quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Cristão sem sal e sem luz

                                                     João Marcos Rodrigues Seabra

Texto bíblico:
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês" – (Mateus 23.15)

Tenho me deparado com um novo tipo de cristão: aquele que foi ferido profundamente pela própria comunidade de fé. Pessoas que serviram com o coração, mas que, por experiências dolorosas, hoje se encontram distantes de Deus e, pior ainda, distantes do desejo de voltar.

O Brasil nunca teve tantos evangélicos, e nunca esteve tão distante dos caminhos de Deus. Onde está o sal que deveria curar a nação? A luz que deveria dissipar as trevas?

Ouvi sobre as igrejas empresa, onde a obra do Espírito Santo é trocada por metas de crescimento. Onde Jesus é tratado como produto, não como Salvador. Esses líderes estão matando a fé de homens e mulheres sinceros, e isso é motivo de grande tristeza para quem conhece a verdade do Evangelho.

Jesus já advertia: "Hipócritas!" Eles afastam as pessoas da fé, apresentando um Evangelho deturpado. E muitos acabam rejeitando o amor de Jesus, confundindo-o com mais do mesmo.

Ao nosso redor existem muitos assim, feridos, afastados, decepcionados. Precisamos restaurar essas pessoas, conduzindo-as a um encontro com o Jesus verdadeiro. Não com a instituição. Com Ele.
・・・

Aplicação prática para hoje:

Pense em alguém que você conhece que foi ferido pela igreja e se afastou. Não para debater teologia, apenas para demonstrar que o amor de Jesus é real e diferente de tudo que essa pessoa experimentou. Um gesto simples pode ser o primeiro passo da restauração.
・・・
Oração (use essa oração como ponto de partida para a sua)
Senhor Deus,
Meu coração se parte ao ver pessoas que foram feridas em seu nome. Perdoa os erros que foram cometidos dentro da sua Igreja. Restaura os que foram afastados, os que estão sem sal e sem luz. Faz de mim um instrumento de cura e restauração. Que eu apresente o Evangelho verdadeiro, com amor, com integridade e com o seu caráter. Que as pessoas ao meu redor conheçam o Jesus real.
Em nome de Jesus, amém.

・・・

👉 Use esse link para convidar seus amigos para que possam também ter esse momento de reflexão diário, juntando-se a nós:
🟢 Grupo WhatsApp: chat.whatsapp.com/K7taW0PLlO9K8yETLFl5qt
・・・
👉 Novidade: através desse link do nosso site, deixe seu comentário, tire sua dúvida ou conte sua experiência com a leitura do livro. Este espaço é para você compartilhar.
🌐 Comentários: jmvida.s.gy/comentarios
・・・
Cada devocional tem uma música autoral criada especialmente para ela — extraída das páginas do meu livro Meus Passos com Jesus e transformada em melodia para a sua alma.
Ao longo do dia, coloque para tocar e deixe a mensagem continuar trabalhando em você. São estilos variados, para cada momento e cada coração.

🎧 Ouça agora onde preferir:

🎵 Spotify: open.spotify.com/track/51r0yHVAENdzRCC0LBLdA1

🎵 YouTube Music: music.youtube.com/watch?v=BuoZ7tMw6Jg

Todo dia tem novidade: uma nova devocional, uma nova música.

👉 Conheça tudo que vem pela frente e se inscreva para receber em primeira mão:

🌐 Site: www.jmvidacrista.com.br

▶️ YouTube: www.youtube.com/@jmvidacrista

📸 Instagram: @jmvidacrista

🔗 Ecossistema completo: beacons.ai/jmvidacrista

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Como a família pode desenvolver a comunhão com Deus?


“Quando eu ouvia aquele barulhinho na porta do meu quarto, pensava:
- Lá vem ela! E nem adiantava dizer que não queria. Ela vinha com oração, bênção, conselhos ou texto bíblico. Fechava meus olhos, fingindo que dormia, mas ela não desistia; orava assim mesmo nos meus ouvidos, com a mão na minha cabeça”.

 
Ouvi este relato do meu filho caçula, o Felipe quando ele tinha 25 anos e já casado. Tive que rir, pois era assim mesmo. Contei para João Marcos, o filho mais velho, o depoimento e ele riu e disse: -“Eu gostava muito. Era bom.”.

A Bíblia diz em Salmos 127.3, que nossos filhos são herança da parte do Senhor. Sim. Meus filhos não são minhas propriedades. Recebi de Deus esta grande bênção e esta festa alegre que é ter um filho, traz também algo importante junto que é responsabilidade. Responsabilidade pela proteção, pelo ensino, alimento, vestimenta, valores, princípios, educação, etc. UFA!

E como mãe cristã - pais ou qualquer outro familiar responsável pelas crianças - precisamos ajudá-las a terem o encontro mais importante da vida - o encontro com Cristo.

A vida familiar pode propiciar isto ou não. O que às vezes acontece é que nossas atitudes em família diferem do comportamento em público. Alguns líderes são eficientíssimos na igreja, escola, a frente do coro, no escritório, na sua vida em sociedade. Possuem um bom discurso, mas são ausentes no Lar. Os filhos, esses desconhecidos, são relegados a um plano menor e a prática não acompanha a teoria. Como pode isso acontecer se sabemos que toda prática pressupõe uma teoria?  Alguns sabem discorrer sobre grandes temas teológicos, mas não conseguem trazer isto para uma pergunta bem simples e infantil sobre Deus e a existência humana. Aliás, alguns sequer ouvem a pergunta ou quando a ouvem delegam para terceiros a resposta.

Não espere a vida melhorar para você encontrar mais tempo para cuidar do desenvolvimento da vida com Deus na sua família. Isto poderá nunca acontecer. Você pode perder este trem, ou bonde como diriam os mais antigos. Pode também demorar muito e num piscar de olhos... as crianças cresceram!

Não delegue para outros a oportunidade única, especial e nem sempre fácil de ensinar seus filhos a dependerem totalmente de Deus. Precisamos prepará-los para a vida. Alguns pensam que vida é só escola, aulas de inglês, espanhol ou esperanto, natação, ginástica moderna, rítmica, trapézio, aulas de violino, piano, judô, crochê, arte culinária, etc. Tive um aluno que com cinco anos estudava chinês, sem nada que o identificasse com um oriental e o pai me disse que estava preparando seu filho para ser um vencedor. E o menino era triste e sempre encolhido dentro das suas roupas. Presenciei isto, esta grande tragédia familiar, ao longo da minha vida como professora em escolas de pequeno e grande porte, e em classes sociais diversas.  Digo tragédia, pois o mais importante, o preparo ou os valores espirituais têm sido relegados.

Conheci crianças em completo abandono espiritual. Alguns responsáveis pensam que se eles estão socados na igreja o tempo todo, a sua parte ou o seu compromisso nesta área já está de bom tamanho. Grande engano. Não tem como terceirizar o crescimento espiritual de nossos filhos. O que você faz, diz, ensina, compartilha em casa é que vai ser forte e decisivo para ajudar seu filho a ter comunhão com Deus. Esta fé vivida e experimentada é que dará suporte aos nossos filhos para encarar os desafios, decepções ou tragédias da vida. Não se iluda. Elas virão. Será que seus filhos, e seu lar estão preparados para o dia difícil, onde parece que todos os dardos, ou lanças flamejantes estiverem sobre vocês?

Certo é, que nunca estaremos totalmente preparados, mas a nossa Fé em Deus, precisa ser real, autêntica, significativa e forte, pois irá nos valer nos momentos cruciais e decisivos.

