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quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Cristão sem sal e sem luz

                                                     João Marcos Rodrigues Seabra

Texto bíblico:
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês" – (Mateus 23.15)

Tenho me deparado com um novo tipo de cristão: aquele que foi ferido profundamente pela própria comunidade de fé. Pessoas que serviram com o coração, mas que, por experiências dolorosas, hoje se encontram distantes de Deus e, pior ainda, distantes do desejo de voltar.

O Brasil nunca teve tantos evangélicos, e nunca esteve tão distante dos caminhos de Deus. Onde está o sal que deveria curar a nação? A luz que deveria dissipar as trevas?

Ouvi sobre as igrejas empresa, onde a obra do Espírito Santo é trocada por metas de crescimento. Onde Jesus é tratado como produto, não como Salvador. Esses líderes estão matando a fé de homens e mulheres sinceros, e isso é motivo de grande tristeza para quem conhece a verdade do Evangelho.

Jesus já advertia: "Hipócritas!" Eles afastam as pessoas da fé, apresentando um Evangelho deturpado. E muitos acabam rejeitando o amor de Jesus, confundindo-o com mais do mesmo.

Ao nosso redor existem muitos assim, feridos, afastados, decepcionados. Precisamos restaurar essas pessoas, conduzindo-as a um encontro com o Jesus verdadeiro. Não com a instituição. Com Ele.
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Aplicação prática para hoje:

Pense em alguém que você conhece que foi ferido pela igreja e se afastou. Não para debater teologia, apenas para demonstrar que o amor de Jesus é real e diferente de tudo que essa pessoa experimentou. Um gesto simples pode ser o primeiro passo da restauração.
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Oração (use essa oração como ponto de partida para a sua)
Senhor Deus,
Meu coração se parte ao ver pessoas que foram feridas em seu nome. Perdoa os erros que foram cometidos dentro da sua Igreja. Restaura os que foram afastados, os que estão sem sal e sem luz. Faz de mim um instrumento de cura e restauração. Que eu apresente o Evangelho verdadeiro, com amor, com integridade e com o seu caráter. Que as pessoas ao meu redor conheçam o Jesus real.
Em nome de Jesus, amém.

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Cada devocional tem uma música autoral criada especialmente para ela — extraída das páginas do meu livro Meus Passos com Jesus e transformada em melodia para a sua alma.
Ao longo do dia, coloque para tocar e deixe a mensagem continuar trabalhando em você. São estilos variados, para cada momento e cada coração.

🎧 Ouça agora onde preferir:

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quarta-feira, 12 de julho de 2023

CULTO (I)

                                                                                                 Profa. Westh Ney Rodrigues Luz

 Os que experimentaram o encontro com Cristo e nasceram de novo – não da carne, mas do Espírito – de maneira natural se curvam e se prostram ao maior milagre que é mudança de mente (metanóia). Quando a mudança acontece não queremos que nada nos afaste do desejo de ser sermos submissos ao Criador que nos ama e provoca esse encontro. Não desejamos que nada nos afaste do nosso amor em ação à Deus e aos homens. A mudança que ocorre do encontro com o Eterno, com Cristo, o Redentor, se dá por intermédio do Santo Espírito que toca o mais profundo da nossa alma, nos inquieta e nos faz rejeitar o que não seja puro e nem santo. No encontro com o Eterno, percebemos que estamos diante da mais inexplicável, difícil, misteriosa e significativa experiência. Encontro com o Poderoso, Onipotente, Onisciente, Digno, Justo e Senhor. Encontro com a Água da vida, com o Salvador, o Redentor, o Amigo, o Mestre, o Rei Jesus. Encontro com o sábio Conselheiro, com o Ajudador, com o nosso Guia e Consolador – o Santo Espírito que nos orienta e anima, fazendo que em meio às lutas desta vida saibamos que não estamos órfãos.

Percebemos nessa experiência, que somos atraídos pelo amor de Deus e que nossa resposta depende dessa percepção, como cita o teólogo [1]Nikos Nissiotis, p.17: “O culto não é primordialmente iniciativa do ser humano, mas ato redentor de Deus em Cristo por meio do seu Espírito”. 

 Não estamos falando de culto nos templos. Estamos falando do desejo que a alma tem de se conectar com seu Criador, quando percebe seu amor, não está restrito a um local ou formato.

 

“O culto no templo é apenas um tipo de culto, não o único. Culto é para ser prestado em casa, na rua, no trabalho, onde não é possível vivenciar um cerimonial. A religião deve ajudar o crente em seu culto, não atrapalhá-lo. O templo deve concentrar os que cultuam, mas não ser tido como o único lugar para a adoração”. (prof. Pr. BELO AZEVEDO, 2019[2]


  
Culto é na realidade o encontro do homem com Deus! Culto coletivo é o encontro deste homem com Deus e com seu próximo. O que é culto para você?
 
Paul Hoon, Peter Brunner, George Florovsky, Evelyn Underhill e Nikos Nissiotis [3] falam do culto como auto revelação de Deus (revelação e resposta), como uma estrada de mão dupla, por que é a sua graça e seu amor que evocam a nossa entrega a Deus. Resumindo – qualquer que seja o culto, será sempre a resposta da criatura ao Eterno. E precisamos entender que Ele se doa e ainda nos instiga à uma resposta de forma natural. A revelação de Deus se dá por meio de Jesus Cristo e nós respondemos a ele também por meio de Jesus. E como respondemos? Com tudo que somos e fazemos, com emoções, orações, ações e palavras.

Pode ser que esteja acontecendo em alguns ajuntamentos dominicais algo que esteja possibilitando a não percepção da importância do culto. Coloco aqui algumas indagações para nos levar à uma reflexão:

 

Para quem é o culto? Quem vai receber adoração e louvor? Como vamos fazer para que todos que chegarem ao encontro dominical, percebam a importância do ajuntamento que deve ser “um ajuntamento solene”? Qual a importância e relevância de todos que participam no culto? Será que todos entendem os seus papéis?

Em muitas ocasiões, percebemos que alguns cultos têm se transformado em momentos de entretenimento, de uma alegria exacerbada, sem sentido e fabricada, à procura de uma catarse coletiva ou qualquer outra coisa, menos estar ajoelhado diante do Senhor, rasgando seus corações e almas diante de tão grande amor.

Penso que o que tem acontecido é o desvio na motivação que percebemos em muitos cultos, que equivocadamente, nos levam a desviar nosso olhar da majestade e do amor irresistível de Deus que nos atrai. Parece ser fruto, talvez, de um consumismo exagerado, uma agitação sem sentido, um modelo de vida descartável que se reflete na criação de um estilo de vida de muitos.

 

Sei que essas perguntas nos instigam a uma reflexão e não a faremos agora. Mas, pense e reflita. É assim que fazemos no Seminário do Sul. Estudamos culto à luz da Palavra de Deus e dos grandes pensadores – homens e mulheres – que têm nos seus estudos e explanações teológicas pensado sobre esse momento importante do grande ENCONTRO do homem com Deus na sua comunidade, no seu lar, no seu quarto, no seu coração.

 

Tenho meditado e me debruçado sobre esse assunto que move o meu coração e talvez você já tenha lido algo como o que estou escrevendo agora. Não é que eu seja repetitiva, é que entendo que não posso perder de vista o porquê de estarmos diante do Eterno cultuando.

 

Deus, nosso Pai eterno, nos atrai com seu amor e nós, pecadores, mortais e sujeitos a toda sorte de enganos temos o privilégio de sermos acolhidos na sua doce e santa presença.

Um privilégio, uma honra.

Seja Deus louvado eternamente!

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Fortaleza. Ceará, 11/07/2023

Escrito para o site de música do Seminário do Sul/STBSB.



[1] WHITE, James, p. 17, 1997.

