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Mostrando postagens de agosto, 2015

Meu pai

Meu pai nunca disse  o que eu deveria fazer ou ser, nunca me deu conselhos,  ou censurou minhas  decisões afetivas,  profissionais ou  mesmo espirituais. Nunca. . Enquanto caminhava com ele  pelas ruas cheias e claras ou escuras e vazias  do centro do Rio,  ou no ônibus cheio ou no carro  (ouvindo Nelson Gonçalves), o meu pai só  ouvia,  ouvia,  ouvia... . Ele me escutava, e eu via seu meio sorriso, ou escutava suas raras gargalhadas, ou apenas um "hum hum" com lábios cerrados que sempre acreditei serem um "sim sim". E eu falava,  falava,  falava muito... Contava histórias,  quase sem respirar, e sonhava,  sonhava,  sonhava... . Ele? Escutava,  escutava,  escutava... e sorria  com seus olhos  pequenos e pretos. . Hoje, ele não mais pode me ouvir, e não sinto falta de falar com ele. Já falei tudo. Só sinto falta do seu silêncio e também de...