Minha irmã caçula, a Débora, foi convocada, por Deus junto com sua família - marido e dois filhos adolescentes, na tragédia que aconteceu em Angra dos Reis, no ano de 2002 – e de uma forma trágica foram soterrados. Eles amavam a Deus de uma maneira especial e Cristo reinava livremente nas suas vidas. Todos eram integrados e participantes no reino do Senhor. Não mediam esforços investindo seu tempo e bens financeiros no reino de Deus. A casa deles estava sempre cheia com muitos amigos após os cultos ou qualquer ocasião. O lar deles era um lugar de festa, amor, alegria e abrigo. A família ultimamente estava com uma maratona linda de leitura de livros cristãos e compartilhavam com alegria suas descobertas sobre a Palavra de Deus.  Quinze dias antes tinham me ligado e todos falaram quase que juntos, vibrando com descobertas na vida cristã. Minha sobrinha – 13 anos - compartilhava o livro sobre vida cristã que estava lendo, com uma alegria impressionante. Ainda hoje, é difícil entender tudo o que aconteceu e por isto me apego na Palavra, onde e só ali poderei encontrar consolação. "Bem-aventurados os mortos, que desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras o acompanham." (Ap 14.13).

Em 31 de janeiro de 2017, repentinamente, perdi minha irmã, a Minie Lou, a que nasceu quando eu tinha 3 anos e que vinha abaixo de mim na escadinha familiar, minha companheira há 63 anos. Ainda estou na fase do luto e isto dói muito. Guardo no meu coração nossas últimas conversas. Só eu e ela, deitadas em um colchonete, depois de um churrasco em família e falando sobre experiências e decisões espirituais onde comentávamos da felicidade que é morrer em Cristo e que morrer de um ataque fulminante do coração é interessante. Há uma dor intensa e a pessoa sente rápido isto pois desmaia e do outro lado é recebida pelos anjos do Senhor. Simples assim. Falávamos sobre isto e dois dias depois aconteceu com ela como conversamos. A certeza que ela está nos braços do Pai me conforta, mas ainda dói muito. Apenas 3 meses estou dessa experiência de partida.

Onde aprendi isto? Em casa, com minha mãe, nos cultos domésticos e depois na organização infantil e feminina da denominação Batista – Mensageiras do Rei.

Quando crianças – quatro meninas - para nosso desespero, às vezes, mamãe chamava – na melhor hora das brincadeiras - para o culto doméstico. Minha mãe lia a meditação da Revista Manancial, cantávamos um ou dois hinos e orávamos. A oração da minha mãe era muito, muito grande. Ficávamos cansados e às vezes uma de nós orava para acabar logo. Só que ela acabava em muitas das vezes orando também (risos).  Fomos crescendo e mudando algumas coisas. Em uma época, usávamos a caixinha de promessas. Era engraçado, pois as mais velhas tiravam alguns versículos da caixa e liam para as menores. Nem sempre líamos o correto (risos). Trocávamos os versículos só para implicar. Aquele momento era hilariante e de grande comunhão entre nós e o verso mais usado era em Provérbios 6.6 – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio”. Guardo grandes recordações delas rindo e resmungando. Hoje todas nós e nossos filhos pertencem a Cristo. Isto não é por acaso.

O hino mais cantado era 162CC (386HCC), Vigiar e orar, de autor desconhecido. O Pr. Alfredo Henrique da Silva, português é o tradutor e a música, do hinário francês - Salmos e cânticos - e que gostávamos muito é da Sophia Zuberbühler. Nunca saiu da minha mente e da minha memória afetivo-emocional a mensagem de tão grande significação e ensinamento. Minha mãe, Elcy Rodrigues, foi muito feliz em escolher este hino como o oficial da nossa família. Meu pai não era crente e nunca participou destes momentos.

1. Bem de manhã, embora o céu sereno
    pareça um dia calmo anunciar
    vigia e ora: o coração pequeno
    um temporal pode enfrentar!

    Bem de manhã, e sem cessar, 
    vigiar, sim, e orar!

2. Ao meio dia, quando sons e brados
   abafam mais de Deus a voz de amor,
   ao Salvador entrega os teus cuidados 
   e vive em paz com o Senhor!

3. Do dia ao fim, após os teus lidares, 
    relembra as bênçãos do celeste amor
    e conta a Deus prazeres e pesares,  
    deixando em suas mãos a dor!

4. E, se cessar, vigia a cada instante,
    que o inimigo ataca sem parar!
    Só com Jesus, em comunhão constante
    tu podes sempre triunfar.

Vejam, mesmo que mais nada fosse dito, só este hino por si mesmo diz tudo. Durante alguns momentos do dia, na hora do sufoco, sempre foi impossível não pensar em algumas das estrofes. Já embalei meus filhos com este hino e no meu papel de avó, ao ninar meu neto Gustavo, recém-nascido, também me peguei cantando o velho hino do culto doméstico da minha infância.

Um dia, na hora do almoço -  sempre orávamos antes da refeição -  era a vez do João Marcos, o meu filho mais velho. Do alto dos seus cinco anos, ele orou e ao final pediu a Deus perdão pela sua multidão de pecados. Chorei de tristeza ao ver meu filho tão pequeno, com um semblante quase angelical falando assim. Fiquei indignada e perguntei onde ele tinha aprendido aquilo. A empregada doméstica, minha ajudadora e que morava conosco disse que deveria ter sido na igreja. Ela afirmou que não orava assim. Nem eu, nem seu pai – que é pastor -  também assim fazíamos. Fiquei pensando e questionando: o que será que estão ensinando aos meus filhos na igreja? Eu tinha mil ideias, conceitos e práticas alternativas para cuidar dos meus filhos e agora alguém despreparado ensina, na classe da EBD que ele tem multidão de pecados? Não, não queria que meus filhos crescessem cheios de culpas e orando com medo para um Deus punidor e repressor.

Estou contando isto, para que possamos estar atentos para tudo que possa formar ou deformar a vida dos nossos filhos, seja em qualquer área.

Graças a Deus a vida cristã do meu filho João é normal. Foi assim que ele me respondeu quando com dezesseis anos, perguntei-lhe por telefone: E aí meu filho, tudo bem? E a fé? Normal mãe, disse ele. E assim tem sido.

Hoje tem 51 anos e sua fé em Deus é firme, constante. Não é de altos e baixos. Natural é ir à igreja ou mesmo dirigir o PG em seu lar -   reuniões tipo Células -, tocar violino nos cultos, ofertar e dizimar com alegria e disposição. Hoje traduziu para 9 idiomas seu livro "Meus passos com Jesus",  e divulga em vários países, pensando em atingir muitos com a Palavra de Deus. Ajuda os que trabalham com ele na sua empresa, facilitando suas vidas economicamente e também falando, testemunhando do amor de Deus. Com seus recursos ajuda muitas igrejas ou pessoas e familiares. Há alguns anos quando estive em sua casa, vi e ele fez questão de me dizer que estava estudando a Bíblia e lendo um livro cristão junto com sua jovem esposa, que aliás já exerceu o ministério de multimídia e hoje é a fotógrafa especial dos eventos da igreja. Vão cedo para o quarto e ali
 
leem  e se divertem com seus livros prediletos, dão gargalhadas compartilhando trechos engraçados. Presenciei diversas vezes eles no quarto escuro das crianças, dos filhos gêmeos, onde faziam uma corrente segurando as suas mãos e cada um tocando no bercinho de cada nenenzinho. Um deles em 2016, Caleb, com 6 anos entendeu a mensagem de salvação e aceitou a Cristo no seu coração. Agora são adolescentes, integrados na EBD, PG e outras atividades. 

Ah, o Felipe, aquele do início do artigo, em uma ocasião quando cheguei para dar o beijo e a bênção ele me surpreendeu recitando João 1, inteirinho, de cor. Olhei para ele surpresa, e ele me disse: Mãe, está pensando que só você conhece e estuda a Bíblia? Foi lindo. Ele tinha nove anos.

