Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de junho de 2025

Os ombros suportam o mundo

Carlos Drummond de Andrade 


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.


Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(sm)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Meu pai

Meu pai nunca disse 
o que eu deveria fazer ou ser,
nunca me deu conselhos, 
ou censurou minhas 
decisões afetivas, 
profissionais ou 
mesmo espirituais.
Nunca.
.
Enquanto caminhava com ele 
pelas ruas cheias e claras
ou escuras e vazias 
do centro do Rio, 
ou no ônibus cheio
ou no carro 
(ouvindo Nelson Gonçalves),
o meu pai só 
ouvia, 
ouvia, 
ouvia...
.
Ele me escutava,
e eu via seu meio sorriso,
ou escutava suas raras gargalhadas,
ou apenas um "hum hum" com lábios cerrados
que sempre acreditei serem um "sim sim".
E eu falava, 
falava, 
falava muito...
Contava histórias, 
quase sem respirar,
e sonhava, 
sonhava, 
sonhava...
.

Ele?
Escutava, 
escutava, 
escutava...
e sorria 
com seus olhos 
pequenos e pretos.
.
Hoje, ele não mais pode me ouvir, e
não sinto falta de falar com ele.
Já falei tudo.
Só sinto falta do seu silêncio
e também de beijar e 
abraçar,
abraçar, 
abraçar.
Bênção pai!
 por Westh Ney Rodrigues Luz

terça-feira, 12 de junho de 2012

Diante do cálice e do pão

Diante do cálice que minha mão sustém,
penso no sangue que Jesus verteu por mim
e uma vontade de lágrima logo me vem,
mas o Espírito ao ouvido me sussurra assim:
"A morte de Jesus é a sua vida tornada possível;
festeje-a com com a força de uma alegria indizível".

Diante do pão que meus dedos levantam,
penso num corpo dolorosamente esmagado
não pelo dEle, mas pelo meu rebelde pecado,
e lágrimas tristes em meus olhos se plantam,
mas o Espírito com Seu jeito pronto e doce
me lembra o que seria eu, se redimido não fosse.

Então, eu olho para cima para um canto
cheio de gratidão por sacrifício tão imenso,
e o cálice do fruto da vide firme levanto
para radiantemente celebrar amor tão denso
porque para mim, alegremente reconheço,
o sangue de Jesus é presente que não mereço.

Então, eu olho para o lado para um abraço
que deseja ser parte de uma fraternidade
que tem no corpo de Jesus o vigoroso laço
que integra os diferentes numa comunidade
que se reúne para tomar o cálice e o pão
entregues como voluntária doação.

Assim alcançado por este grande mistério,
tiro meus olhos felizes do passado crucial
porque no futuro também sinto refrigério
ao fruir o convite para a eterna festa final,
quando todos entoaremos a mesma melodia
que hoje cantamos com a antecipada ousadia
que brota solene do oferecimento da cruz:
"Digno de receber toda a glória é Jesus".

ISRAEL BELO DE AZEVEDO_ http://www.prazerdapalavra.com.br/reflexoes/poemas.html

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Hinódia batista Brasileira: 6.Hinos do Werner Kaschel, só autoria

Hino 206 HCC Santo Espírito Divino (Kaschel/Ganey)

1. Santo Espírito divino,
és o Criador,
junto com o Pai e o Filho,
nosso Salvador.
Do pecado e do castigo
vens nos convencer;
pelo novo nascimento
somos outro ser.

Santo Espírito,
vive em mim aqui,
pois em ti fui batizado
quando em Cristo eu cri.

2. Com gemidos intercedes
pelos que são teus;
a fraqueza nossa ajudas
junto ao nosso Deus.
Teu poder nós recebemos
pra testemunhar;
no seviço estás presente,
vens nos ajudar.

3. Na verdade tu nos guias
pelo teu amor.
És em nós da vida eterna
divinal penhor.
Temos todos a certeza
da ressurreição.
Alegria tu nos trazes,
plena salvação.
.....
Hino 217 HCC É a Bíblia Nossa Luz (Kaschel/Bradbury)

1. É a Bíblia nossa luz,
ela fala de Jesus.
Pela Bíblia nosso Deus
vem e ensina os filhos seus.

