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quarta-feira, 12 de julho de 2023

CULTO (I)

                                                                                                 Profa. Westh Ney Rodrigues Luz

 Os que experimentaram o encontro com Cristo e nasceram de novo – não da carne, mas do Espírito – de maneira natural se curvam e se prostram ao maior milagre que é mudança de mente (metanóia). Quando a mudança acontece não queremos que nada nos afaste do desejo de ser sermos submissos ao Criador que nos ama e provoca esse encontro. Não desejamos que nada nos afaste do nosso amor em ação à Deus e aos homens. A mudança que ocorre do encontro com o Eterno, com Cristo, o Redentor, se dá por intermédio do Santo Espírito que toca o mais profundo da nossa alma, nos inquieta e nos faz rejeitar o que não seja puro e nem santo. No encontro com o Eterno, percebemos que estamos diante da mais inexplicável, difícil, misteriosa e significativa experiência. Encontro com o Poderoso, Onipotente, Onisciente, Digno, Justo e Senhor. Encontro com a Água da vida, com o Salvador, o Redentor, o Amigo, o Mestre, o Rei Jesus. Encontro com o sábio Conselheiro, com o Ajudador, com o nosso Guia e Consolador – o Santo Espírito que nos orienta e anima, fazendo que em meio às lutas desta vida saibamos que não estamos órfãos.

Percebemos nessa experiência, que somos atraídos pelo amor de Deus e que nossa resposta depende dessa percepção, como cita o teólogo [1]Nikos Nissiotis, p.17: “O culto não é primordialmente iniciativa do ser humano, mas ato redentor de Deus em Cristo por meio do seu Espírito”. 

 Não estamos falando de culto nos templos. Estamos falando do desejo que a alma tem de se conectar com seu Criador, quando percebe seu amor, não está restrito a um local ou formato.

 

“O culto no templo é apenas um tipo de culto, não o único. Culto é para ser prestado em casa, na rua, no trabalho, onde não é possível vivenciar um cerimonial. A religião deve ajudar o crente em seu culto, não atrapalhá-lo. O templo deve concentrar os que cultuam, mas não ser tido como o único lugar para a adoração”. (prof. Pr. BELO AZEVEDO, 2019[2]


  
Culto é na realidade o encontro do homem com Deus! Culto coletivo é o encontro deste homem com Deus e com seu próximo. O que é culto para você?
 
Paul Hoon, Peter Brunner, George Florovsky, Evelyn Underhill e Nikos Nissiotis [3] falam do culto como auto revelação de Deus (revelação e resposta), como uma estrada de mão dupla, por que é a sua graça e seu amor que evocam a nossa entrega a Deus. Resumindo – qualquer que seja o culto, será sempre a resposta da criatura ao Eterno. E precisamos entender que Ele se doa e ainda nos instiga à uma resposta de forma natural. A revelação de Deus se dá por meio de Jesus Cristo e nós respondemos a ele também por meio de Jesus. E como respondemos? Com tudo que somos e fazemos, com emoções, orações, ações e palavras.

Pode ser que esteja acontecendo em alguns ajuntamentos dominicais algo que esteja possibilitando a não percepção da importância do culto. Coloco aqui algumas indagações para nos levar à uma reflexão:

 

Para quem é o culto? Quem vai receber adoração e louvor? Como vamos fazer para que todos que chegarem ao encontro dominical, percebam a importância do ajuntamento que deve ser “um ajuntamento solene”? Qual a importância e relevância de todos que participam no culto? Será que todos entendem os seus papéis?

Em muitas ocasiões, percebemos que alguns cultos têm se transformado em momentos de entretenimento, de uma alegria exacerbada, sem sentido e fabricada, à procura de uma catarse coletiva ou qualquer outra coisa, menos estar ajoelhado diante do Senhor, rasgando seus corações e almas diante de tão grande amor.

Penso que o que tem acontecido é o desvio na motivação que percebemos em muitos cultos, que equivocadamente, nos levam a desviar nosso olhar da majestade e do amor irresistível de Deus que nos atrai. Parece ser fruto, talvez, de um consumismo exagerado, uma agitação sem sentido, um modelo de vida descartável que se reflete na criação de um estilo de vida de muitos.

 

Sei que essas perguntas nos instigam a uma reflexão e não a faremos agora. Mas, pense e reflita. É assim que fazemos no Seminário do Sul. Estudamos culto à luz da Palavra de Deus e dos grandes pensadores – homens e mulheres – que têm nos seus estudos e explanações teológicas pensado sobre esse momento importante do grande ENCONTRO do homem com Deus na sua comunidade, no seu lar, no seu quarto, no seu coração.

 

Tenho meditado e me debruçado sobre esse assunto que move o meu coração e talvez você já tenha lido algo como o que estou escrevendo agora. Não é que eu seja repetitiva, é que entendo que não posso perder de vista o porquê de estarmos diante do Eterno cultuando.

 

Deus, nosso Pai eterno, nos atrai com seu amor e nós, pecadores, mortais e sujeitos a toda sorte de enganos temos o privilégio de sermos acolhidos na sua doce e santa presença.

Um privilégio, uma honra.

Seja Deus louvado eternamente!

..

Fortaleza. Ceará, 11/07/2023

Escrito para o site de música do Seminário do Sul/STBSB.



