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sábado, 28 de junho de 2025

Os ombros suportam o mundo

Carlos Drummond de Andrade 


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.


Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(sm)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cristão e a Cultura de Michael Horton

Introdução:
Por vezes os hinos me confundem. Eu me lembro bem, quando garoto, de ficar confuso com dois hinos populares que me pareciam totalmente contraditórios. O primeiro era "Aqui não é meu lar, um viajante sou", e o outro era "O mundo é do meu Pai". Se o mundo é do meu Pai, eu pensava, porque estou apenas passando por ele como viajante?


    Mas os hinos não eram a única coisa a confundir no negócio de relacionar-me como cristão no mundo. Esperava-se dos cristãos que justificassem tudo nas suas vidas pela sua utilidade espiritual ou evangelística. No máximo, a educação, atividades, vocações ou buscas "seculares" eram um mal necessário -- para se ganhar a vida, para ter com que dar o dízimo e dar para missões. Na pior das hipóteses, distraíam da vida cristã. Agiam como a canção da Sirene seduzindo mundaninhos insuspeitos aos recifes da incredulidade e do afastamento de Deus. Assim, os que queriam ser empresários procuravam empregos em organizações e agências cristãs. Se descobríssemos um pequeno Rembrandt num jovem artista da igreja, nós o colocávamos como responsável pelo quadro de avisos e (se ele fosse realmente bom) deixávamos que pintasse o batistério. Esperava-se dos nossos cientistas que promulgassem a causa do criacionismo -- mesmo que a cosmologia ou as ciências biológicas e antropológicas não fossem suas especialidades. Dos músicos esperava-se que entrassem (ou formassem) na banda de louvor ou fizesse uma turnê pelas igrejas do país -- o tamanho da igreja, claro, dependia do grau de talento do artista. Através dos anos, temos criado os nossos próprios guetos de artistas, super estrelas e apresentadores, com versões cristãs de tudo que há no mundo.

    Essas experiências, porém, não se limitam ao nosso tempo e lugar. A Renascença, e de modo especial, os tempos da Reforma foram reações ao modo medieval de encarar a vida. Para a igreja medieval, filosofia, arte, música e ciência se confundiram tanto com a religião que não dava para distinguir uma da outra. A filosofia não era, na realidade, filosofia, A Renascença demonstrou como a interpretação da igreja medieval de Aristóteles e Platão (os favoritos) era diferente dos escritos daqueles filósofos. Se alguém quisesse ser artista, mais uma vez procurava-se a igreja para um emprego, como a arte era ferramenta da pregação ou do ensino da vida e dos tempos de Jesus e seus apóstolos. E os sofrimentos de Copérnico e Galileu nos lembram do perigo de dizer mais do que a Bíblia diz sobre teorias científicas específicas.

    A Reforma libertou homens e mulheres cristãos para seguir com dignidade e respeito os seus chamados divinos no mundo, sem ter que justificar a utilidade desses chamados à igreja ou ao empreendimento missionário. A vocação era dom da criação. Até mesmo os não cristãos, como quem carrega a imagem de Deus, possuíam este chamado divino. Crente e incrédulo eram igualmente responsáveis por desenvolver seu trabalho com excelência -- um reconhecendo a Deus como autor e alvo dessa excelência, e o outro servindo a Deus com seus talentos apesar de sua recusa em reconhecê-lo como doador e alvo de tudo. Em contraposição à visão monástica do mundo, a Reforma promulgava uma teologia que abarca o mundo, um dos fatores principais no desenvolvimento da ciência, da Era Dourada" da arte holandesa e da literatura inglesa e escocesa, a libertação da igreja da política, a difusão universal da leitura e da escola pública, e o grito por liberdades civis em contraposição ao fundo da tirania vigente.

    É claro, não existe movimento perfeito -- há envolvida em todos gente demais parecida conosco! A Reforma não é exceção, com sua parcela de erros e os disparates de homens e mulheres pecadores. Contudo, os temas bíblicos por ela recuperados trouxeram de volta ao povo de Deus um senso de pertencer a este mundo durante o tempo que Deus nos deu, mas pertencer dentro de , e não como parte do mundo.

