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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

BILL ICHTER - William Harold Ichter (EUA, 11/12/1925 – 29/08/2019)

 Em 2009, em conversa com Bill Ichter, nosso 1º primeiro missionário de música enviado ao Brasil, em 1956, pedi-lhe que deixasse para nós, músicos brasileiros, uma palavra, um conselho. Ele assim respondeu:

1. Mantenha-se firme na Fé.

2. Procure ter um bom relacionamento com o pastor com quem você trabalha. Não se esqueça que ele é o líder espiritual da igreja.

3. Não esqueça que o ministério da música deve tentar ser significativo para todas as idades.

4. De uma maneira ou outra, procure dar mais ênfase na mensagem da música. A mensagem e de suma importância e a música, o instrumento que Deus para comunicar a mensagem.

5. Seja "adaptável." Vivemos num mundo de mudanças, mas no seu desejo de adaptar, não comprometa os seus ideais. Os americanos têm uma expressão - Quando jogar fora a água do banho, não jogue fora o nenê.


Bill Ichter é quase um brasileiro. Aliás, ele sempre foi conhecido como o mais brasileiro de todos os missionários, todos que o conheceram dizem a mesma coisa. Torcia pelo Vasco, time carioca de futebol, com camiseta e tudo, e ainda frequentava os jogos no Estádio do Maracanã com seus filhos.

No ano de 2019, Bill Ichter completou 70 anos de ministério dedicado à Cristo. Dia 09/10/08 perguntei-lhe por e-mail, o que trazia mais saudade ao seu coração de todas as suas realizações e criações aqui no Brasil. Respondeu-me assim: 
  
          
   - De tudo que Deus permitiu que fizesse e realizasse durante os meus 35 anos no Brasil, eu sinto mais a falta dos brasileiros, a sua camaradagem, o seu calor humano, as suas amizades. É a resposta que dou para todos que por aqui perguntam.

Foi compositor, arranjador, escritor, compilador e editor. Escreveu muitos livros, organizou clinicas de música, compôs hinos, trabalhou incessantemente organizando, ensinando e ensaiando coros nas igrejas, formando assim grandes corais para as Cruzadas de evangelização que grassavam pelo país. Na Cruzada Billy Graham, em 1974, Bill regeu lindamente um fantástico coro - uma multidão no Maracanã, Rio de Janeiro, RJ. Eu estava lá.



 

Em 1943, quando cursava Pré-Medicina na Faculdade, tem o encontro com Cristo, como seu Salvador pessoal. Foi para a guerra (Segunda Guerra Mundial) onde foi condecorado. Era um veterano e todos os anos na Convenção Batista Brasileira, por meio da CONFRATEX, dirigida pelo Pr. João Filson Soren (capelão na Itália na mesma guerra), fazia parte do desfile dos ex-combatentes brasileiros que serviram na Segunda Guerra. Entrava garbosamente, e com muito orgulho com a bandeira americana.

Fez o curso de Bacharel em Artes, com especialização em Música, na Universidade Batista de Louisiana e o mestrado em Música Sacra no Seminário Teológico Batista de Nova Orleans, em 1955. Estudou regência com maestros importantes no exterior e no Brasil, mesmo em meio suas atividades como missionário músico percorrendo o país. Estudou com os maestros Diogo Pacheco e Isaac Karabtchevsky e professor Rossini Tavares Lima (música folclórica). Fantástico ver a vontade do Bill em estudar a cultura do povo onde ele investiu sua vida.

Foi o pioneiro em muitas áreas da Música Sacra no Brasil quando aqui chegou com sua querida, meiga e doce Jerry Catron Ichter (casados em 1949), e dois filhos pequenos Alana e Alan. Seus filhos Nelson e Carlos nasceram no Rio, RJ, Brasil. Tem duas noras brasileiras e três netos nascidos também no Brasil. Tem neto nascido na Korea; uma neta nascida na Alemanha; quatro bisnetos nascidos na Itália, e duas bisnetas nascidas no Kenya. Isto é fantástico. Uma vida nas mãos do Senhor, onde a pátria é o mundo.

Começou lecionando música, em classe, para os alunos de Teologia com aulas de teoria musical e regência no STBSB/Seminário do Sul. O Curso de Música Sacra, onde muitos dos ministros de música foram formados desde 1963, sob a liderança do casal Sutton – Joan e Boyd, ainda não existia. Bill foi a semente do curso, que hoje abriga a FABAT/ Faculdade Batista do Rio de Janeiro, pois com ele e suas experiências em viagens pelo país ficaram evidenciadas as necessidades que tínhamos na área da música para formação de liderança musical no Brasil. Disse ele sobre esse tempo:
        

“Gostei das minhas aulas porque todos os alunos foram obrigados a estudar, e assim pude deixar sugestões para os futuros pastores."