[3] WHITE, James, p. 16-18, 1997.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Culto cantado - Hinos do Cantor Cristão

este culto foi elaborado pela MM Enaile Pereira, quando aluna do STBSB - Seminário do Sul usando as palavras de Cristo e hinos compostos ou traduzidos ou adaptados por Salomão Ginsburg. Foi realizado na capela dias 28/8/07 e 30/08/07
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PALAVRAS DE JESUS E O HINÁRIO CANTOR CRISTÃO

Processional, piano, adapt. CC 129 Bendita Luz (E. Hewitt/ Sweney)
Saudação

Leitura bíblica: Mateus 8.23,27; João 8.12
Dirigente: “Entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. De repente, uma violenta tempestade abateu-se sobre o mar, de forma que as ondas inundavam o barco. Jesus, porém, dormia. Os discípulos foram acordá-lo, clamando dizendo:
Homens: - Senhor, salva-nos! Vamos morrer!
Dirigente: Ele perguntou:
Mulheres: - Por que vocês estão com medo, homens de pequena fé?
Dirigente: Então Ele se levantou e repreendeu os ventos e o mar, e fez-se completa bonança. Os homens ficaram perplexos e perguntaram: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”
Todos: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

CC 129, adaptação - Bendita Luz (E. Hewitt/ Sweney)
HCC 318/406CC, trad. - Que alegria é crer em Cristo (Stead/Kirkpatrick)

Oração

Palavra sobre Salomão Ginsburg - seminarista Enaile P. de Souza

Leitura bíblica em uníssono: Mateus 16: 24,25
“Então Jesus disse aos seus discípulos: se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, encontrará”

CC 420, tradução - Servir alegremente (Crosby/Ira Sankey)
HCC 264, tradução - A mensagem do Senhor (William Ogden)
HCC 454/ 401CC, trad. - Eu sou de Jesus, aleluia! (Rowe/ Ackley)
HCC 456/487CC, trad. - Precioso é Jesus para mim! (Gabriel)
CC 337, duo Enaile e Hedelyn - Nada de desânimo (Martin/Gabriel)

Leitura bíblica: João 6. 5, 8,9, 10-a, 11, 12, 13-a.
Dirigente: “Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse a Filipe: Homens: - Onde compraremos pão para esse povo comer?
Mulheres: Outro discípulo, André, irmão de Simão Pedro, tomou a palavra: - Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente?
Dirigente: Disse Jesus: - Mandem o povo assentar-se. Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam, e fez o mesmo com os peixes. Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse aos discípulos: - Ajuntem os pedaços que sobraram, que nada seja desperdiçado.
Todos: Então eles os ajuntaram e encheram doze cestos”.

CC 344, tradução - Aflito e triste coração (C.Martin/ Martin)
CC 339, tradução - Oh! Não consintas tristezas (C.Martin/ Martin)
CC 120, tradução - Louvai ao Senhor (M. Servoss/H. Palmer)
CC 168, tradução - Chuvas de bênçãos (Whittle/McGranahan)

Oração de intercessão

Leitura bíblica: Lucas 21. 1-4
Dirigente: “Jesus olhou e viu os ricos colocando suas contribuições nas caixas de ofertas. Viu também uma viúva pobre colocar duas pequeninas moedas de cobre. E disse: Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros. Todos esses deram do que lhes sobrava; mas ela da sua pobreza, deu tudo o que possuía pra viver”.

CC 295, tradução - Tudo entregarei! (J. DeVenter/ Weeden)
Leitura bíblica: Mateus 8. 38,39
Todos: “Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”

CC 288, adaptação - Perto do Senhor (F. Crosby /P. Palmer)

Oração de consagração

CC 303, tradução - Amor a Jesus (Feartherstone/Gordon)

Leitura bíblica: João 14.15, 15.4
Teologia: “Se vocês me amam,obedecerão aos meus mandamentos. Permaneçam em mim e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar frutos se não permanecerem em mim”.

CC 465/301CC, tradução - Crer e observar (Sammis/Towner)

Leitura bíblica: João 15.12,14
Música: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos seus amigos. Vocês serão meus amigos se fizerem o que eu lhes ordeno”.

CC 322 , adaptação - Ele valerá (A. Habershon/Harkness)

Leitura bíblica: João 17: 25,26
Pedagogia: “Pai justo, embora o mundo não te conheça, eu te conheço, e estes sabem que me enviaste. Eu os fiz conhecer o Teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles e eu neles esteja”

CC 7, letra - Ao Deus de amor (Stebbins)

Leitura bíblica: João 14. 25-27
Dirigente: “Tudo isso lhes tenho dito enquanto ainda estou com vocês. Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse. Todos: Deixo-lhes a paz, a minha paz vos dou.
Dirigente: Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem tenham medo”.

Bênção
Recessional, cantado: CC 46, trad. Jesus me transformou (Rowe)
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Este culto aconteceu na capela dias 28/8/07 e 30/08/07 Piano: Francelias de S. e Silva, 3º M; Sadson Nasimento, 2º M/T; regente e liturgia: Enaile P. de Sousa, M; dirigente: profª. Westh Ney.

Música na Igreja – Função, coro, canto congregacional

Música na Igreja – vídeo feito para as mulheres da MCM, da Igreja Batista Itacuruçá.


terça-feira, 5 de novembro de 2019

CULTO CRISTÃO – introdução e orientações para liturgias ou ordens de culto – pensando em igreja cristã, da denominação batista.

                                                         Westh Ney Rodrigues Luz


A Filosofia da CBB – Convenção Batista Brasileira, no item 47.7 e seguintes diz assim sobre Culto:
        

    “Culto é um serviço de adoração a Deus, que lhe é prestado como resultado do reconhecimento do que Ele é, da sua majestade, santidade, poder, glória, honra e bondade, por parte da criatura humana, do crente, do adorador (...) é prestado somente a Deus, havendo nele a participação do homem e de Deus. É a resposta afirmativa à auto revelação de Deus aos homens e a resposta do homem a Deus. O propósito do culto não é propriamente o recebimento das ricas bênçãos de Deus, mas fazer oferta da vida e tudo que ela representa. É também dinâmico e criativo, e é uma experiência transformadora.”

 A Bíblia diz assim em Romanos 12.1 - “Rogo-vos, pois, irmãos pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso CULTO RACIONAL”. O conselho paulino é para cultuarmos com entendimento, ser racional no sentido de “com entendimento”. E isto é que faz a diferença. Na realidade a expressão seria assim - “... que é o vosso serviço racional ou razoável”, pois a palavra culto que é utilizada neste texto é latréia e o adjetivo logikos, de logos que pode significar racional ou razoável, pois diante do Deus vivo e sua Graça, a resposta lógica do ser humano é um serviço prestado por servos obedientes. A emoção, que é inerente a todo ser humano estará presente como resultado do entendimento do porquê estamos diante do Senhor adorando, louvando, ouvindo a sua voz, obedecendo e o seguindo.

 O culto comum ou coletivo ou público, que é o relacionamento com Deus e com seus irmãos, com seu próximo precisa de uma sequência com estruturas e formas. Neste anexo da Filosofia de Música na Igreja, publicado pela CBB como Documentos batistas com o título Culto e Adoração, abordaremos de forma bem simples um estudo sobre Culto, sugerindo uma estrutura de ordem ou sequência. Nós batistas historicamente e oficialmente não temos uma liturgia rígida ou uma ordem fixa para os cultos coletivos nas igrejas locais, mas utilizamos alguns modelos. Entendo que até uma “não ordem” já é uma ordem. 

 No livro citado abaixo, ao final, nas referências bibliográficas, podemos encontrar em James White nove contribuições de teólogos sobre definições do que é culto. O teólogo Paul W. Hoon, enfatiza na sua definição, a centralidade de Cristo em cada culto, mas dizendo que este deve estar vinculado aos eventos da história da salvação. A definição dele é que o culto cristão é a auto revelação de Deus em Jesus Cristo e a resposta do ser humano. É a ideia de reciprocidade pois DEUS toma a iniciativa dirigindo-se a nós por meio de Jesus e nós respondemos a ele usando uma variedade de emoções com palavras e atos no “ajuntamento solene”. Ele e outros teólogos vão completando no estudo que cada leitor pode fazer, individualmente sobre a definição de culto no capítulo 1. Em outro artigo desenvolverei o tema.

Culto é para Deus, mas realizado por humanos. Não devemos nunca esquecer isto. Somos seres relacionais e precisamos pensar sempre assim pra não deixar de lado o caráter profundamente social e orgânico de um culto. Este nunca será algo solitário. Estou falando sobre o culto comum, ou coletivo ou público onde nos reunimos como família de Deus em um templo ou não.