Hoje, pastor e com 48 anos, tem dois filhos. Durante muitos anos, desde a adolescência, foi líder atuante na igreja gostando de pregar, de ensinar. Ele tem o dom de mestre e abençoou sua igreja e muitos jovens que foram mentoriados por ele ao longo da sua vida cristã. Meu filho Felipe é pastor, não resistindo ao chamado de Deus para um trabalho mais específico no Reino. Aprendo muito com ele. Seus filhos desde pequenos oram e dependem de Deus e com esta prática têm experiências espirituais e por isto possuem muita fé em confiança em Deus.  Tudo consequência. Sua esposa, sempre atuante cuida da área social e do berçário onde as criancinhas bem pequenas já oram, mesmo que suas famílias não sejam cristãs. Hoje seus filhos são jovens universitários e cristãos.

Bem, já escrevi muito, mas o que vai valer na realidade é a sua comunhão com Deus, pois esta vai servir de exemplo para seus filhos e sua família. Bem, criatividade ajudará muito.

Queridos, Deus pode capacitar cada um de nós e completar as nossas falhas. Creiam. Orem e esperem resultados.

Westh Ney Rodrigues Luz - profª no Seminário do Sul, hoje EAD em de História da música. Escreveu os livros ou apostilas de Gestão da música na Igreja e Culto Cristão. Redatora da revista Louvor e membro da Primeira Igreja Batista Fortaleza, Ceará.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Livro: Meus passos com Jesus 1

 1. O livro:

Em "Meus Passos com Jesus", você embarcará em uma jornada de reflexões e histórias reais. Em 100 (cem) pequenos capítulos, este livro revela a beleza de uma amizade única: a minha e a de Jesus, diz João Marcos Seabra.

Cada relato, visto da perspectiva do autor, como coadjuvante, narra momentos de aprendizado e crescimento, e convida você a revisitar seus próprios encontros com o Pai. Sem Jesus, este livro não poderia ter sido escrito, pois Ele é o personagem principal desta obra.

 
No. de páginas - 212 páginaslargura 12.7 x altura 21.3
À venda on line, na Amzon e também na Livraria Leitura, em Fortaleza (Shopping Iguatemi e Riomar, no Papicú)
 


2.O autor?
 
 



 João Marcos Seabra, casado, pai de dois filhos. Empresário do ramo de construção de casas, fui músico profissional por mais de 11 anos, mas hoje toco violino apenas por amor, na Obra do Senhor. Escrevi meu primeiro livro em 2003 (Crônicas de Viajante) e embora muitos me aconselhassem a não parar de escrever, acabei por deixar este talento adormecido  durante 22 anos. Retornei em 2025, após surgir em mim um forte desejo de registrar as bênçãos que recebi ao longos dos meus últimos 50 anos. Deixei que o Espírito Santo conduzisse todo este momento e falasse livremente ao meu coração, trazendo à memória minha caminhada com Jesus. Pretendo lançar um livro novo por ano, pois, além de desenterrar um talento, somos convidados a multiplicá-lo.


3. Agora além das fronteiras:

"Meus Passos com Jesus" na Europa



Sou profundamente grato ao Domenico e ao Omar pelo empenho e visão em levar o livro Meus Passos com Jesus ao continente europeu. Publicado em inglês neste mês de janeiro de 2026, o livro agora cruza fronteiras para alcançar novos corações, diz o autor.

4. Reflexão em música
 Todos os capítulos além de serem gravados , também são musicados. Bem interessante isto. Veja do capítulo 1 ao 10

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

SALMOS E HINOS - o 1º Hinário Protestante do Brasil

Salmos e Hinos é o 1º Hinário Protestante do Brasil, da Igreja Congregacional Evangélica Fluminense. O SH (Salmos e Hinos) produziu e contribuiu com grande quantidade de hinos à maioria dos hinários publicados no Brasil. Durante muitos anos foi o hinário usado por todas as denominações. Esta coletânea é fruto do trabalho missionário do casal Dr. Robert Reid Kalley (1809-1888) e Sarah Poulton Kalley (1825-1907). Chegados ao Brasil em 1855, criaram a Escola Dominical cantando hinos em português escritos pelo Dr. Kalley e Sarah Pulton Kalley, sua esposa. Também tinham uma classe em alemão e outra em inglês

“O valor de ‘Salmos e Hinos’ é inegável; e o seu passado histórico e atuante através dos anos (...) foi o primeiro hinário evangélico brasileiro no vernáculo, tendo servido a todas as denominações, indistintamente, até que organizassem seus próprios hinários”. (BRAGA, Henriquieta Rosa Fernandes, a pesquisadora). 

Em 1861 foi publicada a primeira edição de Psalmos e Hymnos para o uso daquelles que amão a nosso Senhor Jesus Cristo com 50 cânticos (entre Salmos e Hinos) e logo após incluindo um suplemento de 6 hinos e mais um avulso. Hoje, na importante Quinta edição revisada de 1975, ele contém 652 títulos. Em 1868, o hinário tomou o nome de Música Sacra, e na verdade ficou como a 1ª edição de Psalmos e Hymnos com Músicas Sacras, com a inclusão de músicas para crianças e para o coro (100 cantos). 


A quinta edição trabalhou nas revisões de textos e reestruturação aperfeiçoando as indicações corretas de autores e tradutores, compositores e arranjadores, títulos originais, métricas, referências bíblicas, notas históricas importantes e índices completos. Cerca de .... índices Hinos de importância da Hinódia universal foram acrescentados, já conhecidos de outras coleções e também correções de prosódia, reduzindo as estrofes e modernizando a escrita musical (musicografia). Na comissão revisora estiveram o Rev. Manoel da Silveira Porto Filho e a Profª Henriqueta Rosa Fernandes Braga.
 



Os principais autores, iniciadores e organizadores do Salmos e hinos: Dr. Robert e D. Sarah Kalley, são responsáveis por 165 hinos. Seu filho adotivo, Dr. João Gomes da Rocha, filho adotivo do casal Kalley, carioca, estudou medicina em Londres e foi médico missionário na Argentina, Uruguai e Brasil, traduziu, adaptou e escreveu muitos hinos e 62 estão em SH.

Dezesseis anos depois da Quinta edição do SH – Salmos e Hinos, surge o HCC – Hinário para o Culto Cristão (1991, há 34 anos) com a proposta de fazer um hinário alternativo aos Batistas Brasileiros, para que não fosse completamente alterado o CC – Cantor Cristão que completava 100 anos de existência (hoje o CC tem 134 anos e SH 164). 



 SARAH POULTON KALLEY (1825 / 1907)

É conhecida  como a Mãe da Hinódia Brasileira, por seu pioneirismo e hinos e também sua contribuição para a organização e compilação do pioneiro hinário em português no século XIX – o Salmos e hinos. D. Sarah era inglesa e muito culta. Era poeta, professora, missionária, falava hebraico, inglês, grego e português filha de 
William Wilson (1801) e Sarah Poulton Morley (1802 – 1825). Nasceu em 25 de maio de 1825,  na região leste da cidade de Nottingham, Inglaterra. Seus pais eram de famílias inglesas *não conformistas e ligadas ao movimento puritano e herdou a tradição huguenote que a influenciou. Conheceu e casou com Dr. Robert Kalley (foi sua 2 ª esposa) e vem para o Brasil convicta do chamado e da missão que Deus confiou ao casal.

CARDOSO afirma que com a nova fé, da poeta, missionária e professora, Sarah Kalley  trazia junto e divulgava sua própria e individual cosmovisão da cultura anglo-saxã, protestante e puritana, em que foi criada, fazendo adaptações seletivas adaptando-a ao “universo cultural e social de seus interlocutores”.

Sarah Kalley era fantástica.Chegou ao Brasil na metade do século XIX. Nessa época a higiene e educação eram precários. Então mudaram para Petrópolis e ela escreveu um livro para ajudar as pessoas a cuidarem de suas casas: A alegria da casa,
 em 1866. Seus hinos abençoam com excelente teologia ainda hoje (há 164 anos). A história do Protestantismo no Brasil não pode deixar de passar pelos hinários, e no caso o primeiro em língua portuguesa.