Bill Icther, organizou e coordenou a música no Brasil por meio do Departamento de Música da Junta de Escolas Dominicais e Mocidade, que mais tarde ficou conhecido como Superintendência de Música da JUERP. Ali foram publicadas coletâneas para coros infantis, coros de jovens e coros mistos (SCTB, vozes femininas e masculinas) e que ainda são usadas no país. Publicou diversas cantatas sazonais. Publicou o oratório O Messias de Haendel, resultado do trabalho com uma comissão de notáveis tradutores e regentes.

Também publicou livros como o conhecido e amado – Se os hinos falassem (4 volumes). As lindas histórias dos hinos mais amados pelos batistas nos animavam e assim, o povo cantava com entendimento e alegria. Publicou um pequeno livro – Vultos da Música Sacra evangélica no Brasil – que trouxe uma contribuição à hinologia. Compilou o livro Música e seu uso nas igrejas, abordando vários temas pertinentes sobre o ministério musical, pois como realizava tantas clínicas pelo país, percebia a necessidade de um livro didático. Essas coleções e livros ainda hoje ajudam muitos líderes.

Contribuiu também escrevendo na coluna chamada Canto musical, no O Jornal Batista, onde escreveu durante 10 anos e isso foi de grande valor para a formação da liderança musical brasileira. Não tínhamos ainda uma revista especializada como temos hoje – a Revista Louvor - e muitos músicos recortavam aquelas colunas, catalogavam e guardavam como preciosidade, pois traziam conselhos e informações para uso no ministério. Fiz muito isso e tenho ainda alguns recortes. Nestes tempos de pioneirismo e formação ainda bem que tínhamos o Bill Ichter, que sozinho saía pelas igrejas promovendo clínicas de música, ensinando em várias áreas musicais e regendo grandes coros nas Cruzadas evangelísticas que tínhamos pelo Brasil – mais precisamente Maracanã e Maracanãzinho. Estive em algumas delas e vivenciei aqueles momentos preciosos de comunhão e unidade batista.
 


Como foi citado acima, foi professor de música no Seminário do Sul, no IBER e no antigo Curso de Obreiras no Colégio Batista, dirigiu a música da CBC – Convenção Batista Carioca, além de membro da Igreja Batista Itacuruçá. Sempre no Rio.

Escreveu muitos hinos para diversas campanhas das nossas juntas missionárias, mas não queria que seu nome aparecesse em demasia, pois eram hinos missionários e ele achava melhor um nome de autor brasileiro. Usou muitos pseudônimos – Nelson Mariante, Severino Parente, Jana Oliveira, Jason Oliveira, Carlos Leite, Alana Silva, Nala Silva, Jeremias Oliveira, Ronaldo Oliveira. Era uma época difícil, pois não tínhamos tantos compositores como hoje. Esses hinos estão publicados em muitos hinários de campanhas de evangelização e material de promoção missionária. No Hinário para o culto Cristão temos duas cooperações do Bill Ichter. Na harmonização do 603 – Minha pátria para Cristo (439 CC – Cantor Cristão) e na música do hino 526 – Cristo, a única esperança (581 CC - Cantor Cristão).

No livro Notas Históricas do HCC – Hinário para o Culto Cristão,  podemos encontrar muitos dados interessantes sobre sua atuação nos arranjos e revisão das fontes do CC – Cantor Cristão, onde Bill Ichter foi o coordenador da comissão juntamente com a professora Joan Sutton e seus alunos do Seminário do Sul. Trabalharam arduamente nos detalhes e informações históricas necessárias. As notas estão inseridas nas histórias dos hinos 526 e 603 no livro Notas Históricas do HCC, escrito por Edith Mulholland.

Bill recebeu o Prêmio Arthur Lakschevitz em 1988, oferecido pela Associação dos Músicos Batistas do Brasil – AMBB. Também recebeu mais dois prêmios na área musical:  o Hines Sims Award em 1980, pela Associação dos Músicos Batistas da Convenção Batista do Sul (EUA); e em 1990, o Distinguished Service Award oferecido pela Escola de Música do Seminário Teológico do Sudoeste de Fort Worth, Estado de Texas. Por serviços prestados ao Rio de Janeiro, recebeu em 1984 a medalha  Cidadão Honorário do Estado do Rio de janeiro, além de medalhas militares.

Durante dez anos, antes de se aposentar, trabalhou na Junta de Missões Mundiais como redator da revista O campo é o mundo e também coordenando o trabalho pela Ásia, África e América do Norte, sendo um assessor dedicado do pr. Waldemiro Tymchak, o executivo da mesma junta acima mencionada.

Gostaria muito que todos os que chegam agora e estão se empenhando pela boa música e seu melhor uso na igreja, espalhados por esse Brasil, pudessem ler isso e entender que tudo que fazemos hoje, é fruto de quem veio antes e nos deixou esse legado. Nossos professores nos seminários brasileiros e os músicos líderes nas igrejas, aprenderam com professores, que aprenderam com estes pioneiros.
O que será que vamos deixar para as futuras gerações?