O culto comum ou coletivo ou público, que é o relacionamento com Deus e com seus irmãos, com seu próximo precisa de uma sequência com estruturas e formas. Neste anexo da Filosofia de Música na Igreja, publicado pela CBB como Documentos batistas com o título Culto e Adoração, abordaremos de forma bem simples um estudo sobre Culto, sugerindo uma estrutura de ordem ou sequência. Nós batistas historicamente e oficialmente não temos uma liturgia rígida ou uma ordem fixa para os cultos coletivos nas igrejas locais, mas utilizamos alguns modelos. Entendo que até uma “não ordem” já é uma ordem.

Para determinar ou estabelecer a ordem de culto (liturgia) precisamos saber qual a ênfase ou tema da mensagem, qual o assunto, a ocasião, o lugar e inclusive a duração. É preciso entender e conhecer a congregação que se reunirá para cultuar junto. A ordem ou liturgia (livre) não deve ser cópia de cultos de outras igrejas sem nenhuma adaptação para as suas realidades. A ordem também não é algo enrijecido, frio e distante dos que a executam.

Como a sua congregação se expressa, o que é relevante para ela? Os membros da sua igreja são mais urbanos, rurais, professores, médicos, operários? A maioria dos membros são adultos ou crianças, jovens ou idosos? Quais as características culturais mais fortes que estão presentes na sua comunidade? Quais os valores que são realmente significativos para ela? Quais os interesses comuns, o cotidiano, os sonhos? O culto que prestamos nas nossas igrejas é para Deus, feito por pessoas diferentes, resgatadas e unidas pelo amor de Deus desejando crescer na comunhão uns com os outros e com o Senhor.

A ordem de culto precisa ser compreendida pelos cultuantes, contribuindo ou facilitando para que a adoração e a comunhão possam fluir. Ao término do culto cada irmão deve sair certo que realmente adorou e glorificou o nome do Senhor Deus, agradecido ao Senhor Jesus pela Sua Graça e amor com a certeza que o Espírito Santo de Deus foi quem esclareceu, convenceu e consolou seu coração de adorador. Cada crente apoiado pelas formas ajustadas e adequadas à realidade local sairá para o encontro com a sociedade onde está inserido, alimentado e confrontado com a Palavra de Deus para ser sal e luz, para ser bênção para si e para os outros.

Algumas igrejas, com algumas variantes, usam estruturas simples com dois ou três cantos congregacionais de exaltação e glorificação ao trino Deus no início (seja hino, cântico ou salmo), leitura bíblica, momento de oração convidando as pessoas para irem à frente, entrega de dízimos e ofertas, mensagem com apelos para conversão ou consagração, encerrando com canto congregacional que será de entrega de dedicação e que reforçará os conceitos ou ensinamentos explanados na mensagem pastoral. Em alguns cultos tem um solo ou coro, algumas vezes testemunhos. Este modelo também é seguido para os chamados Culto Jovem ou da Colheita (reunindo os grupos familiares). Igrejas com ênfase voltada para evangelismo também usam um formato assim um pouco mais enxuto e nesses casos sem a entrega de dízimos e ofertas ou outras partes que possam aumentar muito a liturgia e demorando para o momento da mensagem falada. Tudo dependerá do foco e do tema.

Muitas igrejas, seguem uma ordem ou liturgia mais completa utilizando o padrão baseado na visão do profeta Isaías no capítulo 6, nos versos de 1 a 9ª, ensinados em nossos Seminários da CBB – Convenção Batista Brasileira –, nos cursos de Música Sacra e Teologia. Nessa ordem ou liturgia, que é um pouco mais completa, seguem algumas referências ou exemplos das igrejas reformadas. O coro canta duas ou três vezes, há mais de uma leitura bíblica, há um momento de louvor após a Contrição. Há também o momento de oração pelos que sofrem, e um momento de orações de gratidão pelos que receberam uma bênção que julgam especial, incluindo os aniversariantes - seja batismo, nascimento, aniversário de casamento etc. Ainda há um foco ao final, após a mensagem, com canto congregacional sobre o convite para a Consagração ou Dedicação e com foco no convite à Salvação (apelo). Há oração e bênção e muitas vezes estas cantadas por coro ou congregação.
 

Segue o estudo desse modelo em Isaías 6:

Após a visão do Senhor, Isaías conseguiu ter a visão dele mesmo e ao ouvir a Palavra do Senhor, pôde também ver e perceber o outro, o próximo, recebendo a missão do mesmo Deus –” A quem enviarei?”. Somente após essas visões, veio o chamado do Senhor que evocou a resposta - Eis-me aqui, envia-me a mim. Quem teve a visão grandiosa do Senhor, recebe dele a missão.

Com cerca de 21 anos, Isaías entrou no templo consciente que deveria se aproximar de Deus em um momento tão critico pelo qual passava o povo, quando da morte do rei Uzias. Estava perdido. Morre o rei, quem estará no trono agora? Ao entrar no templo Isaías percebeu a presença do Senhor. Neste momento ele teve a nítida consciência da presença, santidade e grandeza de Deus (v. 1 e 2). Sim, o Senhor é o poderoso. Ele é quem reina. Os serafins clamavam, cantando: "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória". O ministério destes seres era incessantemente louvar e revelar a glória divina. Isaías agora via realmente de uma forma grandiosa o que ele tinha aprendido desde cedo. Só que agora ele tinha vivenciado, experimentado a presença de Deus. O Senhor se revelara à Isaías em um alto trono – símbolo da soberania de Deus. O templo se encheu de fumaça – símbolo da presença de Deus. Isaías viu a glória do Senhor. Os anjos adoraram a Deus pelo que Ele é, por seus atributos.

Isaías, com a visão da glória de Deus percebe a sua pequenez, suas falhas e seus pecados, pois a presença reveladora de Deus desnuda cada um de nós, cada ser. E este só pode dizer como o profeta: "Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (v. 5). Isaías teve então a visão dele mesmo. Isaías percebeu a presença de Deus e humilhado, confessa os seus pecados. E Deus, que é justo e perdoador, não deseja que o homem pereça e com uma brasa viva purifica os seus lábios: "Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada e perdoado o teu pecado" (v. 6,7)

Neste momento recebe o perdão de Deus! A visão de Deus provoca no homem a consciência da sua indignidade e impureza, faz com que tenhamos a visão de nós mesmos no encontro com o Eterno, mas Deus, misericordioso como é, providencia os meios para a purificação (v. 7).

No versículo 8a Deus apela ao coração do profeta: “A quem enviarei e quem há de ir por nós?” e a resposta vem a seguir: "Eis me aqui, envia-me a mim". Essa foi a resposta do profeta que percebendo toda a grandeza e santidade de Deus, sentiu o seu pecado, recebeu o perdão do Senhor, ouviu a sua Palavra, seu apelo, e consagrou-se para uma missão. O resultado deste encontro ou das visões está na primeira parte do versículo nove, no comissionamento de cada cristão: "Vai dize a este povo”.

Esse texto traz a experiência do preparo de Isaías pra ser comissionado pelo Senhor. Após essa experiência ele profetizará por mais de 60 anos. Foi ali no encontro, o preparo para abraçar a missão.  Só poderia estar preparado quem percebeu a visão da glória de Deus (Is 6. 1-3), a visão dele mesmo (Is 6. 5), e a visão do outro com a pergunta: A quem enviarei? (Is 6. 8).

Por isso a valorização desse texto para trabalharmos as partes do culto. É no culto que tudo acontece. No encontro do homem com Deus e também com sua comunidade acontece o preparo para a Missão de Deus para a vida do cristão.

Segue o modelo baseado no texto explicado acima.

