segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Culto cristão: comunhão e contemplação


PREFÁCIO

Este livro é fruto antigo de minha preocupação em estar fazendo a vontade de Deus e não brincar de ir à igreja. Leila, que também tem concentrado sua área de atuação no estudo e na elaboração de ordens de culto, sabendo do meu projeto, convidou-me para escrevê-lo juntas. Delimitamos, então, um espaço onde eu e ela mais atuaríamos. A mim coube a fundamentação e pesquisa bibliográfica e a ela a triagem e revisão, entretanto, nós duas trabalhamos a idéia do livro, bem como interagimos em todas as partes com dados, material, experiências e conhecimentos adquiridos. Como podem ver, não se trata de um livro segmentado ou compartilhado ou mesmo fragmentado (a definição destes termos está no livro), o fizemos a quatro mãos com o desejo de alcançar nossos alunos onde estamos – de seminários, congressos e igrejas – e nossa denominação batista.

Vale ressaltar que nós, os batistas, somos fiéis às Escrituras, e faz parte da comunidade quem é convertido pelo Espírito Santo de Deus e é batizado por imersão.
As igrejas batistas são livres, cooperando voluntariamente umas com as outras, mas sem um poder central. Trabalham no Brasil e no mundo com missões, evangelismo, educação teológica, religiosa e secular e ação social. As igrejas são agrupadas por bairros próximos, estados e reunidas em associações regionais, convenções estaduais e nacionais, como forma de melhor organização e apoio umas às outras. As resoluções destas convenções não exercem autoridade sobre nenhuma delas, funcionando apenas como sugestões ou apelos. Portanto não esperem que este livro seja um “manual litúrgico batista” para todo o Brasil. Um batista não age assim.

Nós acreditamos:

1º) Na Bíblia Sagrada é a única regra de fé e conduta; 2º) Na igreja é uma comunidade local democrática e autônoma, formada de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas; 3º) Na separação entre igreja e estado; 4º) Na absoluta liberdade de consciência; 5º) Na responsabilidade individual diante de Deus; 6º) Na autenticidade e apostolicidade das igrejas.

Só a Bíblia é quem regula a fé batista, pois seus princípios registram a revelação que Deus fez em linguagem humana e sua interpretação sempre deverá ser trazida à luz da pessoa de Jesus Cristo e dos seus ensinos.

Da época que tive a idéia de escrever um livro sobre a música na igreja até hoje, muita coisa mudou. As liturgias são múltiplas, formais, informais, com ordem impressa ou não, os cultos (ou ajuntamentos) são organizados, desorganizados, reverentes ou não, para entreter, alegrar, resolver problemas, suprir necessidades. Há uma pluralidade tão grande que poderia ser transformada em algo positivo, o que não tem acontecido. Nisso tudo, uma coisa é certa: as pessoas estão compreendendo cada vez menos sobre a função de cada parte do culto e fazendo um “mix” entre conceitos ditados no Antigo e os do Novo Testamentos.

Precisamos pensar sempre no cristão de forma integral, se os cultos tem correspondido realmente a sua reação à ação de Deus em sua vida. Se não, vejamos na narrativa abaixo onde está o ponto destoante, que desagrega e não faz eco na alma que busca comunhão total com seu Criador:

Até os 34 anos ele nunca tinha lido a Bíblia, apenas uma italiana por causa dos quadros de arte e por ser ele um artista. Deus para ele sempre foi Poderoso e, sem saber como fazer, procurava por ele e até orava do jeito que sua alma ansiava. Não teve nenhuma formação cristã ou eclesiástica, a não ser um conhecimento sobre o espiritismo por meio da prática do seu pai, familiares e de debruçar sobre livros da área. Agora, passado quatro anos ele é cristão e membro de uma igreja batista. Entretanto, aprendi muitas coisas bem interessantes com ele.

No processo de sua conversão ficava intrigado com tantas práticas que são muito comuns para nós – aí reside o perigo que é acostumar, acomodar, ficar lugar comum e este livro trata sobre isto. A primeira vez que entrou em uma igreja ficou intrigado com aquelas letras que subiam e desciam da parede, e que parecia que não iriam parar nunca. Ele dizia que quando pensava que iria acabar a cantoria, começava tudo de novo. E ainda em pé. Grupos de “louvor” ele não entendia. Gosta de rock inglês até hoje, entende e tem uma coleção de CDs, mas dizia que queria ouvir uma música diferente do que ele sempre ouvia, desejava ouvir outro som. Com o tempo tenho percebido que é por causa da qualidade dos grupos que ouvia... Alguns pensam que tocam bem – não querem ensaiar, tocam mal – e não aceitam sugestão. Sobre isto vocês poderão pesquisar em Culto cristão: contemplação e comunhão sobre exemplos bíblicos de pessoas que foram convocadas para o trabalho musical porque eram capacitadas e entendidas.