2. A Palavra é fiel,
é mais doce que o mel.
Nas promessas do Senhor
confiamos sem temor.

3. Útil sempre a Bíblia é
pra fortalecer a fé.
Ela é boa pra ensinar,
corrigir e educar.

4. Este mundo vai passar,
mas a Bíblia vai ficar.
Esperanças ela tra
e alegria, amor e paz.

..
Hino 246 HCC Santuários Nós Somos (Kaschel/Moraes/Melo)

1. Santuários nós somos,
santuários do bem Deus.
Do pecado libertos,
nos tornamos filhos seus.

Ao Senhor eu pertenço;
não sou meu, bem certo estou.
Tudo entrego ao meu Mestre
que do mal me libertou.

2. Nosso corpo guardemos
da impureza e todo mal.
Somos luz neste mundo
e na terra somos sal.

3. O que sou e o que tenho
eu dedico ao meu Senhor.
Minha vida eu entrego
e os meus bens, com todo o amor.

4. Multiplica e abençoa
o que venho te ofertar,
pra estender o teu reino,
tanto aqui como além-mar.
...
Hino 271 HCC Findo o Culto (Kaschel/Barnard)

1. Findo o culto, vou pra casa;
vens comigo, meu Senhor.
Foi tão bom cantar os hinos
com teu povo em teu louvor!
Ao ouvir os teus ensinos,
renovou-se o meu vigor.

2. Meu Senhor, tu vens comigo,
dando alento e direção.
Pois lá fora o mundo é selva
de perigo e tentação;
e eu preciso, amado Mestre,
de poder e proteção.

3. Pois, Senhor, se vens comigo,
tenho forças pra vencer
e palavras de esperança
aos aflitos pra dizer.
E que ao meu redor eu faça
tua luz resplandecer. Amém.
...

Hino 532 HCC Testemunhas Somos Todos (Kaschel/Filho)

1. Nos últimos dias vivemos,
em que os velhos vão sonhar.
Os moços visões deslumbrantes
para os outros vão contar.
Os moços visões deslumbrantes
para os outros vão contar.

Testemunhas somos todos,
somos sal e somos luz;
bons ministros nós seremos
quando unidos com Jesus.
Bons ministros nós seremos
quando unidos com Jesus.

2. Fiéis nós devemos ser sempre
na doutrina e no amor,
mantendo bem pura a verdade
da Palavra do Senhor.
Mantendo bem pura a verdade
da Palavra do Senhor.

3. Irmãos, pela graça que é nossa,
recebemos força e poder.
Sirvamos alegres a Cristo
no sorrir e no sofrer.
Sirvamos alegres a Cristo
no sorrir e no sofrer.
...
Hino 607 HCC O Menino, Que Vai Ser? (Kaschel/Gatz)

1. O menino, que vai ser?
Vai o mundo escolher?
Será servo de Jesus?
Pregará de Cristo a cruz?
Será servo de Jesus?
Pregará de Cristo a cruz?

2. E a menina, que vai ser?
Vai ao mundo pertencer?
Servir/a com muito amor
ao seu Deus e seu Senhor?
Servirá com muito amor
ao seu Deus e seu Senhor.

3. Tudo vai só depender
de cumprirmos o dever
de ensinar, amar, orar
e viver vida exemplar,
de ensinar, amar, orar
e viver vida exemplar.

...
Hino 542 HCC Só Jesus Cristo Salva (Lobo/Kaschel/Filho)

1. Redentor só um existe
com poder pra nos salvar:
é Jesus, que do pecado
quer a todos libertar.
Através de Jesus Cristo
alcançamos o perdão;
pela graça somos salvos,
que bendita redenção!

Hoje o Senhor Jesus Cristo
a todos estende a mão,
pois só Jesus Cristo salva
e transforma o coração.

2. Oh, que amor maravilhoso
Deus por nós já demonstrou!
Sendo ainda pecadores,
nossas culpas perdoou!
Por seu sangue Jesus Cristo
se tornou o Redentor.
Esperança para todos
é Jesus, o Salvador.

