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sábado, 26 de outubro de 2024

ANUNCIEMOS O AMOR GRACIOSO, CBB 2025

Caros amigos

Em 2025, nós, batistas brasileiros, viveremos sob o tema da CBB – Convenção Batista Brasileira, que nos motiva a realizar o IDE, que também conhecemos como a Grande Comissão, que recebemos do Senhor e que está em Mateus 28.19,20 que diz:

"Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a obedecer a todas as coisas que vos ordenei; e eu estou convosco todos os dias, até o final dos tempos."

 
Isto é tudo que sempre fizemos, mas gostaria que não fosse como um peso demasiado que não possamos suportar. O evangelho do Senhor Jesus nos diz em
Mateus 28.19,20.

Vinde a mim,
 todos os que estais cansados e sobrecarregados,
e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração;
e achareis descanso para a vossa alma.  
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
 

Talvez vocês, meus amigos músicos batistas, estejam sobrecarregados com tantos musicais,ensaios, preparação, acolhimento, discipulado, aulas, organização e direção dos cultos semanais. Não podemos, no meio da roda viva que muitas vezes estamos, esquecer que fomos alcançados pela graça do Senhor. O tema de 2024 foi vivamos o amor e o de 2025, é uma consequência natural. Anunciemos este amor gracioso, que Cristo deu a sua vida por nós” – 1João 3.16ª.


Debaixo da graça do seu grande amor seremos iluminados e alimentados e nossa alma será consolada. E o resultado acontecerá com base na unidade em Cristo Jesus e seremos abençoados enquanto estamos abençoando outros. Como a Revista de música Louvor, a de nº183, está voltada para as crianças, elas foram incluídas em momentos importantes da liturgia(p.32). E um momento precioso foi o canto infantil, Cristo, amigo das crianças, traduzido por Edith Allen, que está no HCC, número 162.

1. Cristo, amigo das crianças,
tudo és para mim.
Sê a luz no meu caminho até o fim.
Em bondade, cada dia,
faze-me crescer;
foste uma criança e podes me entender.

2. Pela mão me leva sempre

junto ao lado teu,
pois de ti preciso, ó Cristo, amigo meu.
Cristo, amigo das crianças,
tudo és para mim;
sê a luz do meu caminho até o fim
(Mathams/Allen/Siqueira /Almeida/Faircloth)

Quando tinha 16 anos, fui convidada para acompanhar o coro infantil, o dos principiantes, bem pequeninos, na Igreja Batista Itacuruçá. O hino era este, mas na coletânea Coros Juvenis (JUERP). Foi um desafio e um privilégio. Era com um acompanhamento lindo. Eu estudava e cantava junto. E essa letra foi entrando na minha mente, foi me moldando. Não se tratava só das crianças apreenderem os conceitos e princípios do hino. Também fui, como pianista, amansada, amaciada com a letra e a linda melodia. Até hoje eu canto este hino no meu coração e na minha mente. Leiam de novo a poesia, mas só as palavras em negrito. Um pequeno coro infantil abençoando a congregação, com pessoas doentes do corpo e da alma.

Deus abençoe cada um que está lendo.

O que você tem nas suas mãos?
Use-as para anunciar Jesus.
Anunciar este amor, cheio de graça e bondade.
O mundo está enfermo e Deus tem as nossas
mãos e voz para anunciar a sua bondade.

Westh Ney Rodrigues Luz

sábado, 4 de abril de 2020

CULTOS NOS LARES (CULTO DOMÉSTICO)

                                              Westh Ney Rodrigues Luz
 

INTRODUÇÃO   
                 
 “O Culto Cristão é primordial e essencialmente um ato de louvor e adoração, que também implica grato reconhecimento pelo amor abrangente e bondade redentora de Deus.” (teólogo Florovsky)

Não deixemos que o culto que prestamos ao Senhor seja ele no lar (doméstico) ou no templo e que chamamos de culto coletivo, comum ou público nos desvie do sentido mais importante que é a glorificação e exaltação do nosso Pai amado, da alegria e certeza da redenção em Cristo e da doce presença do Espírito Santo presente sempre como ajudador e consolador.

Somos igreja de Cristo, e nossos cultos precisam ser cristocêntricos. Ao escolhermos hinos ou canções, textos bíblicos não nos esqueçamos de honrar nosso Rei e Salvador Jesus e de lermos e ouvirmos suas palavras. Também não nos esqueçamos que o Culto Cristão acontece quando Deus se revela a nós em Jesus Cristo e evoca a nossa resposta como seres humanos. É uma via de mão dupla. Deus se revela a nós por Jesus e nós respondemos também por meio de Jesus usando várias palavras, atos e emoções. Falemos nos nossos cultos, cultuemos, da melhor forma que todos possam entender. Não esqueçamos nos cultos de relembrar sempre a história da salvação. Relembre que aconteceu e ainda acontece dentro do plano do nosso Deus, pois na plenitude dos tempos, Ele enviou seu filho e, hoje, o seu Santo Espírito nos guia e nos ajuda em toda a verdade, nos ensina a orar, a louvar e a enxugar nossas lágrimas.

Vamos conversar sobre  a importância dos cultos e devocionais pessoais nos lares. Tudo deve ser examinado pensando no seu lar e nas pessoas que participarão dos mesmos. Há dicas e sugestões para lares com crianças, lares sem crianças, pessoas que vivem sozinhas, meu testemunho pessoal e pequeno roteiro trazendo uma forma, sequência, liturgia ou ordem. Tudo pode e deve ser adaptado. 



I - LARES COM CRIANÇAS


 A Bíblia diz em Salmos 127.3, que nossos filhos são herança da parte do Senhor. Sim. Nossos filhos não são nossa propriedade. Recebi de Deus esta grande bênção, que é ter um filho. Com a festa, vem a responsabilidade pela proteção, ensino, alimento, vestimenta, educação etc. E ainda, como mãe cristã - pais ou qualquer outro familiar responsável - precisamos ajudá-las a terem o encontro mais importante da vida - o encontro com Cristo.

Não espere a vida melhorar para você encontrar mais tempo para cuidar do desenvolvimento da vida com Deus na sua família. Isto poderá nunca acontecer. Você pode perder esta oportunidade. Em um piscar de olhos, elas crescem.

Não delegue para outros a oportunidade única, especial e nem sempre fácil de ensinar seus filhos a dependerem totalmente de Deus. Precisamos prepará-los para a vida. Alguns pensam que vida se resume em escola, aulas de idioma, natação, ginástica moderna, rítmica, aulas de violino, piano, judô, crochê, arte culinária. Tudo isso é muito válido, mas o mais importante, o preparo espiritual, e não deve ser relegado.

Alguns responsáveis pensam que se as crianças estão socadas na igreja o tempo todo, a sua parte, o seu compromisso nesta área já está de bom tamanho. Grande engano. Não tem como terceirizar o crescimento espiritual de nossos filhos. O que você faz, diz, ensina, compartilha em casa é que vai ser forte e decisivo para ajudar seu filho a ter comunhão com Deus. Esta fé vivida e experimentada é que dará suporte aos nossos filhos para encarar os desafios, decepções ou tragédias da vida. Não se iluda. Elas virão. Será que seus filhos, e seu Lar estão preparados para o dia difícil? A nossa Fé em Deus, precisa ser real, autêntica, significativa e forte, pois irá nos valer nos momentos cruciais e decisivos.

Não basta só ensinar histórias bíblicas, pois os personagens que ali são retratados parecem demais conosco. Conte para eles como Deus tem abençoado a sua família. Conte os milagres que diariamente a família tem experimentado e recebido do Senhor. As histórias verdadeiras, reais dos avós, pais e responsáveis marcarão sensivelmente a vida das crianças.