[1] WHITE, James, p. 17, 1997.

[3] WHITE, James, p. 16-18, 1997.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

A MÚSICA E O MÚSICO BATISTA NOS 150 ANOS DA DENOMINAÇÃO NO BRASIL

 Westh Ney Rodrigues Luz, set|2021


“A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.” (Colossenses 3.16).


                 Quando os irmãos americanos chegaram em Santa Bárbara do Oeste, SP, trouxeram a fé e também sua arte e cultura. Há referência nos documentos citados pela historiadora Betty Antunes de Oliveira de três pianos, sendo um de mesa além de um harmônio portátil e inclusive um curso de piano por correspondência. Talvez cantassem em coro, pois inclusive pediram que lhes fossem enviados hinários com música. Entre os hinários, há um destaque para um com partituras para três e quatro vozes separadas. Com eles trouxeram suas canções de fé, folclóricas, infantis, de amor etc.


              Posteriormente recebemos missionários desejosos de ganharem a pátria para Cristo e de fortalecer a fé nos corações, além de conforto e esperança. Começaram a construir uma hinódia com traduções, versões e poesias que se tornaram hinos. Proliferaram quartetos, trios, solos, coros pelo país nos centros por onde passaram nossos missionários pioneiros, com seus harmônios portáteis.


             Nosso primeiro hinário foi o Cantor Cristão, e que está fazendo 130 anos (2021) e com 37 edições (581 hinos). A 1ª edição surgiu em 1891 com apenas 16 hinos compilados por Salomão Ginsburg. 


           Com a criação dos Seminários Teológicos Batistas do Norte (1960), do Sul (1963) e Equatorial (1990), surgem o preparo aos vocacionados músicos com curso livre preparando pessoas para servirem às igrejas batistas e outras denominações protestantes, exercendo o ministério de música nas igrejas. Em cerca de 60 anos de ensino, nossos seminários já entregaram centenas de formandos que estão no país e no mundo servindo por meio da ferramenta música com práticas pedagógico-musicais nas igrejas, ensinando em projetos sociais e em escolas livres de música. Atualmente, com o credenciamento do STBNB e STBSB junto ao MEC, é ampliado o leque da atuação dos músicos cristãos, batistas e vocacionados lecionando e testemunhando em escolas.


            Foi organizada a AMBB – Associação dos Músicos Batistas do Brasil (1982), que deu continuidade às clínicas e seminários de música nas igrejas, realizados pelos nossos pioneiros músicos, missionários, professores e alunos dos seminários. Há também, associações regionais que cumprem o mesmo papel dando assistência mais direta ao músico. Temos centenas de coros pelo país e muitas orquestras e bandas. Em 1984, foi criado o documento “Fundamentos filosóficos e bíblicos para a música sacra” e as bases da construção para um novo hinário que foi lançado em 1991 – Hinário para o Culto Cristão (HCC) com 611 hinos.  


           Hoje temos presenciado músicos e compositores maduros, conscientes da missão de equilibrar cânticos, hinos e salmos para a edificação da igreja de Cristo no tempo que se chama hoje.

*Texto para a *Revista Batistas SP* por ocasião dos 150 anos dos Batistas no Brasil, a pedido de Tânia Kammer.





sábado, 4 de abril de 2020

CULTOS NOS LARES (CULTO DOMÉSTICO)

                                              Westh Ney Rodrigues Luz
 

INTRODUÇÃO   
                 
 “O Culto Cristão é primordial e essencialmente um ato de louvor e adoração, que também implica grato reconhecimento pelo amor abrangente e bondade redentora de Deus.” (teólogo Florovsky)

Não deixemos que o culto que prestamos ao Senhor seja ele no lar (doméstico) ou no templo e que chamamos de culto coletivo, comum ou público nos desvie do sentido mais importante que é a glorificação e exaltação do nosso Pai amado, da alegria e certeza da redenção em Cristo e da doce presença do Espírito Santo presente sempre como ajudador e consolador.

Somos igreja de Cristo, e nossos cultos precisam ser cristocêntricos. Ao escolhermos hinos ou canções, textos bíblicos não nos esqueçamos de honrar nosso Rei e Salvador Jesus e de lermos e ouvirmos suas palavras. Também não nos esqueçamos que o Culto Cristão acontece quando Deus se revela a nós em Jesus Cristo e evoca a nossa resposta como seres humanos. É uma via de mão dupla. Deus se revela a nós por Jesus e nós respondemos também por meio de Jesus usando várias palavras, atos e emoções. Falemos nos nossos cultos, cultuemos, da melhor forma que todos possam entender. Não esqueçamos nos cultos de relembrar sempre a história da salvação. Relembre que aconteceu e ainda acontece dentro do plano do nosso Deus, pois na plenitude dos tempos, Ele enviou seu filho e, hoje, o seu Santo Espírito nos guia e nos ajuda em toda a verdade, nos ensina a orar, a louvar e a enxugar nossas lágrimas.

Vamos conversar sobre  a importância dos cultos e devocionais pessoais nos lares. Tudo deve ser examinado pensando no seu lar e nas pessoas que participarão dos mesmos. Há dicas e sugestões para lares com crianças, lares sem crianças, pessoas que vivem sozinhas, meu testemunho pessoal e pequeno roteiro trazendo uma forma, sequência, liturgia ou ordem. Tudo pode e deve ser adaptado. 