Modelo de culto baseado em Isaías 6. 1 – 9a
 

Processional ou Entrada (entrada dos participantes do culto)
Saudação pastoral (avisos, apresentação de visitantes)

ADORAÇÃO E LOUVOR

Prelúdio, instrumentos (orando e percebendo a presença do Senhor)
Oração
Leitura bíblica em uníssono:
(referente ao tema)
Cantos congregacionais (HCC, CC ou cântico avulso)
Oração de adoração
Solo


CONFISSÃO E PERDÃO

Leitura bíblica: (sobre confessar os pecados, as falhas e a certeza do perdão)
Coro
Oração silenciosa
Oração
Canto congregacional
(cânticos ou estribilhos de hinos conhecidos que falem sobre a alegria cristã que vem da certeza do perdão de Cristo)

INTERCESSÃO ou GRATIDÃO

Leitura bíblica: 
Canto congregacional
(HCC, CC ou cântico avulso)
Momento de intercessão e gratidão
(pode ser feito junto ou em dois momentos)
Coro


PROCLAMAÇÃO ou EDIFICAÇÃO ou COMUNHÃO ou EXORTAÇÃO

Mensagem


CONSAGRAÇÃO (parte corrigida e não está no livreto original dos Documentos batistas)

Canto congregacional (HCC, CC ou cântico avulso)
Dedicação: (consagração das nossas vidas e ofertas ao Senhor e/ou apresentação de bebês)
Bênção
Poslúdio, instrumentos – (sentados, orando e consagrando a vida ao Senhor)
Recessional ou Saída(saída do culto transformados para servir em nome do Senhor)


Variações no modelo acima:


•    Algumas igrejas usam os avisos ao final do culto, após a oração e bênção.

•    A dedicação das ofertas ao final do culto leva o cristão ao entendimento que este momento é o resultado de tudo o que aconteceu em sua vida durante o culto. Algumas igrejas preferem no início como uma forma ou expressão de louvor.

•    No 1º domingo, tradicionalmente ou na maioria das ocasiões, em cada igreja batista acontece a Celebração da Ceia do Senhor, em memória do que Cristo fez na cruz em nosso lugar, redimindo-nos do pecado e abrindo assim as portas da eternidade com Deus para aquele que o confessa como Salvador e Senhor. O momento é chamado de COMUNHÃO quando orando silenciosamente, somos chamados para olharmos para dentro de nós mesmos e assim conscientemente confessarmos nossos pecados. Recebemos então os elementos - pão e vinho (suco de uva) -, e após orações tomamos todos juntos - “... em memória de mim" -, como disse Cristo na sua última ceia com os discípulos registrado em Lucas 22. 19 e seguindo a orientação doutrinária Batista.

•    Batismo – culto de testemunho público de fé que deveria ser feito mais frequentemente não esperando um grande número de pessoas. Este é um momento de muita alegria e regozijo espiritual. A Igreja pode cantar enquanto cada irmão é batizado com hinos que falem da experiência de conversão. Algumas igrejas cantam trechos dos cantos sacros preferidos de cada novo convertido. Tem igrejas que também usam apenas uma música instrumental.

•    Tenha o tema ou a ideia da mensagem pastoral ou sermão pense nas partes do culto e elabore as ordens para a sua igreja. Pense sempre de uma forma pedagógica para alcançar com harmonia todos os participantes.  No dia dos pais, das mães, do pastor, das crianças - não permitam que o culto se transforme em um evento semelhante aos programas vários que a sociedade promove, mas que seja um culto de gratidão ao Senhor por esses que têm um dia de homenagem especial pelo calendário escolar ou comercial.

•    Algumas ordens de culto começam pela Confissão seguida dos louvores (cantos, orações, leituras bíblicas) pela certeza do perdão que Cristo oferece. Alguns chamam essa parte de Contrição. Alguns líderes começam o culto pela mensagem. São variações não corriqueiras, mas atendendo a uma necessidade pontual da igreja. Não esquecer nunca de glorificar e exaltar o grande Deus Pai, o Redentor Jesus e o Consolador e Ajudador que é o Espírito Santo de Deus

•    Cultos fúnebres podem seguir a mesma orientação, aliás qualquer reunião que desejam chamar de culto: Glorificar e exaltar o trino Deus, louvores de gratidão em formas de textos bíblicos e cantos. No caso o culto fúnebre ou memorial será sempre um culto em Ação de graças pela vida do que partiu para a eternidade, além do consolo para familiares e amigos. Mensagens bíblicas de esperança e gratidão serão escolhidas, assim como os cantos que sigam a mesma tônica. Na Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio há um culto anual chamado Culto do Conforto onde no convite é anunciado “um culto para intercedermos juntos pelos que sofreram a perda de seus entes queridos e agradecermos a Deus pela vida dos nossos irmãos e amigos que partiram”.

•    Use uma ordem com as partes acima exemplificadas bem marcadas, para que haja maior entendimento, mas faça também mudanças:

         1.    Use algumas ordens sem as divisões, mas mantendo o sentido de cada parte.   Não faça do culto algo partido em fatias, mesmo que as partes estejam indicadas. Ao dirigir o culto faça as ligações sem muito falar, e sem muito anunciar os números dos hinos, principalmente se a ordem estiver impressa. Anunciar o número em voz alta não tem nada de inspirativo. Pense em uma base bíblica para falar e anunciar o hino.

         2.     Use estrofes de hinos, versículos bíblicos ou poéticos encadeados, ligados por temas ou subtemas, use alguns pontos ou partes retiradas do próprio sermão. Aproveite uma data comemorativa do Calendário social, litúrgico ou denominacional e chame a atenção dos fiéis para o conteúdo da ordem do culto.

               Por exemplo:

            a)    Páscoa:

      CRISTO, CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO

          1. Agradecidos e alegres exaltamos Deus que enviou Jesus
          2. Contritos, reconhecemos que só em Cristo somos redimidos
          3. Ouvindo a Palavra e ajudados pelo Santo Espírito 

              decidiremos crescer na Graça do Senhor

Sigam a mesma ideia com Natal, Ação de Graças, Missões etc.

Em cada culto é preciso ter a consciência que este é e deve ser cristocêntrico e não antropocêntrico e por isto Deus deverá ser sempre exaltado, glorificado. Nossa adoração, que é o reconhecimento dos atributos de Deus ou o entendimento de quem ele é, deve ser o que moverá nosso louvor. Louvor é tudo que um adorador faz. Não somente cantar, mas tocar, confessar pecados e confessar com a vida e com os lábios quem é Deus e o que ele tem feito em nossas vidas. A obra redentora de Cristo precisa ser sempre enfatizada em cada culto de uma igreja cristã. 


Jean Jacques von Allmen define culto cristão que acho definitiva e completa. O Culto Cristão é ao mesmo tempo: ameaça de juízo e  promessa de esperança para o próprio mundo.  
              “O culto resume e confirma sempre de novo a história da salvação cujo ponto  culminante se encontra na  intervenção encarnada do Cristo. Neste resumo e confirmação reiterados, o Cristo continua sua obra salvadora  por meio do Espírito Santo.”

Para ele, o culto cristão contesta a justiça humana, aponta para o dia em que todas as conquistas  e fracassos  serão julgadas  e oferece a esperança e promessa  pela afirmação de que,  em última análise, tudo  está nas mãos de Deus.

Em cada culto devemos agradecer ao Senhor pelos seus feitos poderosos, pela salvação em Cristo Jesus e pela certeza de que seu Santo Espírito nos guia na verdade e no consolo. Além do exame de nós mesmos, sendo sempre desafiados para sermos relevantes para Deus, nossa família e mundo em que vivemos.


BIBLIOGRAFIA SUGERIDA SOBRE O ASSUNTO:


AMORESE, Rubens Martins. Celebração do evangelho. São Paulo: Editora Abba.
 

FREDERICO, Denise C. de Souza. O que é liturgia? RJ: MK, 2004. 86p
 

___________________________. Cantos para o culto cristão. São Leopoldo, RS: Editora Sinodal. 414 p.
 

LUZ, Westh Ney e GUSMÃO, Leila. Culto Cristão – contemplação e comunhão. RJ: JUERP, 2003. 204p. 
 

KIRST, Nelson. Nossa liturgia: das origens até hoje.S. Leopoldo: Sinodal, 2000.19p
 

SHEDD, Russel P. Adoração Bíblica. SP: Vida Nova, 1987. 170 p.
 

MULHOLLAND, Edith B. Notas Históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC). RJ: JUERP, 2001. 494p.
 

WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão. S. Leopoldo: Sinodal, 1997.267p
_______________________

*O texto escolhido foi publicado na série Documentos Batistas, 2011 com o título Culto e Adoração e segue com algumas correções e adaptações feitas pela autora. Editado originalmente nos documentos batistas, no portal da CBB.  http://www.batistas.com/images/pdfs/cultoadoracao.pdf

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Westh Ney Rodrigues Luz – Ministra de música, profª do Seminário do Sul (STBSB/FABAT), lecionando Culto Cristão, História da Música e Gestão da música na Igreja. Membro da Igreja Batista Itacuruçá e regente dos Coros feminino Cantares e masculino do Seminário do Sul. Redatora da revista de música Louvor, da CBB. Formada em Licenciatura em Música (UFRJ), Bacharel em Música Sacra (Seminário do Sul), História (UGF) e pós-graduada em Artes (FIJ).  http://www.blogdawesth.blogspot.com/





segunda-feira, 7 de março de 2016

Hinódia Batista Brasileira: 3. A hinista e mestra de todos nós, os músicos brasileiros! Joan Larie Sutton -

“O Cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferências, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã.” (Joan Sutton, 1991)


Joan Riffey Sutton Houston (26/07/1930 - 05/03/ 2016) 
Nasceu em Louisville, KY, EUA e em 1935 veio para o Brasil (com 5 anos) acompanhando seus pais que estavam sendo designados como missionários da Junta de Richmond - John e Esther Rifley -, e que serviram em oito estados do Brasil. Seu pai foi diretor do Curso por Extensão do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, de 1938 a 1954. Sua mãe, D. Esther além do trabalho na Igreja local no Rio foi também autora e compositora para crianças trabalhando no Curso de Obreiras (mais tarde IBER, hoje CIEM). Estudou nos Colégios Batistas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro até o 2º grau, voltando para os EUA para estudar Licenciatura em Violino e Bacharel em Letras e Literatura inglesa e francesa na Baylor University e Mestrado em Música Sacra no Seminário Teológico Batista do Sul dos EUA. 

Viúva bem jovem - com apenas um mês de casada com Stanley Johnson -, conheceu no curso de mestrado em Música Sacra o doce e amado prof. John Boyd Sutton (já nos braços do Pai) com quem ficou casada por 53 anos. Em 1959 volta para nosso país  como missionária, após três anos de trabalho com seu esposo na Carolina do Norte (Hendersonville). Filha de missionários, criada nas cercanias do STBSB, volta, em 1961 leciona música no STBSB e em 1963, junto com seu esposo iniciam o Curso de Música Sacra do Seminário do Sul. John Edwin (1954), Laura (1957) e Cecília (1960, nascida no Brasil), são os três filhos amados deste casal de /músicos/professores/missionários.

Edith Mulhond, no livro Notas Históricas do HCC (pág. 36) escreve: “Bem cedo revelou o seu talento musical. Desde os seis anos estudou piano, adicionando, depois, o violino. Em seu sermão oficial no VI Congresso Nacional da Associação dos Músicos Batistas do Brasil, realizado em Fortaleza, CE, D. Joana recordou a sua formação espiritual e musical. Realçou as suas experiências nos corais da sua igreja e escola, as capelas, os cultos, os orfeões. Sobretudo ela se lembrou dos hinos, que ajudaram a formar esta líder que mais tarde teria forte influência na música sacra brasileira”. 

Após 20 anos abençoados no STBSB, em 1983, seguiu para outro campo missionário no Sul do Brasil, onde prof. Boyd dirigiu o Departamento de música da Convenção Batista do Rio Grande do Sul. Lá, profª Joana continuou sua produção musical como tradutora e assessora de Música da JUERP. 

Muito cooperou com a AMBB – Associação de Músicos Batistas do Brasil e em 1987 foi designada pela CBB como a coordenadora do Projeto HCC – que não era só mais um hinário, mas um projeto com cinco volumes para o auxílio às Igrejas Batistas brasileiras para apoio e uso no Culto Cristão: Um Hinário com harmonização em vozes SCTB; um com Cifras para violão; um sem música e só com letra grandes; um facilitado com 80 hinos do HCC e com Notas Históricas sobre todos os hinos do HCC (autores, compositores, tradutores e arranjadores). Conviver com ela nas mesas lotadas de Hinários de diversos países e denominações, manuscritos, rascunhos, com sua disciplina, fé, perseverança e metodologia de trabalho foi uma pós-graduação para todos da Comissão do Projeto HCC.  Nós, seus alunos (ex), sentíamos grande orgulho de sentar com a mestra em volta da mesa de trabalho. Como aprendemos! Em Janeiro de 1991, entregou à denominação batista brasileira (CBB) o Hinário para o Culto Cristão, sendo oradora oficial nesta mesma Assembleia (72º) sobre “Adoração, Oração e Ação”.

Em outubro de 1992, o amado casal missionário, nossos professores da década de 70 e 80 (para quem estudou no STBSB), após trabalhar, servindo durante 33 anos no Brasil, voltou à sua terra natal, onde em 1993, o Prof. Boyd assumiu o Ministério de Música da Igreja Batista de Shaw Creek. Lá em Hendersonville, Carolina do Norte, EUA continuaram a exercer com dignidade o que sempre fizeram neste nosso país – Servir. Após grande enfermidade, o Senhor Deus chamou para si, para seus braços nosso amado professor Boyd. 

Joan Sutton – compositora/autora – e tradutora (músicas para coros e para o ensino de Canto) tem sido considerada por muitos estudiosos como dona de um vasto e importante patrimônio musical sacro no Brasil (e isto é comprovado no material que doou para a mesma Universidade que estudou, a Baylor University). Com todo seu material, - usado, criado e ensinado no Curso de Música do Seminário do Sul, no Rio de Janeiro – estão os manuscritos pessoais, partituras (arranjos musicais e composição), cantatas, papéis com anotações de aulas, materiais de ensino, coleções e outros itens por ela doado, foi então criado na Biblioteca da Universidade a Coleção de Música Sacra Brasileira. Esta homenagem que a Baylor University fez, nos EUA, foi no dia 28 de outubro de 2010, e na ocasião do jantar solene, o ex-missionário e pioneiro na Música Sacra no Brasil, – Bill Ichter – fez um discurso em homenagem à D. Joana, falando do Brasil. Perguntou Bill para D. Joana quanto tempo poderia dispor para falar e ela respondeu: “No máximo 5 minutos”. Impossível isto, mas esta é a Profª Joan - simples, humilde, direta e clara.

D. Joana, como nós brasileiros a chamavam, era perfeita como tradutora - seu excelente dom -, e de uma simplicidade na escrita impressionante, além do seu conhecimento, bem, acho que por isto mesmo era assim. O interessante na vida da professora é que não guardava para si o que sabia, mas prodigamente repartia.  Ela traduziu grandes obras como O Messias, de Handel; Elias e Cristus, de Mendelssohn; Réquiem, de Brahms, As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, de Dubois, Glória, de Poulenc e Oratório de Natal de Bach (1º cantata). Sua obra hinológica é vasta e está registrada em alguns hinários e também de forma avulsa. 

Também traduziu cantatas de Natal como Eis! A estrela (Graham) e Um menino nos nasceu (Williams); de Páscoa - Pela manhã vem a alegria (Danner); Missionárias -  Maior amor  e  Eu Vos Envio (Peterson) e Testemunho (Reynolds). Também cantata para adolescentes e jovens Escuta outra vez (Burroughs) e Boas novas (Oldenburg).  Celebração de Buryl Red, fez um sucesso nos anos 70 como um dos primeiros musicais feitos pelo país. Elas são dos anos 70 e foram publicadas pela JUERP.

No HCC temos 52 contribuições entre poesias, metrificação, músicas e traduções (33). “E Habitou entre nós” (SCTB) e “Presente de Natal” (infantil) são duas cantatas publicadas pela JUERP.  A “Trilogia da Vida”, dedicada ao Coro Jovem de Itacuruçá (Igreja batista no Rio) não foi publicada e entreguei os manuscritos que tinha em meus arquivos quando da homenagem em Baylor. Além da música vocal (coro, solo) ela escreveu para violino e piano. Aliás, lá na Coleção de Música Sacra Brasileira, em Baylor University, inaugurado por ela, estão todas as suas obras que valem uma busca minuciosa para registrarmos aqui no Brasil,  para conhecimento dos alunos de hinologia.

No Curso de Música do Seminário do Sul, ela foi a nossa querida professora de coros graduados, hinologia, contraponto, harmonia, composição, arranjo, tradução, forma e análise, violino, piano, órgão e foi também uma conselheira, uma mentora de quase todos que estão espalhados por este país na Educação e no Ministério de música. Muito dela está nos nossos corações, marcas em cada um que teve o privilégio de estudar com ela. Sempre muito exigente, mas também muito competente. Os que não estudaram com ela, receberam dos que tiveram este privilégio, o jeito firme de encarar a obra de Deus, o desejo de fazer um trabalho, bem feito e correto, a amabilidade, o sorriso suave, o esmero em procurar a excelência em tudo.  Uma americana de alma brasileira. 