II - TESTEMUNHO PESSOAL

Aprendi muito sobre história de grandes heróis da Fé e textos bíblicos importantes na organização para meninas da denominação Batista – Mensageiras do Rei – e nas devocionais do Culto doméstico. Aprendi a confiar e depender de Deus em casa, com minha mãe nesses momentos, nem sempre tão cheios de paz e tranquilos desses cultos diários em nossa casa. Aprendi a depender de Deus quando nos ajoelhávamos mesmo pequenas orando pela nossa irmã caçula que tinha sérios problemas de bronquite. Ali aprendemos a confiar e depender de Deus.

Quando crianças – quatro meninas –, para nosso desespero, às vezes mamãe chamava na melhor hora das brincadeiras para o culto doméstico. Minha mãe lia a meditação da Revista Manancial, cantávamos um ou dois hinos e orávamos. A oração da minha mãe era muito, muito grande. Ficávamos cansados e às vezes uma de nós orava para acabar logo. Fomos crescendo e mudando algumas coisas na estrutura do culto.

Em outra época, usávamos a caixinha de promessas. Essa caixinha ainda é vendida em lojas de artigos religiosos. Ali só tinha promessa e textos bíblicos de encorajamento e ânimo. Só texto positivo. As menores que não sabiam ler não sabiam desse pormenor. Era engraçado, pois as mais velhas tiravam alguns versículos da caixa e liam para os menores. Nem sempre líamos o correto (risos). Trocávamos os versículos só para implicar. Aquele momento era hilariante e o mais usado era Provérbios 6.6 – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio”.  Guardo grandes recordações delas rindo e resmungando. Eram momentos agradáveis.

O hino mais cantado era o 162CC (386HCC), Vigiar e orar, de autor desconhecido. Esse hino nunca saiu da minha mente e da minha memória afetivo-emocional com uma mensagem de tão grande significação e ensinamento. Minha mãe, Elcy Rodrigues, foi muito feliz em escolher este hino como o oficial da nossa família. Meu pai não era crente e nunca participou destes momentos. Que pena.

 
1. Bem de manhã, embora o céu sereno/pareça um dia calmo anunciar, vigia e ora: o coração pequeno/ um temporal pode enfrentar!

Estribilho: Bem de manhã, e sem cessar, / vigiar, sim, e orar!

2. Ao meio dia, quando sons e brados/ abafam mais de Deus a voz de amor, ao Salvador entrega os teus cuidados / e vive em paz com o Senhor!

3. Do dia ao fim, após os teus lidares, / relembra as bênçãos do celeste amor e conta a Deus prazeres e pesares, / deixando em suas mãos a dor!

4. E, se cessar, vigia a cada instante, / que o inimigo ataca sem parar! Só com Jesus, em comunhão constante/ tu podes sempre triunfar.


Vejam, mesmo que mais nada fosse dito, só este hino por si mesmo diz tudo. Durante alguns momentos do dia, na hora do sufoco, sempre foi impossível não pensar em algumas das estrofes. Já embalei meus filhos com este hino e ao ninar meu neto Gustavo, recém-nascido, hoje com 14 anos, me peguei na ocasião, cantando o velho hino do culto doméstico da minha infância.

Não consegui fazer dessa forma ou maneira, usando esse formato de culto com meus filhos. A época e as circunstâncias eram outras. Também a obrigatoriedade e algumas falas da minha mãe nesses momentos de culto deixaram marcas negativas, como, por exemplo, usar o texto bíblico para castigar ou “bater”, ou enfiar goela abaixo os seus conceitos nem sempre tão fiéis à Palavra. Alguns desses conceitos eram pra dominar e criar um ambiente de culpa e medo, dirigindo e/ou formando a nossa “religiosidade”. Não era por mal. Era o que sabia fazer no desespero de criar 4 filhas, meu pai não era tão presente, e ela a responsável, praticamente sozinha no Rio de Janeiro. Também era o conceito ou modelo da época.

Almoçávamos todos juntos. Essa era a nossa refeição mais importante. Ali conversávamos sobre tudo e afinávamos nossa comunhão e direcionamento familiar. Em todas as refeições orávamos, inclusive as crianças. Ali aprendiam sobre como orar juntos e as crianças também oravam. Toda segunda era dia de comentar o que viram e ouviram na igreja. Era interessante.

Todas as noites ia até o quarto deles e orava na cabeça dos meus filhos, recitando algum versículo. Na casa espalhava um versículo em cada lugar estratégico. Colava versículos no banheiro, nas portas, no beliche. Frequentar a Escola Bíblica dominical e também os cultos eram assuntos inegociáveis. Hoje são líderes em suas igrejas e lares. Um deles é pastor.


III.    FORMA, SEQUÊNCIA, LITURGIA OU ORDEM


1.    Abertura do culto
– um cântico anunciando o culto. Se os familiares não tocam colocar um vídeo ou CD com uma canção religiosa.


2.    Conversa inicial - leve e informal sobre as novidades do dia. Alguns chegam cansados do trabalho ou estudo, alguns estão com um mal estar, etc. Pode ser um momento de saudação e comunhão.


3.    Oração de adoração ao Senhor

 
4.    TEMPO DE CANTAR – cantem hinos ou cânticos conhecidos sugeridos pela família. Nada muito longo. Podem cantar sem instrumentos ou tocados por todos, se a família tem instrumentistas. Se tiverem crianças pequenas, façam chocalhos com dois recipientes de iogurte com feijão ou arroz dentro e ligados por uma fita crepe.


5.    TEMPO PARA LER A BÍBLIA, A PALAVRA DE DEUS - todos os membros da família podem ler um pequeno texto, dividindo os versículos.


6.    TEMPO PARA MEDITAR PALAVRA DE DEUS – podem usar algum diário de devocional com uma pequena história e aplicação.


7.    TEMPO PARA DECORAR A PALAVRA – cada membro da família cita seu versículo preferido, ou todos decoram um versículo novo de acordo com a meditação acima.


8.    Oração de Intercessão – orando pelos familiares, amigos, missionários, enfermos, país e mundo, etc.


9.    TEMPO DE ABRIR O CORAÇÃO - pode ser um testemunho, um pedido de perdão, um momento de confissão. Pode ser também o compartilhar de decisões despertadas durante o culto.


10Canto final e/ ou apenas a oração final de agradecimento/gratidão/ações de graça. Em cada culto devemos agradecer ao Senhor pelos seus feitos poderosos, pela salvação em Cristo Jesus e pela certeza de que seu Santo Espírito nos guia na verdade e no consolo. Além do exame de nós mesmos, sendo somos desafiados para sermos relevantes para Deus, nossa família e mundo em que vivemos. Oremos agradecendo pela casa, pela cama, pelo alimento. testemunhos e compartilhamento

RESUMINDO:

 
1.    Marque um horário e local da casa para o culto. Exemplo: Sexta, 19h30, na varandinha ou na sala de estar, ou no quarto... Decidam e comuniquem se será semanal ou diário.


2.   Cultos leves, participativos. Nada de broncas usando a Palavra de Deus como indiretas para os membros da família. Não é hora para lição de moral.


3.   Deixe que os familiares se expressem. Deixe os filhos falarem.


4.   Deixe que todos possam orar, ler a Bíblia, etc. Nada de textos muito longos e nem discussão teológica sem fim. É um momento devocional.


5.   Lembre-se que estão criando uma tradição que marcará as vidas do seu cônjuge e filhos e demais familiares para sempre. Para o bem ou para o mal, dependendo do nível de estresse que poderá provocar com discussões, broncas e indiretas...