I - LARES COM CRIANÇAS


 A Bíblia diz em Salmos 127.3, que nossos filhos são herança da parte do Senhor. Sim. Nossos filhos não são nossa propriedade. Recebi de Deus esta grande bênção, que é ter um filho. Com a festa, vem a responsabilidade pela proteção, ensino, alimento, vestimenta, educação etc. E ainda, como mãe cristã - pais ou qualquer outro familiar responsável - precisamos ajudá-las a terem o encontro mais importante da vida - o encontro com Cristo.

Não espere a vida melhorar para você encontrar mais tempo para cuidar do desenvolvimento da vida com Deus na sua família. Isto poderá nunca acontecer. Você pode perder esta oportunidade. Em um piscar de olhos, elas crescem.

Não delegue para outros a oportunidade única, especial e nem sempre fácil de ensinar seus filhos a dependerem totalmente de Deus. Precisamos prepará-los para a vida. Alguns pensam que vida se resume em escola, aulas de idioma, natação, ginástica moderna, rítmica, aulas de violino, piano, judô, crochê, arte culinária. Tudo isso é muito válido, mas o mais importante, o preparo espiritual, e não deve ser relegado.

Alguns responsáveis pensam que se as crianças estão socadas na igreja o tempo todo, a sua parte, o seu compromisso nesta área já está de bom tamanho. Grande engano. Não tem como terceirizar o crescimento espiritual de nossos filhos. O que você faz, diz, ensina, compartilha em casa é que vai ser forte e decisivo para ajudar seu filho a ter comunhão com Deus. Esta fé vivida e experimentada é que dará suporte aos nossos filhos para encarar os desafios, decepções ou tragédias da vida. Não se iluda. Elas virão. Será que seus filhos, e seu Lar estão preparados para o dia difícil? A nossa Fé em Deus, precisa ser real, autêntica, significativa e forte, pois irá nos valer nos momentos cruciais e decisivos.

Não basta só ensinar histórias bíblicas, pois os personagens que ali são retratados parecem demais conosco. Conte para eles como Deus tem abençoado a sua família. Conte os milagres que diariamente a família tem experimentado e recebido do Senhor. As histórias verdadeiras, reais dos avós, pais e responsáveis marcarão sensivelmente a vida das crianças.

II - TESTEMUNHO PESSOAL

Aprendi muito sobre história de grandes heróis da Fé e textos bíblicos importantes na organização para meninas da denominação Batista – Mensageiras do Rei – e nas devocionais do Culto doméstico. Aprendi a confiar e depender de Deus em casa, com minha mãe nesses momentos, nem sempre tão cheios de paz e tranquilos desses cultos diários em nossa casa. Aprendi a depender de Deus quando nos ajoelhávamos mesmo pequenas orando pela nossa irmã caçula que tinha sérios problemas de bronquite. Ali aprendemos a confiar e depender de Deus.

Quando crianças – quatro meninas –, para nosso desespero, às vezes mamãe chamava na melhor hora das brincadeiras para o culto doméstico. Minha mãe lia a meditação da Revista Manancial, cantávamos um ou dois hinos e orávamos. A oração da minha mãe era muito, muito grande. Ficávamos cansados e às vezes uma de nós orava para acabar logo. Fomos crescendo e mudando algumas coisas na estrutura do culto.

Em outra época, usávamos a caixinha de promessas. Essa caixinha ainda é vendida em lojas de artigos religiosos. Ali só tinha promessa e textos bíblicos de encorajamento e ânimo. Só texto positivo. As menores que não sabiam ler não sabiam desse pormenor. Era engraçado, pois as mais velhas tiravam alguns versículos da caixa e liam para os menores. Nem sempre líamos o correto (risos). Trocávamos os versículos só para implicar. Aquele momento era hilariante e o mais usado era Provérbios 6.6 – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio”.  Guardo grandes recordações delas rindo e resmungando. Eram momentos agradáveis.

O hino mais cantado era o 162CC (386HCC), Vigiar e orar, de autor desconhecido. Esse hino nunca saiu da minha mente e da minha memória afetivo-emocional com uma mensagem de tão grande significação e ensinamento. Minha mãe, Elcy Rodrigues, foi muito feliz em escolher este hino como o oficial da nossa família. Meu pai não era crente e nunca participou destes momentos. Que pena.

 
1. Bem de manhã, embora o céu sereno/pareça um dia calmo anunciar, vigia e ora: o coração pequeno/ um temporal pode enfrentar!

Estribilho: Bem de manhã, e sem cessar, / vigiar, sim, e orar!

2. Ao meio dia, quando sons e brados/ abafam mais de Deus a voz de amor, ao Salvador entrega os teus cuidados / e vive em paz com o Senhor!

3. Do dia ao fim, após os teus lidares, / relembra as bênçãos do celeste amor e conta a Deus prazeres e pesares, / deixando em suas mãos a dor!

4. E, se cessar, vigia a cada instante, / que o inimigo ataca sem parar! Só com Jesus, em comunhão constante/ tu podes sempre triunfar.