    A pressão de justificar a arte, ciência e a diversão em termos do seu valor espiritual ou sua utilidade evangelística acaba prejudicando tanto o dom da criação quanto o dom do Evangelho, desvalorizando o primeiro e distorcendo, no processo, o segundo. Por exemplo, "música cristã" é freqüentemente uma desculpa para artistas inferiores conseguir vencer numa sub cultura cristã que imita o brilho e glamour do entretenimento secular, inclusive suas próprias cerimônias de premiação e seu ambiente de super estrelato. Pode ser que essa não seja a intenção por parte de muitos artistas que querem contribuir ao cenário da música cristã contemporânea, mas a indústria acaba produzindo, na maioria, imitações nada criativas, repetitivas, superficiais da música popular. Produzir música em conformidade com os gostos anestesiados duma cultura consumista já é ruim; imitar a arte comercializada é desperdiçar os talentos, a não ser que se esteja escrevendo para o rádio e a televisão. Trivializa tanto a arte quanto a religião. Não quero com isso condenar todos os artistas cristãos, pois há muitos musical e liricamente sofisticados o bastante que integram uma compreensão séria da mensagem bíblica com um estilo musical criativo. Também não quero que sejamos "esnobes" musicais que confundem seu gosto particular com a Palavra revelada de Deus. Afinal de contas, freqüentemente "a verdade está escrita nas paredes do metrô", o equivalente arquitetônico da música popular. É esta uma das razões pelas quais eu aprecio a música popular de vez em quando, em parte porque é agradável e traz lembranças de tempos passados. Mas é uma forma inferior, dirigida comercialmente (noutras palavras, financeiramente) que se rebela contra os padrões mais altos da expressão artística.

    Essas pressões, porém, para se criar versões distintamente "cristãs" de tudo no mundo (ou seja, na criação), pressupõem que exista algo essencialmente errado com a criação -- e essa é uma pressuposição teológica que tem influência muito maior na formação das atitudes evangélicas em todas essas esferas do que geralmente se admite. Examinaremos essa posição básica nos próximos capítulos.

    Permita-me dizer de início que este livro não é uma análise sofisticada da base teológica de uma visão cristã do mundo ou da natureza das artes, ciências, filosofia e assim por diante. É para o leitor geral, especialmente para aqueles crentes que lutam com uma sub cultura que abafa ao invés de encorajar seus impulsos e suas ambições divinamente dotadas. Nesse sentido, é um livro pastoral. É oferecido com esperança de que os teólogos aprendam mais sobre outras disciplinas e que cristãos nessas outras disciplinas se ancorem mais firmemente sobre a teologia bíblica antes de tentar "integrar" sua fé e vida. Mas não obstante a posição do leitor em relação a esses tópicos -- seja ele um esteta de muita cultura ou uma mãe cristã que quer saber se sua filha pode cursar com segurança uma universidade secular -- haverá poucos desafios às idéias prevalecentes no mundo evangélico e aqui e ali algo em que pensar um pouco mais.

    Para iniciar, quero definir alguns termos, Primeiro, estarei usando o termo "cultura" no seu senso mais amplo, referindo-me tanto à cultura popular (esportes, política, ensino público, música popular e diversões, etc. e a alta cultura ( horticultura, academicismo, música clássica, ópera, literatura, ciências, etc.). Uma definição útil e abrangente de "cultura" para nossa discussão pode ser "a atividade humana que intenciona o uso, prazer e enriquecimento da sociedade". Segundo, por "igreja" estou dizendo a igreja institucional, -- "onde a Palavra de Deus é pregada e os sacramentos são administrados corretamente", como diziam os reformadores. Quando, por exemplo, se diz que a igreja não deve confundir sua missão com as esferas da política, arte, ciência, etc., não se está sugerindo que os cristãos como indivíduos devessem abandonar esses campos (muito pelo contrário), mas que a igreja como instituição deve observar a sua missão divinamente ordenada. Essa igreja institucional deve ser entendida como expressão visível do corpo universal de Cristo através de todos os séculos e em todo lugar. A igreja institucional recebeu a comissão única de pregar a Palavra e fazer discípulos, Meu emprego da palavra "igreja", portanto, não é apenas uma referência ao corpo coletivo de cristãos individuais, mas ao organismo vivo fundado por Cristo, ao qual foi confiado o seu próprio ministério pessoal.