* O “não conformista” era aquele que não aceitava as práticas e 
governo da Igreja Anglicana. Hoje o termo usado para as igrejas não 
conformistas é "igrejas livres". Livres do controle do estado.


Profª Westh Ney Rodrigues Luz

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

SALMOS - biblografia | sugestão

 ALLEN, Clifton (ed.).  The Broadman Bible Commentary. Nashville: The Broadamn Press, 1971, 12 vols.

 
ARCHER, Gleason. Merece Confiança o Antigo Testamento? Trad. Gordon Chown. 2ª ed., São Paulo: Edições Vida Nova, 1979 

BACON, Betty. Estudos na Bíblia Hebraica. São Paulo: Edições Vida Nova, 1991

 
BALLARINI, Teodorico (ed.).  Introdução à Bíblia - III/2 - Os Livros Poéticos. Trad. Ney Brasil Pereira e Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Editora Vozes, 1985


BARCLAY, William. Las Bienaventuranzas.  Buenos Aires: Asociación Editorial La Aurora, 1976


BETTENCOURT, Estêvão.  Para Entender o Antigo Testamento.  4ª ed. Aparecida: Editora Santuário, 1990


BAXTER, J. Sidlow. Examinai as Escrituras -Jó a Lamentações. Trad. Ney Siqueira. São Paulo: Edições Vida Nova, 1993.


BOTTERWICK e RINGREEN (eds.)Theological Dictionary of the Old Testament. Grand Rapids: Wm.B. Eerdmans Company, 1986, 5 v.


BRAGA, Henriqueta Rosa Fernandes. Salmos e Hinos. RJ: Igreja Evangélica Fluminense,  1975. (p.VIII)


BRIGHT. John. História de Israel. Trad. Euclides Carneiro da Silva. 4ª ed. São Paulo: Edições Paulinas, 1978

 
BUTTRICK, G. A. (ed.) The Interpreter's Bible. Nashville: Abingdon Press, 1952, 12 v.

 
CHOURAQUI, André. A Bíblia - Louvores I. Trad. Paulo Neves. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998

 
CHOURAQUI, André. A Bíblia - Louvores II.  Trad. Paulo Neves. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998

                 
COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Teologia dos salmos – princípios para hoje e sempre. Rio de Janeiro: JUERP, 2000

 
CRABTREE, Asa. Teologia do Antigo Testamento. 4ª ed., Rio de Janeiro: JUERP, 1986

 
ELLISEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. Trad. Emma A. Souza Lima

São Paulo: Editora Vida, 1991

 
GIRARD, Marc. Como Ler o Livro dos Salmos.  São Paulo: Edições Paulinas, 1992

 
GRAUMAM, Helen G. O hinário do segundo templo In Música em minha Bíblia. S.P: Casa

             Publicadora Brasileira,1968. (p.150)


GOURGUES, Michel. Os Salmos e Jesus - Jesus e os Salmos. São Paulo: Edições Paulinas, 1984

 
HARRIS, Laird (ed.).  Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Trad. Márcio Loureiro Redondo, Luiz Alberto Sayão, Carlos Osvaldo Pinto. São Paulo: Edições Vida Nova, 1998


HUSTAD, Donald. Música e adoração na Bíblia In Jubilate ­ A música na igreja. S.P: Vida Nova,1986.

JANZEN, Karl. Apostila de Antigo Testamento. Faculdade Teológica Batista de Brasília, sem fins comerciais


KAISER, Walter. Teologia do Antigo Testamento.  Trad. Gordon Chown. São Paulo: Edições Vida Nova, 1980

 
KAUNG, Stephen.  The Songs of Degrees.   New York: Christian Fellowship Publishers, Inc., 1970


KEIL, Franz. Biblical Commentary on the Psalms. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Company, 1949, 

KIDNER, Derek Salmos 1-72 - Introdução e Comentário. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Edições Vida Nova, 1980

 
KIDNER, Derek, Salmos 73-150 - Introdução e Comentário. Trad. Gordon Chown. São Paulo: edições Vida Nova, 1981.

 KRAUS, Hans-Joachim, Teologia de los Salmos. Salamanca: Ediciones Sigueme, 1987

 
LASOR, William; HUBBARD, David A.; BUSH, Frederic W. Bush. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova,1999

  
MILES, Jack. Deus - Uma Biografia.  Trad. José Rubens Siqueira. 2ª ed. S. Paulo: Cia. das Letras, 1997. 

MORRIS, Henry. Amostra de Salmos. Trad. Luiz Aparecido Caruso. Miami: Editora Vida, 1986


NELSON, Eduardo. Eis libro de alabanza de los judios In Que mé pueblo adore. USA :Casa 

           BautistadePublicaciones,1986(p.54)


PLUMMER, William. Psalms. Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1975

 
ROWLEY, Harold.  A Fé em Israel. São Paulo: Edições Paulinas, 1977.

 
SCHULTZ, Samuel. A História de Israel no Antigo Testamento. Trad. João Marques Bentes. São Paulo: Edições Vida Nova, 1977


SHEDD, Russel (ed.)  O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Edições Vida Nova, s/d, 3 v.


SLOAN, W. Panorama do Antigo Testamento. Trad.  Emílio de Carvalho. Porto Alegre: Publicadora Ecclesia

 
SPURGEON, Charles.  The Treasury of David. Grand Rapids: Baker Book House, 2ª ed., 1978, 7 v.

 STOTT, John. Salmos Favoritos.  Trad. Carlos Osvaldo Pinto. São Paulo: Abba Press, 1987


TERRIEN, Samuel. The psalms anä their meaning for today. USA: Bobbs Merriis co, 1952

 
TENNEY, Merril (ed.)  The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 2ª ed., 1977, 5 v.


UNTERMAN, Alan.  Dicionário Judaico de Lendas e Tradições. Trad. Paulo Geiger. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992


VAN GRONINGEN, Gerard.  Revelação Messiânica no Velho Testamento.  Trad. Cláudio Wagner. Campinas: Luz Para o Caminho, 1995.


VON RAD, Gerhard.  Teologia do Antigo Testamento. Trad. Francisco Catão. São Paulo: ASTE, 1984, 2 v.


WEISER, Arthur.  Os Salmos.  Trad. Edwino Royer e João Rezende Costa. São Paulo:  Paulus, 1994

 
WESTERMAN, Claus.  Teologia do Antigo Testamento. Trad. Frederico Datler. São Paulo: Edições Paulinas, 1987

sábado, 28 de junho de 2025

Os ombros suportam o mundo

Carlos Drummond de Andrade 


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.


Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(sm)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Prelúdio 179 _ OH, VEM ME ENSINAR, SENHOR


 Caros leitores

O tema da CBB – Convenção Batista Brasileira de 2024 é - Vivamos o amor. Sua divisa está em João 13.35 que diz – “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Que desafio temos, pensando nos desdobramentos do amor pelas ênfases de cada mês. Não deixe de se aprofundar com seus liderados cada tema proposto. Temos versículos bíblicos que poderão ajudar você nas suas falas e ordens de culto.  Ah, como é fácil falar de amor, mas como é difícil diariamente lembrar de conjugar esse verbo. Verbo é ação. Amar é ação diária e de diversas maneiras.  

Na revista 178, foi ressaltado que deveríamos viver o verdadeiro amor na comunhão entre os irmãos, do próximo em suas necessidades e anunciando Cristo ao mundo. Nessa revista (179) o apelo é vivermos o verdadeiro amor, ensinando as verdades de Cristo, o amor nos nossos lares, sendo o cuidado com o outro. Quantos desafios!