6.  A estrutura ou ordem que enviei acima pode ser alterada segundo as necessidades da família, no momento presente ou especial que estão passando. Muitas vezes algo ou alguma parte pode ser suprimida e outras acrescentadas.

IV – CASAIS SEM FILHOS
 
Se a família é composta só de adultos sem filhos, usem o mesmo esquema acima fazendo adaptações. Pode ser o vídeo de uma pregação para assistirem juntos e depois orarem intercedendo pelos familiares, amigos e o mundo. Se não querem cantar, não o façam. Tenham sempre em casa um período para que algumas músicas religiosas possam ser ouvidas e compartilhadas.

Uma ideia interessante seria o casal escolher um livro interessante e lerem juntos só nesse momento. Cada encontro um capítulo. Esse livro seria só para este momento do encontro devocional do casal.

V – E OS SOZINHOS?


Alguém me perguntou: – E os solteiros que moram sozinhos, como farão? Todo cristão, disciplinado, faz sua meditação diária, que muitos chamam de A sós com Deus ou Hora silenciosa. Esse é um culto individual, assim eu penso.

Tenho uma amiga, musicista, que lê a Palavra e um livro de meditações com histórias de hinos. Canta o hino e ora. Ela está em um relacionamento com Deus, mas penso que ainda está com as pessoas, mesmo sendo só ela e Deus no seu quarto. Quando ora intercede por outros familiares, amigos ou outra necessidade que os membros da sua igreja estejam passando. Ora por missões e outros assuntos envolvendo pessoas. Então ela está cultuando e dentro da definição que gosto de citar: Culto cristão é o encontro do homem com Deus e o outro, e a comunidade.      

CONCLUINDO


Bem, orem e encontrem o formato que melhor se adeque à realidade familiar. Sejam sinceros verdadeiros. Deus os guiará nesse empreendimento – o crescimento da família no conhecimento e partilha das suas emoções juntos, diante do Senhor.

O que vai valer na realidade é a sua comunhão com Deus, que vai servir de exemplo para seus filhos e sua família. Bem, criatividade ajudará muito.

Queridos, Deus pode capacitar cada um de nós e completar as nossas falhas.

_______________________________
Westh Ney Rodrigues Luz - profª no Seminário do Sul – STBSB, lecionando Liturgia (culto), História da música e Gestão de música eclesiástica e regente do coro masculino. Redatora da revista de música Louvor da editora Convicção da CBB e membro da Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio/RJ onde é regente do Coro feminino Cantares. Mãe de João Marcos Rodrigues Seabra e Felipe Rodrigues Seabra.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

CULTO CRISTÃO – introdução e orientações para liturgias ou ordens de culto – pensando em igreja cristã, da denominação batista.

                                                         Westh Ney Rodrigues Luz


A Filosofia da CBB – Convenção Batista Brasileira, no item 47.7 e seguintes diz assim sobre Culto:
        

    “Culto é um serviço de adoração a Deus, que lhe é prestado como resultado do reconhecimento do que Ele é, da sua majestade, santidade, poder, glória, honra e bondade, por parte da criatura humana, do crente, do adorador (...) é prestado somente a Deus, havendo nele a participação do homem e de Deus. É a resposta afirmativa à auto revelação de Deus aos homens e a resposta do homem a Deus. O propósito do culto não é propriamente o recebimento das ricas bênçãos de Deus, mas fazer oferta da vida e tudo que ela representa. É também dinâmico e criativo, e é uma experiência transformadora.”

 A Bíblia diz assim em Romanos 12.1 - “Rogo-vos, pois, irmãos pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso CULTO RACIONAL”. O conselho paulino é para cultuarmos com entendimento, ser racional no sentido de “com entendimento”. E isto é que faz a diferença. Na realidade a expressão seria assim - “... que é o vosso serviço racional ou razoável”, pois a palavra culto que é utilizada neste texto é latréia e o adjetivo logikos, de logos que pode significar racional ou razoável, pois diante do Deus vivo e sua Graça, a resposta lógica do ser humano é um serviço prestado por servos obedientes. A emoção, que é inerente a todo ser humano estará presente como resultado do entendimento do porquê estamos diante do Senhor adorando, louvando, ouvindo a sua voz, obedecendo e o seguindo.

 O culto comum ou coletivo ou público, que é o relacionamento com Deus e com seus irmãos, com seu próximo precisa de uma sequência com estruturas e formas. Neste anexo da Filosofia de Música na Igreja, publicado pela CBB como Documentos batistas com o título Culto e Adoração, abordaremos de forma bem simples um estudo sobre Culto, sugerindo uma estrutura de ordem ou sequência. Nós batistas historicamente e oficialmente não temos uma liturgia rígida ou uma ordem fixa para os cultos coletivos nas igrejas locais, mas utilizamos alguns modelos. Entendo que até uma “não ordem” já é uma ordem. 

 No livro citado abaixo, ao final, nas referências bibliográficas, podemos encontrar em James White nove contribuições de teólogos sobre definições do que é culto. O teólogo Paul W. Hoon, enfatiza na sua definição, a centralidade de Cristo em cada culto, mas dizendo que este deve estar vinculado aos eventos da história da salvação. A definição dele é que o culto cristão é a auto revelação de Deus em Jesus Cristo e a resposta do ser humano. É a ideia de reciprocidade pois DEUS toma a iniciativa dirigindo-se a nós por meio de Jesus e nós respondemos a ele usando uma variedade de emoções com palavras e atos no “ajuntamento solene”. Ele e outros teólogos vão completando no estudo que cada leitor pode fazer, individualmente sobre a definição de culto no capítulo 1. Em outro artigo desenvolverei o tema.

Culto é para Deus, mas realizado por humanos. Não devemos nunca esquecer isto. Somos seres relacionais e precisamos pensar sempre assim pra não deixar de lado o caráter profundamente social e orgânico de um culto. Este nunca será algo solitário. Estou falando sobre o culto comum, ou coletivo ou público onde nos reunimos como família de Deus em um templo ou não.


O culto comum ou coletivo ou público, que é o relacionamento com Deus e com seus irmãos, com seu próximo precisa de uma sequência com estruturas e formas. Neste anexo da Filosofia de Música na Igreja, publicado pela CBB como Documentos batistas com o título Culto e Adoração, abordaremos de forma bem simples um estudo sobre Culto, sugerindo uma estrutura de ordem ou sequência. Nós batistas historicamente e oficialmente não temos uma liturgia rígida ou uma ordem fixa para os cultos coletivos nas igrejas locais, mas utilizamos alguns modelos. Entendo que até uma “não ordem” já é uma ordem.

Para determinar ou estabelecer a ordem de culto (liturgia) precisamos saber qual a ênfase ou tema da mensagem, qual o assunto, a ocasião, o lugar e inclusive a duração. É preciso entender e conhecer a congregação que se reunirá para cultuar junto. A ordem ou liturgia (livre) não deve ser cópia de cultos de outras igrejas sem nenhuma adaptação para as suas realidades. A ordem também não é algo enrijecido, frio e distante dos que a executam.

Como a sua congregação se expressa, o que é relevante para ela? Os membros da sua igreja são mais urbanos, rurais, professores, médicos, operários? A maioria dos membros são adultos ou crianças, jovens ou idosos? Quais as características culturais mais fortes que estão presentes na sua comunidade? Quais os valores que são realmente significativos para ela? Quais os interesses comuns, o cotidiano, os sonhos? O culto que prestamos nas nossas igrejas é para Deus, feito por pessoas diferentes, resgatadas e unidas pelo amor de Deus desejando crescer na comunhão uns com os outros e com o Senhor.