Vejam, mesmo que mais nada fosse dito, só este hino por si mesmo diz tudo. Durante alguns momentos do dia, na hora do sufoco, sempre foi impossível não pensar em algumas das estrofes. Já embalei meus filhos com este hino e ao ninar meu neto Gustavo, recém-nascido, hoje com 14 anos, me peguei na ocasião, cantando o velho hino do culto doméstico da minha infância.

Não consegui fazer dessa forma ou maneira, usando esse formato de culto com meus filhos. A época e as circunstâncias eram outras. Também a obrigatoriedade e algumas falas da minha mãe nesses momentos de culto deixaram marcas negativas, como, por exemplo, usar o texto bíblico para castigar ou “bater”, ou enfiar goela abaixo os seus conceitos nem sempre tão fiéis à Palavra. Alguns desses conceitos eram pra dominar e criar um ambiente de culpa e medo, dirigindo e/ou formando a nossa “religiosidade”. Não era por mal. Era o que sabia fazer no desespero de criar 4 filhas, meu pai não era tão presente, e ela a responsável, praticamente sozinha no Rio de Janeiro. Também era o conceito ou modelo da época.

Almoçávamos todos juntos. Essa era a nossa refeição mais importante. Ali conversávamos sobre tudo e afinávamos nossa comunhão e direcionamento familiar. Em todas as refeições orávamos, inclusive as crianças. Ali aprendiam sobre como orar juntos e as crianças também oravam. Toda segunda era dia de comentar o que viram e ouviram na igreja. Era interessante.

Todas as noites ia até o quarto deles e orava na cabeça dos meus filhos, recitando algum versículo. Na casa espalhava um versículo em cada lugar estratégico. Colava versículos no banheiro, nas portas, no beliche. Frequentar a Escola Bíblica dominical e também os cultos eram assuntos inegociáveis. Hoje são líderes em suas igrejas e lares. Um deles é pastor.


III.    FORMA, SEQUÊNCIA, LITURGIA OU ORDEM


1.    Abertura do culto
– um cântico anunciando o culto. Se os familiares não tocam colocar um vídeo ou CD com uma canção religiosa.


2.    Conversa inicial - leve e informal sobre as novidades do dia. Alguns chegam cansados do trabalho ou estudo, alguns estão com um mal estar, etc. Pode ser um momento de saudação e comunhão.


3.    Oração de adoração ao Senhor

 
4.    TEMPO DE CANTAR – cantem hinos ou cânticos conhecidos sugeridos pela família. Nada muito longo. Podem cantar sem instrumentos ou tocados por todos, se a família tem instrumentistas. Se tiverem crianças pequenas, façam chocalhos com dois recipientes de iogurte com feijão ou arroz dentro e ligados por uma fita crepe.


5.    TEMPO PARA LER A BÍBLIA, A PALAVRA DE DEUS - todos os membros da família podem ler um pequeno texto, dividindo os versículos.


6.    TEMPO PARA MEDITAR PALAVRA DE DEUS – podem usar algum diário de devocional com uma pequena história e aplicação.


7.    TEMPO PARA DECORAR A PALAVRA – cada membro da família cita seu versículo preferido, ou todos decoram um versículo novo de acordo com a meditação acima.


8.    Oração de Intercessão – orando pelos familiares, amigos, missionários, enfermos, país e mundo, etc.


9.    TEMPO DE ABRIR O CORAÇÃO - pode ser um testemunho, um pedido de perdão, um momento de confissão. Pode ser também o compartilhar de decisões despertadas durante o culto.


10Canto final e/ ou apenas a oração final de agradecimento/gratidão/ações de graça. Em cada culto devemos agradecer ao Senhor pelos seus feitos poderosos, pela salvação em Cristo Jesus e pela certeza de que seu Santo Espírito nos guia na verdade e no consolo. Além do exame de nós mesmos, sendo somos desafiados para sermos relevantes para Deus, nossa família e mundo em que vivemos. Oremos agradecendo pela casa, pela cama, pelo alimento. testemunhos e compartilhamento

RESUMINDO:

 
1.    Marque um horário e local da casa para o culto. Exemplo: Sexta, 19h30, na varandinha ou na sala de estar, ou no quarto... Decidam e comuniquem se será semanal ou diário.


2.   Cultos leves, participativos. Nada de broncas usando a Palavra de Deus como indiretas para os membros da família. Não é hora para lição de moral.


3.   Deixe que os familiares se expressem. Deixe os filhos falarem.


4.   Deixe que todos possam orar, ler a Bíblia, etc. Nada de textos muito longos e nem discussão teológica sem fim. É um momento devocional.


5.   Lembre-se que estão criando uma tradição que marcará as vidas do seu cônjuge e filhos e demais familiares para sempre. Para o bem ou para o mal, dependendo do nível de estresse que poderá provocar com discussões, broncas e indiretas...


6.  A estrutura ou ordem que enviei acima pode ser alterada segundo as necessidades da família, no momento presente ou especial que estão passando. Muitas vezes algo ou alguma parte pode ser suprimida e outras acrescentadas.

IV – CASAIS SEM FILHOS
 
Se a família é composta só de adultos sem filhos, usem o mesmo esquema acima fazendo adaptações. Pode ser o vídeo de uma pregação para assistirem juntos e depois orarem intercedendo pelos familiares, amigos e o mundo. Se não querem cantar, não o façam. Tenham sempre em casa um período para que algumas músicas religiosas possam ser ouvidas e compartilhadas.