Um hino que me encantou na revista 179, foi o do mês de abril, o 475 HCC, “Vem me ensinar, Senhor”, de Keegen, Kaschel, Hodges e Ralph Manuel, que diz assim:

1. Vem me ensinar, Senhor, a tua santa lei.
Os teus preceitos tão fiéis meus próprios eu farei.
Na senda que eu trilhar derrama a tua luz.
Desejo ter a doce paz que o teu amor produz.

3. Vem me ensinar, Senhor, a espalhar a luz.
Que todos, ricos e plebeus, conheçam a Jesus.
Vem avivar em mim o zelo e o fervor.
Que todos venham adorar a ti, ó Deus de amor.


A doce paz que queremos é produzida pelo amor de Deus. Esse amor que nos faz ir ao encontro de qualquer classe social – “ricos e plebeus para que “conheçam a Jesus” e “que todos venham adorar a ti, ó Deus de amor”. Aqui está o grande desafio nosso como cristãos. Não desviemos nossos pensamentos com tantas celebrações e cantos só de contemplação e consolo. Desafiemos a todos, começando por nós mesmos, a pensar na terra que vivemos onde por falta de amor, temos visto muitos morrerem aos pouquinhos e um dia talvez não haja mais tempo, pois morreremos e viveremos uma eternidade com Deus, ou sem Deus.

Por isso, na Conversa afinada, abordamos as crianças nas revistas 178 e 179.  Olhar, cuidar, amar e dar o nosso melhor para nossas crianças, é o que acontecerá de mais importante. Elas tão puras, cheias de bons pensamentos e ideais, podem aprender sobre o Jesus que nos acolhe, que amou as criancinhas, que valorizou as mulheres, que curou cegos e paralíticos, não se importando com a classe social, pois comeu e sentou com todos os que dele precisavam. Ah, esse Jesus fascinante, precisa ser conhecido de todos.

Que nossa oração seja: 

Oh, vem me ensinar, Senhor, pois quero fazer meus os teus preceitos, a tua santa lei.Que eu possa ser seu imitador, valorizando os peixinhos e os pães de um menino (HCC 475). Oh, vem me ensinar, Senhor, que quando eu estiver andando pelo vale escuro, ou da sombra da morte, não precisarei temer mal algum, porque o Bom Pastor estará comigo (HCC 187). Oh, vem me ensinar, Senhor, que quando neste tempo de incertezas, guerras, fomes e pobreza causam medo e aflição, suplicamos teu auxílio. Guarda os pais, as mães e os filhos na mais doce comunhão. Amém (HCC 593).


Que Deus nos abençoe e que não desanimemos de viver e falar de Cristo, pois ele dentro de nós é que nos ensina como amar.

_____________________

Profa. MM Westh Ney Rodrigues Luz, redatora da Revista Louvor

Prelúdio 182 _ ANUNCIEMOS O AMOR GRACIOSO


Queridos

Novamente o amor. Quero pensar um pouco junto. O tema da CBB – Convenção Batista Brasileira de 2025 é – Anunciemos o amor gracioso, abordando graça e amor e a divisa: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós” – 1João 3.16a.

O tema do ano passado foi “Vivamos o amor” e a divisa era em João 13.35 que diz – “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

Perfeito. Agora que conseguimos entender o doce mistério do amor de Deus e que aprendemos a viver este amor, então, podemos anunciar aos outros. Como podemos anunciar algo que não experimentamos na vida real, diária, cheia de percalços e de choros e risos, de sonhos que despedaçam e de outros que se reconstroem?

Tivemos 365 dias para trabalhar em nós o “Vivamos o amor. Não é muito. É pouco. O “se vos amardes uns aos outros” tenho certeza foi desafiador. Jesus – o verbo, a palavra, o “vinde a mim”, o “vá e não peques mais”. Pode descer Zaqueu, eu já te vi. Vou pousar em tua casa. Ah, Jesus Cristo aquele cujo amor o levou a dizer: Lázaro sai para fora, venha para a Vida. Meus queridos, se conseguimos entender e experimentar um pouco do nosso amado Salvador, então, podemos pensar no tema deste ano - Anunciemos o amor gracioso.
 

Fiquei pesquisando sobre o amor nos hinos do HCC, mas não era bem isso que queria dizer. Fui sendo ensinada e apaziguada com a paz que vem do amor de Deus, que nasceu entre nós, o Emanuel, o Deus conosco. Quero só sorver esses versos que foram cantados e vividos por tantos que foram abençoados antes de nós.

“Eu te amo porque tu morreste por mim; eu te amo porque teu amor não tem fim[...] Eu te amo na vida e na morte também; sempre hei de louvar-te na glória de além. (62 HCC)

“Mil línguas eu quisera ter para entoar louvor à tua graça e ao teu poder, meu Rei e meu Senhor[...] Ó Mestre amado, meu Jesus, ajuda-me a levar, por todo o mundo, a tua luz, o teu amor sem par” (72 HCC)


Então, parei no HCC 82, que é uma declaração de amor e uma visão um pouco diferente do que já ouvimos e cantamos. O autor do hino diz mais ou menos assim:

Meu Deus, eu te amo, não porque espere o céu ou uma provisão de bênçãos.
Eu te amo não por medo de sofrer punições. Eu te amo Senhor, porque entendo que
toda aquela dor na cruz, foi para me dar vida e luz. O teu amor Senhor, que não tem fim me atrai como um imã, pois sem medo do céu não existir e do inferno não escapar ou mesmo que ele não existisse, eu ainda te amaria aqui. Sim, meu Deus a minha salvação és tu, manancial de amor. Um amor que não tem fim.


Se todos virem nos nossos olhos o brilho dessa graça e desse amor o “Anunciemos o amor gracioso”, será fácil. O amor cheio de graça e verdade nem precisará ser anunciado com falas e cantos. Ele será sentindo como o perfume que Maria derramou aos pés de Jesus. Sua adoração e louvor perfumou todo o ambiente. Sua experiência particular alcançou todos que estavam perto.

Que Deus nos abençoe e nos ajude a ver além das letras. 

Feliz ano novo!

___________

Profa. MM Westh Ney Rodrigues Luz, redatora da Revista Louvor

 

PRELÚDIO 172_Como um rio calmo

Se eu tivesse o poder nas minhas mãos e voz, gostaria de ver todos os batistas brasileiros cantando os hinos do HCC – Hinário para o culto cristão que já completou 30 anos(em 2021). Não o tenho, mas quando canto algumas belas e profundas poesias, gostaria tanto que todos pudessem sentir a mesma emoção que enche minha alma quando entoo o hino 331 - Como um rio calmo –  (Havergal,1874/Mountain,1876/tradução Moreton,1898).

Onde nós batistas estávamos que não conhecíamos esse hino? Foi traduzido em 1878 e caminhamos 104 anos
(em 2021) para que pudéssemos, como batistas, apreciar a poesia que diz que Deus traz a paz que satisfaz os crentes. Uma paz perfeita que cresce meiga e domina nossas vidas, trazendo a alegria. A metáfora linda que esse hino faz da paz que corre suave como um rio calmo me faz chorar de emoção. Quando estou aflita não tem como não ouvir dentro de mim e sai pelos meus lábios a poesia que diz – “Como um rio calmo vai correndo a paz.” E o meu coração se aquieta. Quero essa paz que flui do coração do Senhor como um rio calmo. “Ventos de cuidado, sombras de pesar nunca a santa calma poderão turbar”, diz a 2ª estrofe. Ah...não tenha medo, fique calma, os ventos que podem perturbar sua alma, tornar o rio bravio, perturbar sua paz, podem até vir, mas você está no abrigo da mão divina.

Cremos dessa forma, mas a poesia carregada pela linda melodia e harmonia faz com que confirmemos o que cremos. Eu sei que firmada em Deus, terei bênção completa que é paz e comunhão. Sei porque experimentei. Sei é mais do que crer. Sei é ter caminhado com o dono da vida, do vento, da tempestade... Que bendita certeza, a de que independente do que passarmos durante nossos dias – quer sejam alegres ou não – sempre o acharemos nos amparando. 