3. Vamos, crentes brasileiros,
nossas forças já somar,
para em toda a imensa Pátria
a verdade anunciar.
Nos sertões e nas cidades,
onde impera o erro vil,
proclamemos Jesus Cristo,
salvação para o Brasil.
..
Hino 595 HCC Que Feliz É o Lar (Kaschel/Filho)

1. Nossa casa parece colméia,
com abelha a sair e a chegar.
São unidos, pequenos e grandes,
no ideal de lutar, trabalhar.

Que feliz é o lar
em que Deus pode entrar,
e onde todos estão a crescer,
tendo um corpo que é são,
que convém ao cristão,
para a glória de Deus promover

2. Temos chefe, o pai, lá em casa,
mas quem manda de fato é Jesus.
Com respeito tratamos os outros,
procurando ser sal e ser luz.

3. E o amor embeleza e perfuma
nossa casa tão linda assim,
como as flores que Deus fez singelas,
pra alegrar da existência o jardim.

domingo, 3 de outubro de 2010

Caminhando e cantando e seguindo a canção: somos todos iguais braços dados ou não...

Cantei isto nos em 1968/69 e ínício de 1970,
nos Festivais da Canção,
pelas ruas do Rio em passeatas,
comícios, nas portas de faculdades,
escadarias da Câmara na Cinelândia,
na passeata dos 100 mil,
em casa,
chorando de indignação
e em aulas de História para meus alunos
ou mesmo em shows de MPB,
como protesto.

Hoje esta frase veio à minha mente por causa das eleições,
por causa da renovação da esperança,
mas também pelo momento particular que estamos vivendo.

Ah, se eu ainda tivesse 17 ou 19 anos
e tivesse tanta garra e força e fé na vida e fé no homem...
Ainda tenho, mesmo com pés pesados
e sujos de tanto fincar marcos
e fazendo força pra ninguém me tirar o que
ainda resta de alegria, esperança e
Fé na Vida, na Vida DELE.

Diferentes que somos,
igualados pela Fé no Cordeiro de Deus e
pelo ideal de vocacionados para uma missão integral e total do homem,
com a bandeira da Educação a nos chamar -
cantei isto de novo.

Amigos, enquanto canto,
penso que muitos caminham na mesma fé,
mas os braços não estão dados,
o olhar é outro,
a escuta é outra,
mas são nossos irmãos.

Quantas vidas,
quantas emoções perdidas ou não,
quantas falas duras que ficarão escritas
ou marcadas em muitos corações.

O que sempre me consola
é que Deus tudo vê,
e ouve,
e sonda nossas entranhas.

Sigo hoje cantando não o * estribilho -
que todos conhecem bem,
mas outra estrofe que diz:

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Que Deus nos ajude e que ajudemos uns aos outros, de braços dados ou não.

* estribilho:
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer...

Com carinho

abraços
westh ney
"No essencial - unidade; nas diferenças - liberdade; e em todas as coisas - o amor." (teólogo Peter Meiderlin)

***********************


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Simplesmente ama...



Composição: Marcelo Barbosa Barreti / Nil Bernardes / Fábio Caetano
Gravação: Osvaldo Montenegro

Quem vai dizer ao coração, que a paixão não é loucura
mesmo que pareça insano acreditar

Me apaixonei por um olhar por um gesto de ternura
mesmo sem palavra alguma pra falar

Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar

Quando a gente ama, simplesmente ama
é impossível explicar.
Quando a gente ama, simplesmente ama!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Benditos os avós

Israel Belo de Azevedo

Para o vovô Flauzino, o poeta com quem aprendi que aparência não é nada, e também o que é a morte; Para a vovó Maria, pelos caranguejos que me preparou, pensando que eu gostava (e eu gostava)

Em qual criança
o coração não bateu mais forte na proximidade
da casa do avó,
prenúncio de um tempo de carinho maior,
numa casa construída para o exercício da liberdade?

Que lembrança
não ficou da roupa nova e do novo brinquedo,
presentes dos avós
para serem desfrutados logo em grupo e a sós,
ausente qualquer medo?

Que infância
teve quem a comida predileta
não estava na mesa da vovó,
espaço do bom e do melhor,
como se ela do nosso gosto fosse exegeta?