Em agosto de 1990, ele e sua esposa, a querida e doce irmã Jerry, agora aposentados, voltaram para seu país de origem. Durante algum tempo serviram como “Missionários locais”, no Centro de Treinamento Missionário da Junta de Richmond.

Foi ministro para pessoas de terceira Idade, na Primeira Igreja Batista de Minden, Louisiana e dirigiu o coro desse grupo. Com o coro viajou, cantou em diversas reuniões levando também um conjunto de sinos e um pequeno conjunto de Dulcimers. Nessa igreja serviu como diácono, cantou em dois coros e dirigia a música congregacional quando convidado. Sobre esse ministério assim narrou:


“No início do meu ministério na igreja em Minden, comecei a telefonar para todos da terceira Idade, no dia do seu aniversário. Para os homens, somente  uma palavra, mas para as mulheres, cantava "Parabéns pra você," em português. Mesmo aposentado da igreja agora, continuo esta pratica porque temos muitas  senhoras viúvas, que moram sozinhas e aguardam ansiosamente este cântico”.

Ainda, na sua aposentadoria, nos EUA, Pr. Bill foi capelão do Hospital local por doze anos, onde visitava os enfermos diariamente. Orava com todos que iriam se submeter a cirurgias.  E após seu serviço como capelão do Hospital, ainda serviu dois anos como capelão da polícia do estado de Louisiana, deixando essa função somente quando sua querida Jerry foi acometida do Mal de Alzheimer. 


Em sua última viagem ao Brasil (2013), com sua querida Jerry, estivemos juntos no lar do Pr. Ebenézer Ferreira e Noemí Lucília para um momento de bom convívio. Quanta saudade. Também esteve na Igreja Batista Itacuruçá onde falou e regeu. Foi uma festa para a igreja onde ele serviu por muitos anos. Falou para os alunos do curso de música do Seminário do Sul, onde foi o professor pioneiro, como relatado acima. Contou histórias e aconselhou com seu jeito alegre e divertido de ser. Para a maioria, era a primeira vez que ouviam falar desse grande homem, servo de Deus. Os alunos que lá estiveram foram impactados por suas histórias e conselhos. Falam até hoje sobre aquele momento.

Minha vontade é narrar toda a saga desta família após Bill e Jerry. É linda a história. Impressionante como quase todos os netos estão envolvidos com missões em diversas partes do mundo. Os frutos de amor e compaixão desta linda família estão espalhados por três gerações.

UM POUCO SOBRE SEUS FILHOS:


 
 
1. Alana chegou com seus pais ao Brasil e já tinha seis anos. Estudou no Colégio Batista e Escola Americana, foi para seu país natal, América, e é formada em Sociologia. Ela e seu esposo, Ronald Greenwich, trabalharam 32 anos em Santa Catarina. Fizeram um excelente trabalho. Dirigiram a Casa de Amizade em Florianópolis, depois trabalharam na implantação de igrejas e vários projetos sociais em regiões menos favorecidas. Em cada igreja, Alana sempre atuou na área da música além das outras áreas. O casal tem quatro filhos: Jason, Jeremy, Jana e Joel e doze netos.

2. Alan chegou com seus pais e fez como sua irmã, como normalmente acontece com todos os nossos missionários, voltam e cursam universidade no país natal. O que é muito interessante com os filhos do Bill é que sempre acabam voltando para o Brasil e servem aqui por algum tempo ou por toda a vida. Alan e Barbara se casaram em 1981, ela brasileira e membro da PIB de Copacabana, igreja onde Bill congregou e serviu por muitos anos. Alan morou na Korea e hoje está em Dallas trabalhando com marketing. O casal tem dois filhos: William e Michael e dois netos.

3. Nelson, carioca, estudou no Colégio Batista, na Escola Americana do Rio e na Faculdade Batista Carioca. Após a ida do Bill para os EUA, aposentado, ele continuou no Brasil por alguns anos. Em 1998 migrou para os Estados Unidos com a família. Janilda estudou e lecionou no IBER e STBSB e a família dele hoje é ativa na Prestonwood Baptist Church, em Plano, Texas, EUA. Cantam no coro, Janilda é líder do ministério Mães Unidas em Oração, no Texas e professora da EBD na língua portuguesa e Nelson diretor da classe. É casado com Janilda há trinta e dois anos (32) e tem um filho – Philippe, casado com Lindsey.