Quantas palestras, sermões, livros falando sobre paz, mas quando cantamos essa poesia, que é o hino, ela fica gravada no cantinho da nossa mente e brota um sorriso leve dos nossos lábios que começamos a cantarolar, pois sabemos que somos guiados pelos “raios derramados pelo sol de amor”.

Hino 331 HCC       
Como um rio calmo        (Havergal/Moreton/Mountain)

 
1. Como um rio calmo, vai correndo a paz
com que Deus aos crentes sempre satisfaz.
É perfeita e cresce meiga em seu poder,
alegrando a vida, dominando o ser.

    No Senhor firmado, tem o crente a paz,
    a completa bênção, comunhão veraz.


2. No bendito abrigo da divina mão
não há inimigo, não se vê traição.
Ventos de cuidado, sombras de pesar
nunca a santa calma poderão turbar.


3. São os nossos dias, de prazer ou dor,
raios derramados pelo sol de amor.
Pondo a confiança plenamente em Deus,
sempre o acharemos amparando os seus.


Perguntou-me
um amigo se achava que já deveríamos ter uma atualização com novos hinos no HCC. Então respondi com uma pergunta, se já conhecia o hino acima ou o 77 do HCC (3ª estrofe) que diz assim “com os enfermos vem estar, aos pobres vem alimentar; aos que no leito sofrem dor, dá teu alívio animador. Ele ficou mudo e emocionado e encontrou resposta no seu coração.

Ainda é tempo de gratidão ao Senhor por inspirar tantos hinistas, poetas, tradutores, compositores e arranjadores. Ainda é tempo de agradecer ao Senhor pelo belo hinário que temos, ainda desconhecido de muitos. Um dia todos se emocionarão, serão consolados e confortados quando encontrarem as belas poesias que estão dentro dele, podendo experimentar o Senhor do vento, do abrigo seguro e da paz.
Deus seja engrandecido!

_________________________________
Westh Ney Rodrigues Luz - redatora da revista de música Louvor
 

Revista Louvor nº 172

sábado, 26 de outubro de 2024

ANUNCIEMOS O AMOR GRACIOSO, CBB 2025

Caros amigos

Em 2025, nós, batistas brasileiros, viveremos sob o tema da CBB – Convenção Batista Brasileira, que nos motiva a realizar o IDE, que também conhecemos como a Grande Comissão, que recebemos do Senhor e que está em Mateus 28.19,20 que diz:

"Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a obedecer a todas as coisas que vos ordenei; e eu estou convosco todos os dias, até o final dos tempos."

 
Isto é tudo que sempre fizemos, mas gostaria que não fosse como um peso demasiado que não possamos suportar. O evangelho do Senhor Jesus nos diz em
Mateus 28.19,20.

Vinde a mim,
 todos os que estais cansados e sobrecarregados,
e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração;
e achareis descanso para a vossa alma.  
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
 

Talvez vocês, meus amigos músicos batistas, estejam sobrecarregados com tantos musicais,ensaios, preparação, acolhimento, discipulado, aulas, organização e direção dos cultos semanais. Não podemos, no meio da roda viva que muitas vezes estamos, esquecer que fomos alcançados pela graça do Senhor. O tema de 2024 foi vivamos o amor e o de 2025, é uma consequência natural. Anunciemos este amor gracioso, que Cristo deu a sua vida por nós” – 1João 3.16ª.


Debaixo da graça do seu grande amor seremos iluminados e alimentados e nossa alma será consolada. E o resultado acontecerá com base na unidade em Cristo Jesus e seremos abençoados enquanto estamos abençoando outros. Como a Revista de música Louvor, a de nº183, está voltada para as crianças, elas foram incluídas em momentos importantes da liturgia(p.32). E um momento precioso foi o canto infantil, Cristo, amigo das crianças, traduzido por Edith Allen, que está no HCC, número 162.

1. Cristo, amigo das crianças,
tudo és para mim.
Sê a luz no meu caminho até o fim.
Em bondade, cada dia,
faze-me crescer;
foste uma criança e podes me entender.

2. Pela mão me leva sempre

junto ao lado teu,
pois de ti preciso, ó Cristo, amigo meu.
Cristo, amigo das crianças,
tudo és para mim;
sê a luz do meu caminho até o fim
(Mathams/Allen/Siqueira /Almeida/Faircloth)

Quando tinha 16 anos, fui convidada para acompanhar o coro infantil, o dos principiantes, bem pequeninos, na Igreja Batista Itacuruçá. O hino era este, mas na coletânea Coros Juvenis (JUERP). Foi um desafio e um privilégio. Era com um acompanhamento lindo. Eu estudava e cantava junto. E essa letra foi entrando na minha mente, foi me moldando. Não se tratava só das crianças apreenderem os conceitos e princípios do hino. Também fui, como pianista, amansada, amaciada com a letra e a linda melodia. Até hoje eu canto este hino no meu coração e na minha mente. Leiam de novo a poesia, mas só as palavras em negrito. Um pequeno coro infantil abençoando a congregação, com pessoas doentes do corpo e da alma.

Deus abençoe cada um que está lendo.

O que você tem nas suas mãos?
Use-as para anunciar Jesus.
Anunciar este amor, cheio de graça e bondade.
O mundo está enfermo e Deus tem as nossas
mãos e voz para anunciar a sua bondade.

Westh Ney Rodrigues Luz

quarta-feira, 12 de julho de 2023

CULTO (I)

                                                                                                 Profa. Westh Ney Rodrigues Luz

 Os que experimentaram o encontro com Cristo e nasceram de novo – não da carne, mas do Espírito – de maneira natural se curvam e se prostram ao maior milagre que é mudança de mente (metanóia). Quando a mudança acontece não queremos que nada nos afaste do desejo de ser sermos submissos ao Criador que nos ama e provoca esse encontro. Não desejamos que nada nos afaste do nosso amor em ação à Deus e aos homens. A mudança que ocorre do encontro com o Eterno, com Cristo, o Redentor, se dá por intermédio do Santo Espírito que toca o mais profundo da nossa alma, nos inquieta e nos faz rejeitar o que não seja puro e nem santo. No encontro com o Eterno, percebemos que estamos diante da mais inexplicável, difícil, misteriosa e significativa experiência. Encontro com o Poderoso, Onipotente, Onisciente, Digno, Justo e Senhor. Encontro com a Água da vida, com o Salvador, o Redentor, o Amigo, o Mestre, o Rei Jesus. Encontro com o sábio Conselheiro, com o Ajudador, com o nosso Guia e Consolador – o Santo Espírito que nos orienta e anima, fazendo que em meio às lutas desta vida saibamos que não estamos órfãos.

Percebemos nessa experiência, que somos atraídos pelo amor de Deus e que nossa resposta depende dessa percepção, como cita o teólogo [1]Nikos Nissiotis, p.17: “O culto não é primordialmente iniciativa do ser humano, mas ato redentor de Deus em Cristo por meio do seu Espírito”. 

 Não estamos falando de culto nos templos. Estamos falando do desejo que a alma tem de se conectar com seu Criador, quando percebe seu amor, não está restrito a um local ou formato.

 

“O culto no templo é apenas um tipo de culto, não o único. Culto é para ser prestado em casa, na rua, no trabalho, onde não é possível vivenciar um cerimonial. A religião deve ajudar o crente em seu culto, não atrapalhá-lo. O templo deve concentrar os que cultuam, mas não ser tido como o único lugar para a adoração”. (prof. Pr. BELO AZEVEDO, 2019[2]


  
Culto é na realidade o encontro do homem com Deus! Culto coletivo é o encontro deste homem com Deus e com seu próximo. O que é culto para você?
 
