressupõem que exista algo essencialmente errado com a criação -- e essa é uma pressuposição teológica que tem influência muito maior na formação das atitudes evangélicas em todas essas esferas do que geralmente se admite. Examinaremos essa posição básica nos próximos capítulos.

    Permita-me dizer de início que este livro não é uma análise sofisticada da base teológica de uma visão cristã do mundo ou da natureza das artes, ciências, filosofia e assim por diante. É para o leitor geral, especialmente para aqueles crentes que lutam com uma sub cultura que abafa ao invés de encorajar seus impulsos e suas ambições divinamente dotadas. Nesse sentido, é um livro pastoral. É oferecido com esperança de que os teólogos aprendam mais sobre outras disciplinas e que cristãos nessas outras disciplinas se ancorem mais firmemente sobre a teologia bíblica antes de tentar "integrar" sua fé e vida. Mas não obstante a posição do leitor em relação a esses tópicos -- seja ele um esteta de muita cultura ou uma mãe cristã que quer saber se sua filha pode cursar com segurança uma universidade secular -- haverá poucos desafios às idéias prevalecentes no mundo evangélico e aqui e ali algo em que pensar um pouco mais.

    Para iniciar, quero definir alguns termos, Primeiro, estarei usando o termo "cultura" no seu senso mais amplo, referindo-me tanto à cultura popular (esportes, política, ensino público, música popular e diversões, etc. e a alta cultura ( horticultura, academicismo, música clássica, ópera, literatura, ciências, etc.). Uma definição útil e abrangente de "cultura" para nossa discussão pode ser "a atividade humana que intenciona o uso, prazer e enriquecimento da sociedade". Segundo, por "igreja" estou dizendo a igreja institucional, -- "onde a Palavra de Deus é pregada e os sacramentos são administrados corretamente", como diziam os reformadores. Quando, por exemplo, se diz que a igreja não deve confundir sua missão com as esferas da política, arte, ciência, etc., não se está sugerindo que os cristãos como indivíduos devessem abandonar esses campos (muito pelo contrário), mas que a igreja como instituição deve observar a sua missão divinamente ordenada. Essa igreja institucional deve ser entendida como expressão visível do corpo universal de Cristo através de todos os séculos e em todo lugar. A igreja institucional recebeu a comissão única de pregar a Palavra e fazer discípulos, Meu emprego da palavra "igreja", portanto, não é apenas uma referência ao corpo coletivo de cristãos individuais, mas ao organismo vivo fundado por Cristo, ao qual foi confiado o seu próprio ministério pessoal.

Onde comprar: http://www.portaldelivros.com.br/default.asp?Pag=5&Destino=Template&CodigoAfiliado=3680&Codigo_Produto=170446

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Música na Igreja 1 - Arte com uma função.

A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.” (Colossenses 3.16). 

Para que serve a música na Igreja? Como encaixar esta música nos serviços de culto? É apenas uma performance, um enfeite ou algo para amenizar o conteúdo da mensagem,  ou para diversão de quem a ouve ou executa?  A música sensibiliza e atrai. Trabalha na emoção, mas música na igreja é um meio e não um fim nela mesmo.  É uma música funcional. Não é arte pela arte. É Arte com uma função. 

É  para Culto, Adoração, Glorificação e Louvor ao Deus - Pai, Deus- Filho e Deus - Espírito Santo.  É para ensino, edificação e crescimento cristão. É para consolo, conforto, testemunho, evangelização e proclamação da Palavra de Deus. Cumpre uma missão, que é dar vida aos textos bíblicos ou poéticos que servirão para reafirmar princípios bíblicos, doutrinas  direção na vida cristã, complemento  e auxiliar na fixação do conteúdo da mensagem falada.  Música na igreja é ministério e não palco, e culto não é o momento para demonstração de performances, ou atuações as mais variadas e em muitas ocasiões desconexas.  

Quando cantamos estamos orando junto, dizendo ao Senhor das nossas necessidades e tribulações. Também dizemos ao Senhor do nosso amor por Ele, mas nossos cantos  precisam também falar ao coração do irmão, testemunhando do poder do seu amor. Cantos de comunhão, que falem sobre as nossas diferenças e ao mesmo tempo mostrem que o que nos une é mais forte do que o que nos separa. Somos diversos, mas o Espírito Santo que nos chamou para a Salvação e para a boa obra é o mesmo. Este Espírito de Deus é que nos une em amor.  E onde o Espírito de Deus habita, há amor, bondade, domínio próprio, paz, paciência, alegria, fidelidade, amabilidade. (Gálatas 5. 22 e 23?).

"Só o homem crucificado pode pregar a cruz". Disse Tomé: "A menos que eu veja em suas mãos o sinal dos cravos... não crerei". O Dr. Parker de Londres, disse que o que Tomé disse acerca de Cristo, o mundo hoje está dizendo a respeito da igreja. E o mundo também está dizendo a cada pregador: A menos que eu veja em tuas mãos as marcas dos cravos, não crerei. “(Stott – no livro A Cruz de Cristo) 

Só o homem que morreu com Cristo, pode pregar sobre esta Cruz.  Precisamos ter cuidado para não esquecer o porquê de estarmos servindo ao Senhor Deus com esta ferramenta -  música. É a percepção do seu amor que nos faz olhar para a sua cruz, e seguir alegres com esta certeza pessoal: "Eu sei que o meu Redentor vive”

Cantemos a  Redenção do homem realizada na Cruz de Cristo. Cantemos este amor que nos faz irmãos, cantemos sobre Jesus e seu maravilhoso olhar e perdão, sua verdade, seus ensinamentos, sua justiça, suas leis e seu caminho que é o único para a Salvação. Cantemos sobre a presença do doce Espírito Santo que nos guia em toda a verdade, que nos constrange chamando cada ser humano para uma nova vida. 

Westh Ney Rodrigues Luz - profª de Gestão de Música Eclesiástica na FABAT/Seminário do Sul