Uma ideia interessante seria o casal escolher um livro interessante e lerem juntos só nesse momento. Cada encontro um capítulo. Esse livro seria só para este momento do encontro devocional do casal.

V – E OS SOZINHOS?


Alguém me perguntou: – E os solteiros que moram sozinhos, como farão? Todo cristão, disciplinado, faz sua meditação diária, que muitos chamam de A sós com Deus ou Hora silenciosa. Esse é um culto individual, assim eu penso.

Tenho uma amiga, musicista, que lê a Palavra e um livro de meditações com histórias de hinos. Canta o hino e ora. Ela está em um relacionamento com Deus, mas penso que ainda está com as pessoas, mesmo sendo só ela e Deus no seu quarto. Quando ora intercede por outros familiares, amigos ou outra necessidade que os membros da sua igreja estejam passando. Ora por missões e outros assuntos envolvendo pessoas. Então ela está cultuando e dentro da definição que gosto de citar: Culto cristão é o encontro do homem com Deus e o outro, e a comunidade.      

CONCLUINDO


Bem, orem e encontrem o formato que melhor se adeque à realidade familiar. Sejam sinceros verdadeiros. Deus os guiará nesse empreendimento – o crescimento da família no conhecimento e partilha das suas emoções juntos, diante do Senhor.

O que vai valer na realidade é a sua comunhão com Deus, que vai servir de exemplo para seus filhos e sua família. Bem, criatividade ajudará muito.

Queridos, Deus pode capacitar cada um de nós e completar as nossas falhas.

_______________________________
Westh Ney Rodrigues Luz - profª no Seminário do Sul – STBSB, lecionando Liturgia (culto), História da música e Gestão de música eclesiástica e regente do coro masculino. Redatora da revista de música Louvor da editora Convicção da CBB e membro da Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio/RJ onde é regente do Coro feminino Cantares. Mãe de João Marcos Rodrigues Seabra e Felipe Rodrigues Seabra.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

MÚSICA NA IGREJA É ARTE FUNCIONAL - PENSANDO EM COROS


                                                                                                         Westh Ney Rodrigues Luz, 2019

          
“A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.” (Colossenses 3.16).

Música na igreja é arte funcional. Não é arte pela arte simplesmente. É cantar a Palavra alcançando os corações com os textos bíblicos ou poéticos que servirão para reafirmar princípios bíblicos ou doutrinas fixando na memória a mensagem falada. Música na igreja serve para consolar, edificar e ensinar. Música na igreja é ministério. Nos cultos temos música instrumental como bandas, orquestras, duos, trios, solos em processional, prelúdios, poslúdio, recessional, interlúdios. Temos música vocal como solos, duetos, trios, quartetos e coros em grupos de diversas faixas etárias.

O coro não existe para enfeitar, apresentar hinos “especiais” ou divertir. A música vocal por meio do grupo coro deve ser a expressão da igreja nos momentos de culto. O coro na igreja tem pelo menos duas grandes importantes funções: profeta e sacerdote. Quando o coro canta hinos de adoração, louvor, confissão e consagração com textos em forma de oração, ele é intérprete do povo, como no Antigo Testamento. O sacerdote (o coro) leva até o Senhor Deus as orações do povo. A congregação precisa saber isso. O coro exerce a função profética quando canta hinos, que seriam como uma interpretação da Palavra de Deus. São os hinos de exortação, desafios, apelos e ensino. Quando um coro na igreja compreende estas duas funções, o comportamento, as atitudes, a responsabilidade, o amor e a dedicação se farão presentes. A congregação não mais ficará como espectadora, mas absorverá cada palavra, cada texto, orando junto, entendendo a Palavra e aplicando as verdades cristãs para o cotidiano de suas vidas. O coro durante o culto, ora e intercede pela vida de cada visitante – principalmente se ele está localizado de frente para a congregação e consegue visualizar todos que chegam para o culto. Ele está na igreja para ser um apoiador da congregação, para sustentar e dirigir o canto congregacional.

Quando se canta em um coro, um dos requisitos importantes é não deixar de ouvir a voz do outro, sob pena de uma sobressair mais que outra. Quando alguém canta mais forte destrói a harmonia do grupo e o canto deixa de ser homogêneo, equilibrado e ajustado. O integrante do coro compreende que ele deve cantar a sua parte e ao mesmo tempo ouvir o outro e  ele estará levando este princípio para a sua vida diária. Necessitamos ouvir o outro em sociedade, igreja, emprego ou família.

As pessoas procuram organizar um coro na igreja por todos os motivos acima relacionados e mais ainda pelo significado espiritual que dele flui. Um coro que se encontra regularmente para aperfeiçoar o louvor  ao Senhor precisa estar consciente da importância e grandeza deste ministério. A existência de vários desses grupos na igreja é de grande importância. Eles servem para integrar, edificar e expandir o Reino de Deus. Trabalham com sentimento, emoção e sensibilização. Pessoas podem encontrar por meio dos coros um canal para veicularem seus anseios e encontrarem um equilíbrio podendo desfrutar da bênção e ao mesmo tempo ser bênção para a vida da igreja.