Paul Hoon, Peter Brunner, George Florovsky, Evelyn Underhill e Nikos Nissiotis [3] falam do culto como auto revelação de Deus (revelação e resposta), como uma estrada de mão dupla, por que é a sua graça e seu amor que evocam a nossa entrega a Deus. Resumindo – qualquer que seja o culto, será sempre a resposta da criatura ao Eterno. E precisamos entender que Ele se doa e ainda nos instiga à uma resposta de forma natural. A revelação de Deus se dá por meio de Jesus Cristo e nós respondemos a ele também por meio de Jesus. E como respondemos? Com tudo que somos e fazemos, com emoções, orações, ações e palavras.

Pode ser que esteja acontecendo em alguns ajuntamentos dominicais algo que esteja possibilitando a não percepção da importância do culto. Coloco aqui algumas indagações para nos levar à uma reflexão:

 

Para quem é o culto? Quem vai receber adoração e louvor? Como vamos fazer para que todos que chegarem ao encontro dominical, percebam a importância do ajuntamento que deve ser “um ajuntamento solene”? Qual a importância e relevância de todos que participam no culto? Será que todos entendem os seus papéis?

Em muitas ocasiões, percebemos que alguns cultos têm se transformado em momentos de entretenimento, de uma alegria exacerbada, sem sentido e fabricada, à procura de uma catarse coletiva ou qualquer outra coisa, menos estar ajoelhado diante do Senhor, rasgando seus corações e almas diante de tão grande amor.

Penso que o que tem acontecido é o desvio na motivação que percebemos em muitos cultos, que equivocadamente, nos levam a desviar nosso olhar da majestade e do amor irresistível de Deus que nos atrai. Parece ser fruto, talvez, de um consumismo exagerado, uma agitação sem sentido, um modelo de vida descartável que se reflete na criação de um estilo de vida de muitos.

 

Sei que essas perguntas nos instigam a uma reflexão e não a faremos agora. Mas, pense e reflita. É assim que fazemos no Seminário do Sul. Estudamos culto à luz da Palavra de Deus e dos grandes pensadores – homens e mulheres – que têm nos seus estudos e explanações teológicas pensado sobre esse momento importante do grande ENCONTRO do homem com Deus na sua comunidade, no seu lar, no seu quarto, no seu coração.

 

Tenho meditado e me debruçado sobre esse assunto que move o meu coração e talvez você já tenha lido algo como o que estou escrevendo agora. Não é que eu seja repetitiva, é que entendo que não posso perder de vista o porquê de estarmos diante do Eterno cultuando.

 

Deus, nosso Pai eterno, nos atrai com seu amor e nós, pecadores, mortais e sujeitos a toda sorte de enganos temos o privilégio de sermos acolhidos na sua doce e santa presença.

Um privilégio, uma honra.

Seja Deus louvado eternamente!

..

Fortaleza. Ceará, 11/07/2023

Escrito para o site de música do Seminário do Sul/STBSB.



[1] WHITE, James, p. 17, 1997.

[3] WHITE, James, p. 16-18, 1997.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

ISIDORO LESSA DE PAULA (MG,1943)

Três relatos biográficos sobre o excelente músico e professor Isidoro.


 1. Biografia resumida:
Pianista, tradutor, compositor, hinólogo e Ministro de Música no Brasil e nos EUA. Formado em Letras, UFF, RJ; Música pelo CBM, Rio; Mestrado em Composição e piano em Louisville. Um dos primeiros Ministros de Música consagrados no país. Volta aos EUA, para estudar na área de Ministério da Música e Administração. Lá foi novamente graduado com  mestrado em Regência e o doutorado em Hinologia e Regência.  Tem contribuído com muitas traduções e entre elas o Hino 43 HCC de Pauline Mills; Moteto para quarteto e coro de Michael Haydn; Te Deum de Ralph Vaughan Williams; cantata Emanuel, Deus Conosco (vozes juvenis).
 
Foi professor e diretor do curso de música sacra do Seminário Batista de Niterói, prof. na Faculdade Batista de São Paulo, SP e Seminário Equatorial e no Seminário do Sul onde também foi coordenador interino do Curso de Música Sacra. Fez parte da Subcomissão de Textos do HCC (relator por dois anos). Sua tese de doutorado “Os primórdios da Hinódia das Igrejas Batistas Brasileiras” – suas fontes e desenvolvimento serviu como fonte básica para o livro Notas Históricas do HCC - Hinário para o culto cristão.
Biografia resumida (por Westh Ney Rodrigues Luz, para a Revista Louvor, nº 156.)

2. Biografia escrita por sua esposa Bárbara
 
Nascido em Manhumirim, Minas Gerais, perto do Pico da Bandeira, desde a adolescência ele morou em Niterói e tornou-se membro ativo da Primeira Igreja Batista de Niterói. Completou os estudos de música no Conservatório Brasileiro de Música aos 18 anos, e formou-se pelo Departamento de Letras da UFF em Português/Francês. Lecionou Português, Francês e Musica em escolas de Niterói e São Gonçalo. Foi presidente da União 3, envolvendo-se na liderança das atividades de adolescentes e jovens da igreja, e tocando piano nos cultos.

Em 1970 foi aos EUA para começar a se preparar para seu ministério de mais 35 anos. Em Louisville recebeu seu primeiro mestrado em Musica Sacra com concentração em Piano e Composição, onde conheceu sua esposa Bárbara que também cantava no coro da Igreja de Walnut Street, que o ajudou durante seu curso. Voltou para a Primeira Igreja Batista de Niterói em 1973 como um dos primeiros Ministros de Música consagrados no Brasil.

 Retornou aos USA em 1976 para continuar os estudos na área de Ministério da Música e Administração, recebendo outro mestrado em Regência e o doutorado em Hinologia /Regência. 
 
Continuou seu ministério no Brasil com a família em 1985, agora com os filhos Marcus, Mateus e Marisa, quando foi professor de música no Seminário Teológico Batista de Niterói, e diretor interino do Departamento de Música do STBSB/Seminário do Sul. 
 
No final de 1980 mudou-se para a Flórida perto dos pais da Bárbara que estavam precisando de ajuda e concluiu seu ministério de música depois 10 anos como MM na igreja batista de Tuskawilla, Winter Park. 
 
Serviu um semestre no seminário em Belém como regente coral e diretor interino do Departamento de Música do Seminário Equatorial. Ao voltar para a Flórida assumiu a posição de professor no Departamento de Música da Faculdade Rollins, em Winter Park, lecionando também na Escola da Comunidade da Rollins, aonde permanece até hoje como coordenador e professor de Teoria musical e Piano - continuando assim no ministério de preparar jovens para o uso da música, dom divino, em suas vidas. 
BJP, dez '18 (Bárbara J. de Paula, 2018)
 

3. Edith Mulholland, no Livro Notas históricas do HCC, escreveu a biografia de Isidoro no hino 43  -  Digno é o Cordeiro  de Pauline Mills.  Segue a biografia:
 
Isidoro é mineiro, nascido em 21 de agosto de 1943 e tem uma rica herança cristã. Seu avô materno, Alberto Vaz Lessa, convertido no ministério do inimitável Salomão Ginsburg (ver HCC 29), “foi pastor pioneiro, plantando igrejas batistas na região montanhosa do sudeste do Brasil”

Isidoro é o quarto de seis filhos de uma família batista, membros fundadores da Igreja Batista de Manhumirim, Minas Gerais. Sua mãe, Dahlia Lessa de Paula, crente dedicada. Seu pai, Sr. Theonillo Rodrigues de Paula, criado católico e devoto filho de Maria, converteu-se através das orações e testemunho persistente de sua esposa. Ele serviu como diácono em várias igrejas batistas, e orgulhou-se do filho que veio a ser um dos primeiros ministros de música de tempo integral no Brasil. A família mudou-se do interior de Minas Gerais para Niterói, aonde o jovem Isidoro logo se revelou como líder de música e juventude na igreja local e denominação. 