Gostaria de lembrar um hino (480 HCC) de protesto que fez em 1965 – Seguir a Cristo não é sacrifício – no primeiro período de férias nos EUA.  Presente em grande assembléia ficava triste quando alguém ao abraçá-la dizia do sacrifício que sua família estava fazendo no campo missionário e em resposta, então ela compôs este hino em inglês e que foi traduzido em 1966. Foi o seu primeiro hino a ser publicado, entrando na Coletânea Vinde, Cantai (1980). Foi também o hino oficial da União Feminina Batista do Brasil em 1985. Diz ela: ”este hino expressa bem como sinto a chamada e a bênção suprema de obedecer a Deus. Gosto muito do estribilho.”  
Não nos promete honras nem riquezas,mas ele diz: Convosco eu estarei.Seguir a Cristo não é sacrifício,
         é triunfar com Deus, é ser feliz. (estrib. do hino 480)

Joan Sutton deixa entre nós a sua linda prole, sua especial família: Três filhos - John Edwin, Laura e Cecília. Cinco (5) netos, filhos do John Edwin: Leslie Sutton Lewis, Lora Lynn Sutton, John Ryan Sutton, Matthew William Sutton; e Samantha Lee Anne Floyd, filha da Laura. Deixa também dez (10) bisnetos: Alexis e Marcus Allison, Shelby, Peyton, e Annalynn Lewis, Madison, James, e William McSwain, e Ava e Grabriella Sutton. Em julho de 2013, aos 82 anos, casou com Reagan (Rick) Houston, e com este vieram também: uma filha Lynn Houston Baskett, duas netas: Heather e Holly Baskett; e um bisneto: Jameson Baskett.

Até 2014, Dona Joana (nós sempre a chamávamos assim) foi membro ativo dos Joy Singers – Cantores da Alegria - em Carolina Village, atuando na Capelania do Hospital e no Coro de Hendersonville. Seu filho John (Jes) Sutton escreveu: “... a vida dela é um exemplo do verdadeiro ministério de encorajamento. Ela tocou a vida de sua família, seus alunos, e amigos de uma tal forma que a influência dela vive através deles. A Deus seja a glória!”.

Os Cultos em Ação de Graças por sua vida foram realizados no dia 11/03/16 na Providence Baptist Church, Hendersonville e no dia 12/03/16 em Carolina Village, Hendersonville onde viveu por alguns anos e serviu ajudando e cantando no coro.

Gostaria que as gerações de hoje ou vindouras a tivessem conhecido, e por isso não quero perder a oportunidade de escrever e deixar registrada a minha gratidão e de tantos irmãos que conviveram com ela e que ainda hoje cantam seus hinos ou arranjos.

Ao Senhor seja a Glória e a honra por sua vida preciosa!
............

Westh Ney Rodrigues Luz, profª da FABAT/ STBSB - Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, assessora da comissão executiva da AMBB, relatora da comissão de Assuntos, Base Bíblica e Organização do HCC e membro da Igreja Batista Itacuruçá, Rio ..............

 REFERÊNCIAS:
. MULHOLLAND, Edith Brock. Notas históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC): Rio de Janeiro: 
     JUERP, 2001
. Hinário para o Culto Cristão. Rio de Janeiro: JUERP, 1991 p.vii (apresentação)
. Dados fornecidos pelos filhos John Sutton (Jes) e Laura Sutton Floyd e  amigo Bill Ichter.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A MÚSICA NA IGREJA por Westh Ney


Muitas pessoas hoje congregam em uma igreja sem saber quais as suas doutrinas. O conteúdo teológico e até doutrinário é ensinado pelas canções, cantos (hinos ou cânticos) que são veiculados pelas rádios chamadas evangélicas, que promovem cantores que são indicados pelas gravadoras, que os transformam em ícones ou ídolos, promovendo shows.


Há uma confusão reinante, pois se na canção a palavra escrita citou Deus, fé, cruz, fogo vivificador, chuvas e alguns outros símbolos que estão na Bíblia, se os termos bíblicos estão presentes, então é digno de estar sendo cantado no culto, independente da denominação, da igreja. E muitos sem conhecimento das suas doutrinas querem empurrar ou fazer o mesmo em cultos nas suas igrejas locais. Não estou falando de jovens músicos. Estou falando de todos que fazem assim independentes da idade.
 
Tocou na rádio chamada evangélica, apareceu na TV em cultos-shows, achamos que seria bom para a nossa igreja. Tem coisa para ouvir, ficar feliz, alegre, mas nem tudo serve para um culto público. Nem tudo serve para a sua igreja ou mesmo denominação.


Muitos músicos cristãos estão em suas igrejas servindo a Deus e à sua comunidade, entregues completamente nas mãos de Deus, conscientes de como é importante a tarefa que o Senhor Deus colocou em suas mãos. Cantam, tocam dirigem cantos, participam de vários coros, orquestras e bandas, chamadas hoje Gospel.


Aliás, falando em Gospel – este é um termo hoje difundido como tudo o que se refere á algum material religioso, não só música e não somente restrito ao mundo evangélico, por exemplo, existem bandas de outros segmentos cristãos como os católicas que cantam Gospel. A palavra Gospel que dizer "boas novas" e era a música cristã negra nos Estados Unidos da América desenvolvida do velho estilo musical dos Negro Spirituals. Paralela ao Blues, os cantores de música cristã ou Gospel ficavam restritos aos cultos nas igrejas batistas Afro-americana. A música Gospel utiliza solos improvisados e coro.


Nos anos 90 este termo tornou-se, segundo a pesquisadora Dra. Magali do Nascimento Cunha como “uma cultura religiosa nova, um jeito de ser diferente daquele construído pelos evangélicos brasileiros ao longo de sua história. Novos elementos foram adicionados como resposta ao tempo presente, que é fortemente marcado pelas culturas da mídia e do mercado, e pelo crescimento de novos movimentos evangélicos, principalmente o pentecostalismo”. 

Diz ela ainda: “Uso o termo “gospel” para definir esse modo de vida porque ele emerge do fenômeno que ganhou corpo nos anos 90 – o movimento musical que detonou um processo e configurou algo muito maior. Surgiu uma forma cultural, um modo de vida gospel. Ele não é uma expressão organizada, delimitada; mas resulta do cruzamento de discursos, atitudes e comportamentos entre si e com a realidade sociopolítica e histórica. (...) testemunhamos uma ampliação, sem precedentes, do mercado religioso e de formas religiosas mercadológicas (...). Com isso, temos uma nova cultura experimentada, um novo modo de ser evangélico: privilégio à expressão musical, envolvimento no mercado e espaço para o lazer e o entretenimento.” Entrevista na íntegra em  http://www.imbitubagospel.com.br/capa/os-evangelicos-criaram-um-novo-jeito-de-ser-afirma-pesquisadora-confira-a-entrevista/


Ainda mencionando Dra. Magali Cunha, recomendo a leitura da sua tese já editado em livro pela Mauad - “Vinho Novo em Odres Velhos" - Um olhar comunicacional sobre a explosão gospel no cenário religioso. http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27134/tde-29062007-153429/pt-br.php


Para que serve a música? Sim, para que serve a música na igreja? Como encaixar esta música nos serviços de culto?  A música sensibiliza e atrai. Trabalha na emoção, mas música na igreja é um meio e não um fim nela mesmo. É para o louvor a Deus e também para chegar até as pessoas promovendo alívio, cura, prazer...


Em 1984, a AMBB – Associação dos Músicos Batistas do Brasil - escreveu um documento sobre a Filosofia e fundamentos da música na igreja. Este documento tem sido seguido pela maioria dos músicos batistas, que é a denominação que sirvo. Estudei em um Seminário Batista – o Seminário do Sul e todos que por lá passaram desde que o Curso de música Sacra foi criado (há 46 anos) seguem esta mesma filosofia. Este documento diz assim sobre Música Sacra: 

“A música sacra, tanto para o executante como para o ouvinte comunica a realidade de Deus, revela Deus a seus atributos, evoca uma resposta a uma revelação divina  por parte das pessoas e cria condições para facilitar a ocorrência de experiências  pessoas com Deus.