4. Carlos, carioca, estudou no Colégio Batista, na Escola Americana do Rio, formou-se em música, na Universidade Batista de Ouachita, com bacharelado em Educação Musical e no Seminário Teológico Batista do Sudoeste, com mestrado em Música. Casado com Shannon foram morar no Texas, onde estudou em Fort Worth. Foi ministro de música em Dallas, mas sentindo chamada de Deus para missões, vieram para o Brasil, pela mesma Junta que enviou os seus pais e irmã, a Alana. Foram trabalhar na Bahia, onde organizou o departamento de música da Convenção Batista da Bahia. Eu vi este seu trabalho, estava lá no acampamento da Convenção, como palestrante. O evento foi muito bom e é comentado até hoje entre os músicos baianos. Transferido para a Alemanha, usou da mesma estratégia: organizou os músicos batistas alemães, e ajudou a plantar uma igreja na Bavária. Após oito anos, voltaram para os Estados Unidos, para ser ministro de música da PIB de Nova Orleans onde ficaram até o furacão Katrina. Carlos foi um plantador de igrejas por treze anos no Brasil e na Alemanha liderando e realizando conferências e workshops. Atuou na faculdade de música da University of Central Arkansas e como especialista em música e adoração na Convenção Batista do Estado de Arkansas de 2006 a 2010. Foi ministro de música no Texas, Louisiana e Arkansas. Atualmente está na Tallowood Baptist Church, Houston, Texas, EUA como pastor de música e adoração. Interessante como o caçula do casal Ichter tem um ministério semelhante ao do seu pai – além do pioneirismo, sempre organizando e estruturando a música por onde passa. O casal tem 3 filhos: Leslyn, Christian e Daniela e dois netos.

 

OS NETOS DO BILL E JERRY: São 10 netos e 16 bisnetos.
 


Seus netos são ativos e muitos já estão no ministério.
 

 ⦁    Um foi missionário na Itália pela Junta de Richmond e com os Atletas de Cristo durante 15 anos.
⦁    Outro foi técnico de futebol (brasileiro) e professor de Espanhol, em uma escola cristã, em Nairobi, Kenya e hoje é missionário em um país muçulmano;
⦁    Uma trabalhou em um Centro de adoção e hoje, junto com seu marido e filhos, é missionária na Itália. 
⦁    Um neto cursou seminário e participou de viagens missionárias para lugares como Índia, Korea, Equador, Canadá e Brasil e hoje tem doutorado em pedagogia e trabalha com jovens menos favorecidos. 
⦁    Um foi militar e hoje atua no campo médico como dosimetrista.
⦁    Outro serve a Deus como missionário em outra vila africana na tradução da Bíblia para aquele povo que não tem acesso à Palavra de Deus.
⦁    Uma neta é professora de música em uma escola, onde tem recebido vários prêmios pela excelência em ensino. 
⦁    Outro é ministro de música na igreja New Life, em Conway, Arkansas. 
⦁    Outra neta se forma na Baylor University, em 2020 em música. 
⦁    Outro neto, trabalha na área financeira em Dallas. 
                                     

Que vida abençoada, a do querido Bill Ichter.Trabalhou muito, investiu sua vida no Reino de Deus, fez muitos amigos, muitos discípulos, deixou saudade por onde andou e não perdeu a sua família. Deus seja louvado por ele e por toda a sua descendência. Graças Senhor por Jerry e Bill, pelo coração de servos submissos e pelo amor e carinho para o nosso povo brasileiro.  Ao nosso Deus e Pai amado a glória e a honra para sempre.
____________________________________________________________

Westh Ney Rodrigues Luz – Ministra de música, profª do Seminário do Sul (STBSB/FABAT), membro da Igreja Batista Itacuruçá, redatora da Revista de música Louvor e regente dos Coros feminino Cantares e masculino do Seminário do Sul/FABAT.


Bibliografia consultada:
•    Mulholland, Edith – Notas históricas do HCC. Rio de Janeiro: JUERP, 2001
•    Correspondência por e-mail, em outubro de 2008, entre Bill Ichter e autora do artigo.
•    Correspondência por e-mail com seus filhos Alana Ichter Greenwich e Carlos Ichter e com sua nora Janilda Ichter.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Hinódia Batista Brasileira: HISTÓRIA DO DEPARTAMENTO DE MÚSICA DA JUERP - 2 - 5

História do Departamento de música da JUERP, pelo olhar, autobiografia ou lembranças de Bill Icther - Parte  V

PUBLICAÇÕES

Uma das grandes lacunas que senti no início do Departamento de Música, que oficialmente começou em 1958, portanto, 50 anos atrás, foi na área de publicações. Existia pouca literatura coral. A coleção mais usada era “Coros Sacros,“ do irmão Arthur Lakschevitz, cujo primeiro volume saiu em 1950. A coletânea de Graça Cowsert - “Hinos de Louvor,” também publicada em 1950, foi utilizada pelos corais, bem como a coleção, “Antemas Celestes” de Alyna Muirhead. Algumas coleções do metodista Alberto Ream também foram de grande valor. Cheguei a usá-las com os corais com quem trabalhava.

A primeira publicação (1ª) do novo departamento foi “Antemas Corais,” uma coleção de músicas corais. Fiz questão, que, naquela primeira coleção, as músicas de alguns brasileiros fossem incluídas. A coleção tinha contribuições de Guilherme Loureiro, Carlos Zink, Heitor Argolo, e do pastor presbiteriano Renato Ribeiro dos Santos. A música deste continua sendo a mais linda com a qual se canta o Salmo 139.23. Parece que a música expressa exatamente o sentimento do Salmista.