Isidoro sentiu a chamada de Deus para aprimorar e usar o dom da música como veículo de louvor a Deus, edificação do salvos e propagação do evangelho. Depois de se formar em piano no Conservatório Brasileiro de Música e de completar o curso de letras da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal Fluminense, Isidoro ganhou uma bolsa de estudos, através do incentivo de seu pastor, Dr. Nilson do Amaral Fanini, na Escola de Música Sacra no Seminário Teológico Batista em Louisville, Estado de Kentucky, EUA. Em maio de 1973 ele concluiu o Mestrado em Música Sacra com ênfase em piano e composição.
 
Em Louisville, ele conheceu sua esposa, Barbara Jones, que o ajudou no ministério de música na Igreja Batista de Walnut Street e subsequentemente passou dois anos em Recife como jovem missionária. Em janeiro de 1974, Isidoro retornou aos Estados Unidos para o seu casamento com Bárbara, celebrada na Primeira Igreja Batista de Winter Park, na Flórida, onde os pais da noiva residiam.

O ministério do ministro de música Isidoro começou na Primeira Igreja Batista de Niterói em julho de 1973. Após três anos ali, ele foi convidado a lecionar na Faculdade Teológica de São Paulo, servindo ao mesmo tempo como Ministro de Música da Igreja Batista Ebenezer. Percebendo, então, que precisava aprimorar-se mais para lecionar melhor numa escola de música sacra, ele regressou aos Estados Unidos em junho de 1976, para estudar no Seminário Teológico Batista Southwestern, em Fort Worth, Texas, onde, em 1980, concluiu o Mestrado em Música com concentração em Regência. 
 
No verão de 1985, o Dr. Isidoro recebeu o prêmio de Excelência Acadêmica ao terminar o grau de Doutorado em Artes Musicais nas áreas de Regência e Hinologia, defendendo a tese Os primórdios da hinódia das igrejas batistas brasileiras – suas fontes e desenvolvimento,4 que serviu como uma das fontes básicas na compilação deste livro. 

Regressando ao Brasil em agosto de 1985 com sua esposa Barbara e seus filhos Marcus, Matthew e Marisa, ele serviu como ministro de música na Primeira Igreja Batista de Niterói, RJ, e em 1988 na Igreja Batista de Itacuruçá, na Tijuca. Concomitantemente ele lecionou no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, exercendo a função de diretor interino do Departamento de Música por dois anos. No Seminário Batista de Niterói, coordenou o Curso de Música Sacra. Neste período ele participou de muitas clínicas e oficinas de música, como preletor e professor nas áreas de regência e culto e louvor, no Rio e na região. Também participou como relator da Subcomissão de textos do HCC por dois anos.

O Dr. Isidoro serve como ministro de música na Primeira Igreja Batista de Tuscawilla, em Winter Park, na grande Orlando, Estado de Flórida, onde teve o privilégio de implantar o ministério de música desta nova igreja, sendo o seu primeiro ministro. Durante os anos de 1993, 1994 e 1995 ele serviu como Diretor de Música na Associação Batista da Grande Orlando. 
 
Ele continua a ensinar os princípios bíblicos de culto e louvor, enfatizando que Deus merece somente o nosso melhor, e que o louvor agradável ao Senhor emana somente de um coração puro e daqueles que realmente conhecem a Deus e com ele se relacionam intimamente. Acredita muito no poder da música, no ensino de teologia e na memorização das escrituras. Por isso ele se dedica muito ao trabalho com vozes juvenis e coros graduados.

Além das teses de mestrado e doutorado, o Dr. Isidoro produziu várias composições, Lutas e vitórias – para conjunto vocal e instrumental, com textos do Dr. Olavo Feijó, e uma cantata para vozes juvenis  Emanuel, Deus Conosco publicada pela JUERP em 1980. Estas composições usam ritmos e estilos brasileiros. 
 
Ele também traduziu algumas obras corais e antemas para o português, introduzindo várias delas (Moteto para quarteto e coro de Michael Haydn e o Te Deum de Ralph Vaughan Williams) no Congresso da Associação dos Músicos Batistas do Brasil, em 1992, em Londrina, PR, quando foi convidado para reger o coro daquele conclave.
 


quinta-feira, 5 de maio de 2022

AINDA É TEMPO DE AGRADECER PELO HCC

Se eu tivesse o poder nas minhas mãos e voz, gostaria de ver todos os batistas brasileiros cantando os hinos do HCC – Hinário para o culto cristão, que já completou 30 anos. Não o tenho, mas quando canto algumas belas e profundas poesias, gostaria tanto que todos pudessem sentir a mesma emoção que enche minha alma quando entoo o hino 331 – Como um rio calmo – de Havergal, 1874/Mountain, 1876/ tradução Moreton, 1898.

Onde nós, batistas, estávamos que não conhecíamos este hino? Foi traduzido em 1878 e caminhamos 104 anos para que pudéssemos, como batistas, apreciar a poesia que diz que Deus traz a paz que satisfaz os crentes. Uma paz perfeita que cresce meiga e domina nossa vida trazendo a alegria. 

A metáfora linda que esse hino faz da paz que corre suave como um rio calmo me faz chorar de emoção. Quando estou aflita não tem como não ouvir dentro de mim e sai pelos meus lábios a poesia que diz – “Como um rio calmo vai correndo a paz”. E o meu coração se aquieta. Quero essa paz que flui do coração do Senhor como um rio calmo. “Ventos de cuidado, sombras de pesar nunca a santa calma poderão turbar”, diz a 2ª estrofe. Ah... não tenha medo, fique calma, os ventos que podem perturbar sua alma, tornar o rio bravio, perturbar sua paz, podem até vir, mas você está no abrigo da mão divina.

Cremos dessa forma, mas a poesia carregada pela linda melodia e harmonia faz com que confirmemos o que cremos. Eu sei que, firmada em Deus, terei bênção completa que é paz e comunhão. Sei porque experimentei. Sei é mais do que crer. Sei é ter caminhado com o dono da vida, do vento, da tempestade... Que bendita certeza de que, independentemente do que passarmos durante nossos dias – quer sejam alegres ou não – sempre o acharemos nos amparando.

Quantas palestras, sermões, livros falando sobre paz, mas quando cantamos esta poesia, que é o hino, ela fica gravada no cantinho da nossa mente e brota um sorriso leve dos nossos lábios que começam a cantarolar, pois sabemos que somos guiados pelos “raios derramados pelo sol de amor”.

 
1.Como um rio calmo, vai correndo a paz 
com que Deus aos crentes sempre satisfaz. 
É perfeita e cresce meiga em seu poder, 
alegrando a vida, dominando o ser. 

No Senhor firmado, tem o crente a paz, 
a completa bênção, comunhão veraz. 


2. No bendito abrigo da divina mão 
não há inimigo, não se vê traição. 
Ventos de cuidado, sombras de pesar 
nunca a santa calma poderão turbar. 

3. São os nossos dias, de prazer ou dor, 
raios derramados pelo sol de amor. 
Pondo a confiança plenamente em Deus, 
sempre o acharemos amparando os seus. 

Um amigo perguntou-me se achava que já deveríamos ter uma atualização com novos hinos no HCC. Então, respondi com uma pergunta, se já conhecia o hino acima ou o 77 do HCC (3ª estrofe) que diz assim: “com os enfermos vem estar, aos pobres vem alimentar; aos que no leito sofrem dor, dá teu alívio animador”. Ele ficou mudo e emocionado e encontrou resposta no seu coração.

Ainda é tempo de gratidão ao Senhor por inspirar tantos hinistas, poetas, tradutores, compositores e arranjadores. Ainda é tempo de agradecer ao Senhor pelo belo hinário que temos ainda desconhecido de muitos. Um dia todos se emocionarão, serão consolados e confortados quando encontrarem as belas poesias que estão dentro dele, podendo experimentar o Senhor do vento, do abrigo seguro e da paz.

Westh Ney Rodrigues Luz