Onde comprar: http://www.portaldelivros.com.br/default.asp?Pag=5&Destino=Template&CodigoAfiliado=3680&Codigo_Produto=170446

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

2. ARTE - Como a Arte Fez o Mundo - Episódio 1 da BBC

ARTE - dicas de links interessantes e bons

2. ARTE - Como a Arte Fez o Mundo - Episódio 1 - Mais Humano Do Que O Humano  - BBC
Grande aula sobre ARTE na BBC - Como a Arte Fez o Mundo - Episódio 1 - Mais Humano Do Que O Humano (2005) - "Existe uma imagem que domina o mundo contemporâneo como nenhuma outra: o corpo humano. "Como a Arte Fez o Mundo" viaja desde o mundo moderno da publicidade aos templos da Grécia clássica e túmulos do antigo Egito para desvendar o mistério por trás do motivo de os humanos se rodearem de imagens do corpo que são tão irreais. 

1. ARTE_ Van Gogh

-  ARTE - dicas de links interessantes e bons

1. ARTE_ Van Gogh
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" Vincent Willem van Gogh (Zundert, 30 de Março de 1853 — Auvers-sur-Oise, 29 de Julho de 1890) foi um pintor pós-impressionista neerlandês, frequentemente considerado um dos maiores de todos os tempos.

Sua vida foi marcada por fracassos. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais. Aos 37 anos, sucumbiu a uma doença mental, cometendo suicídio.

A sua fama póstuma cresceu especialmente após a exibição das suas telas em Paris, a 17 de Março de 1901.

Van Gogh é considerado um dos pioneiros na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas, sendo a sua influência reconhecida em variadas frentes da arte do século XIX, como por exemplo o expressionismo, o fauvismo e o abstraccionismo.

O Museu Van Gogh em Amsterdã é dedicado aos seus trabalhos e aos dos seus contemporâneos."
http://youtu.be/Rve77XDdK0I


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quinta-feira, 1 de maio de 2014

A vida de professora é muito bela


por Westh Ney Rodrigues Luz

Caros amigos, nestes 15 dias tive uma alegria imensa que só os educadores e artistas entenderão. O encontro de dois alunos com a arte, aquele insight, a absurda percepção de estar diante de uma música e ela tocar a sua alma e ele perceber que está ouvindo é mais que música, deixa qualquer professor muito feliz e realizado.
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1. Antes da Semana Santa, um aluno do 2º ano (baterista e trabalha com bandas) deu um soco na mesa, gritou (berrou) dizendo: - Que som! Puxa, que som! Ele estava em êxtase, seus olhos brilhavam. Tinha terminado o último acorde da abertura, do 1º coro da Paixão Segundo São Matheus de J.S.Bach. Aquela tremenda arquitetura musical barroca para dois coros e duas orquestras tocou sua alma no sentido hebraico – totalmente integral foi sua experiência. A letra era em alemão, mas ele percebeu tudo. Assim é arte. Ela precisa do artista que a faz e de quem a percebe. Então ela é refeita!
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2. Outro aluno da área das bandas, 1º ano, de uma igreja evangélica, não batista, está descobrindo os hinos do HCC. Quer aprender todos e está encantado com as letras e harmonias. Hoje foi a vez dele gritar extasiado quando terminamos de cantar o 208 do HCC – Eu não posso fugir do Teu Espírito - que tem letra e harmonização de qualidade e uma melodia lindíssima. Ele é sempre quieto, presta atenção e fica sempre pensando em tudo que trago para a sala fazendo a ponte com a sua realidade. Fala pouco e hoje descobriu a beleza do hino. Quando a aula terminou, e seus colegas combinavam o culto da Capela do dia 14, ele disse que quer cantá-lo, fazer um solo. O encontro com o Belo com o sublime em arte independe de conhecimento, estilo, faixa etária.
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Estou recompensada por ver e sentir o crescimento dos meus queridos jovens alunos, que sem preconceito, sabem discernir o que é arte e se deixam tocar por ela. Quantos encontros e encantos em cada canto deste Seminário do Sul.
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Rio, ou melhor, dou gargalhadas e me divirto com Débora Feliciano , Ana Luiza Salotto Inácio , Diogo Silva e Anderson Ferreira. Gostam de me imitar e são como as cigarras – adoram cantar. Termino a noite conversando com dois excelentes alunos – Valci Farias e Tiago Pena – sobre spirituals, gospel, blues, jazz, musicais, jazz, monografias e livros. Chega a angolana querida, a Formosa Sangostinho, que alegra o ambiente e seguimos com alma lavada – eles e eu - para nossas casas. Antes de sair, um papinho de saideira com o Theógenes Eugênio Figueiredo.
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O som da minha mala de livros que arrasto pelo campus ecoa por aquele seminário/faculdade vazio e muito frio nestes dias. Todos já tinham ido embora e os poucos seres deviam estar em seus quartos, bem agasalhados. Chamo o táxi e a atendente simpática que só conheço pelo som da voz, é meu último contato humano até chegar em casa, pois o motorista de hoje estava mais do que econômico nas palavras. Ao chegar em casa, Marcelo Leiroz abre a porta e pergunta por que estou sorrindo feliz (nem sabia que estava). Não respondi, só o abracei ainda tocada pela magia de um dia bem vivido.
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E pensar que hoje estava tão cansada e quase desanimada na parte da manhã.
A vida de professora é muito boa.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SOBRE O BELO, A ESTÉTICA E OS ALUNOS