Coro é uma experiência afetiva forte e carregada de significados. É uma experiência de desenvolvimento individual e coletivo atuando no crescimento intelectual e emocional do participante. Cantar no coro, além de uma atividade de integração, representa muito mais quando o grupo serve a um mesmo propósito. O coro precisa ser um organismo vivo para seus integrantes!

       Termino com uma pequena fala do reformador Lutero:
“Não quero que ninguém cante e entoe nada além de Cristo, no qual tão somente eu tenho tudo. Somente ele eu proclamo, apenas ele eu glorifico, pois ele se tornou minha salvação, isto é: minha vitória.” (Obras de Lutero 16. p.129)


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                       Westh Ney Rodrigues Luz, 2019 –– Ministra de música e prof.ª no 
Seminário do Sul/FABAT ; membro da Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio; redatora da Revista de Música Louvor, da CBB.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Hinódia Batista Brasileira: 5. Elza Lakschevitz (1933 - 2017)

                                                  por Westh Ney Rodrigues Luz, escrito em 2014 /maio de 2017.
 

Dados biográficos (uma parte) do boletim da liturgia do culto de gratidão (Igreja Batista Itacurucá) pela vida da querida de todos nós - Elza Lakschevitz.  Foi escrito por mim, sendo parte de uma monografia onde abordei sua vida, seus ensinos e parte de sua obra em 2014.

Elza Lakschevitz, carioca,  filha de Arthur Lakschevitz –  músico e professor leto – importante nos primórdios da música sacra evangélica no Brasil. Pianista, compositora, organista e regente formada pela Escola de Música da UFRJ, ex-professora e regente do Orfeão do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, da Escola de Música "Villa-Lobos", do IBER– Instituto Batista de Educação Religiosa e do STBSB - Seminário do Sul. Coordenou na FUNARTE, com o projeto Villa-Lobos um grande movimento coral no país, um marco.

Regente dos coros infantis – Curumins, do Theatro Municipal e do Coro Infantil do Rio de Janeiro. Regente de coros de igrejas, do Canto em Canto, da Associação de Canto Coral (ACC); diretora da Oficina Coral do Rio de Janeiro. Em 1988 recebeu da AMBB, o prêmio “Arthur Lakschevitz”. Em 2001, recebeu a medalha “Áster Artis” da Academia Evangélica de Letras do Rio de Janeiro.


Representou o Brasil como jurada de concursos internacionais de coros em geral e de coros infantis nos EUA e Europa, além de reger o Coro Infantil do Rio de Janeiro na Espanha e Portugal. Composições dedicadas para Elza, dos brasileiros Ronaldo Miranda, Vieira Brandão, Edino Krieger e Ernani Aguiar foram regidas e lançadas pela primeira vez no mundo musical por ela. Atuou em diversos cursos e congressos, com um expressivo trabalho reconhecido nacional e internacionalmente. Na Igreja Batista Itacuruçá, colaborou e formou um grande número de discípulos, criou coros (feminino, infantil, misto) criando belos arranjos e composições, deixando um legado para a música sacra evangélica no país com partituras editadas.

A vida da Elza fala por meio de todos que alcançaram seus ensinos, que tiveram oportunidade de cantar com ela, e que aprenderam sobre a arte dos detalhes com a mestra. Seus ensinos, direção, elegância, postura e esmero nos seus trabalhos estão marcados em todos nós, em toda a geração que aprendeu com ela e que com certeza fluirá de nós para os que alcançarmos.

No dia 16/08/08 aconteceu na Escola Nacional de Música da UFRJ a cerimônia de homenagem à professora Elza. Emocionante ver jovens que tinham sido seus coristas quando crianças, adultos que tinham sido seus jovens e que estavam ali para cantar juntos a música Cantares - letra de Valter Mariani e música de Ronaldo Miranda.

Elza – a esposa do Rui Xavier Assunção, a mãe do Eduardo e do Maurício, a avó da Sofia e Luiza, a sogra da Gisele deixa uma lacuna que nunca será preenchida, mas que deixará a marca da sua presença e amor entre eles e todos os familiares. Ela está nos braços do Pai. Ao Senhor Deus toda a glória!
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Posteriormente escreverei com mais detalhes.
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                                                                                      Westh Ney Rodrigues Luz, texto e foto (2008)

segunda-feira, 7 de março de 2016

Hinódia Batista Brasileira: 3. A hinista e mestra de todos nós, os músicos brasileiros! Joan Larie Sutton -

“O Cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferências, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã.” (Joan Sutton, 1991)


Joan Riffey Sutton Houston (26/07/1930 - 05/03/ 2016) 
Nasceu em Louisville, KY, EUA e em 1935 veio para o Brasil (com 5 anos) acompanhando seus pais que estavam sendo designados como missionários da Junta de Richmond - John e Esther Rifley -, e que serviram em oito estados do Brasil. Seu pai foi diretor do Curso por Extensão do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, de 1938 a 1954. Sua mãe, D. Esther além do trabalho na Igreja local no Rio foi também autora e compositora para crianças trabalhando no Curso de Obreiras (mais tarde IBER, hoje CIEM). Estudou nos Colégios Batistas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro até o 2º grau, voltando para os EUA para estudar Licenciatura em Violino e Bacharel em Letras e Literatura inglesa e francesa na Baylor University e Mestrado em Música Sacra no Seminário Teológico Batista do Sul dos EUA. 