Em vez de só publicar música coral, resolvi preencher lacunas na área de música para vozes masculinas, femininas, e infantis. Portanto, as próximas três publicações foram: “Cânticos Para Vozes Masculinas” (dedicado ao coro masculino do STBSB), “Cânticos Para Vozes Femininas” (dedicado ao Conjunto Feminino da Igreja Batista Itacuruçá), e uma cantata para coro infantil, “Eis A Estrela. Nestas primeiras duas coleções aparecem arranjos de Guilherme Barbosa e Antônio Coutinho. Este último labutou fielmente ao meu lado durante quase todo o meu tempo no Departamento de Música. Passamos horas e horas usando uma máquina de escrever música, que utilizávamos no preparo das músicas para a publicação. Esta máquina preparava os pentagramas, os símbolos musicais, e as notas musicais. Depois vinha o trabalho de imprimir as letras e meticulosamente colocá-las no lugar certinho abaixo das notas, sílaba por sílaba.

As próximas duas publicações foram dois livros traduzidos do inglês: “A Música na Bíblia” e “Hinódia Cristã.” Não vou anotar nesta história, todas as publicações do departamento, mas foram muitas. O Brasil Batista entrou numa nova área neste aspecto.

Mencionarei somente algumas por serem diferentes: “Prelúdios Para Piano,” de Edile Cavalcante; “Acordes Celestes,” (arranjos para acordeão) de Lauro Bernardes; “Prelúdios Para o Harmônio,” de Eliel Pereira da Silva; e “Música Dos Grandes Mestres em arranjos para harmônio.” Esta coletânea tinha mais de 70 anos quando foi encontrada na biblioteca duma família inglesa no bairro da Tijuca.

Além da coleção “Glória ao Justo” do Pastor Ricardo Pitrowsky que já mencionei, também publicamos em 1975,” Composições Sacras,” de Júlio de Oliveira, neto do venerado líder presbiteriano, Rev. Álvaro Reis. Júlio foi organista da Catedral Presbiteriana no Rio por 45 anos e foi levado prematuramente ao céu, com somente 59 anos de idade. Achávamos que estes compositores brasileiros mereciam ter as suas obras disponíveis para todo o povo evangélico.

Entre as muitas publicações de coleções corais e cantatas, publicamos hinários para duas grandes cruzadas evangelísticas - a memorável Primeira Campanha Nacional de Evangelização, e a Cruzada Evangelística Billy Graham, Grande Rio.

Talvez uma das nossas mais notáveis publicações fosse em 1977, quando publicamos “O Messias” de Handel. Desde a sua organização em 1958, sonhávamos publicar para os coros do Brasil uma obra clássica, de música sacra. Foi uma luta gigantesca; longas horas foram gastas em consultas, várias “performances” foram avaliadas, e muitas pessoas colaboraram. Sem a participação destas, não teria sido possível lançar esta obra, não somente para os Batistas, como também para o público geral. Montamos uma equipe “de peso” que parecia um verdadeiro “Who’s Who da Música Brasileira: Cleofe Person de Mattos, Elza Lakschevitz Assunção, Gláucia Vasconcelos Keidann, Anna Campelo Egger, Henriqueta Rosa Fernandes Braga, Hora Diniz Lopes, Rui Wanderley, Saulo Velasco e John Boyd Sutton. Contamos com a preciosa colaboração de uma capacitada equipe liderada pela Profa. Joan Sutton, então professora no Departamento de Música do STBSB. A Irmã Joan, filha dos missionários John e Prudence Riffey (1935 -1967), foi criada no Brasil e tinha o dom da tradução. O Departamento de Música muito deve a esta irmã pela sua valiosa colaboração em muitas publicações. Ela foi a coordenadora da comissão que preparou o Hinário Para O Culto Cristão e este hinário apresenta 52 contribuições dela: oito letras, uma metrificação, 36 traduções, e sete músicas.

Talvez a maior e mais duradora contribuição do departamento foi a apresentação à denominação, da 36a edição do Cantor Cristão. Nunca nos seus 80 anos o Cantor Cristão sofreu tantas modificações. Nesta edição, foram apresentadas juntas pela primeira vez a música junto com a letra revista por uma comissão composta dos irmãos Werner Kaschel, José dos Reis Pereira, e Mário Barreto França. Os hinos todos saíram com a sua ortografia atualizada. Muitas notas apagadas ou mesmo ilegíveis foram retocadas; novos termos musicais foram utilizados; em alguns casos de harmonia errada, a mesma foi corrigida; foram feitas harmonizações a quatro vozes em dois hinos que tinham apenas acompanhamento para piano, etc.