Westh Ney Rodrigues Luz


Lendo recentemente um texto sobre  Estética e História da Arte veio logo á minha memória  dois casos que vivenciei.

O primeiro aconteceu no Metrô do Rio. Uma mulher me abordou quando lia o livro " Apreensão do Belo" de Meltzer e Williams. Perguntou-me se era sobre a prisão do Belo (o cantor). Fiquei sem ação e simplesmente respondi não. Não havia espaço para uma discussão filosófica dentro de um transporte coletivo, ainda mais quando ela pergunta isto bem alto. Os parâmetros culturais que ela trazia  não me trouxe tranquilidade para discutir ali o quê ou quem era o Belo em questão.

O segundo caso que me trouxe perplexidade foi ver em um Colégio tradicional e particular da Zona Sul do Rio de Janeiro – onde lecionei Educação artística – as professoras das turmas e as de arte sendo obrigadas pela direção retocarem as pinturas e os quadrinhos feitos pelas crianças. De maneira alguma estes objetos poderiam ser enviados aos pais, era a ordem da direção.. Desde cedo a Escola adestrando e formatando a criatividade, o olhar estético das crianças. A arte não é esta cópia do real, ela é além, é maior.  

O que é Estética e o que é Belo? Será que é algo que nos toca, nos faz bem só de olhar ou ouvir, que afeta  nosso senso estético desde a natureza, árvores, flores, animais, pessoas até criações artísticas?

Estética (em grego aisthetikós)  é a sensibilidade que temos para perceber as coisas. Uma obra de arte por mais perfeita ela ainda precisa de quem a observa, pois o artista a concebe, mas quem a vê o recria. Seres humanos são sensíveis ao apelo da beleza. Como se fosse um sentido subjetivo para apreciar, não simplesmente ver ou ouvir. O Belo é algo que consegue exprimir o que foi proposto naquela obra ou objeto. Por mais estranho que seja o objeto, ele cumpriu as regras que se propôs usar para chegar ao seu final e chega a alguém e este será impactado por esta arte ou este objeto e cada um fará a sua leitura. O feio seria o contrário - não atingiu o seu alvo. (SIGNORELLI,  2008, p. 15)

Immanuel Kant (1724-1804) afirma  que o Belo é  aquilo que agrada universalmente, ainda que não se possa justificá-lo intelectualmente. Para ele, o objeto é uma ocasião de prazer, cuja causa reside no  sujeito, em que aprecia ou está exposto a este encontro com a Arte. Sobre o Sublime em arte, este é mais do que pensar no Belo que é variável em cada época. Sempre tenho aplicado este conceito com meus alunos. O sublime é mais uma   potencialização do Belo, ligado ao sentimento, à expressão e não à racionalidade. 

Voltando ao conceito de Arte e de Belo, esta (arte)  alcançará o objetivo que aquele objeto estava proposto. Não é para ser a perfeita  representação da realidade mas ela, a arte, usará corretamente o que desejar com regra para ter o seu objeto do jeito que o imaginou. No quadro de  Honoré Daumier – Queremos Barrabás - , a arte tem ali como objeto a sociedade onde mesmo retratando a miséria, ali existe o Belo. (ARGAN, 1992, p.64)

Para que haja a percepção do significado do Belo é preciso ter uma experiência estética e então penso na Escola, na família e nas instituições que precisam proporcionar isto às pessoas, mais precisamente e prioritariamente às crianças.  