Viúva bem jovem - com apenas um mês de casada com Stanley Johnson -, conheceu no curso de mestrado em Música Sacra o doce e amado prof. John Boyd Sutton (já nos braços do Pai) com quem ficou casada por 53 anos. Em 1959 volta para nosso país  como missionária, após três anos de trabalho com seu esposo na Carolina do Norte (Hendersonville). Filha de missionários, criada nas cercanias do STBSB, volta, em 1961 leciona música no STBSB e em 1963, junto com seu esposo iniciam o Curso de Música Sacra do Seminário do Sul. John Edwin (1954), Laura (1957) e Cecília (1960, nascida no Brasil), são os três filhos amados deste casal de /músicos/professores/missionários.

Edith Mulhond, no livro Notas Históricas do HCC (pág. 36) escreve: “Bem cedo revelou o seu talento musical. Desde os seis anos estudou piano, adicionando, depois, o violino. Em seu sermão oficial no VI Congresso Nacional da Associação dos Músicos Batistas do Brasil, realizado em Fortaleza, CE, D. Joana recordou a sua formação espiritual e musical. Realçou as suas experiências nos corais da sua igreja e escola, as capelas, os cultos, os orfeões. Sobretudo ela se lembrou dos hinos, que ajudaram a formar esta líder que mais tarde teria forte influência na música sacra brasileira”. 

Após 20 anos abençoados no STBSB, em 1983, seguiu para outro campo missionário no Sul do Brasil, onde prof. Boyd dirigiu o Departamento de música da Convenção Batista do Rio Grande do Sul. Lá, profª Joana continuou sua produção musical como tradutora e assessora de Música da JUERP. 

Muito cooperou com a AMBB – Associação de Músicos Batistas do Brasil e em 1987 foi designada pela CBB como a coordenadora do Projeto HCC – que não era só mais um hinário, mas um projeto com cinco volumes para o auxílio às Igrejas Batistas brasileiras para apoio e uso no Culto Cristão: Um Hinário com harmonização em vozes SCTB; um com Cifras para violão; um sem música e só com letra grandes; um facilitado com 80 hinos do HCC e com Notas Históricas sobre todos os hinos do HCC (autores, compositores, tradutores e arranjadores). Conviver com ela nas mesas lotadas de Hinários de diversos países e denominações, manuscritos, rascunhos, com sua disciplina, fé, perseverança e metodologia de trabalho foi uma pós-graduação para todos da Comissão do Projeto HCC.  Nós, seus alunos (ex), sentíamos grande orgulho de sentar com a mestra em volta da mesa de trabalho. Como aprendemos! Em Janeiro de 1991, entregou à denominação batista brasileira (CBB) o Hinário para o Culto Cristão, sendo oradora oficial nesta mesma Assembleia (72º) sobre “Adoração, Oração e Ação”.

Em outubro de 1992, o amado casal missionário, nossos professores da década de 70 e 80 (para quem estudou no STBSB), após trabalhar, servindo durante 33 anos no Brasil, voltou à sua terra natal, onde em 1993, o Prof. Boyd assumiu o Ministério de Música da Igreja Batista de Shaw Creek. Lá em Hendersonville, Carolina do Norte, EUA continuaram a exercer com dignidade o que sempre fizeram neste nosso país – Servir. Após grande enfermidade, o Senhor Deus chamou para si, para seus braços nosso amado professor Boyd. 

Joan Sutton – compositora/autora – e tradutora (músicas para coros e para o ensino de Canto) tem sido considerada por muitos estudiosos como dona de um vasto e importante patrimônio musical sacro no Brasil (e isto é comprovado no material que doou para a mesma Universidade que estudou, a Baylor University). Com todo seu material, - usado, criado e ensinado no Curso de Música do Seminário do Sul, no Rio de Janeiro – estão os manuscritos pessoais, partituras (arranjos musicais e composição), cantatas, papéis com anotações de aulas, materiais de ensino, coleções e outros itens por ela doado, foi então criado na Biblioteca da Universidade a Coleção de Música Sacra Brasileira. Esta homenagem que a Baylor University fez, nos EUA, foi no dia 28 de outubro de 2010, e na ocasião do jantar solene, o ex-missionário e pioneiro na Música Sacra no Brasil, – Bill Ichter – fez um discurso em homenagem à D. Joana, falando do Brasil. Perguntou Bill para D. Joana quanto tempo poderia dispor para falar e ela respondeu: “No máximo 5 minutos”. Impossível isto, mas esta é a Profª Joan - simples, humilde, direta e clara.

D. Joana, como nós brasileiros a chamavam, era perfeita como tradutora - seu excelente dom -, e de uma simplicidade na escrita impressionante, além do seu conhecimento, bem, acho que por isto mesmo era assim. O interessante na vida da professora é que não guardava para si o que sabia, mas prodigamente repartia.  Ela traduziu grandes obras como O Messias, de Handel; Elias e Cristus, de Mendelssohn; Réquiem, de Brahms, As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, de Dubois, Glória, de Poulenc e Oratório de Natal de Bach (1º cantata). Sua obra hinológica é vasta e está registrada em alguns hinários e também de forma avulsa. 