A música na Igreja é uma música funcional. Não é arte pela arte. É Arte com uma função. Assim nós acreditamos. Assim eu caminho. Música na Igreja é para Culto, Adoração, Glorificação e Louvor ao Deus - Pai, Deus- Filho e Deus - Espírito Santo. Música na Igreja é para ensino, edificação e crescimento cristão. É para consolo, conforto, testemunho, evangelização e proclamação da Palavra de Deus.


Há na Bíblia, que a nossa regra de Fé e prática, alguns textos que nos chamam, nos conclamam:  

 “A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria;ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.” Colossenses 3.16


“Cantai alegremente a Deus, nossa fortaleza; erguei alegres vozes ao Deus de Jacó. Entoai um salmo, e fazei soar o adufe, a suave harpa e o saltério.” Salmo 81.1, 2

“Que fazer, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o  entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com
o  entendimento.” 1Coríntios 14.15

Repetindo - Música na igreja é arte funcional. Cumpre uma missão. Dar vida aos textos bíblicos ou poéticos que servirão para reafirmar princípios bíblicos, doutrinas. Também servem para consolar, edificar e ensinar.  Música na igreja é ministério e não palco e culto não é o momento para demonstração de performances, ou atuações as mais variadas e desconexas.


Música na igreja é para reforço das doutrinas e complemento da mensagem falada. Como alguém pode fazer música sacra em uma igreja cristã evangélica se não possuem esta fé? Será apenas um trabalho profissional artístico a mais.


Gosto muito desta citação de Campbel Morgan, que pincei do livro - A Cruz de Cristo -de John Stott, grande pregador e que termino o 1º capítulo do livro Culto Cristão – contemplação e comunhão, que diz:


"Só o homem crucificado pode pregar a cruz". Disse Tomé: "A menos que eu veja em suas mãos o sinal dos cravos... não crerei". O Dr. Parker de Londres, disse que o que Tomé disse acerca de Cristo, o mundo hoje está dizendo a respeito da igreja. E o mundo também está dizendo a cada pregador: A menos que eu veja em tuas mãos as marcas dos cravos, não crerei.


Assim penso também. É verdade. Só o homem que morreu com Cristo, pode pregar a cruz de Cristo.   Precisamos ter cuidado para não esquecer o porquê de estarmos servindo ao Senhor Deus com música na igreja. É a percepção do seu amor que nos faz olhar para a sua cruz, e seguir alegres com esta certeza pessoal: "Eu sei que o meu Redentor vive”

Levitas?  Alguns gostam de se identificar assim. Este termo usado no Antigo Testamento para a classe sacerdotal não cabe hoje, como se os músicos de igreja e só eles fossem responsáveis por esta função. Hoje, na nova Aliança somos todos sacerdotes do Senhor. Sacerdotes para ajudar, apoiar a congregação, para levar a sua comunidade religiosa a reconhecer os atributos de Deus (Adoração) e demonstrar isto em cantos, orações, leituras bíblicas, posturas, atitudes que será o seu louvor.


Aliás louvor não é adoração. Louvor é tudo o que você faz como resultado do seu reconhecimento de quem Deus é.  Adorar é curvar-se diante do Eterno, prostrar-se, reconhecendo os seus atributos em completa submissão. Louvor é o resultado desta Adoração. Louvar é o resultado da constatação, do reconhecimento dos atributos de Deus – digno, único, onipotente, onipresente, onisciente, triúno, verdadeiro, justo, benigno, misericordioso...  – agindo em direção ao outro em nome do Senhor. Louvar não é só cantar não. Alguns gostam de pensar que Deus habita no meio da música ou das canções. Deus habita no meio dos louvores. 

Louvor é andar, caminhar com Deus, é ser comprometido com o próximo em nome do Senhor, é ler a sua palavra, é exclamar e declarar a sua Fé, é tocar, é cantar. Muitas palavras que usamos hoje como louvor na realidade elas teriam outras traduções. Vejam como exemplo estas: Yâdâ – substantivo – que pode ser confessar (credo), louvar, dar graças.  Rûn é exaltar; Zâmar, louvar com instrumentos; zâkar é lembrar; kâbed, glorificar. Tôdâ é confissão, confissão de pecados, louvor, ação de graças, oferta de gratidão e sacrifício de louvor (que em Ne 12.8 significa ação de graças). Só por isto podemos perceber que louvor é a nossa adoração em ação: ação de graças, confissão de pecados, confissão de fé e tudo isso pode ser feito em silêncio, lendo ou recitando a Palavra, orando, testemunhando. Louvor é a nossa adoração em ação. É a sua adoração em ação.

Como é a sua Igreja? Bem, então ela tem uma declaração doutrinária que ela, a igreja segue. Você conhece a declaração doutrinária da sua Igreja?  Quero ressaltar, destacar a Bíblia, pois seus princípios registram a revelação que Deus fez em linguagem humana e sua interpretação sempre deverá ser trazida à luz da pessoa de Jesus Cristo e dos seus ensinos.  Sua igreja é assim? Os cantos que ela entoar devem refletir isto.


Mas tem também algo mais. A sua igreja local, está inserida em um bairro, com uma história e com um passado histórico-emocional-cultural só dela. Único. O que outras igrejas cantam, mesmo da sua denominação, talvez não seja o que a sua comunidade religiosa esteja precisando. Já pensou nisto?


Bem, então o que será que devemos cantar? Como cantar? Com nossos cantos ensinamos, doutrinamos, consolamos, proclamamos as verdades de Deus e sua Palavra. Quando cantamos estamos orando junto, dizendo ao Senhor das nossas necessidades e tribulações. Também dizemos ao Senhor do nosso amor por ele. Quando um grupo entende e sente assim, pode ajudar e levar todo o povo a fazer o mesmo. 

Os cantos não podem ser só diretamente também falando a Deus ou Cristo. Eles precisam também falar ao coração do irmão, testemunhando do poder do seu amor. Cantos de comunhão, que falem sobre as nossas diferenças e ao mesmo tempo mostrem que o que nos une é mais forte do que o que nos separa. Somos diversos, mas o Espírito Santo que nos chamou para a Salvação e para a boa obra é o mesmo. Este Espírito de Deus é que nos une em amor.  E onde o Espírito de Deus habita, há amor, bondade, domínio próprio, paz, paciência, alegria, fidelidade, amabilidade. (lembram do fruto do Espírito em Gálatas 5. 22 e 23?).


Vamos cantar a Redenção do homem realizada na Cruz de Cristo. Cantemos este amor que nos faz irmãos, cantemos sobre Jesus e seu maravilhoso olhar e perdão, seus ensinamentos, sua verdade, sua justiça, suas leis e seu caminho que não é tão fácil, mas é o único para a Salvação. Cantemos sobre a presença do doce Espírito Santo que nos guia em toda a verdade, que nos constrange chamando cada ser humano para uma nova vida.

Na Bíblia há exemplos de canções. O cântico de Moisés – Êxodo 15.1-19 – foi o primeiro cântico registrado na Bíblia, após a passagem do mar vermelho. Um canto de vitória e gratidão. Há também o cântico de Débora em Juízes 5. 2-31, o lindo e significativo cântico de Ana - 1Samuel 2.1–10 e o cântico de Davi em 2Samuel 22.2–51 (Leia na sua Bíblia os textos indicados).


No Novo Testamento existe o belíssimo canto de Maria - Lucas 1.46 –56 – que demonstra como aquela jovem conhecia a Palavra, pois seu cântico é baseado no de Ana em 1Samuel 2.1–10 (faça esta comparação). Há o cântico de Zacarias - Lucas 1.67-80; o cântico dos anjos - Lucas 2. 14-19, o cântico de Simeão - Lucas 2.29-32 e muitos pequenos hinos em Romanos, no Apocalipse e o exemplo da importância da música quando Paulo e Silas cantam na meia-noite da vida deles. Esta passagem está em Atos 16.25


Aliás, quando falamos em adoração muitos pensam em louvor, culto no templo, solos, encontros gospel, grandes shows, cantos, muitos cantos... Porque será que confundimos tanto?