Será que o Belo que cada um percebe não está impregnado da sua cultura, será que nossa percepção é totalmente isenta ou foi formada? Olhando por outro ângulo é assustador imaginar que nós professores podemos influenciar o aluno. Não podemos impor nossa estética à outra pessoa, ao aluno, mas podemos abrir janelas para que conheçam obras de arte de qualquer forma (plástica, música, poesia...) 

No encontro com a história da Arte, conhecendo as características de cada período, e entendendo que nenhuma arte está solta no espaço mas,  que ela acontece no espaço social, na cultura de cada lugar onde ela nasceu,  nossos alunos expandirão seus horizontes e aprenderão a apreciar a Arte que agora conhecem pois foram apresentadas 

Quando de forma interdisciplinar a Arte , a História, o Português, a Música e outras áreas de conhecimento conseguirem um entrelaçamento recriando o ambiente social do período histórico e social que estiver em questão, teremos alcançado uma forma criativa e eficaz de ensino. 
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. SP: Companhia das Letras, 1992.
INSTITUTO DE GESTÃO EDUCACIONAL SIGNORELLI. Guia de estudo em 
       ARTES, Estética e História da  Arte. RJ: SIGNORELLI, 2008.

domingo, 26 de setembro de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Canto gregoriano
























Mosteiro São Bento do Rio de Janeiro

Um grande encontro da arte maneirista, Barroca e Rococó, além da música cantada até século IX. Planos para a construção, 1617; início das obras 1633; término, 1671; modificações na Capela mor, acréscimos dos lampadários, trabalhos de entalhes e esculturas nos anos de 1714 , 1789, 1800;












sábado, 14 de agosto de 2010

Domitila Ballesteros

1. Tocatta to pedal Solo - show com os pés
http://www.youtube.com/watch?v=hNl_Pl4IaaU

2. "Tico-Tico no Fubá"
http://www.youtube.com/watch?v=b4hvSmESAq0

3. Festival de Órgano de Cajastur (2)
http://www.youtube.com/watch?v=LQwrHk7i4OQ

4. Tocatta and Fugue in d BWV 565
http://www.youtube.com/watch?v=ZTfSn4v95_o

5. Fuga in g BWV 542 - Bach
http://www.youtube.com/watch?v=RH08bSG1wf0

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Workshop - Domitila ao órgão que será usado para o evento no Rio dia 07/09/210
http://www.youtube.com/watch?v=jQZYrG7YSkA

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Dia 7 de setembro tem um workshop gratuito com ela no Rio.
Inscrevam-se por telefone (21) 93794103 ou email domitila@arteorganistica.org.br ou info@arteorganistica.org.br

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WORKSHOP DE ÓRGÃO COM DOMITILA BALLESTEROS

Dia 7 de setembro, terça-feira, , entre as 9 e as 18 horas
Público alvo: pianistas, tecladistas, regentes.

Objetivo:
Ensinar princípios básicos de funcionamento nos instrumentos, registração, combinação de registros nos diferentes tipos de instrumentos – de tubos, eletrônico e digital e interpretação.

Pré-requisito:
Não há, apenas conhecimentos prévios de música.

Metodologia:
O workshop será realizado no dia 7 setembro, entre as 9 e as 18 horas e constará de uma parte teórica e outra (4 no total, pois são dois instrumentos diferentes) quando será dada oportunidade aos participantes de experimentar os instrumentos de acordo com conceitos aprendidos no workshop.

Serão distribuídas partituras para órgão (ou adaptadas) sempre de fácil leitura e execução.

Para a realização serão utilizados dois instrumentos completamente diferentes: o órgão de tubos Cavaillé-Coll localizado na Igreja N. Sra. Do Carmo da Lapa e o órgão eletrônico Hammond da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro.

Valor:
O curso é gratuito, mas dependerá de inscrição prévia.