A ordem de culto precisa ser compreendida pelos cultuantes, contribuindo ou facilitando para que a adoração e a comunhão possam fluir. Ao término do culto cada irmão deve sair certo que realmente adorou e glorificou o nome do Senhor Deus, agradecido ao Senhor Jesus pela Sua Graça e amor com a certeza que o Espírito Santo de Deus foi quem esclareceu, convenceu e consolou seu coração de adorador. Cada crente apoiado pelas formas ajustadas e adequadas à realidade local sairá para o encontro com a sociedade onde está inserido, alimentado e confrontado com a Palavra de Deus para ser sal e luz, para ser bênção para si e para os outros.

Algumas igrejas, com algumas variantes, usam estruturas simples com dois ou três cantos congregacionais de exaltação e glorificação ao trino Deus no início (seja hino, cântico ou salmo), leitura bíblica, momento de oração convidando as pessoas para irem à frente, entrega de dízimos e ofertas, mensagem com apelos para conversão ou consagração, encerrando com canto congregacional que será de entrega de dedicação e que reforçará os conceitos ou ensinamentos explanados na mensagem pastoral. Em alguns cultos tem um solo ou coro, algumas vezes testemunhos. Este modelo também é seguido para os chamados Culto Jovem ou da Colheita (reunindo os grupos familiares). Igrejas com ênfase voltada para evangelismo também usam um formato assim um pouco mais enxuto e nesses casos sem a entrega de dízimos e ofertas ou outras partes que possam aumentar muito a liturgia e demorando para o momento da mensagem falada. Tudo dependerá do foco e do tema.

Muitas igrejas, seguem uma ordem ou liturgia mais completa utilizando o padrão baseado na visão do profeta Isaías no capítulo 6, nos versos de 1 a 9ª, ensinados em nossos Seminários da CBB – Convenção Batista Brasileira –, nos cursos de Música Sacra e Teologia. Nessa ordem ou liturgia, que é um pouco mais completa, seguem algumas referências ou exemplos das igrejas reformadas. O coro canta duas ou três vezes, há mais de uma leitura bíblica, há um momento de louvor após a Contrição. Há também o momento de oração pelos que sofrem, e um momento de orações de gratidão pelos que receberam uma bênção que julgam especial, incluindo os aniversariantes - seja batismo, nascimento, aniversário de casamento etc. Ainda há um foco ao final, após a mensagem, com canto congregacional sobre o convite para a Consagração ou Dedicação e com foco no convite à Salvação (apelo). Há oração e bênção e muitas vezes estas cantadas por coro ou congregação.
 

Segue o estudo desse modelo em Isaías 6:

Após a visão do Senhor, Isaías conseguiu ter a visão dele mesmo e ao ouvir a Palavra do Senhor, pôde também ver e perceber o outro, o próximo, recebendo a missão do mesmo Deus –” A quem enviarei?”. Somente após essas visões, veio o chamado do Senhor que evocou a resposta - Eis-me aqui, envia-me a mim. Quem teve a visão grandiosa do Senhor, recebe dele a missão.

Com cerca de 21 anos, Isaías entrou no templo consciente que deveria se aproximar de Deus em um momento tão critico pelo qual passava o povo, quando da morte do rei Uzias. Estava perdido. Morre o rei, quem estará no trono agora? Ao entrar no templo Isaías percebeu a presença do Senhor. Neste momento ele teve a nítida consciência da presença, santidade e grandeza de Deus (v. 1 e 2). Sim, o Senhor é o poderoso. Ele é quem reina. Os serafins clamavam, cantando: "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória". O ministério destes seres era incessantemente louvar e revelar a glória divina. Isaías agora via realmente de uma forma grandiosa o que ele tinha aprendido desde cedo. Só que agora ele tinha vivenciado, experimentado a presença de Deus. O Senhor se revelara à Isaías em um alto trono – símbolo da soberania de Deus. O templo se encheu de fumaça – símbolo da presença de Deus. Isaías viu a glória do Senhor. Os anjos adoraram a Deus pelo que Ele é, por seus atributos.

Isaías, com a visão da glória de Deus percebe a sua pequenez, suas falhas e seus pecados, pois a presença reveladora de Deus desnuda cada um de nós, cada ser. E este só pode dizer como o profeta: "Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (v. 5). Isaías teve então a visão dele mesmo. Isaías percebeu a presença de Deus e humilhado, confessa os seus pecados. E Deus, que é justo e perdoador, não deseja que o homem pereça e com uma brasa viva purifica os seus lábios: "Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada e perdoado o teu pecado" (v. 6,7)

Neste momento recebe o perdão de Deus! A visão de Deus provoca no homem a consciência da sua indignidade e impureza, faz com que tenhamos a visão de nós mesmos no encontro com o Eterno, mas Deus, misericordioso como é, providencia os meios para a purificação (v. 7).

No versículo 8a Deus apela ao coração do profeta: “A quem enviarei e quem há de ir por nós?” e a resposta vem a seguir: "Eis me aqui, envia-me a mim". Essa foi a resposta do profeta que percebendo toda a grandeza e santidade de Deus, sentiu o seu pecado, recebeu o perdão do Senhor, ouviu a sua Palavra, seu apelo, e consagrou-se para uma missão. O resultado deste encontro ou das visões está na primeira parte do versículo nove, no comissionamento de cada cristão: "Vai dize a este povo”.

Esse texto traz a experiência do preparo de Isaías pra ser comissionado pelo Senhor. Após essa experiência ele profetizará por mais de 60 anos. Foi ali no encontro, o preparo para abraçar a missão.  Só poderia estar preparado quem percebeu a visão da glória de Deus (Is 6. 1-3), a visão dele mesmo (Is 6. 5), e a visão do outro com a pergunta: A quem enviarei? (Is 6. 8).

Por isso a valorização desse texto para trabalharmos as partes do culto. É no culto que tudo acontece. No encontro do homem com Deus e também com sua comunidade acontece o preparo para a Missão de Deus para a vida do cristão.

Segue o modelo baseado no texto explicado acima.

Modelo de culto baseado em Isaías 6. 1 – 9a
 

Processional ou Entrada (entrada dos participantes do culto)
Saudação pastoral (avisos, apresentação de visitantes)

ADORAÇÃO E LOUVOR

Prelúdio, instrumentos (orando e percebendo a presença do Senhor)
Oração
Leitura bíblica em uníssono:
(referente ao tema)
Cantos congregacionais (HCC, CC ou cântico avulso)
Oração de adoração
Solo


CONFISSÃO E PERDÃO

Leitura bíblica: (sobre confessar os pecados, as falhas e a certeza do perdão)
Coro
Oração silenciosa
Oração
Canto congregacional
(cânticos ou estribilhos de hinos conhecidos que falem sobre a alegria cristã que vem da certeza do perdão de Cristo)

INTERCESSÃO ou GRATIDÃO

Leitura bíblica: 
Canto congregacional
(HCC, CC ou cântico avulso)
Momento de intercessão e gratidão
(pode ser feito junto ou em dois momentos)
Coro


PROCLAMAÇÃO ou EDIFICAÇÃO ou COMUNHÃO ou EXORTAÇÃO

Mensagem


CONSAGRAÇÃO (parte corrigida e não está no livreto original dos Documentos batistas)

Canto congregacional (HCC, CC ou cântico avulso)
Dedicação: (consagração das nossas vidas e ofertas ao Senhor e/ou apresentação de bebês)
Bênção
Poslúdio, instrumentos – (sentados, orando e consagrando a vida ao Senhor)
Recessional ou Saída(saída do culto transformados para servir em nome do Senhor)


Variações no modelo acima:


•    Algumas igrejas usam os avisos ao final do culto, após a oração e bênção.