Estas modificações foram de grande relevância, porém discretas que poderiam ter escapado ao olhar menos arguto. Mas a nova e histórica edição, tinha modificações mais úteis e óbvias: novos cabeçalhos contendo farta documentação preencheram uma lacuna que muitos tinham sentido nas edições anteriores; índices novos e ampliados onde o pastor, o dirigente da música, o diretor de programas especiais e os interessados no assunto encontrariam uma riquíssima fonte de informações. Mais uma vez este trabalho foi o resultado do esforço de várias pessoas: a Profª Joan Sutton e os alunos do Curso de Música do STBSB; a minha vizinha e grande Hinóloga, Henriqueta Rosa Fernandes Braga com quem passei longas horas preparando o índice da métrica; e os jovens Antônio Azevedo Coutinho, e Ivo Augusto Seitz, funcionários do então Departamento de Música.

Os batistas brasileiros tiveram afinal, um hinário ao par dos grandes hinários evangélicos do mundo evangélico. No final do prefácio daquela edição, escrevi as seguintes palavras:

“Que o Cantor Cristão seja útil para o engrandecimento
do evangelho nesta grande nação brasileira.”

HINOLOGIA - Final_História do Departamento de música da JUERP, pelo olhar, autobiografia ou lembranças de Bill Ichter - parte final

Recordações Inesquecíveis

Permita-me, ao terminar este meio histórico, meio diário pessoal, de citar algumas recordações memoráveis dos meus 35 anos abençoadíssimos no Brasil:

1. As amizades e relacionamento com muitos pastores e obreiros. Líderes como Almir dos Santos Gonçalves, José dos Reis Pereira, João Filson Soren, Rubens Lopes, David Gomes, Nilson do Amaral Fanini, Fausto Aguiar de Vasconcelos, Irland Pereira de Azevedo, João Falcão Sobrinho, Antônio Lopes, os irmãos Tomé, Othon Ávila Amaral, Juarez Azevedo, João Carlos Linhares, Eurico de Sousa Freitas e muitos outros.

2. Durante toda a Campanha Nacional de Evangelização, tive o privilégio de dirigir o cântico para várias cruzadas, muitas vezes com mais de mil pessoas presentes. Foram experiências até gostosas, de dirigir o hino “Cristo A Única Esperança” cuja música foi de Nelson Mariante. Naquele tempo, somente três pessoas sabiam que era o meu pseudônimo. Uma experiência especialmente gratificante foi quando a Profa. Olívia Magalhães e outros brasileiros voltavam de Miami onde haviam assistido algumas reuniões da Aliança Batista Mundial. Jamais esquecerei das suas palavras: - “O nosso grupo foi à frente e cantamos ‘Cristo, A Única Esperança. Nós nos sentimos tão orgulhosos por ter cantado um hino nosso, com compositor e autor nosso.” Mal ela sabia que fui eu o compositor. Não disse nada, mas dei graças a Deus por ter tido aquela experiência.

3. Os coristas das grandes concentrações evangelísticas nos grandes estádios em várias cidades. Em uma destas, no Estádio Rei Pelé, em Maceió, dirigi os cânticos com um braço engessado; havia quebrado o braço naquele mesmo dia jogando uma pelada de futebol com vários pastores e obreiros, no acampamento batista em Paripueira.

Mas mui especialmente, eu me lembro do Grande Coral da Campanha Evangelística Billy Graham no Rio, em 1974. Este coral composto de 11. 500 coristas ainda hoje, de acordo com a palavra de Cliff Barrows, “foi o maior coral de todas as cruzadas de Billy Graham.” Ainda hoje, parece que posso me lembrar de 5.000 baixos e tenores cantando “Graça! Quão maravilhosa é a de Jesus, Como o firmamento, e sem fim.”

4. A minha chegada em Luanda, Angola (em plena guerra civil), sendo recebido ao sair do terminal do aeroporto por um coro masculino da Igreja Batista Central de Luanda, entoando o coro “Aleluia” do Messias.


5. As quatro igrejas onde fomos membros: Cambuí de Campinas, Itacuruçá, PIB de Copacabana, e Grajaú, sendo estas últimas três na cidade do Rio. Os pastores destas igrejas muito contribuíram para o meu crescimento espiritual e o da minha família. Os conjuntos corais destas igrejas nos providenciaram incontáveis bênçãos que ainda hoje são fonte de inspiração. Os meus pastores foram: Ernani de Sousa Freitas, Ilgonis Janait, W. E. Allen, Hélcio da Silva Lessa, Joélcio Rodrigues Barreto, Walter Wedeman, Manuel Augusto Sales Figueira, Nivaldo Cavalari e Gilson Bifano. Por três vezes liderei a Igreja Batista de Copacabana, junto com o irmão Pastor Lincoln Proença Filho, como interino.

6. Deixei por último, uma grande recordação que não tem nada a ver com a música. Nos últimos dez anos no Brasil tive o elevadíssimo privilégio de trabalhar ao lado do Pastor Waldemiro Tymchak, um dos maiores, (se não o maior) líderes missionários do mundo. Também me considero um homem muito abençoado por ter tido a oportunidade de trabalhar lado a lado com os nossos missionários da JMM.

Se é verdade o provérbio “É rico aquele que tem amigos,” eu me sinto como um verdadeiro bilionário.