Inscrição:
Por telefone (21) 93794103 ou
email domitila@arteorganistica.org.br
ou info@arteorganistica.org.br



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Domitila Ballesteros

http://www.ballesteros.mus.br/


Domitila Ballesteros estudou órgão com Fritz Hofer e Pablo Castellanos e fez cursos de aperfeiçoamento com nomes como Matteo Imbruno, Ludger Lohman, Mas y Bonet, Peter Planyavsky e Michael Radulescu. Professora de órgão e organista da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, é presidente do Instituto de Cultura e Arte Organística.

Mestre em órgão pela UFRJ e doutoranda em Etnografia das Práticas Musicais na UNIRIO. Publicou o livro de Jeanne Demessieux's Six Études and the Piano Technique.

Domitila Ballesteros vem se destacando ativamente no cenário organístico nacional e internacional. Foi uma das representantes do Brasil nas comemorações do Ano Brasil-França em 2005, patrocinada pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Eurobrasil, realizando uma série de recitais na região da Bretanha, França, nas cidades de Ploermel, Fougères, Rennes e St. Malo. Ainda na mesma ocasião, foi organista concertista da Semana International da Mulher, evento patrocinado pela Prefeitura de Rennes.


Em julho de 2006 participou do Festival Internacional de Órgão de Hasselt, Bélgica, dentro da série Sete Mulheres Musicistas de Renome, atuando com organista concertista na Catedral de Hasselt. Em maio de 2007, realizou o concerto de abertura do XXI Festival Internacional de Órgano em Montevidéu. Seus compromissos internacionais em 2008 incluíram doze concertos em importantes igrejas da Holanda, Noruega e Dinamarca. Sua agenda para 2009 inclui concertos em cidades do Brasil assim como em diversas cidades no México, Alemanha, Suécia e Holanda.

domingo, 6 de setembro de 2009

Ensinar o mundo inteiro a cantar

“O povo é, no fundo,
a origem de todas as coisas belas e nobres,
inclusive da boa música! [...]
Tenho uma grande fé nas crianças.
Acho que delas tudo se pode esperar.
Por isso é tão essencial educá-las.

É preciso dar-lhes uma educação primária de senso ético,
como iniciação para uma futura vida artística. [...]
A minha receita é o canto orfeônico.
Mas o meu canto orfeônico deveria, na realidade,
chamar-se educação social pela música.

Um povo que sabe cantar está a um passo da felicidade;
é preciso ensinar o mundo inteiro a cantar”.
(VILLA-LOBOS, 1987)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Será que fui eu que mudei à noite?

Um amigo virtual, em uma lista de debates, o prof. e pr. João Pedro Gonçalves de Brasília, citou um diálogo do livro Alice no país das maravilhas de Lewis Carrol
– Quando eu uso uma palavra, – Humpty Dumpty disse com certo desprezo – ela significa o que eu quiser que ela signifique... Nem mais nem menos.

Então me lembrei de grandes desencontros que tenho visto e de conversas e discussões irrelevantes ou mesmo desnecessárias e não pude deixar de lembrar da Alice, perdida em um mundo diferente e estranho ao seu, perdida e não entendendo o seu tamanho e também como se colocar nesta nova situação de mudança . Presa ainda na sua antiga vida e já perdendo o referencial e não entendendo as novas mudanças tão rápidas, diz no capítulo dois assim:

"Meu Deus! Meu Deus! Como tudo é esquisito hoje. E ontem era tudo exatamente como de costume! Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando eu levantei hoje de manhã? Eu estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: Quem é que eu sou? Ah, essa é a grande charada."

Acho que não devo explicar nada, pois esta fala de uma criança - a Alice - , nesta obra de arte literária, já nos toca. Aliás, esta é a função de uma obra de arte. Ela não precisa de bulas e nem de mapas para sua compreensão.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

AMBB em fotos

Convivência, troca de experiências, estudos bíblicos e técnicos, repertório para coro, Igrejas, apreciação musical, concertos, pequenos recitais, culto, oficinas, novidades, reflexão...







sábado, 25 de julho de 2009

Marcelo Leiroz Pinto - sua arte

http://genodrops.blogspot.com/























sexta-feira, 5 de junho de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

GENODROPS - Marcelo Leiroz


No blog do Marcelo Leiroz - GENODROPS - vccê pode se deliciar com resenhas de filmes e livros. Tem arte, música e muita crítica. Ele coloca as fotos e imagens dos filmes - clássicos do cinema, seus preferidos. Hoje não deu para resistir e coloquei o post de hoje dele - Roy Orbison . Clique para ouvir. Você vai choramingar com estas baladas melosas e sentimentais dele. Talvez você não resista e saia dançando pela sala. Faça isto. Chore e dance.