•    A dedicação das ofertas ao final do culto leva o cristão ao entendimento que este momento é o resultado de tudo o que aconteceu em sua vida durante o culto. Algumas igrejas preferem no início como uma forma ou expressão de louvor.

•    No 1º domingo, tradicionalmente ou na maioria das ocasiões, em cada igreja batista acontece a Celebração da Ceia do Senhor, em memória do que Cristo fez na cruz em nosso lugar, redimindo-nos do pecado e abrindo assim as portas da eternidade com Deus para aquele que o confessa como Salvador e Senhor. O momento é chamado de COMUNHÃO quando orando silenciosamente, somos chamados para olharmos para dentro de nós mesmos e assim conscientemente confessarmos nossos pecados. Recebemos então os elementos - pão e vinho (suco de uva) -, e após orações tomamos todos juntos - “... em memória de mim" -, como disse Cristo na sua última ceia com os discípulos registrado em Lucas 22. 19 e seguindo a orientação doutrinária Batista.

•    Batismo – culto de testemunho público de fé que deveria ser feito mais frequentemente não esperando um grande número de pessoas. Este é um momento de muita alegria e regozijo espiritual. A Igreja pode cantar enquanto cada irmão é batizado com hinos que falem da experiência de conversão. Algumas igrejas cantam trechos dos cantos sacros preferidos de cada novo convertido. Tem igrejas que também usam apenas uma música instrumental.

•    Tenha o tema ou a ideia da mensagem pastoral ou sermão pense nas partes do culto e elabore as ordens para a sua igreja. Pense sempre de uma forma pedagógica para alcançar com harmonia todos os participantes.  No dia dos pais, das mães, do pastor, das crianças - não permitam que o culto se transforme em um evento semelhante aos programas vários que a sociedade promove, mas que seja um culto de gratidão ao Senhor por esses que têm um dia de homenagem especial pelo calendário escolar ou comercial.

•    Algumas ordens de culto começam pela Confissão seguida dos louvores (cantos, orações, leituras bíblicas) pela certeza do perdão que Cristo oferece. Alguns chamam essa parte de Contrição. Alguns líderes começam o culto pela mensagem. São variações não corriqueiras, mas atendendo a uma necessidade pontual da igreja. Não esquecer nunca de glorificar e exaltar o grande Deus Pai, o Redentor Jesus e o Consolador e Ajudador que é o Espírito Santo de Deus

•    Cultos fúnebres podem seguir a mesma orientação, aliás qualquer reunião que desejam chamar de culto: Glorificar e exaltar o trino Deus, louvores de gratidão em formas de textos bíblicos e cantos. No caso o culto fúnebre ou memorial será sempre um culto em Ação de graças pela vida do que partiu para a eternidade, além do consolo para familiares e amigos. Mensagens bíblicas de esperança e gratidão serão escolhidas, assim como os cantos que sigam a mesma tônica. Na Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio há um culto anual chamado Culto do Conforto onde no convite é anunciado “um culto para intercedermos juntos pelos que sofreram a perda de seus entes queridos e agradecermos a Deus pela vida dos nossos irmãos e amigos que partiram”.

•    Use uma ordem com as partes acima exemplificadas bem marcadas, para que haja maior entendimento, mas faça também mudanças:

         1.    Use algumas ordens sem as divisões, mas mantendo o sentido de cada parte.   Não faça do culto algo partido em fatias, mesmo que as partes estejam indicadas. Ao dirigir o culto faça as ligações sem muito falar, e sem muito anunciar os números dos hinos, principalmente se a ordem estiver impressa. Anunciar o número em voz alta não tem nada de inspirativo. Pense em uma base bíblica para falar e anunciar o hino.

         2.     Use estrofes de hinos, versículos bíblicos ou poéticos encadeados, ligados por temas ou subtemas, use alguns pontos ou partes retiradas do próprio sermão. Aproveite uma data comemorativa do Calendário social, litúrgico ou denominacional e chame a atenção dos fiéis para o conteúdo da ordem do culto.

               Por exemplo:

            a)    Páscoa:

      CRISTO, CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO

          1. Agradecidos e alegres exaltamos Deus que enviou Jesus
          2. Contritos, reconhecemos que só em Cristo somos redimidos
          3. Ouvindo a Palavra e ajudados pelo Santo Espírito 

              decidiremos crescer na Graça do Senhor

Sigam a mesma ideia com Natal, Ação de Graças, Missões etc.

Em cada culto é preciso ter a consciência que este é e deve ser cristocêntrico e não antropocêntrico e por isto Deus deverá ser sempre exaltado, glorificado. Nossa adoração, que é o reconhecimento dos atributos de Deus ou o entendimento de quem ele é, deve ser o que moverá nosso louvor. Louvor é tudo que um adorador faz. Não somente cantar, mas tocar, confessar pecados e confessar com a vida e com os lábios quem é Deus e o que ele tem feito em nossas vidas. A obra redentora de Cristo precisa ser sempre enfatizada em cada culto de uma igreja cristã. 


Jean Jacques von Allmen define culto cristão que acho definitiva e completa. O Culto Cristão é ao mesmo tempo: ameaça de juízo e  promessa de esperança para o próprio mundo.  
              “O culto resume e confirma sempre de novo a história da salvação cujo ponto  culminante se encontra na  intervenção encarnada do Cristo. Neste resumo e confirmação reiterados, o Cristo continua sua obra salvadora  por meio do Espírito Santo.”

Para ele, o culto cristão contesta a justiça humana, aponta para o dia em que todas as conquistas  e fracassos  serão julgadas  e oferece a esperança e promessa  pela afirmação de que,  em última análise, tudo  está nas mãos de Deus.

Em cada culto devemos agradecer ao Senhor pelos seus feitos poderosos, pela salvação em Cristo Jesus e pela certeza de que seu Santo Espírito nos guia na verdade e no consolo. Além do exame de nós mesmos, sendo sempre desafiados para sermos relevantes para Deus, nossa família e mundo em que vivemos.


BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SOBRE O ASSUNTO:


AMORESE, Rubens Martins. Celebração do evangelho. São Paulo: Editora Abba.
 

FREDERICO, Denise C. de Souza. O que é liturgia? RJ: MK, 2004. 86p
 

___________________________. Cantos para o culto cristão. São Leopoldo, RS: Editora Sinodal. 414 p.
 

LUZ, Westh Ney e GUSMÃO, Leila. Culto Cristão – contemplação e comunhão. RJ: JUERP, 2003. 204p. 
 

KIRST, Nelson. Nossa liturgia: das origens até hoje.S. Leopoldo: Sinodal, 2000.19p
 

SHEDD, Russel P. Adoração Bíblica. SP: Vida Nova, 1987. 170 p.
 

MULHOLLAND, Edith B. Notas Históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC). RJ: JUERP, 2001. 494p.
 

WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão. S. Leopoldo: Sinodal, 1997.267p
_______________________

*O texto escolhido foi publicado na série Documentos Batistas, 2011 com o título Culto e Adoração e segue com algumas correções e adaptações feitas pela autora. Editado originalmente nos documentos batistas, no portal da CBB.  http://www.batistas.com/images/pdfs/cultoadoracao.pdf

________________________
Westh Ney Rodrigues Luz – Ministra de música, profª do Seminário do Sul (STBSB/FABAT), lecionando Culto Cristão, História da Música e Gestão da música na Igreja. Membro da Igreja Batista Itacuruçá e regente dos Coros feminino Cantares e masculino do Seminário do Sul. Redatora da revista de música Louvor, da CBB. Formada em Licenciatura em Música (UFRJ), Bacharel em Música Sacra (Seminário do Sul), História (UGF) e pós-graduada em Artes (FIJ).  http://www.blogdawesth.blogspot.com/





domingo, 18 de junho de 2017

Liturgias para diversas ocasiões_Leonardo Barros
















Liturgias elaboradas por Leonardo Barros que estão no site de Israel Belo de Azevedo:

1. FÉ 

2. BÍBLIA

3. GRAÇA

4. FAMÍLIA

5. ESPERANÇA

6. CEIA

7. CEIA DO SENHOR

8. CEIA DO SENHOR

9. CONFIANÇA

10. AUTOESTIMA

11. COMPROMISSO

12. AVIVAMENTO
  


MM Leonardo Cunha de Barros Bacharel em música Sacra pelo Seminário do Sul, e bacharel em Regência pela UFRJ.
Foi Ministro de música  na Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio, RJ. Foi prof. do STBSB - Seminário do Sul


  • Em Janeiro de  2011 mudou com sua família para os EUA, para Campbellsvile, Kentucky.
  • Em dezembro de 2014 terminou Mestrado de Musica em Regência de Orquestra.
  • De  outubro 2013 a dezembro de 2014 foi Ministro de Musica interino na Junction City First Baptist Church.
  • Em 2015 foi para o Texas  onde faz o Doutorado em Música na Igreja com ênfase em Regência.
  • De outubro de 2015 a julho de 2017 foi Ministro de Música na New Hope Baptist Church em Mansfield, Texas.
  • Está de malas prontas para ser Pastor de Adoração e Artes da Armitage Baptist Church, tomando posse dia 15 de Julho 
  • Casado com a talentosa pianista MM Claudiane Barros e forma uma linda  Com Letícia, Daniel e Lucas. São netos da profª Magali Cunha que  lecionou muitos anos no IBER e no Seminário do Sul.


Sempre frutificando







Ordem de Culto:
Sempre frutificando
criada por Leila Gusmão, impressa na Revista Louvor, ano 18, nº 62, volume 1, 1995.

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Revista de música Louvor, da editora Convicção da CBB –  Convenção Batista Brasileira

































Revistas novas pelo e-mail literatura@conviccaoeditora.com.br

sábado, 10 de dezembro de 2016

Liturgias de Natal

No link da Igreja batista Itacuruçá podemos encontrar três liturgias para o Natal
http://www.itacuruca.org.br/files/boletins/2016/161211_BOLETIM.pdf





NA PLENITUDE DOS TEMPOS - CRISTO VEIO PARA SER UM DE NÓS.

Liturgia de Natal I Cantares I Igreja Batista Itacuruçá I Dom 11 dez 2016 I Culto1 ás 9h I Liturgia construída por Westh Ney Rodrigues Luz
.
Processional, órgão
Ita em ação
Prelúdio, órgão


“Vindo, porém, a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” Gálatas 4.4 - 6

Canto 228 HCC    A Deus Demos Glória    (Crosby/Jones/Doane)
1. A Deus demos glória, com grande fervor;
seu Filho bendito por nós todos deu.
A graça concede a qualquer pecador,
abrindo-lhe a porta de entrada no céu.

Exultai! Exultai! Vinde todos louvar
a Jesus, Salvador, a Jesus, Redentor.
A Deus demos glória, porquanto do céu
seu Filho bendito por nós todos deu.


Canto 71 HCC               Nós Te Louvamos, ó Senhor Jesus 

                                       (Tucker/Fonseca/Williams)

1. Nós te louvamos, ó Senhor Jesus,
pois tu trocaste a glória pela cruz.
Que possa em nós brilhar a tua luz.
Aleluia, aleluia.

2. Tu nos mostraste tua compaixão,
e ao desgarrado deste tua mão.
Por tua morte temos salvação.
Aleluia, aleluia.

5. Que toda língua diga em teu louvor:
No céu, na terra. Cristo é Senhor.
E ao trino Deus cantemos com fervor:
Aleluia, aleluia..


Oração
Momento de fidelidade e gratidão, órgão


NA PLENITUDE DOS TEMPOS - 
CRISTO VEIO PARA SER UM DE NÓS.

Coro Cantares                     Um de Nós                    (Stella Junia)

Leitura bíblica 88 HCC - O Advento do Salvador - Is 60.1-3; 11.1-5; 40.3-5,10,11

Todos: Levanta-te, resplandece, porque é chegada a tua luz, e é nascida sobre ti a glória do Senhor. Pois eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti. E nações caminharão para a tua luz, 
e reis para o resplendor da tua aurora.

Coro Cantares Em silêncio Toda Carne (Stella Junia)

Todos: Então brotará um rebento do toco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.

Coro Cantares                Deixou a Casa do Pai          (Stella Junia)

Dirigente: E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem decidirá segundo o ouvir dos seus ouvidos;

Todos: mas julgará com justiça os pobres, e decidirá com equidade em defesa dos mansos da terra. A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins.

Dirigente: Eis a voz do que clama: Preparai no deserto o caminho do Senhor; endireitai no ermo uma estrada para o nosso Deus. Todo vale será levantado, e será abatido todo monte e todo outeiro; e o terreno acidentado será nivelado, e o que é escabroso, aplanado.
.
Coro Cantares e Adolescentes           Menino Rei          (Stella Junia)
.
Todos: A glória do Senhor se revelará; e toda a carne juntamente a verá. Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e a sua recompensa diante dele.
.
Dirigente: Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seu regaço; as que amamentam, ele as guiará mansamente.

Canto 92 HCC                 O Canto Angelical           (Sears/Willis)
2. Pairando sobre a terra estão os anjos a cantar
e sobre o mundo pecador derramam luz sem par.
Acima das tribulações da luta terreal,
proclama a vinda singular o canto angelical.

3. Enquanto aqui na terra estão os dias a passar,
os povos vivem sem amor, num mundo a guerrear.
Mas quando, enfim, reinar a paz, em glória triunfal,
dos salvos todos se ouvirá o canto angelical.

Oração de intercessão

Coro Cantares                  Eu Quero Cristo                    (Stella Junia)

Mensagem   Jesus, o sentido da história7 - Deus inaugurou seu reino, Mc 1.15
                                                                    Pr. Israel Belo de Azevedo

Canto 114 HCC  Veio a Este Mundo o Senhor Jesus (Morris/Pitrowsky)
1. Veio a este mundo o Senhor Jesus, veio nos libertar.
Foi rejeitado, morreu na cruz para nos resgatar.
Glória e poder no céu deixou, ingratidão na terra achou.
Tudo ele fez, pois nos amou, para nos resgatar.

Glória, glória demos ao Salvador,
glória, glória por seu tão grande amor.
Glória, glória! Temos a paz com Deus.
Glória, glória, vamos cantar nos céus.

2. Nosso castigo Jesus levou, veio nos libertar.
Tudo na cruz ele consumou para nos resgatar.
Quem entre nós já compreendeu todas as dores que sofreu,
a condição em que morreu para nos resgatar?

Oração e bênção

Poslúdio, cantado                    Menino Rei                (Stella Junia)

A grande promessa de Deus
Emanuel, Emanuel.
Veio reinar, o homem salvar
Emanuel, Deus conosco, Emanuel!

Recessional, órgão
...