Também traduziu cantatas de Natal como Eis! A estrela (Graham) e Um menino nos nasceu (Williams); de Páscoa - Pela manhã vem a alegria (Danner); Missionárias -  Maior amor  e  Eu Vos Envio (Peterson) e Testemunho (Reynolds). Também cantata para adolescentes e jovens Escuta outra vez (Burroughs) e Boas novas (Oldenburg).  Celebração de Buryl Red, fez um sucesso nos anos 70 como um dos primeiros musicais feitos pelo país. Elas são dos anos 70 e foram publicadas pela JUERP.

No HCC temos 52 contribuições entre poesias, metrificação, músicas e traduções (33). “E Habitou entre nós” (SCTB) e “Presente de Natal” (infantil) são duas cantatas publicadas pela JUERP.  A “Trilogia da Vida”, dedicada ao Coro Jovem de Itacuruçá (Igreja batista no Rio) não foi publicada e entreguei os manuscritos que tinha em meus arquivos quando da homenagem em Baylor. Além da música vocal (coro, solo) ela escreveu para violino e piano. Aliás, lá na Coleção de Música Sacra Brasileira, em Baylor University, inaugurado por ela, estão todas as suas obras que valem uma busca minuciosa para registrarmos aqui no Brasil,  para conhecimento dos alunos de hinologia.

No Curso de Música do Seminário do Sul, ela foi a nossa querida professora de coros graduados, hinologia, contraponto, harmonia, composição, arranjo, tradução, forma e análise, violino, piano, órgão e foi também uma conselheira, uma mentora de quase todos que estão espalhados por este país na Educação e no Ministério de música. Muito dela está nos nossos corações, marcas em cada um que teve o privilégio de estudar com ela. Sempre muito exigente, mas também muito competente. Os que não estudaram com ela, receberam dos que tiveram este privilégio, o jeito firme de encarar a obra de Deus, o desejo de fazer um trabalho, bem feito e correto, a amabilidade, o sorriso suave, o esmero em procurar a excelência em tudo.  Uma americana de alma brasileira. 

Gostaria de lembrar um hino (480 HCC) de protesto que fez em 1965 – Seguir a Cristo não é sacrifício – no primeiro período de férias nos EUA.  Presente em grande assembléia ficava triste quando alguém ao abraçá-la dizia do sacrifício que sua família estava fazendo no campo missionário e em resposta, então ela compôs este hino em inglês e que foi traduzido em 1966. Foi o seu primeiro hino a ser publicado, entrando na Coletânea Vinde, Cantai (1980). Foi também o hino oficial da União Feminina Batista do Brasil em 1985. Diz ela: ”este hino expressa bem como sinto a chamada e a bênção suprema de obedecer a Deus. Gosto muito do estribilho.”  
Não nos promete honras nem riquezas,mas ele diz: Convosco eu estarei.Seguir a Cristo não é sacrifício,
         é triunfar com Deus, é ser feliz. (estrib. do hino 480)

Joan Sutton deixa entre nós a sua linda prole, sua especial família: Três filhos - John Edwin, Laura e Cecília. Cinco (5) netos, filhos do John Edwin: Leslie Sutton Lewis, Lora Lynn Sutton, John Ryan Sutton, Matthew William Sutton; e Samantha Lee Anne Floyd, filha da Laura. Deixa também dez (10) bisnetos: Alexis e Marcus Allison, Shelby, Peyton, e Annalynn Lewis, Madison, James, e William McSwain, e Ava e Grabriella Sutton. Em julho de 2013, aos 82 anos, casou com Reagan (Rick) Houston, e com este vieram também: uma filha Lynn Houston Baskett, duas netas: Heather e Holly Baskett; e um bisneto: Jameson Baskett.

Até 2014, Dona Joana (nós sempre a chamávamos assim) foi membro ativo dos Joy Singers – Cantores da Alegria - em Carolina Village, atuando na Capelania do Hospital e no Coro de Hendersonville. Seu filho John (Jes) Sutton escreveu: “... a vida dela é um exemplo do verdadeiro ministério de encorajamento. Ela tocou a vida de sua família, seus alunos, e amigos de uma tal forma que a influência dela vive através deles. A Deus seja a glória!”.

Os Cultos em Ação de Graças por sua vida foram realizados no dia 11/03/16 na Providence Baptist Church, Hendersonville e no dia 12/03/16 em Carolina Village, Hendersonville onde viveu por alguns anos e serviu ajudando e cantando no coro.

Gostaria que as gerações de hoje ou vindouras a tivessem conhecido, e por isso não quero perder a oportunidade de escrever e deixar registrada a minha gratidão e de tantos irmãos que conviveram com ela e que ainda hoje cantam seus hinos ou arranjos.

Ao Senhor seja a Glória e a honra por sua vida preciosa!
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Westh Ney Rodrigues Luz, profª da FABAT/ STBSB - Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, assessora da comissão executiva da AMBB, relatora da comissão de Assuntos, Base Bíblica e Organização do HCC e membro da Igreja Batista Itacuruçá, Rio ..............

 REFERÊNCIAS:
. MULHOLLAND, Edith Brock. Notas históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC): Rio de Janeiro: 
     JUERP, 2001
. Hinário para o Culto Cristão. Rio de Janeiro: JUERP, 1991 p.vii (apresentação)
. Dados fornecidos pelos filhos John Sutton (Jes) e Laura Sutton Floyd e  amigo Bill Ichter.