Marcelo escreve:
" Julee Cruise é considerada a VOZ DO AMOR e o americano Roy Orbinson pra mim é A VOZ MASCULINA DO AMOR. Pioneiro do Rock. Ganhou sua guitarra aos seis anos. Sempre com sua marca registrada: seus óculos escuros. RO imprime em suas músicas um tom tão melódico que é difícil não identificá-las como as famosas baladas de amor perdido de Big "O".
Os Beatles ficaram honrados de tê-lo em sua turnê.
Faleceu em 6 de dezembro de 1988, em Hendersonville, Tennessee, aos 52 anos.
Do disco K, destaco a tríade (clique para ouvir):
- Crying (com K.D. Lang)
- After The Love Has Gone
- Love in Time


Postado por Marcelo Leiroz às 21:35

Marcadores: música

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sábado, 21 de março de 2009

Culto na Alemanha - Huguenotes

Queridos amigos e colegas de ministério musical nas igrejas

Fiquei tão feliz e encantada de ouvir meu irmão e amigo Amaru Soren, quando ao telefone começou a falar sobre o culto na Igreja dos huguenotes 1693), o órgão de 1764 e do histórico Saltério de Genebra (idealizado por Calvino, séc. XVI), que lhe pedi que escrevesse e me enviasse por e-mail para compartilhar com vcs .
Leiam abaixo o belo relato dele.
Ao final a liturgia.
Grande abraço
westh ney

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Querida Westh Ney,

Como Deus atua em nossas vidas por meios que muitas vezes para nós são desconhecidos, fui chamado domingo dia 8 de Março para atuar como organista - em uma situação de premência - em um culto na Igreja dos Hugenotes de Erlangen - Nuremberg. Esta é uma das igrejas evangélicas mais antigas (1693), mais tradicionais e exigentes à nível de estrutura de cultos, liturgia e música sacra na região da Baviera.

Saí de casa as pressas, estava nevando, arrastando uma mala que quase estourava, repleta de hinários, partituras, e com o coração batendo forte!

O Templo, de estilo barroco é de uma beleza elegante e discreta (espero que as fotos saiam bem no email), é claro, luminoso, de forma arredondada, conduzindo a vista a um ponto principal onde estão o púlpito, a mesa para a ceia e a pia batismal.
Doze colunas sustentam a parte superior do templo, amplas galerias, onde estão localizados o órgão e o coro.

Muito interessante foi ver de perto este púlpito, que é uma grande obra de marcenaria com inspirações doutrinárias, possue a forma de um cálice. Será ocupado sempre pelo pastor, exclusivamente no momento de proferir o sermão à congregação.


As minhas apreensões foram desfazendo-se, transformando-se em impressões de reverência e tranquilidade a partir do instante em que entrei neste Templo. A forma pela qual fui recebido pelo Pastor Johannes Mann, a forma pela qual a zeladora amavelmente me conduziu até ao órgão, e também observando a atitude de nossos irmãos em Cristo que estavam lá trabalhando, responsáveis pela limpeza e manutenção do Santuário, fizeram-me imediatamente lembrar de Eclesiastes 5.1, versículo que tão bem conhecemos: "Guarda o teu pé... "

A Liturgia do culto (está em anexo) é encadeada de momentos de adoração, confissão, proclamação, meditação; sempre relacionados à diversos cânticos. Um culto que permite aos seus participantes uma fluência de momentos espirituais, sem a necessidade de anúncios. Então constatamos também de como é poderosa e clara a linguagem não verbal em um culto!

Após o prelúdio e a saudação relacionada ao significado do culto daquele domingo, o primeiro hino a ser cantado foi 263 do EG (Hinário Evangélico Alemão): "Sol da Justiça, achegue-se aos nossos dias/ Brilhe através da Tua Igreja/ para que o mundo todo possa ver-Te!"
Não existe melhor surpresa e inspiração para um organista do que uma congregação que cante, e cante como um grande coro! E foi o que aconteceu. Quem sabe, este hino não será um dia entoado em nossas igrejas...