A Igreja Batista Itacuruçá fica na Rua Barão de Corumbá, 49, Tijuca, Rio
Pode ser visto ao vivo ou gravado em 
https://www.youtube.com/c/itaonline?sub_confirmation=1 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

EMANUEL_Deus conoscoI

"Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco". Mateus 1.23

Caros amigos, este texto é muito importante, pois nos mostra algo que realmente muda nosso olhar: _ Jesus Cristo será chamado Emanuel, Emanuel que significa Deus –conosco. Isto significa, nos mostra que ele não está ausente, mas que Cristo é a imagem perfeita que temos do nosso PAI eterno e que pode nos entender pois andou por este mundo, como nós também andamos e vivemos.

Deus – conosco para entender seus conflitos, suas ansiedades

Deus – conosco, presente quando a dor invadir  a sua casa,  sua alma

Deus – conosco quando você estiver irado, com raiva ou sentindo-se desprezado, humilhado.
Deus –conosco  quando você não tiver respostas  para suas inquietações, quando perder a esperança.

Vamos pois até Belém,  pensando naquele momento ímpar onde um Deus se faz presente. 

1. Para encontrar o Amor 
O amor de Um Deus que se fez homem e habitou entre nós. Um amor sem medida.

2. Para encontrar a Paz
A Paz de Cristo. A paz mesmo em dias turbulentos ou tempestades, sabendo que ela vai passar...

3. Para encontrar  a Humildade 
Um Deus que vem  até nós, de forma humilde, nascendo em uma estrebaria .

4. Para encontrar  a Esperança
A Esperança de dias melhores,
 a esperança de uma vida futura melhor, 
a esperança de uma vida com Deus quando nossos olhos se fecharem. 

A esperança de que mesmo  andando neste mundo tão bonito, com momentos muito turbulentos ou sombrios poderemos sempre afirmar:
O Senhor é o  meu Pastor e ele não falta. Está presente.

Feliz Natal para todos.
Que Cristo possa nascer em cada coração.
Paz para todos.

Com carinho 
Westh Ney

sexta-feira, 1 de junho de 2012

DECLARAÇÃO DE BERLIM SOBRE ADORAÇÃO

Nós, seguidores de Cristo chamados batistas, provenientes de 58 países, com 500 representantes de 193 convenções e uniões batistas ligadas à Aliança Batista Mundial, reunidos em nossa primeira conferência internacional devotada exclusivamente à adoração, de 15 a 18 de março de 1998, em Berlim, Alemanha, apresentamos a seguinte Declaração para reafirmar nossa compreensão da natureza essencial da adoração e do culto. 

I. Desde nossos começos os batistas sempre temos crido no Deus triúno, declarado na Escrituras como Pai, Filho e Espírito Santo e temos adorado o Deus vivo, como parte integral de nossa herança. Na primeira reunião da Aliança Batista Mundial em Londres, no ano de 1905, Alexander MacClaren convocou os delegados a com ele recitar o Credo Apostólico como testemunho de nossa fé bíblica, dentro da Igreja de Cristo. Reconhecemos Jesus Cristo como o único Cabeça da Igreja e o foco de nossa adoração e louvor. 

II. Afirmamos a necessidade de estarmos abertos à direção do Espírito Santo que nos conduz a adorarmos “em espírito e em verdade”. Todas as formas de cultos constituem “janelas” através das quais vemos a Deus. A ênfase, portanto ( no culto), não deve ser primeiramente sobre os aspectos externos, mas sobre “a prática da presença de Deus”, ao nos apresentarmos como “culto santo e agradável a Deus”. A adoração ou o culto corporativo de todas as formas, será vazio se o indivíduo não estiver espiritualmente envolvido. 

III. Celebramos (neste Congresso) cinco estilos específicos de culto e vimos exemplos de práticas litúrgicas de muitas partes do mundo. Verificamos que cada um deles tem, significado e poder. Também descobrimos que elementos de cada um deles podem ser fundidos de modo a que se produza um culto significativo, alegre e autêntico. Aprendemos a apreciar diferentes expressões e estilos de culto, sem necessariamente adotá-los. É mister que haja discernimento a determinar o que é culturalmente relevante e teologicamente consistente com a Bíblia e nossa fé batista. 

IV. Reconhecemos com alegria e gratidão a Deus o tempo que passamos juntos. Apreciamos o fato de tantas pessoas e igrejas haverem feito sacrifício significativo para participarem da conferência. A despeito de nossas diferenças e grande diversidade, experimentamos unidade sob o Senhorio de Jesus Cristo , e pudemos ter um vislumbre do céu. Esperamos que o aprendido por nós produza frutos em todo o mundo, e que esta conferência não seja um fim, mas um começo.
 

V. Com todo vigor afirmamos a importância histórica da pregação, para os batistas, como aspecto essencial do culto. 

VI. Fomos desafiados pela inadequação de alguns aspectos de nossos culto e adoração, e reconhecemos a necessidade de retomar o espírito do culto da igreja novitestamentária. Precisamos reconhecer: 

1. Que nossa pregação às vezes é desligada do resto do culto, e é dada proeminência ao que proclama a Palavra, e não a Cristo de quem a 
Palavra dá testemunho; 
 
2. Que nossa música tem sido por vezes um show, em vez de meio para 
glorificar a Deus e envolver o povo de Deus no culto; 
3. Que nem sempre compreendemos a grande importância da Ceia do Senhor 
e do Batismo, havendo-os muitas vezes como adendo do culto, em lugar
 de serem partes essenciais dele; 
4. Que às vezes temos negligenciado nossa ênfase batista sobre o 
sacerdócio universal dos crentes, em detrimento de nossa 
comunidade de fé e seu testemunho; 
5. Que nossas orações são por vezes incompletas, ao expressar somente 
nossos próprios pensamentos e necessidades, sem incluir a 
oportunidade  de ouvir a Deus; 
6. Que nossa preparação para a adoração tem sido exclusivamente do que conduzem o culto, em vez de ser responsabilidade de todos que vêm em busca de um encontro com o Deus vivo; 
7. Que nem sempre temos ensinado ao nosso povo o significado da adoração e como adorar. E por vezes separamos do resto da vida o que ocorre no santuário;
8. Que por vezes somos achados culpados de crer que nosso próprio estilo de adoração ou forma de culto são os melhores, e a única forma de adorar, e por vezes temos tentado impor essa opinião sobre outros; 

VII. No reconhecimento do que acima afirmamos, com humildade e contrição buscamos a adoração cuja iniciativa é de Deus, pois Ele nos convida à divina presença e envia-nos ao mundo, para o serviço, discipulado, justiça e reconciliação, em obediência à Grande Comissão de Jesus Cristo. 

VIII. Estamos conscientes, pelo Espírito Santo, que nossa adoração – qualquer que seja seu estilo ou forma, ocorre num contexto maior de adoração em todo o mundo, ao longo da história e no céu. Constituímos apenas uma pequena parte do eterno mosaico de adoração do Deus único e verdadeiro, por meio de Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador. 

IX. Cremos, com toda convicção, que a adoração é um processo vivo. O deus Criador está sempre presente na adoração e, por isso, precisamos de estar continuamente abertos às coisas novas que Deus está a fazer e fará em nós e na Igreja. Afirmamos a natureza dinâmica da adoração, como John Smyth articulou no primeiro Pacto das Igrejas, redigido há 400 anos: “(Comprometemo-nos) a andar em todos os Seus caminhos, dados a conhecer ou a serem conhecidos, conforme nossa melhor capacidade, qualquer que seja o custo, com a ajuda do Senhor”¹.
 