Quem esperança
não terá de uma vida boa,
vendo-a sob os olhos dos avós,
vivendo-a desde agora e após
ao som do horizonte da palavra que abençoa?

Os pais gostam da palavra "nada"
e os avós amam a palavra "tudo".
O pai repreende o filho
e o avó repreende o pai.
Pai quer tudo agora,
mas avô deixa para depois.
Se os avós "estragam", é por pouco tempo,
quando a educação dos pais é para sempre.

Ter pais é fundamental
e ter avós é essencial,
porque é essencial
uma casa onde se entre correndo,
um colo que se ganha não merecendo,
um beijo que se receba ao chegar e ao sair,
uma mesa de onde as coisas podem cair,
um abraço de banho ainda não tomado,
um tênis bem enlameado,
uma boneca destruída,
uma piscadela correspondida,
uma arvore que não precisa esperar o natal,
umas férias com a cara da cidade celestial,
uma laranja já entregue descascada,
uma carne no prato já bem cortada,
histórias que embalam, mesmo que repetidas,
mãos que seguram, mesmo que enfraquecidas,
sorrisos que perdoam nossos pecados,
preocupações que nos fazem sentir amados.

Ser avô é fazer de conta que se é criança.
Ser avô é plantar no neto a boa lembrança.
Ser avô é cultivar o valor da infância.
Só é avô quem sabe que há esperança.

Deixem vir a nós
os benditos avós!

ISRAEL BELO DE AZEVEDO
(julho de 2010)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Alma dançando - Libertango_ Astor Piazzola e Yo Yo Ma

Isto também é poesia. Poesia tocada.
Os grandes - Piazzola e Yo Yo Ma




"Si, es cierto, soy un enemigo del tango; pero del tango como ellos lo entienden. Ellos siguen creyendo en el compadrito, yo no. Creen en el farolito, yo no. Si todo ha cambiado, también debe cambiar la música de Buenos Aires. Somos muchos los que queremos cambiar el tango, pero estos señores que me atacan no lo entienden ni lo van a entender jamás. Yo voy a seguir adelante, a pesar de ellos." Astor Piazzolla, Revista Antena, Buenos Aires, 1954.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dor: onde estava Deus?

Dell Delambre






A vida é realmente efêmera e volátil.
A catástrofe nos convence de que perdemos muito
tempo na periferia da vida e não aprofundamos nas áreas centrais.
Dois se foram, mas outros ficaram.

Certamente, procurarão os ombros
de quem já sofreu a dor da perda;
pessoas que tiveram coragem
de indagar a suposta "vontade" de Deus;
lutaram e, muitas vezes, se indignaram;
permanecendo crentes, tornaram-se incrédulas;
mesmo amando, foram consumidas pelo ódio
e amargaram a raiva.

Pessoas que se permitiram,
diante de toda fugacidade de nossas "doutrinas",
construir o próprio caminho
para a reconciliação com Deus.

Nessa estrada asfaltada pela dor, pelo trauma,
pela perda, pelos por quês, pela angústia,
essas pessoas encontram o mesmo Deus,
porém, com faces do tamanho do próprio sofrimento.

O cristão, que realmente é humano,
ao experimentar tamanha tragédia,
precisa passar pelo calabouço reconciliatório
dessa pedagogia processual para que,
diante da ausência de respostas na teoria,
ele possa experimentar o acolhimento de Deus
que desconsidera nossas blasfêmias.

Caso o processo depressivo da dor e da perda
seja sublimado com explicações teológicas apressadas,
corremos o risco de nos tornarmos cristãos na teoria
e ateus na profundidade da nossa alma.

Ou seja, lá onde residimos com sinceridade;
onde as questões não são abafadas;
onde, por vezes, choramos calado,
porque todos ao nosso redor só nos aceitam sorrindo.

Frente ao silêncio da dor, o tempo nunca é nosso,
ele é dominado completamente por Deus.
A fé também brota da dor, do silêncio e
do vazio de nossa frágil existência.

No princípio,
o Nada era simplesmente Tudo de Deus e
todo do som era a Música que
reverberava, como adoração, no Tempo de Deus.