Nos cultos muitas vezes ele indaga: “– Para que serve um prelúdio, um solo, porque tantos cantam e a congregação pouco?” Muitas vezes nem tudo está claro. As pessoas que estão “chegando”, crianças, jovens ou adultos, precisam entender para compreender e participar com entendimento, alegria e grande êxtase espiritual. Outra coisa que ainda o incomoda é o barulho excessivo dos instrumentos musicais.

Recentemente, me enviou um e-mail dizendo:
“– O que mais me incomoda quando estou cultuando é a ‘eletricidade’. Caros irmãos, vamos amenizar um pouco, pois vocês mais parecem guerreiros empunhando suas guitarras e alto-falantes de bailes funk abafando meu cantar e o dos meus irmãos! Não quero solos lá na frente cantando por mim, como também não quero grupos de louvores abafando o som da congregação. Eu quero cantar e ouvir a minha voz, harmonizando com toda a congregação. Vamos desplugar as tomadas. O que eu gosto no culto? Calma, melodia, introspecção e unidade na congregação. Desculpem-me se fui um tanto rude...”

Esse desabafo de um cristão que começou a engatinhar na fé e que busca entender cada ato executado no culto, nos faz refletir se realmente estamos na igreja participando como meros repetidores de fórmulas tradicionais ou das nem testadas ainda, fazendo do culto algo mecânico, ou se estamos em comunhão com o próximo, devotando nossa alma na contemplação de Deus com entendimento, honestidade, sem manipular as pessoas e com sinceridade de coração. Afinal, na intenção de Deus, nós fomos feitos para o louvor da sua glória!

Não precisamos tomar a forma do mundo, mesmo estando nele – “não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos...” – caso contrário será a igreja no mundo e o mundo na igreja. Precisamos considerar que temos algumas pessoas acústicas e outras elétricas na nossa congregação. Daí a razão porque se deve buscar o equilíbrio no culto. Entretanto, as pessoas rotulam o equilíbrio e o recheiam com preconceitos como a não-mistura do "sacro" com o "não sacro" ou radicalizam no estilo como se dissessem: vamos-fazer-assim-para-atrair-os-jovens ou vamos-fazer-assim-para-os-jovens-não-saírem-da-igreja... E os mais idosos que construíram e permaneceram na igreja apesar de perseguições e dificuldades também precisam adorar ao Senhor com os hinos que sabem de cor, que fazem parte de sua identidade cultural e eclesiástica. A igreja é uma família com bisavós, avós, adultos, jovens, crianças, pessoas portadoras de deficiência, brancos, negros...

Culto cristão: contemplação e comunhão não está recheado de fórmulas mágicas e nem de “receitas de bolo”, muito embora tenhamos disponibilizado um vasto material auxiliar ao culto. Pretendemos que ele seja um “detonador de idéias”, fazendo com que você tome gosto por organizar os cultos semanais de sua igreja dentro do conceito que a Bíblia nos apresenta, mesmo que tenha que usar a ordem de culto de forma didática visando a melhor e maior comunhão dos fiéis.

Que Deus nos capacite e nos ajude a entender e viver num mundo tão plural!
Westh Ney Rodrigues Luz

*Culto cristão - contemplação e comunhão/Westh ney Rodrigues Luz e Leila Christina Gusmão dos Santos - Rio: JUERP, 2003


Vc pode enviar um pedido deste livro para westh.ney@uol.com.br
Preço promocional do livro R$22,00 mais taxa de correio.

3 comentários:

  1. Amada!

    Que bom ver um trabalho assim, de cunho brasileiríssimo!! Que seja uma bênção na vida das igrejas, e que venham mais livros que tratem desse assunto que só terá fim naquele dia...

    Beijo, saudade de você, do seu abraço...

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  2. queridos, a eternidade começa qdo a pessoa se converte em Jesus Cristo.Ele disse q o reino dos ceus está dentro de nós, logo , nós somos a extenção da eternidade , do reino de Deus. Vós sois a LUZ do mundo.portanto, santifiquemo-nos constantimente eproduzamos pensamentos interligados aos de Deus.não poede haver comunhão da luz com as trevas.ou pode?

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  3. Parabéns por esse livro maravilhoso e abençoador.

    cristianoamorim07@gmail.com

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