A Bíblia diz em João 4.23 que o Pai procura por verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Louvor então será o resultado da adoração, pois para adorar e louvar e cultuar, o ser humano precisa ser nascido de Deus e este toque só poderá ser dado através do Espírito de Santo, pois como adorar o que não conhecemos? Em João 4.22 - “Disse Jesus: Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos.”.

Precisamos ter cuidado para não sermos limitadores da vontade de Deus na vida das pessoas, impondo sobre elas regras, maneiras e costumes que consideramos como as mais corretas para adorar, louvar e cultuar. Precisamos entender como é a nossa comunidade. Eles vivem na zona rural? Em comunidades (favelas, morros)? Em zona urbana (asfalto)? Professores, profissionais liberais, ou operários? Adultos, crianças, jovens ou idosos? Quais as suas características culturais? Existem alguns impedimentos ou bloqueios de ordem emocional, psicológica? O que realmente tem significado para as pessoas da sua região, bairro ou cidade? Como é o entorno da igreja, quais os valores religiosos, valores sociais, culturais, os interesses comuns, o cotidiano, os sonhos?

Verifique como anda o seu relacionamento horizontal, isto é com o seu próximo. Muitos esquecem desta dimensão que existe na adoração, fixando seu olhar apenas na direção vertical, que é de contemplação. Nossa visão de Deus precisa nos impulsionar na tomada de atitude de ir em direção do outro, do meu irmão, servindo ao Senhor. Em 1Jo 2.10 e 11 temos: “Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” Como você tem agido?

 Como posso dizer que amo a Deus? João diz que quem diz que está na luz, mas odeia a seu irmão, este continua ainda nas trevas, na escuridão e não vive na luz, por isto errando o caminho ou alvo para as nossas vidas, pois estamos sem luz. Isto significa que não adiantou falar tudo isto até agora, se não temos Cristo, que é a luz do mundo e não amamos também o nosso irmão.

Que a Graça maravilhosa de Jesus esteja sobre sua vida para guardá-la de todo o mal, ensinando e guiando você para um caminho mais excelente.
Paz de Deus para todos!

Westh Ney Rodrigues Luz , 2012 – Ministra de Música e profª do Seminário do Sul (STBSB/FABAT) nos cursos de Música e Teologia (Gestão de Música na Igreja e Liturgia/Culto Cristão. Formada em Música Sacra, História e Educação Artística (música) e pós-graduanda em ARTES. Regente do Coro Cantares e  Hospital Evangélico do Rio. Membro da Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio - https://www.facebook.com/westh.ney

sexta-feira, 1 de junho de 2012

DECLARAÇÃO DE BERLIM SOBRE ADORAÇÃO

Nós, seguidores de Cristo chamados batistas, provenientes de 58 países, com 500 representantes de 193 convenções e uniões batistas ligadas à Aliança Batista Mundial, reunidos em nossa primeira conferência internacional devotada exclusivamente à adoração, de 15 a 18 de março de 1998, em Berlim, Alemanha, apresentamos a seguinte Declaração para reafirmar nossa compreensão da natureza essencial da adoração e do culto. 

I. Desde nossos começos os batistas sempre temos crido no Deus triúno, declarado na Escrituras como Pai, Filho e Espírito Santo e temos adorado o Deus vivo, como parte integral de nossa herança. Na primeira reunião da Aliança Batista Mundial em Londres, no ano de 1905, Alexander MacClaren convocou os delegados a com ele recitar o Credo Apostólico como testemunho de nossa fé bíblica, dentro da Igreja de Cristo. Reconhecemos Jesus Cristo como o único Cabeça da Igreja e o foco de nossa adoração e louvor. 

II. Afirmamos a necessidade de estarmos abertos à direção do Espírito Santo que nos conduz a adorarmos “em espírito e em verdade”. Todas as formas de cultos constituem “janelas” através das quais vemos a Deus. A ênfase, portanto ( no culto), não deve ser primeiramente sobre os aspectos externos, mas sobre “a prática da presença de Deus”, ao nos apresentarmos como “culto santo e agradável a Deus”. A adoração ou o culto corporativo de todas as formas, será vazio se o indivíduo não estiver espiritualmente envolvido. 

III. Celebramos (neste Congresso) cinco estilos específicos de culto e vimos exemplos de práticas litúrgicas de muitas partes do mundo. Verificamos que cada um deles tem, significado e poder. Também descobrimos que elementos de cada um deles podem ser fundidos de modo a que se produza um culto significativo, alegre e autêntico. Aprendemos a apreciar diferentes expressões e estilos de culto, sem necessariamente adotá-los. É mister que haja discernimento a determinar o que é culturalmente relevante e teologicamente consistente com a Bíblia e nossa fé batista. 

IV. Reconhecemos com alegria e gratidão a Deus o tempo que passamos juntos. Apreciamos o fato de tantas pessoas e igrejas haverem feito sacrifício significativo para participarem da conferência. A despeito de nossas diferenças e grande diversidade, experimentamos unidade sob o Senhorio de Jesus Cristo , e pudemos ter um vislumbre do céu. Esperamos que o aprendido por nós produza frutos em todo o mundo, e que esta conferência não seja um fim, mas um começo.
 

V. Com todo vigor afirmamos a importância histórica da pregação, para os batistas, como aspecto essencial do culto. 

VI. Fomos desafiados pela inadequação de alguns aspectos de nossos culto e adoração, e reconhecemos a necessidade de retomar o espírito do culto da igreja novitestamentária. Precisamos reconhecer: 

1. Que nossa pregação às vezes é desligada do resto do culto, e é dada proeminência ao que proclama a Palavra, e não a Cristo de quem a 
Palavra dá testemunho; 
 
2. Que nossa música tem sido por vezes um show, em vez de meio para 
glorificar a Deus e envolver o povo de Deus no culto; 
3. Que nem sempre compreendemos a grande importância da Ceia do Senhor 
e do Batismo, havendo-os muitas vezes como adendo do culto, em lugar
 de serem partes essenciais dele; 
4. Que às vezes temos negligenciado nossa ênfase batista sobre o 
sacerdócio universal dos crentes, em detrimento de nossa 
comunidade de fé e seu testemunho; 
5. Que nossas orações são por vezes incompletas, ao expressar somente 
nossos próprios pensamentos e necessidades, sem incluir a 
oportunidade  de ouvir a Deus; 
6. Que nossa preparação para a adoração tem sido exclusivamente do que conduzem o culto, em vez de ser responsabilidade de todos que vêm em busca de um encontro com o Deus vivo; 
7. Que nem sempre temos ensinado ao nosso povo o significado da adoração e como adorar. E por vezes separamos do resto da vida o que ocorre no santuário;
8. Que por vezes somos achados culpados de crer que nosso próprio estilo de adoração ou forma de culto são os melhores, e a única forma de adorar, e por vezes temos tentado impor essa opinião sobre outros; 

VII. No reconhecimento do que acima afirmamos, com humildade e contrição buscamos a adoração cuja iniciativa é de Deus, pois Ele nos convida à divina presença e envia-nos ao mundo, para o serviço, discipulado, justiça e reconciliação, em obediência à Grande Comissão de Jesus Cristo. 

VIII. Estamos conscientes, pelo Espírito Santo, que nossa adoração – qualquer que seja seu estilo ou forma, ocorre num contexto maior de adoração em todo o mundo, ao longo da história e no céu. Constituímos apenas uma pequena parte do eterno mosaico de adoração do Deus único e verdadeiro, por meio de Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador. 

IX. Cremos, com toda convicção, que a adoração é um processo vivo. O deus Criador está sempre presente na adoração e, por isso, precisamos de estar continuamente abertos às coisas novas que Deus está a fazer e fará em nós e na Igreja. Afirmamos a natureza dinâmica da adoração, como John Smyth articulou no primeiro Pacto das Igrejas, redigido há 400 anos: “(Comprometemo-nos) a andar em todos os Seus caminhos, dados a conhecer ou a serem conhecidos, conforme nossa melhor capacidade, qualquer que seja o custo, com a ajuda do Senhor”¹.
 

 - Traduzido por Irland P. Azevedo, em 22/05/2002 _ copiado do blog de Petrônio Borges - http://pastorcomciencia.blogspot.com.br/2012/04/declaracao-de-berlim-sobre-adoracao.html