Dell Delambre – Berlim – 09/01/2010
Poesia feita ao receber a notícia da morte trágica de duas pessoas (Idalmo e Tia Mil) de uma família da PIB de Acesita, MG.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS! Silvino Netto

Poesia de Silvino Netto – fevereiro de 2010 – apjll@bighost.com.br

Minha primeira morada
Foi num pequeno espaço:
O ventre materno de minha mãe.
Morei ali durante nove meses.
Não lembro de nada
Sobre aquela primeira casa flutuante.
Mas, sem dúvida, devo ter registros gravados,
Em meu corpo e espírito,
Que me acompanham até hoje.

O espaço que me envolvia
Passou a ser pequeno demais
Para um embrião com cabeça de baiano.
Assim, em busca da Supervia da Luz,
Descobri a porta de saída,
E fui, alegremente, acolhido por meus pais,
E dois irmãos,
Na rua Dr. Julio David, n. 3,
Bairro da Ribeira, Salvador, Bahia.
Boas e amargas lembranças
Dos treze anos vividos
Naquela casa de três quartos,
Sala, banheiro, cozinha, quintal...
E que , mais tarde, tornou-se
A Casa da Dor!

Depois da morte de meu pai,
Fui morar com os queridos tios,
No Rio de Janeiro, Capital Federal,
Na rua Amoroso Costa, Tijuca,
(Casa de Novas Oportunidades).

Dali, reunimos a família novamente,
Em nossa nova casa,
Na rua Marechal Trompowisk,
(Casa da Reconstrução)!

E, então,
Mariz e Barros, José Higino,
Lexington Road (USA), Joaquim Palhares,
Mariz e Barros, em novo endereço,
Foram moradas de minha trajetória de vida,
Enriquecida com meu novo núcleo familiar:
Esposa e dois filhos.

Agora, continuo morando no Rio,
Na Av. Prefeito Dulcídio Cardoso,
Barra da Tijuca! (Morada das Conquistas)!

E, daqui para frente,
Aos 67 anos de idade,
Qual será a minha próxima morada?!!!

A única certeza que tenho, hoje,
É que, mais cedo ou mais tarde,
Chegará o dia em que devo receber
A escritura definitiva, eterna,
Com as chaves
De minha morada no céu.
Sim, pois esta é a promessa
De quem loteou a Nova Jerusalém,
Para os que abrem a porta do coração,
Para recebê-lo, cear com ele,
E dele, Jesus,
Receber a planta da casa,
Com a promessa de escritura,
Conforme as Escrituras:
Na casa de meu Pai
Há muitas moradas,
Se assim não fosse,
Eu vo-lo teria dito:
Vou preparar-vos lugar...
E quando eu for,
E vos preparar lugar,
Virei outra vez,
E vos tomarei para mim mesmo,
Para que onde eu estiver
Estejais vós também!!!

UMA CASA NO CEU!
É MUITO LUXO PARA MIM,
POBRE PECADOR!

Se uma casa real ou em formatação simbólica,
Minha Teologia não questiona.
Não faz qualquer diferença para mim.
O que importa é a certeza
De estar abrigado nas moradas eternas,
Na presença de Cristo!

Não sei qual será o meu endereço no céu...
Tenho dúvidas se será morada fixa
Ou múltiplas moradas???!!!
Mas, acredito, que todas as moradas
Poderão ser habitadas
Por um corpo glorificado...
Todas serão minhas
E de todos os meus irmãos em Cristo.

Sendo assim,
Tenho na rua da Vitória,
Uma casa com uma vista linda
Para o Mar Vermelho!
Na praça da Adoração,
Vozes do coral dos salvos...
Vêm do Templo de Salomão!
No Jardim da Consolação,
Vista para o Getsemani,
O lindo Jardim de Oração!
Na Avenida da Glória,
Um painel de nuvens resplandecentes
Envolve o Monte da Transfiguração!!!
Na indescritível rua da Graça,
Esquina com a rua do Amor...
Vejo, pelas janelas, sempre abertas,
O Monte Calvário,
Ali, aonde Jesus Cristo pagou o preço
Para cumprir a promessa
De muitas e ricas moradas no céu!...

Maravilhosa Graça poder morar
Nas mansões celestiais,
Na Casa de meu Pai!!!