 - Traduzido por Irland P. Azevedo, em 22/05/2002 _ copiado do blog de Petrônio Borges - http://pastorcomciencia.blogspot.com.br/2012/04/declaracao-de-berlim-sobre-adoracao.html

DECLARAÇÃO DE NITERÓI SOBRE ADORAÇÃO


“Oh, vinde, adoremos e prostemo-nos, ajoelhemo-nos diante do Senhor que nos criou” 
                                                              (Salmo 95.6)

Nós, seguidores de Jesus Cristo, chamados batistas, procedentes de dezoito paises, reunidos em Niterói, Rio de Janeiro, de 15 a 18 de março de 2000, sob os auspícios da União Batista Latino-americana (UBLA), com o apoio da Aliança Batista Mundial, vimos apresentar a declaração a seguir, portadora de nossas convicções sobre a natureza e a importância da adoração, da realidade que percebemos e do apelo que fazemos ao povo batista da América Latina.

Nossas convicções

1.    À semelhança de nossos irmãos e irmãs reunidos no Congresso Mundial de Adoração, em Berlim, de 15 a 18 de outubro de 1998, afirmamos nossa fé no Deus triúno e nas verdades expressas no Credo dos Apóstolos. Ao mesmo tempo, consideramos importante reafirmar aspectos fundamentais dessa fé.
2.    Cremos no Deus criador do universo que se revelou em sua Palavra e em Jesus Cristo, e permanece ativo no mundo, na igreja e nos seres humanos, por seu Espírito. Ele é o único que é digno de ser adorado, por seu poder, sua santidade e grandeza de sua obra criadora, sua providência e sua obra redentora a favor do ser humano. Deus está formando um povo que, ao reconhecer agradecido sua grandeza e santidade, a ele honre com sua vida e suas palavras.

3.    Cremos em Jesus Cristo que tomou a forma humana para revelar-nos o amor e o propósito salvador de Deus, e ensinou-nos que a verdadeira adoração consiste na obediência deuma vida consagrada à missão e ao serviço, até a morte. Por sua obra na cruz podemos chegar a Deus e tê-lo como Pai e nos reconhecermos como irmãos, formando um novo povo, cuja comunhão transcende todos os tipos de barreiras e cuja adoração é aceitável a Deus, no nome de Cristo.

4.    Cremos no Espírito Santos que opera em nós para que conheçamos a Deus e o chamemos de Pai, para que em tudo cresçamos como povo seu, segundo o modelo da nova humanidade em Cristo. O Espírito renova constantemente a igreja e a impulsiona ao cumprimento de sua missão. Essa missão sempre começa no ato de adoração, a partir do qual somo enviados ao mundo.

5.    Cremos que o ser humano foi criado para amar a Deus de todo o seu ser. Corrompido pelo pecado, passou a amar e a adorar à criatura e não ao Criador. Redimido por Cristo, o ser humano anela por uma adoração plena, individual e corporativamente, empregando todas as suas faculdades. Por isso, a verdadeira adoração compreende as faculdades intelectuais, emotivas, volitivas, de discernimento moral, corporais e sociais da pessoa, conforme o testemunho das Escrituras.

6.    Para cumprir sua missão de testemunho, proclamação, serviço, comunhão e adoração, a igreja é continuamente renovada e capacitada pelo Espírito. Dessa maneira, de uma cultura para outra, e ao viver em tempos históricos diferentes, a missão da Igreja e sua adoração vão tomando formas diferentes. Ainda que o tesouro do Evangelho não mude, os vasos de barro vão mudando.

7.    Como Batistas, temos como princípios e convicções fundamentais o sacerdócio universal dos crentes, a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja e o chamado para a santidade de vida e plenitude da missão. Portanto, a mudança de formas culturais e históricas da missão e da adoração da Igreja nunca deverá atentar contra essas convicções fundamentais de nossa fé.


A realidade e nossas preocupações

1.    Estamos conscientes da situação que vivem algumas de nossa igrejas e convenções para as quais a adoração tem sido tema de debate, razão de conflitos e causa de lamentáveis divisões. Os batistas latino-americanos, herdeiros de uma rica tradição litúrgica, estamos a enfrentar mudanças de uma novo tempo caracterizadas, entre outras, por diferentes formas de religiosidade e expressões novas de espiritualidade e de culto. É neste contexto cultural e religioso que nos perguntamos com sinceridade diante do Senhor o que significa adorá-lo “em espírito e em verdade”. Por outro lado, preocupam-nos a decadência moral, a perda de valores e a crise social de nosso continente. Em face da pobreza crescente de nossos povos e das terríveis situações de injustiças, violência e marginalização ficamos a perguntar-nos também que relação existe entre a adoração a Deus e a preocupação social, entre adorar ao Criador e servir a suas criaturas feitas à sua imagem e semelhança, entre adoração e compromisso integral com o seu reino de paz e de justiça.

2.    Há grande diversidade bas formas de expressão de nossa fé comum, e da adoração em nossas igrejas, como pudemos verificar em modelos de cultos oferecidos no Congresso. Essa diversidade ocorre por conta da diversidade de dons, talentos, temperamentos, personalidade e culturas, mas a diversidade de formas não deve comprometer a unidade de nossa fé.

3.    Preocupam-nos, entretanto:

a)    a transformação, com muita freqüência, do culto em “show” e exibição de beleza musical ou de talento retórico, como seu objetivo principal;

b)    por um lado, a “clericalização” do culto, com suas principais funções sendo exercidas por “ministros”, por outro, a informalidade excessiva, a improvisação, a desarmonia e a desarticulação entre as partes do culto;

c)     a hipertrofia dos chamados “momentos de louvor” nos cultos, em detrimento da ministração da Palavra que orienta, santifica, conduz à fé e à vida de compromisso com Deus;

d)    a focalização do culto na pessoa humana, no seu prazer e no divertimento, cambiando a ênfase da ética para a estética, do ser santo para o ser feliz e realizado como pessoa;

e)    a mentalidade competitiva ou de conflito, quando formas ou modelos de culto e adoração, com prejuizo para a unidade da igreja de Cristo;

f)      o tratamento das ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor como apêndice do culto e não como partes essenciais dele, portadores que são das grandes verdades da fé cristã

g)    a ausência da mensagem do Cristo crucificado no púlpito, no ensino cristão, no discipulado e na vida cristã;

h)    a mentalidade consumista presente em muitas igrejas, em detrimento dos valores inestimáveis de nossa fé.

Nosso apelo

Apelamos às lideranças e ao povo de Deus em nossas igrejas:
a)    que haja por parte de nossos líderes, pastores e pessoas envolvidas no ministério da música a busca constante da verdadeira adoração cristã;

b)    que haja o reconhecimento do culto a Deus como experiência vital de todo o povo de Deus que tem de enfrentar o mundo e nele cumprir sua missão reconciliadora. Nenhum outro propósito deve ter o culto;

c)     que haja equilibrio em todos os elementos constittivos do culto cristão, conferindo à Palavra de Deus o privilégio essencial;

d)    que o culto em nossas igrejas se realize centrado em Deus e sua glória, não no ser humano. Temos de buscar a excelência do culto e a integridade de nossas vidas;

e)    que se redescubram a beleza estética do culto cristão, que apele a uma consciência renovada da presença de Deus, as implicações éticas de nossa fé e a afirmação dos princípios espirituais que, como batistas, temos sustentado através da história;

f)      quanto à educação teológica e ministerial quanto à adoração, comece no seio da família, da igreja e continue nos seminários visando à adoração e crescimento de uma liderança íntegra e apta a guiar o povo de Deus;

g)    que como homens e mulheres remidos, a prestar culto a Deus, sejamos dia a dia testemunhas do Senhor, evitando cair no espírito consumista e comercial de nosso tempo.

 Niterói, 18 de março de 2000
A Comissão