Dou mil graças a Deus pelos 35 anos mais abençoados da minha vida.

Soli Deo Gloria

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Hinódia Batista Brasileira: HISTÓRIA DO DEPARTAMENTO DE MÚSICA DA JUERP - 1


Aqui neste Blog estarão registradas a História deste Departamento de música da JUERP - divididas em várias partes - que muito fez pela Música Sacra Batista Brasileira e também Evangélica em geral. Esta história está entrelaçada com a vida, com a biografia do missionário Bill Ichter - wichter@suddenlink.net

Neste mesmo blog, no http://blogdawesth.blogspot.com/search?q=bill+icther você poderá encontrar a história dele pesquisada por mim - Westh Ney Rodrigues Luz
Segue a história contada, narrada por William Harold Ichter - o Bill

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Departamento de música da JUERP

por William Harold Ichter

Parte I

Introdução


A minha chamada

Durante os anos de 1950-1953, eu estava servindo como Ministro de Música num grande e vibrante Igreja Batista na cidade de Baton Rouge, Estado de Louisiana. Comecei a sentir como a música estava sendo grandemente usada como um instrumento nas mãos de Deus para atrair pessoas para a pregação da Palavra de Deus, e prepará-las para a mesma. Verifiquei como a música também foi usada para o crescimento espiritual dos coristas. Do Coro Jovem daquela Igreja, nada menos de 10 jovens haviam entregado as suas vidas para o Ministério tanto da pregação da palavra, bem como no Ministério da Música. No meu coração, Deus colocou uma simples pergunta: “Se a música esta sendo usada tão grandemente em nossa igreja, será que não poderia ser igualmente usada no trabalho missionário no Exterior?”

Um dia, um pregador visitante falou sobre o trabalho missionário na Europa. De repente, comecei a sentir que Deus estava mexendo com a minha vida. Pensei que esta chamada poderia ser para Europa. Afinal, havia servido lá durante a Segunda Guerra Mundial, e tinha um razoável conhecimento do Alemão e Frances. Naquela hora de emoção, parecia uma clara Orientação Divina. Mas Deus age de maneiras misteriosas, e hoje dou mil graças a Deus por não ter aberto aquelas portas da Europa que EU estava tentando abrir. Ele tinha planos infinitamente melhores para mim. Apressei-me para entrar em contato com a Junta de Richmond. As minhas mãos tremiam quando falei que sentia a chamada para ser um missionário na Europa usando a música como instrumento principal no meu ministério. Mas o meu quase incontrolável entusiasmo recebeu uma ducha de água fria, pois fui informado polidamente que - “A Junta não tem nenhum pedido para um missionário com especialidade em música, nem na Europa, nem em qualquer outra parte do mundo. Se sentir-se chamado para a obra missionária, terá de fazer três anos de estudo teológico num seminário.”

Naquela época, estava casado com dois filhos, mas mesmo assim pedi demissão da igreja para entrar no Seminário. UM DIA DEPOIS, um Pastor me telefonou dizendo: - “Nos precisamos de um Ministro de Música, mas o irmão pode estudar no seminário. Temos uma casa para a sua família, e o irmão pode pegar um ônibus toda 3ªfeira as 04h30 da manhã, voltando 6ª feira à tarde. De sexta até terça o irmão pode dirigir cinco ensaios além da música nos cultos de domingo.”

Nenhuma vez durante aqueles três anos de estudo, a Junta tinha condições de me oferecer uma palavra encorajadora a respeito de uma oportunidade de trabalhar como um missionário na área da música, mas também em nenhum momento o meu desejo de ser um missionário se arrefeceu. Finalmente, somente uma semana antes da minha formatura do seminário, veio o primeiro raio de esperança: - “Chegou um pedido da Junta de Escolas Dominicais da Convenção Batista Brasileira, através da Missão Batista do Sul para alguém para organizar um Departamento de Música; e se tudo correr bem, os irmãos podem ser nomeados dentro de um ano.”


Os primeiros conhecimentos do Brasil
e
contatos com os brasileiros e a sua música.

Interessante como Deus opera! Eu não havia pensado no Brasil. Como muitos americanos, pouco sabia deste Gigante Adormecido, mas logo depois algumas noticias começaram a chamar minha atenção.

A primeira foi uma bela reportagem na Revista Time, sobre o sonho de um presidente brasileiro construir uma nova Capital no meio de um Planalto. Era uma idéia que chamou a atenção dos americanos. Na capa da Revista, estava estampada a foto deste grande sonhador. Foi o presidente Juscelino Kubitschek. Jamais me esqueci, que a Revista no intuito de “ajudar,” ensinou os leitores como pronunciar o nome Juscelino - Hooselino. Não somente não ajudou os leitores, com também mostrou o seu pouco conhecimento da língua portuguesa.