Salmos do Saltério de Genebra, hinos de procedência alemã e composições modernas integraram este abençoado culto. Ressalto aqui a recente produção de selecionados hinos e seus respectivos compositores, não somente da Europa, mas também da nossa América do Sul.

Como sabemos, esta é a música que conduz as nossas almas em forma mais pura à presença do Senhor. Estes hinos, justamente, constatam sempre características musicais-textuais sacras de qualidade. Temos, portanto uma geração de compositores e autores dotados, alcançando novos horizontes, com mentes abertas, aceitando valiosa bagagem, valiosa história e fundamento vindos do Pai de nossos pais.


Nada de modismos, de baladas ou imitações pop. - Não que seja contra ao rítmo bossa-nova e outros, mas tudo tem o seu lugar, não é mesmo?!

O órgão de tubos é um instrumento também em estilo barroco de 1764, construido por J. Nikolaus Ritter, aluno de conceituado organeiro Silbermann, em excelente estado de manutenção. Instrumento famoso pela qualidade única de som e pelos potentes registros na pedaleira: Baixo-Principal 8`, Sub-baixo 16` e Trombone-baixo 16`.

A membresia desta igreja seguramente enfrenta seus problemas, porém o que muito me impressionou foi a "felicidade reverente" demonstrada pela congregação.

Depois de tocar o poslúdio e agradecer à Deus pelo privilégio e pela benção, logo em seguida pensei em nossos músicos e em como compartilhar estes momentos tão significativos.

Meu sincero desejo é que repassando este relato, possa inspirar motivar e fortalecer o trabalho de meus amados irmãos músicos. Trabalho nem sempre devidamente reconhecido, nunca aplaudido, mas certamente sob a Graça Divina, portando a responsabilidade de uma suprema missão em nossas igrejas brasileiras.

O texto bíblico de Romanos 5:1-5, está relacionado ao mencionado domingo e a semana que se inicia. Dentro do Ano Litúrgico, este é denominado Domingo Reminiszere, signifícando: "Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e benignidades". Antífona: Salmo 25.6

Em anexo, envio a liturgia e um prospecto referente ao órgão.
Amaru
Karlsruhe, 19.03.2009

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

MÚSICA ANTIGA

1. Cantiga de Santa Maria
Grupo de música antiga da UFF

sábado, 25 de outubro de 2008

Igrejas e arquitetura

Vendo algumas das igrejas de JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS dos Mórmons percebo como eles valorizam seu projeto paisagístico, em harmonia completa com a arquitetura do prédio, dá vontade de entrar e usufruir da paisagem. Provocam uma certa calma contemplativa.

Ao contrário de muitas igrejas batistas onde seus jardins -- se é que podemos chamar de jardins, parecem ter sido feitos às sobras de um espaço do tipo NÃO SABEMOS O QUE COLOCAR ALI, COLOCAREMOS UMAS FLORES. Conheço igrejas onde foram arrancadas árvores para se construirem um grande ginásio poliesportivo chamados pretensamente de igrejas. Não sou ecochato mas perde-se uma grande oportunidade de compor a paisagem e dar um conforto físico e visual para seus frequentadores. A sanha de crescimento físico no famoso troca-troca da qualidade pela quantidade, acaba também com qualquer espaço oxigenado nas igrejas.

Uma outra característica bela nas igrejas DOS SANTOS é a ausência de poluição visual. Aqueles famosos painéis ou banners, sonho de consumo dos pastores, criados por um comichão habacucado na liderança da igreja em "fazer-se ver para a comunidade" são tristes e penso que a comunidade, pelo menos alguns, querem mais é esquecer aquelas coisas terríveis que maculam a paisagem do bairro.

Aí vai uma mea culpa: fiz um painel daqueles e me arrependo grandemente.

Nós, os Batistas, temos muito boas coisas para ensinar para esse povo e também temos muitas para aprender com eles.

do Blog Genodrops, por Marcelo Leiroz, propagandista das verdades do coração e passageiro do contra-fluxo.

domingo, 19 de outubro de 2008

Livros

No site do Marcelo Leiroz, pequenos drops sobre livros, filmes e arte. Vale conferir.
http://genodrops.blogspot.com/