Mais tarde, fiquei empolgado lendo as palavras deste grande pioneiro quando no dia dois de outubro de 1956 na sua primeira visita ao ermo do Planalto, disse numa explosão de entusiasmo: - “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformara em cérebro das mais altas decisões Nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanha do meu país, e antevejo esta alvorada com Fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino.”Fiquei empolgado com o espírito deste grande sonhador que foi também um realizador. Estas palavras foram do Presidente do povo que Deus estava indicando para investir a minha vida e a da minha família. Mal sabia que mais tarde eu teria o privilegio de visitar aquele lugar de onde o presidente havia falado; e ainda mais teria o privilegio de dirigir um estudo de música que mais tarde resultou na organização do primeiro conjunto coral da nascente Igreja Batista Memorial.

Cada palavra que li sobre este país do meu destino, mais empolgado ficava, e mais grato a Deus, pois Ele sabia onde eu poderia desenvolver melhor o trabalho dos meus sonhos. Os meus primeiros dias no Brasil pude verificar o espírito do seu povo. Povo amigo, cordial e caloroso. Vi logo que não tinha outro país no mundo mais ideal para iniciar o meu trabalho. Não existia nenhum outro país onde um missionário querendo usar a música poderia ser recebido com maior entusiasmo, verificar resultados mais imediatos, e se sentir tão realizado.

Cheguei ao Brasil no dia 19 de setembro de 1956 e imediatamente iniciamos o nosso estudo da língua portuguesa numa pequena escola dirigido por ex-missionários da Igreja Presbiteriana. Foi gostoso pegar o bonde do nosso Bairro (Castelo) ate o centro da cidade.

Estava poucas semanas em Campinas quando conheci o regente do coro da Igreja que estávamos frequentando - a Igreja Batista de Cambuí, cujo pastor era Ernani Sousa Freitas, irmão do Eurico Sousa Freitas que mais tarde se tornaria um grande amigo meu. O nome do regente foi Darcili dos Santos. Naquelas alturas pouco sabia que ele estava dizendo, mas pensei que ele estava me estendendo um convite para cantar no Coral da Igreja. Se realmente foi isto ou não, apareci no próximo ensaio.

Quantas bênçãos recebi durante aquele ano! O coro era bem pequeno, mas muito bom. Eu me lembro como o irmão Darcili ensinou o coro Aleluia, de Handel. Não tivemos a partitura , mas ele levava separadamente os sopranos, contraltos, tenores e baixos para o pequeno harmônio e pacientemente ensinou aquela grande peça coral. Dou graças a Deus por tão boas experiências como membro daquele pequeno conjunto coral. Uma vez, até tomamos um trem para apresentar um concerto na Igreja Batista Zumbi na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Durante o meu ano em Campinas conheci o missionario João Tumblin cuja esposa estava estudando, pois ele era nascido no Brasil. Os missionários João e Frances Tumblin (que serviram no Norte do Brasil de 1922-1958), não precisavam estudar o portuquês. João me incentivou a aproveitar alguns cursos que a PUC estava oferecendo.

La fui eu apesar do fato que ainda não entendia tudo. Foi gostoso aproveitar a oportunidade de estudar vários cursos com os próprios autores. Ainda me lembro das palestras e dos seus preletores: Romance Brasileiro com Ligia Fagundes Teles, Hernani Donato, Raimundo de Menezes e Cassiano Nunes. A Música Folclórica do Brasil do musicólogo Rossini Tavares Lima e finalmente uma palestra sobre Música Concreta proferida pelo Prof. Diego Pacheco. (Mais tarde na minha vida missionária, fiz um curso de Regência Coral com o Maestro Isaac Karabtchevsky, sob cuja regência cantei varias vezes como membro da ACC - Associação de Canto Coral, dirigido por Cleofe Person Matos. Este coral foi um dos mais antigos do Brasil.

Dou graças a Deus por todos os meus professores durante o meu ano em Campinas. Um deles foi o grande obreiro Pr. Egidio Gioia. Cheguei mais tarde a escrever um artigo sobre este dedicado servo, na minha coluna Canto Musical em 24 de abril de 1966 (OJB), artigo que mais tarde fez parte do meu modesto livrinho - VULTOS DA MÚSICA EVANGELICA NO BRASIL.

Sou especialmente grato por uma professora D. Nelsie Mariante. Ela tinha a reputação de ser ‘durona.” Tivemos vários professores durante aquele ano. Eu me lembro quando um aluno havia chegado a um ponto razoável no seu estudo e alguns disseram,: - “Mas o senhor fala bem o português - bem PARA UM AMERICANO.” Ela não. O seu desejo era que o aluno falasse COMO UM BRASILEIRO. Que eu saiba somente um dos seus alunos chegou a este ponto, sendo este, o Pastor Malcolm Tolbert que atuou em São Paulo e Belém. Ate hoje mantenho contato com aquela professora, através de cartas e telefonemas.

Infelizmente o período que tinha para estudar a língua de Camões estava terminando, um ano de estudo que era suficiente para mostrar, não o que aprendi, mas sim o muito que ainda não havia aprendido. Chegou a hora para começar o trabalho para o qual havia sido convidado.

continua...